5 de ago de 2012

Espiritismo - O que é e o que não é!

• Realmente! Simples, direto e muito esclarecedor!
• Para leigos, as primeiras informações devem ser: Não é religião, nem se confunde com outras manifestações ou práticas espiritualistas....
• Constatamos, muitas vezes, que a imprensa em geral está mal informada a respeito do Espiritismo e o confunde com religiões.
• Tentamos mostrar as flagrantes diferenças entre a doutrina espírita e religiões. A abordagem é objetiva, criteriosa e informa, sem proselitismo, sobre as peculiaridades do Espiritismo, as quais, talvez, já sejam de seu conhecimento.
Carta aos Jornalistas / Imprensa Brasileira
• Prezados Senhores,
• Presume-se que o objetivo de todo jornalística ético e sensato é o de informar bem, com honestidade e imparcialidade, preocupando-se com o indispensável conhecimento da causa que o leva a reportar. Por isto, venho lhes apresentar uma contribuição sobre assunto em que muitos profissionais, embora bem intencionados, terminam por cometer equívocos lamentáveis, por inexplicável ignorância ou falta de pesquisa, que comprometem seus nomes bem como o de veículos por onde circulam suas matérias.
• Falo a respeito do Espiritismo, tema que, invariavelmente, é visto sob enfoque religioso, o que na verdade não é pertinente, e sobretudo, o que é mais lamentável: sempre com afirmativas de conceitos absurdos, oriundos do achismo e também de uma cultura de intolerância e desinformação.
• Não objetivo aqui defender crença ou fé alguma, porque não é isto o que está em questão. Somente quero prestar contribuição à maioria conscienciosa do segmento jornalístico acerca do que realmente é o Espiritismo, sem a menor pretensão de impor aceitação dos seus postulados e, muito menos, converter alguém.
• Vamos aos assuntos:
Espiritismo não é igreja
• A princípio corrijam a conceituação inicial: Espiritismo não é religião. Ele não veio ao mundo com objetivo algum de ser religião. Trata-se de uma doutrina filosófica, com base calcada na racionalidade, na lógica e na razão, apenas com indiretas conseqüências religiosas, haja vista que seus adeptos ficam livres da submissão a qualquer religião, por não serem obrigados a coisa nenhuma, nem serem proibidos de nada. Há centros espíritas que se portam como se fossem igrejas, mas isto é produto da concepção equivocada de seus dirigentes, que ainda sentem a necessidade de rezação, em que pese ser o Espiritismo algo muito acima disto.
Não existe Kardecismo, existe Espiritismo
• O jornalista equivocado costuma se utilizar da expressão kardecismo para identificar algo que ele imagina ser uma ramificação do Espiritismo, achando que Espiritismo é um montão de coisas que existe por aí, quando na realidade não é.
• A palavra Espiritismo foi criada, ou inventada, como queiram, pelo senhor Allan Kardec, exclusivamente para denominar a doutrina nova que foi trazida ao mundo por iniciativa de Espíritos e tem os seus postulados próprios.
• Portanto, qualquer crença ou prática religiosa que se utiliza da denominação Espiritismo, fora do que se conforme em seus postulados, está apropriando-se indevidamente, mergulhando no campo da fraude. Daí a verdade de que o nome daquilo que chamam de kardecismo, é verdadeiramente  Espiritismo.
• Apenas para aclarar o conhecimento dos que ainda acham que Candomblé, Cartomancia, Necromancia, Umbanda e outras práticas espiritualistas é Espiritismo, vai aqui um pequeno quadro comparativo, exemplificando algumas práticas, para apreciação daqueles que primam pelo o uso da inteligência e do bom senso, a fim de um discernimento mais coerente e responsável.
• Veja quem adota e quem não adota o quê.
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• Como pode, então, um profissional que tem a obrigação de estar bem informado, afirmar que Espiritismo e Umbanda são a mesma coisa? Não seria mais razoável concluir que a Umbanda é mais semelhante ao Catolicismo, embora, também, não sejam a mesma coisa? O espírita não tem a menor pretensão de diminuir ou desvalorizar o adepto da Umbanda que, por sua vez, tem sua denominação própria que é Umbanda, não Espiritismo. Apenas quero deixar claro que Espiritismo é Espiritismo e Umbanda é Umbanda, assim como Catolicismo é Catolicismo, Protestantismo é Protestantismo.
• A afirmativa que alguns fazem de que tudo é a mesma coisa, com a diferença de que na Umbanda se reúnem negros e pobres e no tal Kardecismo os elitizados, é extremamente leviana, inverídica e irresponsável. O Espiritismo não faz qualquer discriminação de raça, ou classe social, encontrando-se em seu movimento pessoas de todas as etnias e condições materiais, aqui e no mundo todo.
Allan Kardec não inventou o Espiritismo
• Allan Kardec não inventou, ou criou, Espiritismo nenhum. A proposta veio de Espíritos, através de manifestações espontâneas, consideradas fenômenos, na época, e ele, que nada tinha a ver com aquilo, foi convidado por amigos para analisar os tais fenômenos, em suas casas, oportunidade em que foi convidado, pelos Espíritos, por sua condição de pedagogo e educador criterioso, a sistematizar aqueles ensinamentos em livros e disponibilizá-los para a humanidade.
