2 de jul de 2017

País em compasso de espera.

 photo foratemer33_zpsuqp8q48b.jpg • Horário de verão não reduz consumo de energia, revela estudo. 
• Base de Temer evita declarar apoio em votação da denúncia. Em enquete da Folha com deputados, só 13% dos aliados são contra investigação. 112 deputados dizem não saber como votarão sobre denúncia contra Temer; Acusação contra presidente cita 14 nomes. Além de Rocha Loures, aliados próximos de Temer foram envolvidos na peça. 
• Janot pede mais 60 dias de investigação em inquérito contra Dirceu e filho; Enquanto houver bambu, vai ter flecha, diz Janot, sobre fim de mandato. 
• Presos da Lava Jato em Bangu 9 serão transferidos por questões de segurança. 
• Atenção! Em outro novo partido e candidatura de Álvaro Dias, Podemos, é criado em Brasília. Sei não, mas parece o eleito. 
• Ao lado da Lava Jato, STJ julga de trem lotado a liberdade de macaco. São 339.553 processos. 
• Congresso deve proibir governo de bloquear recursos de passaportes. 
• Com reforma da Previdência em risco, governo estuda fim do abono salarial. Benefício pago a trabalhadores que ganham até dois salários mínimos custará aos cofres cerca de R$ 17 bi; CPI da Previdência: Empresas de Joesley Batista devem R$5 bilhões à Previdência. Dívida previdenciária das empresas J&F e JBS é uma das maiores. 
• Discussão sobre o fim da Justiça do Trabalho esfria na Câmara. Reforma pode tornar a Justiça do Trabalho desnecessária. 
• Joesley diz ao MPF ter avisado Lula e Dilma sobre R$ 300 milhões ao PT. 
• Governo estuda fim do benefício do abono salarial. 
• O grito do silêncio: em vez de ir para as ruas, cidadão optou por ficar em casa. Greve geral que não ocupa a Esplanada dos Ministérios não é greve geral. 
• A nova procuradora-geral. Espera-se que Raquel Dodge seja firme no combate à corrupção, mas que restitua ao Ministério Público o respeito absoluto à lei. 
• Defesa de Aécio pede que Gilmar seja relator. Advogado alega que investigação contra o tucano não tem relação com a Operação Lava Jato. 
Há diversos líderes de organizações criminosas, diz procurador. Para Carlos Lima, interesses políticos banalizam discussões sobre funcionamento de esquemas. 
• Mecanização da lavoura cria legião de desempregados. Mudança deixa ex-boias-fria com problemas de saúde em Minas e Maranhão. 
• Associado ao crime, funk proibidão se expande no país. Gênero polêmico cresce em meio ao debate sobre sua criminalização no Senado. 
• Algum alento. Em tramitação avançada, reforma trabalhista mantém boas chances de sobreviver à crise política que embotou o governo de Michel Temer. 
• Investimento privado recua ao menor nível desde 2000. Com cenário instável, firmas e famílias preferem retorno dos juros da dívida. 
• Fundo Brasil-China pode financiar até 100% de projetos nacionais.
• Investir se tornou negócio mais arriscado após Lava Jato; Lava Jato e os novos cães de guarda. Impor o capitalismo aos capitalistas é herança empresarial da operação. Rombo do governo suga 60% da poupança financeira total. 
• Petrobras vai propor ao conselho venda de ações da BR Distribuidora. 
• Roger Abdelmassih retorna à prisão de Tremembé para cumprir pena de 181 anos. 

• Francisco e a pedofilia. Indiciamento de cardeal australiano acende dúvidas sobre a eficácia das ações conduzidas pelo papa para banir práticas como o abuso de menores. 
• Primárias no Chile decidem presidenciáveis. Ex-presidente Piñera, líder nas pesquisas, enfrenta disputa contra populista. 
• Putin era agente medíocre, diz ex-chefe. Nikolai Leonov era o número dois da KGB, onde o presidente russo trabalhou. 
• Trump volta a insultar os meios que estimulam o ódio contra ele. 
• Protestos da Venezuela unem todas as classes sociais. Após três meses de protestos e 80 mortos, os venezuelanos continuam protestando contra o governo de Nicolás Maduro e a favor da democracia. 
• Referente a 2014, dirigente russo se irrita e nega doping de atletas do país. 

