4 de jul de 2017

Todo dia uma encruzilhada. O povo na espera.

 photo opovosempre_zpsmmq7gw4y.jpg • Com supersafra, balança comercial registra superávit recorde no semestre. De janeiro a junho, saldo comercial brasileiro ficou em US$ 36,2 bilhões, o melhor resultado desde o início da série histórica, em 1989; resultado fez governo elevar de US$ 55 bilhões para US$ 60 bilhões a projeção para o superávit do ano.
• Não surpreendeu a prisão de Geddel Vieira Lima nessa segunda-feira, 2. Aliados admitem que o próprio presidente Michel Temer já esperava que o seu ex-ministro da Secretaria de Governo fosse alvo de detenção preventiva; Ex-núcleo duro da gestão Temer, Geddel é suspeito de atrapalhar investigações e evitar colaborações premiadas de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro. Agora, cresce no Planalto a preocupação com os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco - também citados em delações da Lava Jato. Além disso, o temor de que surjam novas colaborações; É uma piora significativa do ambiente político, especialmente porque hoje a CCJ divulga o relator da denúncia da PGR contra Temer por corrupção passiva, e nos próximos dias o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, terá de se manifestar sobre os pedidos de impeachment contra o presidente. Apesar do esforço do governo em garantir número suficiente de deputados para barrar a acusação da Procuradoria-Geral no Congresso - Tenho esperança, no sentido de quase certeza, digamos assim, absoluta de que vamos ter sucesso, disse Temer -, parlamentares estariam alegando pressão de eleitores para votarem a favor do recebimento da denúncia. Prisão de Geddel assusta Temer e aliados. Prisão de Geddel foi desnecessária, diz defesa. Ex-ministro foi preso pela PF em ação da Operação Cui Bono?, que apura um esquema de corrupção na Caixa. Conhecido por falar demais, Geddel pode agravar problemas de Temer.
• Um terço dos deputados que declaram voto a favor de Temer responde a acusações criminais. Temer diz ter quase certeza de que Câmara rejeitará denúncia.
• Nova medida de Moro pode ser devastadora para o PMDB.
• Estudo inédito mostra dificuldades que o governo terá para aprovar a reforma da Previdência. As votações das PECs da reforma da Previdência nos últimos 10 anos na Câmara dos Deputados.
• Polícia Federal prende empresários de ônibus no Rio. Detidos são suspeitos de pagar propinas a políticos desde os anos 1990.
• Edson Fachin decidiu enviar ao plenário do Supremo novo pedido de Antonio Palocci por liberdade; O ministro Edson Fachin, do STF, decidiu enviar para julgamento na 2ª Turma do Supremo a denúncia apresentada pela PGR contra o senador e ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PTC-AL), na Lava Jato, no contexto de uma organização criminosa relacionada à BR Distribuidora.
• Disputa entre aliados pode atrasar reforma trabalhista. Possibilidade de recriar imposto sindical pode atrasar votação do projeto.
• Fachin nega liminar para liberar venda de ativos da JBS. Empresa quer concretizar acordo de R$ 1 bi sobre frigoríficos no Mercosul.
• Lula aposta na amnésia dos brasileiros. Lula disse a petistas paulistas, segundo a Folha, que o partido deve investir nas classes menos favorecidas, hoje, na sua opinião, saudosas de seu governo. De acordo com participantes, Lula afirmou que, para o brasileiro, o importante é ter três refeições à mesa por dia. Lula, na verdade, aposta que os brasileiros já esqueceram que foi o PT que tornou o feijão mais ralo.
• Dallagnol faz bobagem e terrorismo ao dizer que Aécio pode acabar com Lava Jato, diz advogado do senador; Solto e no exercício do mandato, Aécio pode acabar com a Lava Jato, diz Deltan Dallagnol. Dallagnol rebate Marco Aurélio e advogado de Aécio: Ter recebido a confiança da sociedade só agrava traição.
Deputado da mala põe tornozeleira eletrônica em Goiânia antes de voltar para casa.
• Temer estava na planilha da propina do Porto de Santos em 2001, diz Veja.
• Joesley diz à Procuradoria que avisou Lula e Dilma sobre contas com R$ 300 milhões para o PT no exterior; PT vai convocar protestos se Lula for condenado por Moro.
• PTN vira Podemos, filia Romário e Marcelinho e anuncia Alvaro Dias como pré-candidato à Presidência.
• O governo federal resolveu se intrometer mais uma vez na Internet, dessa vez por meio da Ancine (Agência Nacional de Cinema). A nova invenção do órgão, definida na Instrução Normativa n° 134, estabelece que todas as obras audiovisuais publicitárias veiculadas na Internet terão que ser obrigatoriamente registradas junto ao órgão com pagamento de Condecine, a contribuição que financia os artistas e cineastas corporativistas do cinema nacional. Em outras palavras: quaisquer vídeos publicitários veiculados no Youtube ou outros sites de vídeos, incluindo aqueles sem caráter publicitário direto, mas que possuem merchandising incluído na obra, devem ser registrados junto ao governo e pagar a taxa.
