14 de jan de 2015

Choque de gestão e de energia…

 photo _alevy.jpg
Petrolão: Cerveró é preso pela PF. Ex-diretor da Petrobras, acusado na Lava Jato, voltava de Londres. MPF-RJ diz que há indícios de que ele continua a praticar crime'; defesa nega as acusações. Leia


Causas? Enem: 529,4 mil candidatos zeraram na redação. Apenas 250 alunos tiveram nota máxima; consulta ao boletim individual será aberta nesta terça no site do Inep.

Olha o calor no Rio de Janeiro. 
 photo _acalorrio.jpg
Intolerância clara - Revista ultraortodoxa israelense apaga mulheres de foto de protesto em Paris. Enquanto Benjamin Netanyahu, Mahmoud Abbas e outros líderes aparecem em primeiro plano, edição do Kol Hamevaser eliminou Angela Merkel e prefeita de Paris de foto. Uma publicação israelense judaica ultraortodoxa provou nesta semana que a intolerância religiosa pode ter origem em qualquer religião - não só no islamismo, alvo de críticas severas devido ao fundamentalismo de alguns de seus adeptos, como Estado Islâmico e Al-Qaeda. 

 photo _aintoleranciajudia.jpg 

É de fato uma vergonha, que a Polícia Militar por cinco meses tenha se omitido e abafado esse caso. Foi preciso o vídeo ter sido revelado pela Veja para se tomar uma providência contra os policiais que erraram feio na abordagem. Um detalhe significativo: nem Beltrame, nem o atual comandante da PM, coronel Pinheiro Neto fizeram qualquer declaração sobre o episódio, calaram-se completamente. Isso funciona como um recado implícito para a corporação, que acaba estimulando ações desastradas e abusos. Beltrame e o coronel Pinheiro Neto deveriam vir a público e condenar com veemência essa ação que resultou na morte de uma inocente, mas preferiram se omitir. E quando quem está no comando se omite o resultado normalmente é muito ruim.

Eu convido o Islã a chegar ao século 21. Quem topa? Ou: O gênio de Churchill, a idiotia de Edward Said e a delinquência de Tariq Ali. Ou: Não sou Charlie Hebdo; o Charlie Hebdo é que é parte, e só parte, do que somos. 

Culpar o Alcorão pelos ataques terroristas havidos na França é, de fato, ridículo. Livros não matam ninguém. As ideias, ah, estas, sim, podem produzir grandes desastres. Ainda bem que, ao longo do tempo, as exegeses judaica e cristã se encarregaram de interpretar, à luz da vida, não da morte, a vontade de Deus, que pedira a Abraão que sacrificasse Isaac - o filho que veio depois de tão longa espera. Na hora h, como sabemos, o Senhor conteve a mão do pai, e Isaac não foi imolado no altar da fé. Também Jó não resta como um bom exemplo, como posso dizer?, social e psicologicamente justo para testar a fidelidade de um crente. Textos religiosos são alegorias de sentido moral. 

Os convertidos a uma fé que estão livres do demônio do fanatismo entendem que aquelas situações arquetípicas são divinamente inspiradas. Elas nos transmitem um valor, não um exemplo a ser seguido. No que concerne à linguagem - metafórica, alegórica, metonímica -, não há diferença entre Esopo, os narradores da Torá, os evangelistas ou Maomé. O que os diferencia é a crença de milhões de que um conjunto de palavras, e não outro, retrata uma vontade superior, além do alcance puramente humano, onde está o fabulista Esopo. 

Livros, com efeito, não matam ninguém, mas as religiões ou ideologias que eles inspiram, a estas podem fazer pilhas de cadáveres. Seria inútil fazer um cotejo entre os Textos Inspirados dos três grandes monoteísmos - judaísmo, cristianismo e islamismo - para saber qual investe mais na paz ou na guerra. Há de tudo em todos eles. Ainda que a Santa Inquisição tenha matado muito menos do que Robespierre, por exemplo, como justificar as decisões do Tribunal do Santo Ofício? Folgo que inexistam hoje, que se conheçam, admiradores da fogueira purgatória. Mas como ignorar que os descendentes do poeta da guilhotina continuam por aí? O fundamentalismo cristão, felizmente, é residual e sem importância. Já os filhotes de Robespierre ainda são muito influentes. Sigamos. 

Sim, é, de fato, ridículo atribuir ao Alcorão os atentados terroristas na França, mas indago: por que havemos de ser nós, os cristãos - ou os ateus e agnósticos dos países de maioria cristã - a proclamar essa verdade? Onde estão as autoridades religiosas do islamismo para condenar, atenção!!!, não apenas os ataques terroristas, mas também a força que os legitima aos olhos - e crenças - de muitos milhões? 

