23 de mar de 2015

Temporal do Rio, adversário no Maracanã...

• Carioca quer poupar água, mas não muda hábitos. Estudo da UniCarioca mostra que, para 84% dos cariocas, racionamentos já podem ocorrer no ano que vem. 
• Pela 1ª vez, mercado prevê inflação acima de 8% em 2015. Economistas esperam retração maior do PIB, para -0,83%, segundo dados do BC. 
• Metade da lista de investigados já é alvo de inquéritos. Dos 50 nomes levados ao STF, 24 respondem a inquérito ou são réus em processos criminais ou de improbidade. 
• Para 84% dos brasileiros, Dilma sabia de corrupção na Petrobras. Pesquisa Datafolha foi divulgada neste domingo (22); entre eleitores de Aécio Neves, o percentual sobe para 94%. 
• O colunista Luiz Felipe Pondé, que se apresenta como filósofo, extravasa preconceito e fúria reacionária em artigo sobre o contexto político atual; O PT vive seu outono. Melhor voltar para o pátio da fábrica onde nasceu e de onde nunca deveria ter saído, diz ele; como não vê razões jurídicas para impeachment, ele sugere ainda uma eventual renúncia da presidente Dilma; Quatro anos é tempo bastante para se afogar na vergonha. E, aí, a humildade será mesmo essencial, não? (247)
• Efeito Lava Jato e crise da Sete Brasil: 30 obras paradas em todo o País. Obras no Comperj foram afetadas pela crise desencadeada pela Operação Lava Jato, na Petrobras, com a interrupção de diversos projetos e a suspensão de investimentos, atingindo principalmente as empresas responsáveis pela construção da infraestrutura do complexo; após as demissões, o Comperj fica com apenas 5 mil trabalhadores, de um total de 27 mil. Principal polo naval do país, Rio revive temor dos anos 80 com demissões nos principais estaleiros no estado, projeto de navipeças do governo é cancelado. Empresas que fornecem para estaleiros, como fundições, estão funcionando a 50% da capacidade, diz Abimaq. Fornecedores sofrem com calote de estaleiros e demitem 6 mil sem encomendas nem pagamentos, empregas operam com metade da capacidade. Sem receber da Sete Brasil, o Estaleiro Paraguaçu, da Enseada Indústria Naval, na Bahia, teve de suspender a construção das duas primeiras sondas do pré-sal, cancelar as obras de conclusão do estaleiro e demitir. Corrupção afunda retomada da indústria naval. Nova ofensiva da Lava Jato mira uso de partidos para lavar propina. Nova fase da operação que investiga desvios na Petrobras deve analisar a participação dos partidos políticos no esquema. 
• Gabinete do Tribunal Nacional da Espanha pede as prisões do ex-presidente e do atual presidente do Barcelona pelo caso Neymar.

Foto Shop no curriculum do Padre Anchieta! 
. Estudei por muitos anos em colégio de Padres, até bem modernos e liberais mas, mesmo assim, pude verificar como era difícil apagar aquele antigo ranço da Igreja Católica contra o povo judeu!... 
. Como se lembram, só recentemente os judeus foram reabilitados no bojo de um memorável documento, Memória e Reconciliação: a Igreja e as Culpas do Passado, promulgado pelo Papa João Paulo II e compilado por uma Comissão coordenada pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, que o sucedeu.
. Esses anos todos de condenação ou de preconceitos contra os judeus, que pregaram o Cristo na cruz, parece que ainda não se apagaram completamente do subconsciente de alguns dos dirigentes da Igreja, que foram educados nos antigos modelos, mesmo com o posicionamento oficial da mesma! 
. A história abaixo, baseada em uma publicação do Estadão, no último dia 8 de março, mostra como ainda incomoda a certos segmentos da Igreja, ter de admitir que judeus são nossos irmãos, como quaisquer outros e que, até, podem sem declarados Santos da Igreja Católica!
. O nosso excepcional Padre José de Anchieta, um sério candidato a ser venerado em nossos altares, era um cristão-novo, isto é, pertencia a uma família de judeus, convertida ao catolicismo, muitas vezes, como a última estratégia para se livrarem da fogueira da Inquisição! Seu bisavô judeu foi queimado pela Inquisição e seu avô sofreu várias perseguições!

