8 de jun de 2014

A Copa de um homem...

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Abaixo as Ditaduras

Estamos a poucos dias do começo da Copa do Mundo Brasil, promovida pela megalomania e pela irresponsabilidade de Lulla e de seu PT apóstata! 

Foram bilhões e mais bilhões desviados das questões básicas que afetam o nosso País, para o bolso dos empreiteiros e para o bolso dos políticos criminosos. Além da perda de nossa soberania, como País, nas mãos da ditadura desse covil de ladrões que se chama FIFA!

Não podemos perder essa grande oportunidade, onde todo o mundo estará com os olhos voltados para o nosso País, para mostrar a todos, as várias ditaduras que nos escravizam, talvez bem mais criminosas e mais profundas que a ditadura militar que vivemos a partir de 1964!

Você não pode deixar de ver e refletir sobre o documento abaixo! É um testemunho factual sobre a dura realidade que nos escraviza e um apelo para que consigamos sacudir o jugo dessas ditaduras que nos aprisionam!

É possível e é necessário! Depende de você. Inclusive, de estender o seu inconformismo e a sua postura cidadã de mudar esse País, até as próximas eleições de outubro!

Precisamos escorraçar de nossas vidas, com nosso voto, esses ditadores criminosos e todos os segmentos que nos escravizam!

E como afirmei em texto de 28/04/2014, Deus é Brasileiro, certamente nós teremos a ajuda de nosso compatriota, lá dos céus: vamos perder essa Copa e enterrar de vez, o sonho de Poder desses irresponsáveis que pensaram em usá-la, para sua perpetuação!... (Márcio Dayrell Batitucci) 

 photo _adedos.jpg A pós-miséria 

As manifestações de junho, milagrosas e belas, ficarão sem respostas, porque não há o que responder e como responder.

Vi CNN uma reportagem sobre o Brasil, a propósito do crack na periferia do Rio. Nunca vi barra tão pesada da miséria brasileira, com corpos semimortos, sujeira e desespero mudo. A repórter americana estava à beira de um colapso nervoso com a degradação do país, alertando estrangeiros civilizados sobre o perigo de vir à Copa. Já andei por fundos sertões e não sou criança, mas parecia que estávamos na Nigéria, na área do Boko Haram, um daqueles lugares mortos que não fazem parte nem do mundo pobre. Ficou-me claro que aqui já vivemos uma pós-miséria incurável, africanizada. A miséria se aprofundou. Chocado, sentei-me para escrever este artigo. Comecei a fazer reflexões sensatas sobre o que fazer, na base do precisamos disso, precisamos fazer aquilo, precisamos tomar providências etc. Precisamos. De repente, me bateu: para quem estou falando? A quem me queixo? A quem recorrer? Minhas perguntas caem no nada. Como fazer as instituições refletirem e agirem, se a pós-miséria atinge não somente os miseráveis, mas degrada as maneiras de combatê-la? A miséria das ruas e dos desvalidos, do crack, do abandono, deriva-se da impotência das instituições e vice-versa.

São duas misérias interagindo, acopladas: a ativa (política) e a passiva (os desgraçados). Criadores e criaturas. 

As manifestações de junho, milagrosas e belas, ficarão sem respostas, porque não há o que responder e como responder. Quem? Uma presidenta (sic) enjaulada no presidencialismo de cooptação, que depende dos congressistas picaretas? Quem? O Judiciário aleijado, com leis de 100 anos atrás?

Por isso, escrevo este artigo pessimista, sim; quem achar deprimente, pare de ler. Mas tenho de continuar; não sei bem para quê nem para quem. Mas escrevo...

A brutalidade está atingindo o país de forma inédita. O subsolo das manifestações de classe media é a violência primitiva dos lumpens (miseráveis inúteis) que está aparecendo. No mesmo registro das donas de casa que protestam contra a carestia ou de jovens contra a Copa, matam-se pessoas por nada, linchamentos, privadas voadoras, cadáveres cortados a peixeiras e costurados ao sol com pinos de guarda-chuva, mortos nas Pedrinhas dos Sarney, pais que matam filhos, crianças se degolando etc.