• Ele foi tão honesto que não considerou a obra de sua autoria e evitou apor seu nome, apesar de renomado na Europa de então (Denizard Rivail). Preferiu utilizar-se de um pseudônimo. É bom que se saiba que o tal professor Rivail era autor famoso de livros didáticos e que tudo o que aparecia com seu nome vendia muito, não apenas na França como em toda a Europa.
• Atentem ao detalhe: Os Espíritos optaram por um pedagogo, um professor, e não por um padre, um religioso, o que nos convida a entender que o Espiritismo é escola e não igreja.
Sobre a reencarnação
• Não é patrimônio exclusivo do Espiritismo e não foi inventada pelo Espiritismo. É algo conhecido pela maior parte da humanidade, por milênios, muito antes do Espiritismo que tem apenas 151 anos de idade.
• O espírita, depois de estudar a reencarnação, não crê na reencarnação, ele passa a saber- da reencarnação, o que é diferente. Exemplificando: Você crê que a Lua existe ou você sabe que ela existe? Afinal, você pode vê-la e comprovar cientificamente? É isto aí! Portanto, afirmar que espíritas crêem na reencarnação é sem sentido.
Sobre a mediunidade
• Também não é patrimônio exclusivo nem foi inventada pelo Espiritismo. É uma faculdade humana paranormal e independe de crença religiosa, já que a pessoa pode possuí-la, com maior ou menor intensidade, acredite ou não. O Espiritismo apenas se dispõe a estudá-la, educar e disciplinar as pessoas que a possuem, para que seu uso possa ser benéfico a elas e aos outros, absolutamente dentro dos elementares padrões de moralidade. Segundo os postulados espíritas, ela nunca deve ser comercializada e deve ser utilizada gratuitamente Todavia, é praticada comercialmente em alguns lugares do mundo, por pessoas que são médiuns e, inclusive honestas, mas nada sabem sobre Espiritismo, numa comprovação de que mediunidade existe fora do meio espírita.
• Qualquer assertiva da espécie alguém tem mediunidade e precisa desenvolver é vinda de pessoas despreparadas, ainda que se rotulem espíritas, pois o Espiritismo propõe que a faculdade deva ser educada, não desenvolvida.
Sobre o caráter do centro espírita
• É um local que deve atuar como escola e não como igreja. A sua proposta é de estudos, sobretudo da matéria que trata da reforma íntima das pessoas, esclarecendo do papel de cada um de nós na Terra, da nossa razão de existir enquanto criaturas úteis ao nosso próximo, da nossa condição espiritual no presente e no futuro e, principalmente, da nossa conduta moral.
• Recomenda a prática da Caridade, sim, mas de forma ampla, no sentido de orientar e informar a outrem sobre os meios de libertação dos conflitos, das amarguras, das incompreensões e do sofrimento em si. E não do entendimento estreito de que Caridade se resume a dar prato de sopa ou roupas usadas a pobres, para qualificar o doador como bonzinho.
• Adota Jesus, sim, inclusive como o maior modelo e guia que temos a seguir, concebendo o seu Evangelho como a bula coerente a nos conduzir, e não como sendo ele o próprio Deus. Enfim, o centro espírita é um local de estudo e não de rezação.
Sobre quem é reencarnação de quem
• Recentemente, vimos um jornalista afirmar nas páginas da Veja que os espíritas juram que fulano é reencarnação de ciclano, o que é um absurdo. Em primeiro: espírita não adota jura alguma; Em segundo: não consta da atividade espírita a preocupação de quem é reencarnação de quem, uma vez que esta discussão é irrelevante, não tem razão de ser, não acrescenta absolutamente nada à proposta espírita para a criatura humana, em que pese alguns espíritas, apenas alguns, (nem todos entendem bem a proposta da doutrina) se ocuparem desta discussão.
• Falar em quem é ou talvez possa ser reencarnação de quem, é conversa amena de momentos de descontração de espíritas, apenas em nível de curiosidade ou especulação, jamais tema de estudo sério da casa espírita.
• Ainda que possa existir, em alguns locais de estudos mais profundos e pesquisas espíritas, interesses em trabalhar as questões da reencarnação, os estudiosos apenas sugerem que fulano possa ser a reencarnação de alguém, mas nunca afirmam, apesar de evidências marcantes e inquestionáveis (quando a condução da pesquisa é séria).
• Quem anda dizendo que é a reencarnação de reis, de rainhas e de personagens poderosas do passado não são os espíritas, são apenas alguns bobos que estão no Espiritismo sem consciência do seu papel.
Apologia ao sofrimento
• Matérias de revistas e jornais, dentro deste equívoco a que nos referimos, chegaram a afirmar, diversas vezes, que o Espiritismo ensina as pessoas a serem acomodadas em relação ao sofrimento e até chegam a dizer que o sofrimento é bom.
