13 de jul de 2015

Vice flui um meditar...

• Petrobras adia a exploração de sua nova fronteira. Cortes atingem plataformas que deveriam começar a operar em Sergipe. 
• Empresa de Dirceu foi usada para lavar dinheiro da Petrobras, diz PF. Informações são do jornal O Globo deste domingo. Segundo o jornal, a JD assessoria aparece na lista de 31 empresas suspeitas de lavar dinheiro da Refinaria Abreu e Lima. 
Homem de Dilma pediu dinheiro para campanha da presidente, diz Veja. De acordo com a revista, o dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou em sua delação premiada que propina foi solicitada após assinatura de contrato da Usina de Angra 3. 
• TSE cruza dados eleitorais e presidenciais de Dilma. Oposição baseia ação em supostos abuso de poder e financiamento ilegal. 
• Por melhorias na PF, 170 delegados entregam o cargo. Além dos afastamentos, outros 468 delegados se negaram a assumir funções de confiança por conta de problemas na corporação. Somente em São Paulo, 18 delegados desistiram de seus respectivos cargos de chefia. 
• Dano duradouro. Graves erros na gestão do setor elétrico resultaram no tarifaço que todos percebem na conta de luz.
• Passado tanto tempo, polícia do Rio ainda deve explicações sobre desaparecimento de Amarildo. 
• Dinheiro da Petrobras também pagou prostitutas de luxo. Garotas buscavam os pagamentos em dinheiro no escritório de Youssef. 
• Dilma poupará R$ 12 bi com nova regra de aposentadoria. Congresso ainda precisa aprovar mecanismo, que gera economia até 2030. 
• Câmara abre caminho para votar contas de Dilma. Deputados se preparam para analisar processos de governos anteriores. 
• Colômbia e Farc fazem plano para alcançar paz. Bogotá reduzirá ofensiva em troca de cessar-fogo com a guerrilha.
• Zona do euro fecha acordo de resgate com a Grécia. Conselho Europeu diz que programa terá sérias reformas e apoio financeiro. 
• Papa se despede dizendo aos jovens para fazer bagunça. Francisco foi aclamado como uma estrela do rock por jovens paraguaios. 
• Manifestações exigem saída de Rafael Correa no Equador. Estopim do movimento foi o aumento de imposto sobre heranças. 
Há bolha na China, ela vai estourar e efeito será longo. Especialista em economia chinesa diz que ainda há muito por vir na crise. 

Caixa de Pandora. 
. No meu refúgio deste 18° andar, o maior conforto é a falta deliberada de televisão. Aqui se lê, se conversa, se estuda, se pensa, e nada disso é interrompido ou prejudicado pela caixa de Pandora.
. O leitor ainda se lembra da caixa de Pandora? Muitos certamente já a terão esquecido, pois um dos efeitos da televisão é que hoje as pessoas não se lembram mais das coisas. Das importantes, é claro, pois a própria TV se incumbe de evitar que esqueçam as baboseiras e imundícies.
. Apenas um rápido esclarecimento, para podermos prosseguir. Na mitologia grega, Pandora abriu a caixa onde Zeus havia guardado todos os males, e assim eles se espalharam pela Terra.
. Sendo a TV o equivalente moderno - não mitológico, mas bem real - daquela caixa funesta, isso já bastaria para eu mantê-la longe de mim. Mas o principal motivo é ainda mais profundo: ela degenera nas pessoas a capacidade de pensar, deduzir, comparar, encadear logicamente o pensamento, memorizar, conversar.
. Muito teórico isso aí? Vamos então aos exemplos práticos.
. No meu refúgio, como já disse, não entrou a babá eletrônica. Quando preciso refrescar a cabeça, após algum trabalho mental especialmente árduo, às vezes recorro à janela. Muito mais interessante, a perder de vista.
. Mas parece que eu continuo teórico, pois grande número de pessoas consideram a janela apenas um pedaço de vidro encaixado num furo retangular da parede, sem a utilidade específica de olhar para fora. Ou para o alto, de acordo com o título poético Janelas para o infinito. A constatação que faço é de fundo estatístico: Sempre que olho pela janela, não vejo ninguém olhando pela janela. E são várias centenas delas, nos caixotões de concreto armado ao meu redor.
. Nessa distração de olhar pela janela (que não significa bisbilhotice), observei em janelas vizinhas um fenômeno interessante. Em certas horas, através de muitas delas se nota um pisca-pisca bem rápido, de luzes que mudam de cor, mais intensas ou menos, numa sucessão aleatória. Na primeira vez que notei isso, pensei por instantes que houvesse lá dentro uma festa, no estilo que julgo ser o das discotecas. Mas logo constatei que em todas se repetia o mesmo ritmo e o mesmo padrão de pisca-pisca. Não precisei pensar muito para concluir que por trás de cada janela, numa sala em penumbra, uma TV exibia o mesmo filme, propaganda, novela, ou seja lá o que for. E o pisca-pisca multicolorido provinha dos cortes que se sucedem, nas mudanças de cena ou em tomadas dentro da mesma cena. E os intervalos são cada vez mais rápidos, segundo me consta./ . Não o imagino, caro leitor, perdendo seu tempo diante da pandorinha, mas entenderá as consequências de bombardeios como o desta propaganda:
. Um bonitão pilotando uma moto. [corte] 
. O bonitão surfando numa onda. [corte] 
. O bonitão jogando futsal. [corte] 
. O bonitão em voo de asa delta. [corte] 
. O bonitão escalando um pico. [corte] 
. O bonitão sorridente entre bonitonas sorridentes, bebendo o refrigerante 
. Tô-em-todas. [corte] 
. Musiquinha: Tô-em-todas é legal! [corte]
. Tudo isso em quinze segundos (afinal, tempo é dinheiro). E a mesma coisa se repete em noticiários, filmes, entrevistas, esportes, shows. Nesse bombardeio contínuo, a atenção é bruscamente desviada de um assunto para outro, de uma imagem para outra, de um ângulo para outro na mesma cena, sem conexão lógica e não deixando tempo para pensar, analisar, comparar, concluir. Ao fim de duas horas disso em programas de diversos tipos, o quadro será extremamente negativo:
. Não lembro onde se deu um fato ou outro;
. Não sei que importância tem cada fato;
. Não comentei com ninguém os vários assuntos apresentados;
. Não sei para que me serve ter visto aquilo tudo;
. Não sou capaz de narrar com lógica o que foi mostrado;
. Não relacionei nenhum comentário ou fato com outros;
. Não avaliei nem julguei nada do que vi.
. Qual o resultado no longo prazo? Ninguém precisa ser muito perspicaz para perceber que a burrificação é consequência inevitável dessa metralhadora visual e mental. Lógica, coerência, precisão, continuidade, deduções, conclusões - cada um desses elementos é necessário para enriquecer a inteligência, a cultura, a civilização. Mas não espere nada disso quando entra em cena a TV pandorizadora.
. Nunca me arrependi da decisão de manter muito longe da minha residência a caixa maldita. E é o que recomendo a cada um dos meus leitores. (Jacinto Flecha)

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