13 de ago de 2017

Lidando com incertezas…

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 • Fundo eleitoral supera orçamento anual de um quarto dos ministérios. R$3,6 bi para eleição é mais que orçamentos de 8 ministérios. 
• A pouco mais de um ano das eleições para a Presidência, os governos estaduais e o Congresso Nacional, os brasileiros manifestam rejeição generalizada à classe política, independentemente de partidos, e ao atual modelo de governo. Segundo pesquisa do instituto Ipsos, apenas 6% dos eleitores se sentem representados pelos políticos em quem já votaram. 
• Governo quer que emendas banquem novo fundo eleitoral de R$ 3,6 bilhões. Base propõe que fundo seja abastecido por recursos já previstos; deputados pedem verbas do Tesouro. 
• Procurador critica fundo eleitoral e pede nas redes: #NãoReformaTapetão
• Sem dinheiro para a meta. O governo deve abandonar a atual meta fiscal. Roteiro seria mais claro se parlamentares e membros do Judiciário também se considerassem responsáveis. 
• Democracias de verdade não precisam de um fundo para se financiar. De novo, como das vezes anteriores, correm para aprovar o que der, mesmo que seja transitório. 
• Odebrecht oculta fatos em delação, afirma advogado. Dinheiro no exterior teria sido omitido; empresa diz que entregou provas. Empresário Marcelo Odebrecht busca atenuar pena. Mas recurso pode atrasar libertação e causar perda de benefícios da delação. 
• Investidor não pune governo como deveria, diz Pastore. Para ex-presidente do BC, boa situação externa deixou mercado bêbado. 
• Mandato de 10 anos valerá para novos ministros. Ficarão 10 anos nos tribunais apenas os futuros ministros. 
• Eletrobras quer economizar R$ 1,5 bilhão com Plano de Aposentadoria; 
• Ex-marido de Dilma, Carlos Araújo morre em Porto Alegre. Dilma Rousseff acompanha velório.
• Receita Federal identifica 18 mil doações acima do limite nas eleições de 2016. 
• Ex-senador perseguido na Bolívia e asilado no Brasil se acidenta ao pilotar avião em Luziânia. É grave o estado do senador perseguido por Morales e Dilma. 
• Negociações com a PGR estão encerradas. Eduardo Cunha não fará delação premiada. 
• Emenda Lula: Emenda que pode livrar Lula ainda emperra reforma. Artigo proibia a prisão de candidatos 8 meses antes da eleição; Bloqueio de bens de Lula mira produto do crime, diz Procuradoria. Segunda instância do Ministério Público Federal diz que medida é absolutamente legal
• Governo quer limitar salário inicial de servidor e adiar reajuste para 2019. Meirelles quer elevar impostos, mas Congresso resiste. Conta deve sobrar para o funcionalismo público. 
• Temer se reúne com Tasso por apoio às reformas. Presidente interino do PSDB é favorável ao desembarque, mas defende reformas da Previdência e tributária.

• EUA não descarta ação militar na Venezuela. Caracas diz que declaração é gesto louco e extremista; Aloysio critica postura dos EUA e pede diplomacia. 
• Trump condena ódio após protestos violentos na Virgínia; Confronto racial nos EUA deixa três mortos. Manifestação tem embate entre ultradireita nacionalista e grupo antirracista; Carro atropelou manifestantes antirracismo que protestavam ontem contra supremacistas brancos na cidade de Charlottesville, no Estado da Virgínia, Estados Unidos. As autoridades dos Estados Unidos acusaram formalmente de assassinato em segundo grau James Alex Fields Jr., branco, de 20 anos e natural de Ohio, como o suposto autor do atropelamento neste sábado em Charlottesville, que deixou um morto e mais de 20 feridos após uma passeata de supremacistas brancos. 
• Repressão fica mais violenta no interior da Venezuela. Maioria de mortes em julho ocorreu em áreas onde cobertura de mídia é rara. 
• Primária legislativa é teste para Macri na Argentina. Candidata ao Senado, Cristina Kirchner mira presidência em 2019. 
• Índia abre investigação sobre morte de 60 crianças em hospital público. 
• Exército sírio retoma cidade que estava sob poder do Estado Islâmico. 
• Protestos violentos continuam no Quênia após reeleição do presidente. 

