3 de set de 2012

Quero minha vida de volta

Photobucket • Fui criado com princípios morais comuns.
• Quando crianças, ladrões tinham aparência de ladrões e nossa única preocupação em relação à segurança era a de que os lanterninhas dos cinemas nos expulsassem devido às batidas com os pés no chão quando uma determinada música era tocada no início dos filmes, nas matinês de domingo.
• Mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades presumidas, dignas de respeito e consideração.
• Quanto mais próximos, e ou mais velhos, mais afeto.
• Inimaginável responder deseducadamente a policiais, mestres, aos mais idosos, autoridades.
• Confiávamos nos adultos por que eram pais e mães de todas as crianças da rua, do bairro, da cidade.
• Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror.
• Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo que perdemos.
• Por tudo que meus netos um dia temerão.
• Pelo medo no olhar de crianças, jovens, velhos e adultos.
• Matar os pais, os avós, violentar crianças, sequestrar, roubar, enganar, passar a perna, tudo virou banalidade de notícias policiais, esquecidas após o primeiro intervalo comercial.
• Agentes de trânsito multando infratores são exploradores, funcionários de indústrias de multas.
• Policiais em blitz são abuso de autoridade.
• Regalias em presídios são matéria votada em reuniões.
• Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos.
• Pagar dívida em dia é bancar o bobo. Anistia para os caloteiros de plantão.
• Não levar vantagem é ser otário.
• Ladrões de terno e gravata, assassinos com cara de anjo, pedófilos de cabelos brancos.
• O quê aconteceu conosco?
• Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e portas.
• Crianças morrendo de fome!
• Que valores são esses?
• Carros que valem mais que um abraço.
• Filhos querendo-os como brindes por passar de ano.
• Celulares nas mochilas dos recém saídos das fraldas.
• Tv, dvd, vídeo-game? O que vai querer em troca desse abraço, meu filho?
• Mais vale um Armani do que um diploma.
• Mais vale um telão do que um papo.
• Mais vale um baseado do que um sorvete.
• Mais valem dois vinténs do que um gosto.
• Que lares são esses?
• Jovens ausentes, pais ausentes, droga presente.
• E o presente? Uma droga!
• O que é aquilo? Uma árvore, uma galinha, uma estrela ou uma flor?
• Quando foi que tudo sumiu ou virou ridículo?
• Quando foi que esqueci o nome do meu vizinho?
• Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado, sem sentir medo?
• Quando foi que me fechei?
• Quero de volta a minha dignidade, a minha paz.
• Quero de volta a lei e a ordem.
• Quero liberdade com segurança!
• Quero tirar as grades da minha janela para tocar as flores.
• Quero sentar na calçada e ter a porta aberta nas noites de verão.
• Quero a honestidade como motivo de orgulho.
• Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olho no olho.
• Quero a vergonha, a solidariedade.
• Quero a esperança, a alegria.
• Teto para todos, comida na mesa, saúde a mil.
• Quero calar a boca de quem diz: a nível de, enquanto pessoa.
• Abaixo o ter, viva o ser.
• E viva o retorno da verdadeira vida, simples como uma gota de chuva, limpa como um céu de abril, leve como a brisa da manhã!
• E definitivamente comum, como eu.
• Adoro o meu mundo simples e comum.
• Ter o amor, a solidariedade, a fraternidade como base.
• Vamos voltar a ser gente?
• A indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito...
• Discordar do absurdo.
• Construir sempre um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas.
• Utopia? Não... Se você e eu fizermos nossa parte e contaminarmos mais pessoas, e essas pessoas contaminarem mais pessoas... Hein? Quem sabe?...

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