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. Padre Anchieta, independente de sua origem, se transformou em um verdadeiro cristão, à serviço do Brasil e de sua população nativa. Virou santo!
. Mas, não se sabe bem por quais razões, essas suas origens judias, parecem ainda incomodar alguns, como relatado abaixo! 
. Enfim: como lhes disse outro dia, é muito complicada essa questão das Igrejas e religiões, forçando a barra para ser o único caminho possível, de nosso contato com Deus! (Márcio Dayrell Batitucci)

Padre Anchieta: limpando o seu currículo

. Em 24 de janeiro último, véspera do aniversário da cidade de São Paulo, a Folha publicou um esclarecedor e oportuno artigo de Anita Novinsky sob o título Padre Anchieta, cristão ou judeu?
. A Professora Anita destacou então um fato raramente mencionado, que é a origem judaica de José de Anchieta, que foi um dos fundadores de São Paulo. Lembrou que sua mãe era judia, cristã nova, ou seja, convertida ao catolicismo, como a maioria dos judeus na época, para tentar escapar das garras da Inquisição. Sim, pois sua família, residente nas Ilhas Canárias (colônia espanhola), tinha um doloroso histórico de perseguições: o bisavô de Anchieta fora queimado pela Inquisição por crime de judaísmo e seu avô também fora perseguido pelo mesmo motivo. 
. Anita Novinsky revelou também que o próprio José de Anchieta só conseguiu ser aceito como noviço em Portugal pois neste país as leis da Inquisição eram burladas e altas somas podiam ser pagas a agentes inquisitoriais para adquirir certificados de limpeza, ou seja, para esconder a origem judaica. Fazer um filho se tornar padre católico era uma forma de proteger uma família judaica das perseguições e, sob este aspecto, a família Anchieta teve muito sucesso, pois José conseguiu chegar à mais alta posição na Companhia de Jesus, como provincial da ordem no Brasil. Apesar desta compreensível motivação de sobrevivência, em nenhum momento a Professora Anita colocou em dúvida a fé católica, as boas intenções e os atos de José de Anchieta, ressaltando mesmo que muitos cristãos novos se tornaram fiéis católicos e alguns mesmo religiosos cristãos.
. Esclarecido este aspecto muito importante da biografia do Padre Anchieta, qual não foi o meu espanto ao deparar com um artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 8 de março último, assinado por Dom Odilo Scherer, cardeal-arcebispo de São Paulo, sob o título Quem foi o padre José de Anchieta?
. O cardeal inicia seu artigo relembrando que o papa Francisco deverá proclamar santo o padre Anchieta em abril próximo. E, na sequência, traça uma detalhada biografia deste religioso. Começa mencionando que seu pai era opositor político no País Basco e acabou encontrando refúgio nas Canárias para escapar das perseguições sofridas. Sobre sua mãe diz apenas que era natural das ilhas. E a seguir escreve que Anchieta foi enviado para estudar em Portugal quando tinha 14 ou 15 anos, lá teve contato com os jesuítas e entrou na Companhia de Jesus. 
. Dom Odilo, em seu artigo, julgou importante mencionar as perseguições sofridas pelo pai de Anchieta, que era basco e não judeu, mas não mencionou aquelas sofridas pela família de sua mãe, que era judia e teve até um avô queimado pelos inquisidores cristãos! E nenhuma palavra sua sobre a razão de José ter ido para o seminário em Portugal e não na Espanha, onde a Inquisição era bem mais severa. 
. O curriculum vitae de José de Anchieta apresentado pelo atual cardeal de São Paulo, omitindo qualquer referência à sua origem judaica, publicado um mês após o artigo de Anita Novinsky, terá pretendido dar a José de Anchieta, agora candidato a santo, um certificado de limpeza atualizado, como aqueles comprados no Século XVI para eliminar a suspeita de judaísmo?... Esta omissão terá sido uma tentativa de limpar o currículo de Anchieta para apresentar ao papa Francisco um candidato acima de qualquer suspeita, de modo a garantir que sua beatificação realmente se concretize como previsto?
. Ora, qualquer observador atento da postura do novo papa já percebeu que ele é um grande amigo dos judeus e, com certeza, a menção às origens judaicas de Anchieta em nada prejudicaria sua candidatura a santo. Talvez até, pelo contrário, a revelação de como foi de fato a sua vida, por trás das aparências oficiais da Igreja, ajudasse o papa a ver José de Anchieta também como um ser humano, com todas as suas contradições, como alias o próprio Francisco admite ter. Afinal, Edith Stein, que era judia e foi morta em Auschwitz, nem por isso deixou de ser canonizada como Santa Teresa Benedita da Cruz pelo Papa João Paulo II, bem menos liberal do que Francisco!
. No momento em que o papa Francisco opta pela honestidade e pela transparência dentro da Igreja Católica, substituindo prelados e assessores no mundo inteiro, suspeitos de envolvimento ou complacência com escândalos sexuais e financeiros, com certeza pega muito mal qualquer postura de preconceito em relação a outras religiões, em especial a judaica, religião de Jesus e dos apóstolos, inclusive Paulo, o São Paulo...
. Além disso, negar a Inquisição e todos seus crimes ou simplesmente omiti-los das biografias, seria, para a Igreja, um pecado semelhante ao de alemães que negam o holocausto! (Antonio Silvio Lefèvre, sociólogo, com graduação e mestrado pela Universidade de Paris, Sorbonne) 
Tango russo
Mulheres preferem o lar a uma profissão. 
. Chegam-nos notícias de que uma tendência conservadora vai se afirmando entre as mulheres.
. Há um surpreendente movimento de mulheres que, após serem bem sucedidas numa profissão, resolvem abandoná-la para se tornarem donas-de-casa, desagradando assim profundamente as chamadas feministas, pelo fato de representantes do belo sexo escaparem à sua ditadura.
. Não ignoro, é claro, que possa haver mulheres que se dediquem por razões legítimas a uma profissão. Não estou aqui analisando casos individuais. O presente enfoque é a nova tendência que vai se afirmando no sexo feminino, e que tem relação com a presente onda conservadora. Dessa realidade nos dá elementos para análise a reportagem assinada pelo jornalista Guilherme Sillva na Gazeta de Vitória (ES), em 9 de novembro último. Dela extraio os dados abaixo, sem fazer comentários.
. Elas são estudadas e foram criadas para serem bem-sucedidas em suas profissões. Ocuparam cargos renomados nas empresas e mostraram que são competentes. Mas perceberam que a verdadeira felicidade estava em cuidar da casa e dos filhos.
. A engenheira Paola Cristina Cola, de 40 anos, foi educada para ser uma típica mulher do século XXI. Estudou inglês, cursou engenharia, casou e fez mestrado. Como profissional, construiu uma carreira sólida, chegando ao cargo de gerente sênior de uma empresa de satélites com sede no Rio de Janeiro. Há nove anos, no entanto, parou tudo para ser… dona de casa. Descobriu que sua felicidade estava em cuidar dos filhos.
. Paola faz parte de uma corrente de mulheres estudadas que foram criadas para serem bem-sucedidas em suas profissões. Ocuparam cargos renomados em empresas e provaram que são competentes. Mas abriram mão da carreira de sucesso para cuidar da casa e dos filhos. Ouvi de tudo diz ela. Desde Você não vai se adaptar ao Louca, estudou tanto e agora vai emburrecer.
. Paola não está só. Mais da metade das brasileiras (55%) que têm filhos e trabalham fora gostariam de largar o emprego e passar todo o tempo com as crianças, segundo a pesquisa Mães Contemporâneas/2013, do Ibope.
. Para Angelita Scardua, psicóloga especializada em felicidade e desenvolvimento adulto, existe, sim, em algumas camadas da sociedade, um movimento de mulheres que decidiram retomar uma vida doméstica. Quando as feministas queimaram sutiãs, em nome da libertação, era outro cenário. […] O preço a se pagar é caro.
. Algumas se perguntaram se realmente vale a pena abrir mão de presenciar o crescimento do filho em nome da competição no mundo exterior. E algumas, principalmente na faixa dos 35 e 40 anos, perceberam que não vale. Com isso, surge o movimento das mulheres que preferem fazer atividades em casa, explica Angelita.
. Foi o que aconteceu com a nutricionista Luan Silva Teixeira Carvalho de Fonseca, 35 anos. Depois de dez anos de carreira, a coordenadora de Nutrição de um grande hospital, e chefe de 50 funcionários, deixou o emprego para cuidar do filho. Algumas pessoas também foram contra a decisão de Luan, inclusive gente da família.
. Para a psicóloga e escritora Cecilia Russo Troiano, autora do livro Vida de equilibrista - Dores e delícias da mãe que trabalha (Cultrix), as demandas do lado do trabalho estão comprometendo aquilo que elas consideram razoável, seja pelo número alto de horas, muitas viagens ou pressão […] e voltam para casa com a certeza de que a compatibilidade carreira/família não é possível, ressalta.
. Testemunho de uma jornalista indiana: A jornalista indiana Diksha Madhok escreveu para o site norte-americano Quartz Daily Brief - uma agência global de notícias de negócios - um desafiador artigo intitulado A palavra feminista já está em declínio (16-11-14).
. Ela relata que numa pesquisa a respeito de palavras que deveriam ser banidas para sempre do vocabulário inglês, a revista Time incluiu, entre 15 outras, a palavra feminista, deixando aos leitores a escolha de qual delas deveria ser condenada. Devido às pressões recebidas, Time foi obrigada a pedir desculpas pela inclusão.
. Diksha conclui: Parece que, na verdade, a palavra feminista está em risco de extinção. Pesquisa em inglês, no Google, mostra que, a partir de 1996, as buscas das palavras feminista e feminismo estão em contínuo declínio.
. Ficam aqui esses dados para a reflexão dos leitores. (Gregorio Vivanco Lopes)

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