31 de ago de 2015

Tudo está claro, mas escurecem...

• Sem nova CPMF, equipe econômica decide encaminhar ao Congresso proposta de Orçamento da União pela primeira vez com déficit primário - que deverá ficar entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões; Planalto indica não ter como economizar para pagar juros. A decisão teria sido comunicada pela presidente Dilma Rousseff ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL); o líder do Governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), disse que o governo e os parlamentares poderão negociar alternativas para cobrir o déficit durante a tramitação da proposta orçamentária: Com a frustração da CPMF, se não tiver outra solução, a saída é apresentar o orçamento com o déficit e depois negociar. Aí, é uma conversa do Congresso com o Executivo, disse. 
Agora se entende.... Gilmar Mendes e oposição reagem a críticas de Janot que arquivou pedido de Gilmar na ação contra Dilma e pede pacificação numa crítica à Justiça Eleitoral. Ministro disse que procurador-geral não deveria agir como advogado de Dilma. Em resposta a pedido do ministro Gilmar Mendes para investigar as contas de campanha de Dilma, PGR destacou inconveniência da Justiça Eleitoral e do Ministério Público Eleitoral de se tornarem “protagonistas exagerados” da democracia. Oposição diz estranhar arquivamento de Janot e cobra imparcialidade. Em nota conjunta, líderes do PSDB, do DEM, do SD e do PPS na Câmara afirmam que parecer do procurador-geral pelo arquivamento de investigação de fornecedora da campanha de Dilma causa grande estranheza nas oposições
• País tem 7 milhões de idosos inadimplentes. Eles representam 12,4% do total de devedores, aponta a Serasa.
Os filhos da Cut e os filhos do Brasil. 
. Há dois grupos em conflito: os filhos da CUT e os filhos do Brasil. Eles podem ser facilmente reconhecidos pelas cores que usam nas manifestações: os filhos do Brasil vão de verde-amarelo; os filhos da CUT preferem vermelho.
. Os filhos do Brasil, mais numerosos, fazem seus protestos no domingo, porque precisam trabalhar na segunda-feira. Os filhos da CUT, em menor número, fazem seus protestos no meio da semana, porque têm estabilidade no emprego ou foram liberados pelos chefes. Sem contar o pão com mortadela, é claro.
. Os filhos da CUT invadem propriedades (como fizeram com a Fazenda Figueira, em Londrina, uma das mais produtivas do Brasil). Os filhos do Brasil garantem uma safra recorde e carregam a economia do País nas costas. Mesmo assim, os filhos do Brasil são chamados de capitalistas, burgueses, exploradores e escravocratas. Enquanto isso, os filhos da CUT recebem polpudas verbas federais para continuar realizando suas marchas e invasões.
. Os filhos da CUT chamam os filhos do Brasil de golpistas. E, no entanto, é o presidente da CUT que incita seus correligionários a pegar em armas para defender a presidenta. Os filhos da CUT chamam os filhos do Brasil de fascistas. E, no entanto, são os filhos de CUT que poderiam dizer, com Mussolini: Tudo para o Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado. Os filhos da CUT chamam os filhos do Brasil de inimigos da democracia, mas quem defende a turma do mensalão e do petrolão são os filhos da CUT; e também são os filhos da CUT que querem censurar os filhos do Brasil nos jornais e nas redes sociais.
. Os filhos do Brasil constituem a imensa maioria, algo como 91% da população. Mesmo em minoria, os filhos da CUT são muito perigosos, porque nada têm a perder, exceto o poder. E, vamos admitir, eles são muito mais experientes em estratégias e manipulações. Sem contar que os filhos do Brasil são amadores na política, não têm emprego estável nem ajuda oficial; precisam lutar pela sobrevivência, e isso consome tempo e energia. Só os filhos da CUT podem se dedicar à política em tempo integral.
. Os filhos da CUT estão muito nervosos de um tempo para cá, principalmente depois de certas prisões efetuadas pela Operação Lava Jato. Ultimamente eles também não têm apreciado bonecos infláveis. Por falar em Lava Jato, há um teste infalível. Se você estiver em dúvida se alguém é filho da CUT ou filho do Brasil, pronuncie calmamente as palavras Sérgio Moro. Se o sujeito sorrir, é filho do Brasil. Se fizer careta ou sair correndo, é filho da CUT.
. Os filhos da CUT também são filhos do Brasil, e merecem perdão. Mas ajudaria se eles parassem de mandar em nós. Misericórdia! (Paulo Briguet)

Sofra com a verdade, mas não se iluda com a mentira. 