Janot: Enquanto houver bambu, lá vai flecha!
Enquanto houver bambu, lá vai flecha. Até o 17 de setembro, a caneta está na minha mão.
Assim Rodrigo Janot encerrou sua participação em debate no 12º Congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo): garantindo que vai continuar no ritmo atual e aproveitar ao máximo os dois meses e meio que lhe restam no comando da Procuradoria-Geral da República.
Janot decidiu não tentar um terceiro mandato. Será substituído pela opositora Raquel Dodge.
Ele estava ali na condição de entrevistado mais procurado da República, brincou a mediadora da conversa, a jornalista Renata Lo Prete (GloboNews), neste sábado (1º). Mas sem tornozeleira [eletrônica], rebateu um bem-humorado Janot.
O procurador rebateu críticas de que a inédita denúncia de corrupção passiva contra um presidente em exercício, que ele apresentou na segunda (26), é frágil.
Seria preciso uma prova satânica, quase impossível para selar definitivamente a ligação entre Michel Temer e a mala com R$ 500 mil carregada por seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures.
Janot fez um trocadilho com prova diabólica, termo jurídico que significa prova excessivamente difícil de ser produzida.
O problema é que ninguém passa recibo para esse tipo de atividade ilícita, então o fundamental é olhar a narrativa e apresentar indícios fortes que liguem o denunciado ao crime, disse.
Em começo de carreira, ele e colegas se questionavam sobre o tema, contou. Não é possível que, para pegar um picareta, tenho que tirar fotografia do sujeito tirando carteira do bolso do outro. Esse tipo de prova é satânica, quase impossível.
E veio a pergunta da plateia: a evidência seria satânica pela dificuldade de obtê-la ou pelo sujeito a que se refere? Era uma chacota com o falso boato de que Temer seria adepto do satanismo.
Em uma hora e meia de conversa, ele falou sobre a polêmica delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista e contemporizou as alardeadas divergências com sua sucessora na PGR e com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes.
Com ambos conserva apenas rachas teóricos, afirmou o procurador, que chegou a dizer, sem mencionar o nome, que Mendes teve uma disenteria verbal após o ministro acusar, em março, a Procuradoria de repassar informações sigilosas da Lava Jato para jornalistas.
Não tenho nenhum conflito com ele, zero, respondeu Janot. Todas as vezes em que tive que me dirigir a ele de uma maneira um pouco mais dura, afirmou, foi legítima defesa.
Lembrou que ele e Gilmar tomaram posse na Procuradoria juntos, em 1984. Naquela década, Janot foi estudar na Itália, e o colega, na Alemanha. O hoje procurador-geral contou que volta e meia visitava Gilmar no país vizinho, e eles tomavam sorvete (logo depois consertou: sorvete, não, cerveja!).
Janot definiu como legítima a escolha de Dodge, que tomará seu lugar quando ele deixar a chefia da PGR, em setembro. Temer a pinçou da lista tríplice para o cargo promovida pela ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República). Ela era a segunda colocada, em detrimento do postulante mais votado, Nicolao Dino, próximo ao atual cabeça da PGR.
O importante é o nome ser escolhido dentro da lista, e isso ele [Temer] fez.
O procurador disse fazer parte do processo recentes decisões do Supremo Tribunal Federal que reverteram dois entendimentos da PGR: a soltura do deputado da mala, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), e o retorno de Aécio Neves (PSDB-MG) ao Senado.
Outro tópico em debate: a imunidade a Joesley e Wesley Batista teria sido excessivamente benevolente? Janot foi enfático: faria tudo de novo. Se você me perguntar se eu faria de novo, hoje afirmo tranquilamente que faria.
Pediu, então, que mudassem o foco da questão. Vocês estariam me perguntando assim: Você é um louco... Como alguém chega, lhe apresenta altas autoridades da República praticando crime, e você não faz nada, não aceitou fazer acordo com essa pessoa? Você deixou que o crime continuasse a ser praticado.
Que escolha ele tinha? A de Sofia, disse Janot: Vou não fazer o acordo e fingir que não vi isso?.
É fácil ser herói retroativo e questionar o acordo agora, disse Janot, que logo argumentou: caso se recusasse a negociar com os Batistas, o caso judicial contra eles iria à primeira instância, e lá se iriam anos de processo arrastado na Justiça.
Não adianta chegar para o colaborador e dizer: Meu amigo Joesley, venha aqui. Vou te propor um acordo, beleza? Vou te dar uma caixa de bombom Garoto. (Josias de Souza) 