Não adianta ficar repisando os óbvios erros desse governo, que deixarão sobras terríveis para quem vier - seja Dilma, Lula (será que ele quer?) ou a oposição. A democracia subestimada pelo PT levou a um voluntarismo medíocre que faria a remodelação da realidade de modo a fazê-la caber em premissas ideológicas. Seus erros são tão sólidos que chego a pensar que visam apodrecer as instituições burguesas por dentro, numa espécie de gramscianismo pela corrupção. Isso já está diagnosticado, mas os renitentes intelectuais orgânicos dirão: O PT desmoralizado ainda é um mal menor que o inimigo principal: os neoliberais. E assim vamos.

Estamos entrando numa pós-violência e numa pós-miséria - eis a minha tese. Há uma africanização de nossa desgraça, a ponto de ela não ser mais reversível. E não era assim. O Brasil sempre contou com a possibilidade de melhorias. Sempre vivemos o suspense e a esperança de que algo ia mudar para melhor.

Isso parece ter acabado. 

É possível que tenhamos caído de um terceiro mundo para um quarto mundo, como já nos consideram analistas do exterior. O quarto mundo é a paralisação das possibilidades. Quem vai salvar as 300 meninas sequestradas na Nigéria, quem vai resolver o Sudão, a Líbia? E aqui? Quem vai resolver o drama brasileiro que está entrando no mesmo clube? As informações criam apenas perplexidade e medo, mas como agir? Não há uma ideologia que dê conta do recado. E, na falta de soluções, recorrem a velhos métodos políticos já testados que falharam. No caso brasileiro, se Dilma for reeleita, o falhado bolivarianismo tende a aumentar.

No Brasil, vivemos com a insolubilidade e, diante dela, só temos duas hipóteses: ou a convivência com o absurdo e o desespero, tarefa dificílima até para filósofos ou, então, surgirá um autoritarismo populista carismático, quase religioso, para manter a vida social funcionando, com os privilegiados trancados em casa ou em Miami, com a patuleia bem controlada. Resolver os problemas do país de desigualdade, ignorância, fome, é tão difícil como democratizar o Boko Haram. Não temos meios, como disse Baudrillard - temos apenas os frágeis instrumentos dos direitos humanos

É uma espécie de colheita; com o crescimento da população, das informações, dos desejos, todos os problemas plantados há séculos estão irrompendo ao mesmo tempo. Já tivemos uma miséria dócil, controlada, e nada se fez porque ela não ameaçava. Já usufruímos de vários séculos da estupidez popular para manter nossos privilégios. Já elegemos salvadores da pátria que sempre nos ferraram desde o golpe militar da República até Getúlio, Jânio, 64, Collor, Lula. E deu em nada. Como infiltrar um espírito mais anglo-saxônico nesse corpo ibérico, inerte, anestesiado e sem cirurgia? Hoje, é tarde demais.

O que mais me grila é que não parece se tratar de um período histórico passageiro que, uma vez terminado, o país volte ao normal. Não. É um salto para outra anormalidade sem fim; é uma mudança de estado. Não é uma doença que passa; é uma anomalia incurável.

E aí? Perguntarão os leitores a esse pessimista bodeado? Bem... É possível que Lula volte. Será? Ele deve estar analisando as possibilidades. Como só pensa em si mesmo, se ele achar que é muita aporrinhação, desiste. Se não, ele volta. E aí, sejam bem-vindos ao quarto mundo!

Minha filha Juliana Jabor, antropóloga e psicanalista, escreveu outro dia: Lula poderá se apropriar da situação, com seu carisma inabalável, para ocupar a função paterna que está vaga desde o fim do seu governo. Eleito de novo, a multidão se transformará, aí sim, em massa. Os movimentos perderão o seu caráter de produção de subjetividades e se transformarão numa massa guiada por um líder populista. Desculpem a depressão e boa sorte… (Arnaldo Jabor)


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