• Recife confirma caso de morte por raiva em humanos.
• O risco do champanhe rosa, a nova droga usada entre os jovens. 
• O que o Brasil (o povo a exigir) têm na França seu ideal; O presidente da França, Emanuelle Macron, caminha no palácio de Versalhes, onde anunciou a deputados e senadores projeto de reforma política que pretende reduzir o Legislativo em 1/3; Reforma política de Macron prevê corte de um terço no tamanho do Congresso. Presidente francês pretende limitar reeleições de deputados e senadores e alterar o sistema eleitoral, fazendo com que o voto deixe de ser só distrital; assumidas como compromisso por sua base, propostas farão Parlamento passar de 925 para 617 integrantes. 
• Canal de TV conservador aumenta sua influência sob Trump. Pró-presidente, Fox News amplia sua liderança entre canais de notícias dos EUA.
• A incontinência de Trump. As reações desmesuradas do presidente transmitem a sensação de que falta a ele o equilíbrio para exercer sua função.
• Coreia do Norte faz novo teste de mísseis balísticos, diz Seul. 
• Argentina barra Odebrecht em licitações por 1 ano. Empreiteira brasileira é investigada no país por corrupção. 

2018: Constituição e Populismo.
Na promulgação do texto constitucional, nascido na Assembleia Nacional Constituinte, o saudoso Ulysses Guimarães anunciava a Constituição Cidadã. Não começava no seu capítulo I, pelo Estado, mas pela importância constitucional dos direitos humanos. Soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, além do pluralismo político é sua base introdutória. Político com P (maiúsculo), possuidor de sólida formação jurídica, o advogado paranaense, Osvaldo Macedo, foi ativo parlamentar na elaboração da Constituição. Em encontro recente, ele destacava que deve ser missão da sociedade e dos brasileiros conscientes a defesa intransigente pelos momentos dramáticos em que estamos vivendo. A redemocratização de três décadas vem enfrentando solavancos autoritários originários dos tempos do regime militar. Ela é uma pedra no caminho dos aventureiros institucionais.
Pesquisa Datafolha apontava que 69% dos brasileiros adultos acreditam que este País necessita, principalmente, antes de leis ou planos políticos, é de alguns líderes valentes, incansáveis e dedicados em quem o povo possa depositar sua fé. É o populismo salvacionista em estado bruto, pavimentado no ilusionismo deslegitimador da ordem institucional. Nas eleições gerais de 2018, em momento de indignação nacional, o Estado Democrático de Direito estará no centro dos debates. Em momento de deterioração da política partidária e o fundamental combate à agressividade da corrupção pública e privada. É nesse cenário que poderá vicejar as candidaturas que se alimentam na busca de soluções fáceis e subvertedoras dos valores democráticos. Falando ao povo o que ele quer ouvir, negando a visão estadista que precisa pensar o futuro e implementar propostas que não signifique sempre a oferta de boas notícias. A recessão brutal que vivemos tem nesse equívoco a sua origem.
Foi a visão de curto prazo e o populismo insano, os responsáveis pela maior crise política, econômica e social da história republicana. Se, nas eleições gerais de 2018, o eleitorado optar pela escolha do atraso e de uma agenda de curto prazo, ao invés de um desenvolvimento moderno e integrador, o futuro será desalentador. Vai exigir que os brasileiros votem com consciência, entendendo que a administração do País deve estar disciplinada por regras democráticas, fundamental para definir o que será o Brasil do futuro.
Mergulhado na crise política, devastado pela crise econômica e deprimido pela crise moral pelos fatos revelados de sistêmica corrupção, vivemos um cenário de devastação de valores. O mais estarrecedor é ver os responsáveis pela tragédia moral, humana, econômica, política e social que mergulharam o País, posarem por seus porta-vozes parlamentares e intelectuais como oposição a todo o quadro dramático que ajudaram a construir. Acreditam que o povo não tem memória, mentem e mistificam saídas para uma crise de incompetência em que foram os grandes responsáveis. Nas eleições gerais de 2018, os brasileiros precisam enxergar que a recessão econômica terá ainda um preço enorme para o futuro. Felizmente o País tem potencial de recuperação, desde que os ajustes políticos não se oponham à modernização das estruturas públicas. Ela poderá definir se a sociedade escolherá o voo de galinha para a economia ou optará pelo voo de águia. Fora da economia de mercado não existe alternativa para o crescimento econômico.