Quem é o grevista de greve geral?
Inicialmente cabe perguntar: como pode ser "geral" uma greve sem apoio da população? Pelas siglas das bandeiras que agitam, os habituais construtores da confusão e suas massas de manobra acham muito bom o ambiente político promovido na Venezuela e os resultados colhidos em Cuba. Creem, então, ser de boa política demonstrar força parando o país na marra. O sucesso deles depende do fracasso de todos os demais.
São pequenos grupos articulados nacionalmente. Param o transporte coletivo na base da pedrada e do miguelito, mas não são, eles mesmos, motoristas de ônibus porque isso é muito trabalhoso. Bloqueiam rodovias e avenidas, incendiando pneus, mas não são, eles mesmos, transeuntes desses caminhos. Impedem os demais de trabalhar, mas são raros, raríssimos em tais grupos, os ativistas que ganham seu sustento com o suor do próprio rosto. Menor ainda é o número daqueles cuja atividade, por sua natureza, agrega algum valor à economia nacional. Querem é distância do mérito, da concorrência, do livre mercado. São nutridos por alguma teta política, pública, sindical ou familiar. São, estes últimos, filhinhos do papai entregues à sanha dos encolhedores de cabeças do sistema de ensino. É a geração nem-nem, mas com direito a mesada.
O que estou descrevendo aqui por intuição, os italianos diriam ser algo que si sente col naso (se percebe com o nariz). E bem mereceria ser objeto de uma pesquisa acadêmica. Conviria à sociedade conhecer o perfil dessas pessoas que volta e meia se congregam para infernizar a vida dos outros. No entanto, também com o nariz, posso intuir que a academia brasileira não teria o menor interesse em executar essa tarefa porque ela iria desmoralizar, politicamente, as seivas de que essa militância se nutre. E as grandes empresas de comunicação? Bem, pelo que tenho visto ao longo deste dia 30 de junho, tampouco elas, diante das depredações e da queimação de pneus, pronunciaram uma sílaba sequer que fosse além da mais cirúrgica narrativa dos fatos em curso. Tão lépidos em comentar tudo, entendam ou não dos assuntos, demonstram-se, hoje, absolutamente indispostos a qualquer análise do que está acontecendo. No entanto, há uma riqueza de conteúdo, tanto no que não aconteceu quanto no que aconteceu. Tudo por ser investigado.
Creio que só uma colaboração premiada poderia desvendar as entranhas dessas articulações político-ideológicas tão nocivas ao bem comum... (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor)

O soro da verdade.
Quer reduzir as taxas de crimes violentos numa cidade? É simples. Encha os cinemas daquele lugar com filmes bem violentos. Essa é uma das muitas conclusões contraintuitivas que pululam no livro Everybody Lies (todo o mundo mente), do filósofo e economista Seth Stephens-Davidowitz, que até há pouco trabalhava como cientista de dados do Google.
Everybody Lies é uma obra muito gostosa de ler, daquelas que nos municiam com uma enormidade de fatos surpreendentes para contar a amigos em festas e jantares. Também traça um bom panorama de a quantas anda o big data, uma ciência que veio para ficar e deve expandir de modo nada desprezível nosso conhecimento sobre o comportamento humano nos mais variados campos.
Uma das principais teses defendidas por Stephens-Davidowitz é que as pesquisas que as pessoas fazem em ferramentas de busca funcionam como uma espécie de soro da verdade. Com efeito, poucos indivíduos irão admitir para um estranho (às vezes nem para si mesmos) que têm interesse em práticas sexuais consideradas bizarras ou estão cogitando cometer suicídio. Mas todos os pruridos desaparecem diante da caixinha de buscas do Google, já que ali ele precisa escrever incesto, zoofilia ou como tirar a própria vida para chegar aos sites que lhe interessam. O fato de termos acesso detalhado ao que as pessoas procuram na internet abre uma larga avenida de novas possibilidades, tanto para cientistas interessados em perscrutar os recônditos da alma humana como para empresas dispostas a empurrar seus produtos e serviços para consumidores incautos.
Em tempo, a exibição de filmes violentos tende a reduzir o crime porque tira os jovens de temperamento mais explosivo dos bares e das ruas (onde a maior parte das brigas e homicídios são cometidos) e os coloca nas salas de cinema, onde é mais difícil se meter em confusão. (Hélio Schwartsman) 
Só há uma maneira de acabar com o mal: é responder-lhe com o bem. (Tolstoi)

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