Dodge e Janot têm algo em comum.
A doutora Raquel Dodge foi ao Jaburu (logo lá) às 22h de terça-feira e encontrou-se com o presidente Michel Temer sem que houvesse registro na agenda do anfitrião. Até aí, vá lá, mas no dia seguinte ela informou à patuleia que foi a Temer para tratar da cerimônia de sua posse, no dia 18.
Se o Brasil tem um presidente e uma procuradora-geral que precisam se encontrar pessoalmente para tratar de um assunto de tamanha irrelevância, a situação está pior do que se imagina. Noutra hipótese, reconhecida por assessores do presidente, os dois trataram das tensas relações do Planalto com a PGR. Nesse caso, a doutora Dodge julgou-se no direito imperial de propagar uma banalidade inverossímil.
A nova procuradora-geral começa seu mandato cultivando o vício da onipotência. Os poderosos doutores, apoiados por Dodge, tentaram conseguir um reajuste de 16,38%, mas foram rebarbados pelo Supremo Tribunal Federal. Isso numa folha de pagamentos cheia de penduricalhos que ofendem a instituição.
Rodrigo Janot assumiu a Procuradoria-Geral no dia 17 de setembro de 2013 e dois dias depois assinou uma portaria estendendo o auxílio-moradia aos procuradores que trabalhavam em Brasília.
A repórter Ana Kruger revelou que o doutor tinha um apartamento de 56 metros quadrados, alugado ao colega Blal Dalloul por R$ 4.000. (Hoje a gambiarra salarial rende R$ 4.377 mensais.) Dalloul requereu o benefício e a Viúva ficou com a conta. (Janot jamais requereu o benefício que aspergiu.).
O doutor não fez nada de errado, pois poderia ter alugado o apartamento a um padeiro. O auxílio-moradia dos procuradores, desembargadores e juízes faz sentido, quando o servidor tem casa numa cidade e é mandado para outra. Transforma-se numa tunga quando o procurador, juiz ou desembargador tem casa própria na cidade onde trabalha e embolsa o auxílio-moradia.
Uma reportagem de Fabio Brandt mostrou que, em 2015, a doutora Raquel Dodge vivia numa bonita casa em Brasília, com jardim muito bem cuidado, e recebia o mimo. Na ala dos afortunados, estavam 5 dos 33 ministros do Superior Tribunal de Justiça. Dodge e outros três procuradores (José Flaubert Machado, Ela Wiecko e Deborah Duprat) tinham propriedades em boas vizinhanças da capital. Vai-se além: alguns sem-teto da PGR e da magistratura têm mais de um imóvel em Brasília.
Todos os beneficiados argumentam que recebem o que a lei lhes concede e acham que é falta de educação tocar nesse assunto. (Elio Gaspari) 

A internauta militante.
A moça tem um cortejo de seguidores e funciona, naquele grupo, como uma professora de História do Brasil que preferisse o Paleolítico. Ataca as Grandes Navegações, as usinas hidrelétricas, o capitalismo e o brutal bloqueio norte-americano a Cuba. Ela descobriu que os coxinhas tiraram a Dilma para botar o Temer lá porque ele é o chefe da quadrilha e a Dilma ia estourar o ponto. A cada frase dessas, a galera esgota o estoque daquelas figurinhas emojis com palmas, socos, braços musculosos, polegares erguidos, sorrisos e corações. Juro que vi até um burrinho, mas foi coisa de alguém que clicou errado.
Na opinião dela, o Temer tem que sair. É um imperativo moral. Tão imperativo moral quanto a prisão de Sérgio Moro, a absolvição imediata de Lula em todos os processos, a execução de Eduardo Cunha, a volta de Dilma, a proscrição da Rede Globo e a capitalização da Carta Capital em joint venture com o BNDES. Posta diante da questão - Tirar o Temer para pôr quem? - ela estufa o democrático busto e pede eleições gerais.
Grande ideia! Para funcionar, há que: 1º) mudar a Constituição; 2º) alterar todos os prazos já definidos; 3º) redigir e aprovar as leis complementares necessárias para regrar o pleito; 4º) feito isso, esperar que o TSE redefina as muitas questões que lhe cabe normatizar a cada eleição; 5º) obter do governo a liberação dos tais R$ 3,6 bi ditos imprescindíveis ao financiamento público da campanha. Sobre o fulano que vai presidir a República durante esse tempo eu só sei que se não for companheiro a tal internauta estará na rua com um cartaz Fora fulano.
Se o Congresso Nacional abraçar a solução proposta pelo elevado discernimento político da moça, é certo que a eleição fora de prazo vai acontecer realmente fora de prazo, lá por 2020. Fica a dica para Maduro, que está muito a fim de evitar uma eleição direta censitária.
Por falar nisso, ela é fã do Maduro. Encanta-se com aquele jeito de Mussolini de opereta e com o vocabulário bolivariano de 500 palavras. E está indignada (deve ter ouvido orientações de Gleisi Hoffmann) com as críticas que os coxinhas fazem ao camarada ditador da Venezuela sem terem ido lá para ver o que realmente está acontecendo. No post seguinte, de modo coerente, recomendou ler o que se escreve lá fora sobre o Brasil.
Tentei explicar que a Câmara dos Deputados não julgou e menos ainda absolveu Michel Temer; esclareci que cabia àquela Casa apenas definir se convinha ou não ao país que o presidente viesse a ser julgado pelo STF naquele momento. E afirmei que novos fatos ou diferentes circunstâncias poderão, no futuro, recomendar decisão diferente. Foi a conta! Recebi uma página inteira de emojis malcheirosos e fui bloqueado. Não consegui dizer que em 2005 e 2006, quando estourou o mensalão e a Orcrim se tornou conhecida, 33 pedidos de impeachment de Lula foram protocolados e arquivados na Câmara dos Deputados. Nenhum de parlamentar. Por quê? Os políticos sabiam que havendo eleição logo adiante, um processo de impeachment complicaria a cena eleitoral, administrativa e econômica. As responsabilidades criminais seriam tratadas na Ação Penal 470, no devido tempo e no foro adequado. O que de fato aconteceu. Quem quer o circo pegando fogo está noutro lugar e com a vida ganha. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor)

Governo vai contrastar Temer com Lula e Dilma.
O governo vai mudar sua estratégia de comunicação digital para tentar aumentar a popularidade do presidente Michel Temer. A nova equipe de publicitários quer permitir o acesso a todas as páginas online dos órgãos públicos por meio de um portal e oferecerá uma comparação dos dados da sua gestão com os governos Dilma/Lula. O objetivo é não falar somente com os convertidos nem com as gangues cibernéticas oposicionistas, mas com toda a sociedade, diz o marqueteiro Elsinho Mouco, que apresenta a proposta quarta para Temer.
É guerra. Os posts do Palácio do Planalto, se aprovada a nova estratégia de comunicação, virão acompanhados da #pareEcompare para marcar as diferenças entre a gestão Temer e o governo anterior.
Ele fica. O marqueteiro aposta que o presidente é o maior ativo de comunicação digital do governo e nega que irá escondê-lo. Vamos ter mais presidente. Não nos baseamos por pesquisa de bom/ótimo.
Fim da pindaíba. O Ministério da Justiça liberou R$ 70 milhões para a Polícia Federal e R$ 30 milhões para a PRF saírem de sufoco. O valor é por mês e até o final do ano.
Vai vendo. O governo convocou os parlamentares para uma reunião segunda, na qual vai tratar da readequação e priorização das emendas impositivas. O tema é tocado pelo Planejamento. O ministro Dyogo Oliveira nega que será anunciado novo corte.
Tá bom. Mas assessores da área de orçamento no Congresso dizem que o governo deve formalizar quanto cada parlamentar perdeu em decorrência da queda de arrecadação. O valor deve ser R$ 750 mil.
Queda de braço. A base aliada de Michel Temer ameaça deixar caducar a medida provisória que cria a TLP caso o governo não faça acordo pela aprovação do Refis, relatado pelo deputado Newton Cardoso Júnior (PMDB-MG).
Te demito. O Planalto vai demitir Nicola Miccione da diretoria de Controle e Risco do BNB. Ele foi indicado para o cargo por Veneziano Vital do Rêgo (PB), que votou contra Temer.
Pagando promessa. A medida irritou o irmão do deputado, o ministro Vital do Rêgo. O posto deve ir para outro peemedebista.
Vem aí. Uma nova fase da Operação Lava Jato vai envolver personagem e fatos já conhecidos, mas abalar ainda mais o meio político. A ordem virá do Supremo Tribunal Federal. (Estadão) 
A gente não deve dar tanta importância ao que faz, e sim ao que é. (Meister Eckehart, 1260-1327)

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