A rigor, o momento vivente de colapso de grande parte da classe política não pode ser argumento para nivelar as figuras públicas sérias e decentes, deixando o campo aberto para o populismo. O aventureirismo oportunista intoxica a opinião pública e trava o potencial de desenvolvimento de uma nação. Em 2018, ao comparecer às urnas, os brasileiros precisam votar com consciência, onde a visão de curto prazo não pode prevalecer. Não existem salvadores de Pátria, nem soluções fáceis para retirar o País do caos de valores em que foi levado.
É preciso dizer à sociedade que, a partir de 2019, o governo a ser eleito será obrigado a fazer reformas profundas e inadiáveis, sem as quais será impossível governar. A grande saída é fortalecer a jovem democracia brasileira e consolidar o Estado Democrático de Direito, na certeza de que poderemos ter um Brasil diferente do atual. Ou não, se a demagogia carismática de líderes irresponsáveis prevalecer no processo eleitoral. Em 2018, teremos oportunidade de proclamar pelo voto, o Brasil que queremos para os filhos e netos. (Hélio Duque, doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista) 

Deixar os pais na casa de repouso é um direito do cidadão que quer ser feliz.
Acho a autoajuda e o politicamente correto duas formas de mau-caratismo. Minha crítica máxima aos dois nasce da minha certeza (tenho poucas) de que o sofrimento é fonte inexorável do amadurecimento, coisa rara em épocas retardadas como a nossa. O projeto contemporâneo é chegar aos 60 anos com cabeça de 15. Logo, retardo mental como projeto de vida. Uma conquista contra a inteligência.
Um dos temas prediletos do mau-caratismo é a chamada terceira idade. Um mercado, claro, devido à longevidade da espécie nos últimos anos. Já se tratou a velhice como melhor idade também. Uma ofensa à experiência humana real.
A longevidade estendida é um dos casos mais claros da famosa ambivalência descrita por Zygmunt Bauman (1925-2017). Um bem evidente por um lado, um drama humano gigantesco por outro, sem solução, como toda ambivalência que se preze. O mais sábio dos meus amigos costuma dizer que uma das versões do inferno no futuro será a impossibilidade de morrer. Você vai querer morrer e não conseguirá.
Sem fazer referência necessariamente a toda gama de pessoas que vegetam por aí em leitos aparelhados com tecnologia de primeira linha para a humanidade vegetativa, a longevidade puramente fisiológica, muitas vezes acompanhada pela perda de funções cognitivas essenciais, atormentará o humano daqui para a frente.
A maravilhosa peça O Pai, de Florian Zeller, com direção de Léo Stefanini, cujo elenco é encabeçado por Fulvio Stefanini (brilhante como o pai da peça, vencedor do Prêmio Shell de melhor ator em 2016), em cartaz no teatro Fernando Torres, em São Paulo, é essencial para pensarmos o tema da longevidade para além do marketing da longevidade.
Este é caracterizado por um discurso, como (quase) sempre no marketing, de facilitação da realidade em nome de um otimismo besta.
O impacto dos avanços tecnológicos, científicos e médicos criaram uma sobrevida na espécie humana jamais imaginada. Vivemos mais, mas somos cada vez mais solitários. Muito metabolismo para uma alma cada vez mais dissociada de si mesma. A peça tem, entre outras qualidades, a capacidade de levar você para dentro dessa alma idosa longeva e solitária, graças ao texto, às interpretações e à direção.
A solidão é uma epidemia contemporânea, em meio ao maior surto de histeria já enfrentado pela humanidade. Solidão e histeria, juntas, formam uma mistura explosiva em termos epidemiológicos.
Os avanços sociais e políticos, passo a passo com os avanços técnicos citados acima, produzem uma sociabilidade cada vez mais egoísta -o egoísmo é a grande revolução moral moderna. As pessoas emancipadas tendem ao egoísmo como forma de autonomia.
Inteligentinhos não entendem isso muito bem porque são as maiores vítimas do marketing de comportamento que se pode imaginar. Emancipados pensam em si mesmos, antes de tudo, como consumidores do direito ao egoísmo.
Sempre soubemos que os idosos sofrem na mão dos filhos homens e de suas mulheres, que quase nunca suportam seus sogros, que insistem em ficar vivos. As filhas, que quase sempre suportaram o ônus da lida com os pais, agora se libertam e também querem vida própria (claro que existem exceções ao descrito acima, que filhos, filhas, genros e noras ofendidinhos não fiquem nervosos em demasia).
As filhas também têm o direito de cuidar de si mesmas, é evidente. Deixar os pais na casa de repouso é um direito de todo cidadão que quer ser feliz sem ter que viver cuidando de pais que nunca morrem. Por isso que o mercado gerontológico só cresce.