• Não condiz com o ensinamento do Espiritismo. Se algum espírita chega a dizer isto, certamente é vítima do masoquismo e, provavelmente, deve praticar um ritual em sua casa, quando, talvez uma vez por semana, coloque a mão sobre uma mesa para martelar seus dedos.
• Sofrimento não é condição fundamental para a evolução de ninguém, embora entendamos que, ao passar por ele, muitas pessoas acordam para a realidade da vida e mudam de atitude, sobretudo no campo do orgulho, do egoísmo e da presunção.
Mesa branca
• Não existe espiritismo mesa branca, alto espiritismo, baixo espiritismo ou qualquer ramificação do Espiritismo, que é um só. O hábito de forrar mesas com toalhas de cor branca, na maioria dos centros espíritas, nada mais é que um hábito de alguns espíritas, de certa forma até equivocados também, uns talvez achando que a cor branca da toalha ou das roupas das pessoas tem algum significado virtuoso, quando na verdade não existe esta orientação no Espiritismo.
• Muito pelo contrário, seria preferível utilizar toalhas (por que tem sempre que ter toalhas nas mesas?) de outras cores, pois a cor branca tem maior facilidade de sujar. Portanto a citação de espiritismo mesa branca é mais uma expressão da ignorância popular, o que não se admite em jornalistas.
Terapia de vidas passadas
Não é procedimento espírita, em que pese ser recomendável em alguns casos, porém em consultórios de profissionais especializados (geralmente psicoterapêutas). É fato, existe, é comprovado, tem resultados cientificamente respaldados, mas não é prática espírita. Cromoterapia, piramidologia etc…
• Se alguém usa uma dessas práticas no espaço físico de uma casa espírita, é por pura deliberação da direção da casa, que se considera livre para fazer o que quiser, até mesmo para dar aulas de arte culinária, corte e costura, curso de inglês, informática ou o que quiser, por serem atividades úteis, sem dúvidas. Mas, não tem a ver diretamente com o Espiritismo.
Sucessor de Chico Xavier
• Isto nunca existiu no Espiritismo, em que pese vários jornalistas terem colocado em matérias diversas, quando o Chico Xavier morreu, e ainda repetem, talvez querendo estabelecer alguma comparação entre Espiritismo (que veem apenas como religião) e Igreja Católica, que tem sucessores dos papas. Chico Xavier nunca foi uma espécie de papa, de cardeal ou de qualquer autoridade eclesiástica dentro do movimento espírita. Divaldo Pereira Franco nunca foi sucessor do Chico, nunca teve essa pretensão, ninguém no movimento espírita fala nisto, que é coisa apenas de páginas de revistas desinformadas sobre o que verdadeiramente é o Espiritismo.
A sua relação com a Ciência
• Faz parte da formação espírita a seguinte recomendação: Se algum dia a ciência comprovar que o Espiritismo está errado em algum ponto, cumpre aos espíritas abandonar imediatamente o ponto equivocado e seguir a orientação da ciência.
• Mas, isto não quer dizer que a fala de pessoas, como o padre Quevedo, que se apresenta presunçosamente como cientista, deva ser entendida como Ciência, já que ele não é unanimidade, nem aceito pela maioria dos cientistas. Ele é padre, nada mais do que padre, com uma posição não aceita sequer pela maioria do meio católico, quanto mais pelo científico.
• Não é pseudo-ciência ou opinião pessoal de um ou outro que se diz Ciência. A esta o Espiritismo se submete, com advertência: Ciência em conclusões inquestionáveis. Até agora a Ciência não conseguiu apontar e muito menos comprovar erro em um ensinamento espírita, sequer.
• Se alguém exige, por exemplo, provas da parte dos que afirmam que existe vida fora da Terra, por questão de bom senso deve indagar, também, de provas de não existência. Será que tem?
Medicina e Espiritualidade
• Alguns médicos, tradicionalmente, afirmam que os problemas de saúde das pessoas nada têm a ver com problemas espirituais, porque estes se resumem a crendices. Hoje existe um curso oficializado de Medicina e Espiritualidade, dentro da USP (Universidade de São Paulo), a maior universidade do País, onde são estudados esses questionamentos que alguns insistem em chamar de crendices. Sugerimos aos jornalistas o interesse em reportar sobre este assunto, sem que vá aqui a menor intenção em converter ninguém. Não se trata de questão religiosa, trata-se de questão científica.
• Diante do exposto, sugerimos aos veículos de comunicação, obviamente comprometidos com a credibilidade, que repassem os esclarecimentos a seus profissionais de jornalismo, não necessariamente para que eles sejam simpáticos à doutrina espírita, pois ninguém é obrigado a aceitar coisa alguma, mas para, pelo menos, não comprometerem suas honorabilidades com leviandades e até se expondo ao ridículo, por discorrer sobre assunto do qual não entendem. (AD)
"Há um tempo que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos, que nos levam aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre, à margem de nós mesmos." (Fernando Pessoa)

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