Habemus Papam Ecologistum. 
. A encíclica Laudato Si, do papa Francisco, emprega 74 vezes a palavra natureza, 55 vezes meio ambiente e uma só vez a expressão Jesus Cristo, aquela que designa a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Já o mestre, não divinizado, chamado apenas de Jesus, aparece 22 vezes, o mesmo número de citações de tecnologia e menos de metade da ciência, evocada 55 vezes. Contudo, a Academia Pontifícia de Ciências, com mais de uma dezena de Prêmios Nobel, parece não ter contribuído muito e não é evocada. A palavra democracia não existe no texto.
. A encíclica é densa. A questão ecológica é abordada não apenas em sua dimensão natural, mas no contexto humano, social, político, religioso e cultural. Fato raro, o papa fala na primeira pessoa do singular e deixa de lado o nós, característico de pronunciamentos pontifícios. Ele se dirige a crentes e não crentes e evoca a responsabilidade de todos em gerir a Terra: nossa casa comum. E defende um crescimento econômico com temperança e sobriedade, fundado em mudanças de comportamentos.
. A encíclica não usa uma única vez as palavras capitalismo e socialismo. Já alguns ismos são de uso amplo: consumismo, individualismo, relativismo, antropocentrismo, ceticismo. Sobre um documento que coloca muitos questionamentos, cabem algumas questões.
. Ciente da complexidade do tema, o papa reitera: Há discussões sobre problemas relativos ao meio ambiente, onde é difícil chegar a um consenso. Repito uma vez mais que a Igreja não pretende definir as questões científicas nem substituir-se à política, mas convido a um debate honesto e transparente, para que as necessidades particulares ou as ideologias não lesem o bem comum (188). Pode-se indagar: os homens e as sociedades podem ser geridos por consenso? Quais ideologias lesam o bem comum? Quem pode identificá-las? Qual a diferença entre necessidades (termo da encíclica) e interesses (termo na mídia) particulares na temática ambiental?
. O balanço ecológico do progresso planetário, logo no primeiro capítulo, é negativo, pessimista e pouco equilibrado. Ele fala de poluição generalizada provocando milhares de mortes prematuras. Contudo, mais generalizado ainda foi o aumento da esperança de vida e da educação em todo o planeta, acompanhando o crescimento industrial e a tecnificação da agricultura. Nunca se viveu tanto, nunca se comeu tanto nem se estudou e se votou tanto em todo o planeta.
. Problemas de poluição não existiam em sociedades pré-históricas. Se eles são concomitantes ao desenvolvimento, também foram e são resolvidos pelos avanços da ciência e da tecnologia. O desenvolvimento econômico é essencial para generalizar essas soluções e não transferir problemas. A exportação de indústrias poluidoras para países periféricos, estratégia de limpeza ambiental praticada há décadas por nações desenvolvidas, não foi lembrada na encíclica.
. Em muitos lugares do planeta, os idosos recordam com saudade as paisagens de outrora, que agora veem submersas de lixo (21). Essa afirmação parece um pouco reducionista quando consideradas as condições insalubres nas quais se vivia até o começo do século 20 na Europa e nas quais ainda vive grande parte da população mundial. Não há razão para não investir numa gestão mais eficiente dos resíduos e na redução de sua produção, mas as paisagens de outrora, mesmo na Europa, sem drenagem ou barragens, eram marcadas por enchentes, epidemias, doenças crônicas, períodos de fome, com pessoas subnutridas em hábitats insalubres, sem aquecimento ou energia elétrica.
. Sociedades economicamente desenvolvidas têm meios para cuidar de sua biodiversidade, reduzir a poluição, proteger e manter limpos mares e rios. Elas universalizaram o saneamento básico com tecnologias avançadas de gestão de efluentes. Em países ricos, o ciclo de vida das mercadorias é planejado; o lixo é classificado e reciclado; ecossistemas são preservados e desfrutados por uma população com amplas garantias sociais e acesso a intensa vida cultural.
. Ao associar o uso de insumos modernos na agricultura apenas a seus possíveis efeitos tóxicos, a encíclica não faz justiça à segurança alimentar conquistada por recordes de produção. Nem aos ganhos de qualidade nutritiva e sanitária e à queda no preço dos alimentos que esses mesmos insumos, frutos de ciência e tecnologia, permitiram obter, beneficiando, sobretudo, os mais pobres. Unilaterais, os oráculos consultados pelo papa não tiveram aqui e alhures o justo equilíbrio. Para os países pobres, as prioridades devem ser a erradicação da miséria e o desenvolvimento social dos seus habitantes (172), diz o papa. Como atingir esses objetivos sem crescimento econômico e novas técnicas e tecnologias? Por consenso?
. O papa Paulo VI já evocara o tema ambiental, em 1971, na Pacem in terris. S. João Paulo II foi o primeiro a convidar para uma conversão ecológica, apesar de a mídia tratar a ideia como novidade da Laudato Si. Ele o fez em 2002, com o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, numa declaração comum pela salvaguarda da Criação, em Veneza.
. Bento XVI tratou de ecologia ao longo de todo o pontificado. Graças a ele, o menor Estado do planeta tornou-se neutro em emissão de carbono e adotou metas ambientais ambiciosas. Não há indústria poluidora em seus 44 hectares (só faltava!). O papamóvel foi transformado em veículo flex. Painéis solares fornecem energia para a sala de audiências ao lado da Basílica de S. Pedro. Bento XVI também plantou uma floresta de 7 mil hectares na Hungria, destinada a compensar as emissões de gases de efeito estufa do Vaticano. Se o papa Francisco pode dirigir injunções ambientais aos outros países, é porque também, de certa forma, o Vaticano fez sua lição de casa. (Evaristo E. De Miranda, pesquisador da Embrapa, doutor em Ecologia, e diretor do Instituto Ciência e Fé) 

Nenhum comentário: