14 de jun de 2011

Lambanças do MEC

• Impressiondo com a capacidade do nosso MEC fazer lambanças por aí, escrevi esse pequeno texto. Só para desopilar o fígado.....
MEL poderia ser a nova sigla, que substituiria MEC, para representar o Ministério da Educação.
• Quem não lembra as trapalhadas de cada edição do ENEM? Vazamento de questões, vazamento dos dados pessoais dos inscritos, falha na impressão de provas, erros na determinação dos locais de provas, e por aí. Depois vem o kit gay. Não vamos entrar no seu mérito, apenas lembrar que depois de meses e meses de trabalhos de renomados órgãos de educação do Brasil – até a Associação Brasileira Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais tem seus créditos pela elaboração de tão importante material – a Presidente da República perdeu a paciência com tal kit.
• É verdade que até agora não se sabe exatamente quanto os produtores do material receberam dos cofres públicos, mas deve ser coisa pequena, quaisquer dois, cinco ou dez milhões de reais. Afinal, a empresa do ex-ministro Palocci não participou da produção, com ela dando consultoria poderia ser bem mais caro.
• Mas agora vem a pérola chamada de livro didático, Por Uma Vida Melhor. Não contente com ensinar o Português com erros, o livro ainda apresenta uma forma de agredir os que possam tentar corrigir os infratores das normas gramaticais. Segundo o livro, quem cometer erros de concordância ou outros pode ser vítima de preconceito lingüístico. Forma até inteligente de defender a imposição do erro. Preconceito é uma palavra feia, no politicamente correto é uma das mais pejorativas. Ninguém quer ser preconceituoso. Na lógica do livro adotado pelo MEC, apontar ou corrigir o erro é ter preconceito. Uma confusão do que poderia ser preconceito com a defesa absurda do indefensável. Ter preconceito, no bom sentido, é desrepeitar uma pessoa porque ela comete erros gramaticais. Nem todos puderam ter acesso a uma boa educação e aprender o Português correto, nem por isso devem ser desrespeitados. Agora dizer que se pode falar e escrever errado e que é preconceito lingüístico corrigir ou apontar o erro, isso sim é um desrespeito com quem usou tal material para se educar. Ensinar errado propositalmente, e dizer que está bem, chega a ser uma crueldade com quem usa o material para aprender.
• Aí o Ministro da Educação vai ao Senado defender o absurdo, e passa a produzir alguns absurdos maiores. Primeiro, o ministro recorre a velha cartilha com que os políticos se defendem – ou pensam se defender – sempre que acusados de erros: estão querendo politizar os fatos. Seja o que for e por mais claro que tenha sido o erro do governo, sempre se diz que a oposição quer politizar o fato. Logo em seguida, o ministro saca outra acusação, mais contundente, mas também muito usada: facistas, os que condenam o livro tem um viés facista. Poucos sabem o que seja ser facista, mas é uma acusação terrível, ser facista é tudo de ruim. Até que o ministro poderia ter parado por aí. Entre defender a correta educação dos brasileiros e o bom Português e ser estigmatizado como facista, ou deixar para lá e se livrar da terrível pecha, muitos iriam preferir a segunda alternativa. Mas o Ministro da Educação resolveu explicar aos senadores porque quem se opõe ao livro é facista. Mostrando que nem ele sabe muito bem o que é ser facista, mistura o facismo italiano de Mussolini com o nazismo alemão de Hitler e dispara: Há uma diferença entre o Hitler e o Stálin. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stálin lia os livros antes de fuzilá-los.
Estamos vivendo, portanto, uma pequena involução, estamos saindo de uma situação stalinista e agora adotando uma postura mais de viés fascista, que é criticar um livro sem ler. A frase é um primor, se alguém levar a sério o que disse o ministro, temos bons motivos para ficar preocupados. Porém, se considerarmos o que o MEC tem produzido, pode ser só hilariante. Pelo que se deduz da colocação do ministro, fuzilar o autor depois de ler seus livros é aceitável; pelo que se lê na afirmação do ministro passar de uma situação stalinista e adotar uma postura mais facista é uma pequena involução. O que seria uma grande involução para o nosso ministro? Finalmente, o ministro afirmou que estamos saindo de uma situação stalinista. Estávamos em uma situação stalinista? Tirando uma meia dúzia de ferrenhos e ultrapassados anti-comunistas, não conheço nenhuma pessoa de razoável discernimento que colocasse o Brasil em uma situação stalinista. O ministro nos trouxe um interessante dado novo sobre nossa vida política. Será que o satalinismo no Brasil começou com o governo Lula? Ou foi coisa do FHC? Será que o regime de Dilma é facista?
• Mas vindo de onde vem, podemos considerar as afirmações como mais de rir do que de se preocupar. Ou melhor, poderíamos, se não viessem do órgão máximo da Educação do nosso país. Pensando bem, devemos é chorar.
• Mas a coleção de trapalhadas não tem fim. Agora se descobre que os livros que custaram a bagatela de 13,6 milhões de reais apresentam contas como 10-7=4 ; 16-8=6 ; 16-7=5. Dessa vez o Ministro da Educação reconhece que os livros tem erros e que mandou uma carta aos coordenadores de escolas da zona rural recomendando que os livros do Escola Ativa não sejam usados em sala de aula. A coleção foi retirada do ar também na internet. O ministro poderia ter parado por aí, mas o surreal continua. Na matéria publicada pelo Estado de São Paulo, o ministro acrescenta que se trata de um material de apoio às classes multisseriadas no campo, e minimiza: A interrupção do uso não vai comprometer o ensino, porque esse é um material de uso opcional.
• Mais uma vez temos bons motivos para chorar. O dinheiro público, 13,6 milhões de reais pagos pelo contribuinte brasileiro, foram gastos para elaborar um material cuja interrupção do uso não vai comprometer o ensino. Talvez os que consideram certo dizer nós pega o peixe e os que consideram que dez menos sete é igual a quatro considerem normal a explicação do ministro.
• Mas acho que a imensa maioria da população brasileira teria uma pergunta a fazer: por que se gastaram 13,6 milhões de reais para produzir um material cuja retirada das escolas não traz prejuízo? Será que em vez de dizer isso o MEC não pensou em dizer que quem considera que dez menos sete igual a quatro pode ser vítima de preconceito matemático?
• Mas, voltando ao início deste texto, por que MEL poderia ser a nova sigla, que substituiria a MEC, representando o Ministério da Educação? Depois que o Ministério da Educação perdeu a Cultura, o C ficou sobrando na sigla. Com as trapalhadas que o MEC tem feito, e com sua tendência a inovar, poderia substituir o C pelo L e poderia ser chamado de Ministério da Educação e Lambança – MEL. Ah, se houver necessidade escolher um novo titular para o MEL, a presidente pode se lembrar de um recente slogam de campanha: com Tiririca pior do que está não fica. (Krause)



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