Ora, acusar a barbárie dos dois atos terroristas que deixaram 17 mortos é tarefa relativamente fácil, mas cadê as vozes relevantes do mundo islâmico para falar em defesa da liberdade de expressão, do direito à crítica, da pluralidade religiosa? Não existem! Lamento, mas é impossível ser honesto intelectualmente e, ao mesmo tempo, sustentar que os valores hoje influentes do islamismo são compatíveis com a ordem democrática. Neste ponto, alguém poderia dizer, e com razão: Ora, também as narrativas de sua Bíblia se chocam com o mundo dos fatos. É verdade. Mas pergunto: que país impõe ao conjunto dos cidadãos os rigores da minha Bíblia? Alguém é capaz de um citar um que seja? 

Esse é um bom momento para um tolo provocador produzir obscurantismo em vez de luzes. O bobo costuma lembrar que a Igreja Católica reconheceu só em 1992 que errou ao condenar Galileu Galilei, depois de 350 anos. Para todos os efeitos, até essa data, para a Santa Madre, o Sol é que girava em torno da Terra. Pois é… Em 1992, quantas eram as universidades e escolas católicas mundo afora - e a Igreja é a maior instituição de ensino do planeta - que defendiam o geocentrismo? Os médicos e cientistas de seus hospitais produziam e produzem ciência, não proselitismo religioso. 

Eu estou aqui a perguntar onde estão os reformadores do Islã. E notem: nem peço a eles que passem a considerar islamicamente legítimo que se desenhe a imagem de Maomé. O que eles têm de reconhecer - e de transmitir a seus fiéis - é que não podem impor a outras culturas e a outras religiões valores que a esses são estranhos. Na melhor cultura política ocidental, que, felizmente, se distingue da religião, tudo pode e deve estar submetido ao livre exame, e os ofendidos buscam em tribunais igualmente leigos, regulados por leis democráticas, a reparação por eventuais agravos. Luta-se com teclados, canetas e lápis de cor, não com fuzis; faz-se um confronto de togas, não de bombas. 

Churchill, Edward Said e Tariq Ali

Infelizmente, não li nem ouvi uma só autoridade religiosa muçulmana - e me refiro àquelas que condenaram os ataques, já que as outras, por definição, não o fariam - a defender o direito que têm os não islâmicos de nações não islâmicas de se comportar como não islâmicos. Entendo! Afinal, na esmagadora maioria dos países muçulmanos, estado e religião se misturam, quando não estão submetidos a uma mesma ordem, e a pluralidade religiosa é um valor que suas comunidades cultivam no Ocidente, mas jamais nas terras consideradas já sob o domínio do Profeta. Ou não é verdade que os muçulmanos se espalham no Ocidente instrumentalizando um valor - o da pluralidade - no qual eles próprios não acreditam em seus países de origem? Ou não é verdade que eles usam em sua defesa um direito 0 a da liberdade religiosa, garantida pelo Ocidente democrático - que sonegam aos cultores de outras crenças? 

O jovem Churchill, ele mesmo!, escreveu em 1899, no segundo volume de The River War - A Reconquista do Sudão, o que segue: Como são terríveis as maldições que o maometismo impõe a seus adeptos! Além do frenesi fanático, tão perigoso num homem como a hidrofobia num cão, existe a apatia fatalista do medo. As consequências são evidentes em muitos países. Onde quer que os seguidores do Profeta governem ou vivam, há costumes imprevidentes, sistemas desleixados de agricultura, métodos atrasados de comércio e insegurança da propriedade. (…). O fato de que, no direito muçulmano, toda mulher deva pertencer a um homem como sua propriedade absoluta - seja uma criança, sua esposa ou concubina - retardará a extinção da servidão. E será assim enquanto o Islã for uma grande força entre os homens. Indivíduos muçulmanos podem demonstrar qualidades esplêndidas, mas a influência da religião paralisa o desenvolvimento social daqueles que a seguem. Não existe força mais retrógrada no mundo. Longe de estar moribundo, o islamismo é uma fé militante, de prosélitos. Ele já se espalhou por todo o centro da África, criando, a cada passo, guerreiros destemidos. Não estivesse o Cristianismo protegido pelos braços fortes da ciência - ciência contra a qual lutou em vão -, a civilização da moderna Europa já poderia ter ruído, como ruiu a civilização da Antiga Roma

Como ouso citar aqui a visão que o colonizador - no caso, o inglês Churchill - tem do colonizado? Pois é. Mergulho, assim, numa das farsas mais influentes do nosso tempo, cujo livro de referência é Orientalismo, escrito pelo palestino Edward Said. Pesquisem. A tese é conhecida, simplista e mentirosa: existiria um Oriente inventado pelo Ocidente (e já evidencio de modo muito simples por que Said é uma piada) como uma espécie de espantalho a justificar toda sorte de brutalidades. Essa suposta construção - da qual certamente a observação de Churchill faria parte - teria se dado ao longo de séculos, atendendo apenas a interesses muito objetivos, essencialmente econômicos e políticos. 