Além disso, a crescente queda na natalidade, que caracteriza os mesmos países de crescente população longeva, só tende a agravar o quadro. Baixa natalidade e alta longevidade são ambas frutos da mesma riqueza instalada na sociedade: alta tecnologia e direitos sociais são manifestações diretas dessa riqueza. Filhos únicos serão idosos longevos solitários, dependentes de serviços que ocupam o vazio deixado pelas famílias.
Qual a solução pra isso? Não há. Um mundo de velhos solitários é o futuro de um mundo de ricos autônomos e amedrontados. (Luiz Felipe Pondé) 

Moro encalacrado: ou transforma Lula em deus ou incendeia o país.
Diante do processo judicial aberto a partir do infame power point do procurador [e vendedor de palestras e sermões] Deltan Dallagnol, a defesa do Lula fez um exercício sui generis da labuta advocatícia: além de provar a inocência, provou também a ausência de culpa do ex-presidente.
Quase uma centena de testemunhas do processo desconheceu qualquer relação do Lula com o apartamento triplex. A única exceção ficou por conta do empreiteiro dono da OAS Léo Pinheiro, presidiário que, atendendo exigência da Operação, forjou acusações contra Lula - a joia da coroa da força-tarefa da Lava Jato - na expectativa de trocar vilania por redução da longa pena de prisão que terá de cumprir pelos crimes de corrupção que cometeu.
A defesa do Lula fez as diligências que Deltan Dallagnoll e seus colegas, cegos e possuídos pela caçada obsessiva ao Lula, não se deram ao trabalho de fazer. Os advogados demonstraram não só que o ex-presidente nunca teve nenhum vínculo formal ou informal com o imóvel como, ainda, que a Caixa Econômica Federal é a verdadeira detentora de direitos sobre o apartamento em questão.
Este processo contra o Lula é uma fraude jurídica de péssima qualidade, que foi montado com o exclusivo objetivo de condená-lo, para implodir sua candidatura presidencial.
Se condenar Lula sem provas e sem fundamentos legais, apenas baseado nas ridículas alegações e na obsessão condenatória do palestrante Dallagnoll, Moro pagará um altíssimo preço.
Decorridos mais de três anos de perseguição implacável a Lula, a força-tarefa da Lava Jato não conseguiu encontrar absolutamente nenhuma prova para sua condenação, pelo simples motivo de que não existe prova; porque não existe ilegalidade na conduta do ex-presidente.
Inicialmente, eles optaram pela tese do domínio do fato, a mesma teoria que Moro, na época em que atuou como juiz auxiliar da juíza do STF Rosa Weber no julgamento do chamado mensalão, fabricou para condenar sem provas o ex-ministro José Dirceu. O emprego inadequado desta teoria no caso foi vigorosamente combatido e invalidado pelo seu autor, o jurista alemão Claus Roxin.
Apelaram, então, para a exótica tese que o palestrante Dallagnol aprendeu nos EUA, a teoria da abdução das provas, ensinada pelo seu orientador em Harvard, Scott Brewer, que sublima as chamadas provas indiciárias, que tem muito de indícios e convicções, porém zero de provas.
Na falta de causa concreta para condenar Lula, só resta a Moro apelar à metafísica. Caso contrário, o plano original da Lava Jato será falho e todo o trabalho de destruição do país enquanto Nação e de entrega da soberania do Brasil terá sido em vão.
Sérgio Moro é apenas um juiz que busca uma justificativa formal para condenar Lula. Na falta de qualquer base material ou jurídica concreta, Moro terá de apelar para a teoria do criacionismo para acusar Lula de ter sido o criador de um país moderno; de um país de igualdade, de democracia, de igualdade, de pluralidade, de oportunidades para todos, de direitos; um país, enfim, altivo, desenvolvido, avançado; mundialmente reconhecido e reverenciado.
Moro está encalacrado: ou condena Lula, convertendo-o numa espécie de Deus criador do Brasil moderno, ou incendeia o país.
Lula é o fator essencial de desestabilização dos planos da burguesia para a continuidade do golpe. Lula é o grande dilema que a classe dominante enfrenta. Ele compromete a continuidade do golpe no próximo período e as escolhas que a elite fará.
O arranjo da classe dominante por cima, para manter esta indecência desta cleptocracia - governo de ladrões, em grego - liderada por Temer e sua quadrilha, encontra em Lula uma série ameaça.
Não estava nos cálculos da classe dominante tamanha dificuldade para o aniquilamento do Lula na Lava Jato. O impasse enfrentado pelo juiz Sérgio Moro é o impasse que enfrenta o pacto golpista de dominação burguesa contra a maioria do povo brasileiro. (Jeferson Miola) 
Que maravilha é ninguém precisar esperar um único momento para melhorar o mundo. (Anne Frank)

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