Said é um farsante porque, convenham, não existindo razões para haver um Oriente, também não haveria para haver um Ocidente. Se cai o termo da equação de um lado, há de cair o seu correspondente no outro. Mas esse nem é o aspecto mais importante. Por mais condenável que fosse ou que tenha sido o colonialismo europeu, particularmente o britânico, nos países islâmicos, cumpre indagar: o que foi que eles fizeram dessa herança e em que medida a religião serviu para libertar ou para escravizar os povos? 

A Folha de S.Paulo deste domingo publica um artigo asqueroso de Tariq Ali, escritor paquistanês que vive folgadamente na Inglaterra, misturando em doses idênticas esquerdismo rombudo, ódio irracional aos EUA e, como direi?, uma simpatia nada homeopática pelo terror. Segundo esse canalha intelectual, as circunstâncias que atraem os terroristas não são escolhidas por eles, mas pelo mundo ocidental. Entenderam? Tariq Ali não vive sob leis islâmicas, mas sob as regras da democracia do Reino Unido. Tariq Ali condena, claro, os assassinatos, mas acha que os verdadeiros culpados são as vítimas. Tariq Ali não é um líder religioso. Ao contrário: que se saiba, é comunista e ateu, mas entende as razões dos terroristas e aponta os culpados entre os mortos. 

É claro que ainda voltarei muitas vezes a esse assunto. Encerro este texto indagando, uma vez mais, o que as diferentes lideranças muçulmanas, das mais variadas correntes, fazem de efetivo contra a suposta islamofobia. Se o Islã traz uma mensagem de paz, onde estão seus porta-vozes? Que venham a público não apenas para condenar os atentados covardes, mas para defender o valor essencial da liberdade. Não! Eu não sou Charlie Hebdo porque isso diz pouco do que sou. O Charlie Hebdo é que é parte do que nós somos. E nem sempre fomos assim. Nós nos tornamos assim! No século 17, ainda queimávamos hereges. No século 18, ainda cortávamos cabeças. 

Eu convido o Islã a chegar ao século 21. Quem topa? (Reinaldo Azevedo) 

Austeridade ou Morte!
Esclarecimento
Para não passar por ingênuo faço aqui um esclarecimento: a escolha de Joaquim Levy para ocupar o Ministério da Fazenda não me convence que a presidente Dilma tenha, enfim, percebido que a Matriz Econômica Bolivariana, desenvolvida e implementada pelo ministro Guido Mantega, estava levando o Brasil ao abismo.
Substituição
Por enquanto, o que me faz entender esta substituição de um economista neocomunista-keynesiano (Guido Mantega) por um outro (Joaquim Levy), com formação na Escola de Chicago, é que a presidente Dilma percebeu que através da Matriz (essencialmente) Bolivariana chegaríamos ao nível da Argentina e/ou Venezuela antes do mês de março.
Margem de manobra
Como se trata de uma decisão tomada por uma petista, que por formação respira neocomunismo por todos os poros, o raciocínio mais lógico nos remete a uma certeza: o novo ministro da Fazenda terá pouquíssima margem de manobra.
Alçada
Aliás, o que aconteceu com o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que no dia seguinte de sua posse precisou voltar atrás e desdizer o que havia defendido sobre o cálculo do salário mínimo, dá uma ideia clara sobre o tamanho da alçada concedida à Joaquim Levy.
Obediência à cúpula da Unasul
Nunca se deve esquecer que Dilma e todos os petistas não abrem mão das decisões tomadas nas reuniões de Cúpula da Unasul, cujos propósitos sequer permitem eventuais guinadas ao centro. Muito menos, portanto, à direita.
Economia???
Como se vê, o fato de Dilma ter escolhido Levy para comandar a economia não garante, em hipótese alguma, que o Brasil vai trilhar um novo caminho, onde a gastança pública será menor e mais eficiente. Tanto é que Dilma preferiu promover alguma economia em cada ministério, mas não admitiu uma diminuição na quantidade exagerada e absurda do número de Pastas.
Austeridade
Confesso que tenho me esforçado para ser otimista. Entretanto, pelo andamento da carruagem não vejo motivos para tanto. Mais: naquilo que for decidido pelo lado do bom senso, os contrários às austeridades vão se pronunciar. Aí, o sentimento grego, deve prevalecer, ou seja, em governo bolivariano, austeridade não tem vez. Estamos diante de um novo brado: Austeridade ou Morte! (Gilberto Simões Pires)

Nenhum comentário: