29 de jul de 2017

País com ou sem dinheiro, a saber.

postimage • Prazo normal para sacar FGTS inativo termina nesta 2ª. 
• Após anúncio de reforço, tropas federais não aparecem nas ruas na madrugada. Foco das Forças armadas será contra drogas, armas e roubos de carga; O governo federal autorizou o uso das Forças Armadas para reforçar a segurança do Rio de Janeiro. Um contingente de 8,5 mil militares já está nas ruas da cidade numa operação de reconhecimento de áreas conflagradas pelo crime. Segundo o ministro da Defesa, Raul Jungmann, as tropas vão atuar em ações de inteligência em colaboração com as polícias Civil e Militar, e não no patrulhamento ostensivo, como na Olimpíada. Mergulhado em uma crise fiscal, o Rio vive também uma crise de segurança: no primeiro semestre foram mais de 600 vítimas de balas perdidas e ao menos 90 policiais assassinados; Brasil dispensa tutela militar, diz comandante do Exército. General Eduardo Villas Bôas defende respeito à Constituição. 
• Enfrentamento entre traficantes e policiais no Dona Marta no Rio, termina com chefe do tráfico baleado que está internado em estado grave. 
• Após regulamentação da Recuperação Fiscal, Rio prevê adesão já na segunda-feira. Secretário de Fazenda não dá prazo para depositar novas parcelas do salário de maio. Governo do Rio poderá colocar salários mensais em dia a partir de 16 de agosto. 
• Planalto já admite revisão na meta fiscal deste ano. Temer, porém, quer deixar para Meirelles ônus de afrouxar objetivo. 
• Aneel anuncia bandeira vermelha nas contas de luz a partir de agosto. 
• Ministros podem reassumir mandatos para barrar denúncia contra Temer. 
• Moro bloqueia R$ 3 mi de Bendine e operadores. Força-tarefa da Lava Jato acusa Bendine de receber R$ 3 milhões de propina da Odebrecht; Esquema Bendine é semelhante ao de empreiteiras, diz MPF. Suposto operador do ex-chefe da Petrobrás adotou modus operandi das construtoras. 
• Congresso não investiga parlamentar citado em delações da J&F e Odebrecht. Até agora nenhum processo de cassação foi aberto nos Conselhos de Ética da Câmara e do Senado. 
• Uma aposta liberal: Meirelles e Maia cada vez mais afinados. É bom prestar atenção no surgimento de uma dupla que, se vingar, vai fazer barulho. 
• Correios estudam cortar benefícios de funcionários. Levantamento aponta economia de R$ 2 bi ao ano com fim de vantagens obtidas em acordos coletivos. 
• Desemprego recuou entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano. Segundo o IBGE, a taxa ficou em 13% de abril a junho, ante 13,7% de janeiro a março. O desemprego só reduziu, porém, por causa de um aumento da informalidade, com trabalhos no setor alimentício, além de ocupações como cabeleireiro e motorista. Nos últimos 12 meses, o Brasil perdeu 1,093 milhão de vagas com carteira assinada. No segundo trimestre, após uma queda de 3,2%, o número de postos formais chegou ao nível mais baixo da série histórica, iniciada em 2012: 33,3 milhões de pessoas; Vaga informal leva desemprego a 13%, primeira queda desde 2014. São 13,5 milhões de pessoas sem ocupação; é cedo para falar em retomada. 
• A concessão do aeroporto de Viracopos, em Campinas, será devolvida ao governo federal. Os acionistas autorizaram a saída alegando que o volume de passageiros e cargas diminuiu nos últimos anos e houve um impasse em relação às tarifas cobradas para movimentação de carga, que representam quase 60% do faturamento do terminal. Com a decisão, o governo deverá fazer uma nova licitação para o aeroporto. Governo quer relicitar aeroporto sob novo modelo, sem a Infraero. 
• O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse estar certo de que o Congresso terá quórum para votar a denúncia contra o presidente Michel Temer na próxima quarta. Não podemos deixar o paciente no centro cirúrgico com a barriga aberta, disse, defendendo que os parlamentares não devem postar a decisão sob o risco de manter o País paralisa. Às vésperas da votação, o índice de confiança da população no presidente, no governo e no Congresso está no nível mais baixo em nove anos. Segundo pesquisa do Ibope, a Presidência lidera o ranking da desconfiança. 
• Lava Jato em risco. Policiais federais pedem que Torquato reveja cortes em orçamento. 
• Delação cita contrato com sobrinho de Lula para agradar a petista. Contratação em Angola de empresa de Taiguara Rodrigues foi feita após pedido do ex-presidente. 
• Moro confirma depoimento de Lula em 13 de setembro; O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou na manhã desta sexta-feira, 28, que tenha que dar explicações sobre os R$ 9 milhões de uma conta no BrasilPrev, do Banco do Brasil, montante bloqueado por Moro. Eu não tenho que explicar nada, disse. Tenho 76 palestras feitas no exterior. O dinheiro entrou pelo Banco Central, está depositado no Banco do Brasil. Não tem conta na Suíça, a certeza da minha honestidade é que eu não depositei na Suíça, disse à rádio Som Maior, de Criciúma, Santa Catarina. O ex-presidente afirmou, ainda, que o juiz é quem tem que explicar porque bloqueou um dinheiro que está na previdência privada
• Governo reverte parte da alta do imposto do etanol. A alíquota para os distribuidores, atualmente em R$ 0,194 por litro, passará a R$ 0,1109 por litro. 
Eu disse que derrubaria a República. E derrubei; Quando o doleiro Alberto Youssef foi preso, na manhã de 17 de março de 2014, nem o mais perspicaz dos investigadores da Operação Lava-Jato tinha ideia do tamanho do peixe que fora fisgado. No escritório de Youssef em São Paulo, a Polícia Federal apreendeu uma infinidade de documentos. Mensagens de celular mostravam o doleiro como interlocutor frequente de políticos importantes. Planilhas e contratos listavam personagens de alto quilate do empresariado nacional. No meio de tudo, uma nota fiscal de aparência irrelevante - apenas na aparência. Juntas, as evidências sugeriam que ainda havia muito mais a ser descoberto na investigação que tinha como alvo uma obscura casa de câmbio que funcionava em um posto de gasolina em Brasília. Quase por acaso, os agentes esbarraram em algo que envolvia de golpistas contumazes a grandes empreiteiras, de altos funcionários públicos a autoridades de grosso calibre. Mas qual seria o elo entre eles? Depois de seis meses preso e diante da perspectiva de uma condenação que poderia chegar a algumas décadas, Youssef decidiu assinar um acordo de delação premiada. Em troca da redução de pena, contou às autoridades o que sabia - e sabia muito. Sabia, principalmente, os fios que uniam os personagens aparentemente tão distintos: um gigantesco esquema de corrupção. 

• A Coreia do Norte voltou a lançar um míssil intercontinental nesta sexta. O projétil é um novo passo de Pyongyang para atingir os Estados Unidos com uma ogiva nuclear. Segundo especialistas em armamentos, o míssil, que caiu em águas japonesas, poderia atingir as cidades de Denver e Chicago. Japão e Coreia do Sul convocaram reuniões para discutir as ameaças de Kim Jong-un. O presidente americano, Donald Trump, ainda não se pronunciou sobre a nova provocação norte-coreana, mas EUA e Coreia do Sul fizeram exercícios militares na região. 
• Irã vai continuar com lançamento de foguetes e critica sanções dos EUA. 
• Macron e a realidade. A queda de aprovação do francês é decorrência natural do descompasso que se manifesta entre esperança e fato. 
• Chefe de gabinete de Trump deixa cargo e expõe rixa. Saída de Reince Priebus ocorre após críticas de novo chefe de comunicação; McCain frustra planos de Trump para repelir Obamacre. 
• Clérigo do Irã vê ódio críticas a sua vinda ao Brasil. Após pedidos para impedir sua entrada no país, aiatolá estranha condenação. No Brasil onde se diz constitucional como país laico, houve por parte de políticos, mormente de fundo israelista, belicoso repúdio a sua vinda, como se o impasse lá em Israel nem existisse. Blá... 
• Maduro proíbe protestos e promete pena de dez anos; Protestos contra o chavismo na Venezuela. Oito pessoas morrem em dois dias de greve geral contra Maduro. 
• Argentina aguarda aval do Brasil para investigar propina paga pela Odebrecht. Ministério da Justiça precisa autorizar liberação de equipe; executivos da empresa disseram ter pago US$ 35 milhões em propina a agentes argentinos. 
• Em meio a rumores de divórcio de Michelle, Obama é flagrado em balada no Havaí. 
• Rússia: míssil norte-coreano não é intercontinental. 

Os pais andam obedientes demais.
Quando termina suas palestras em alguma escola, a psicóloga Rosely Sayão precisa de ajuda para sair com tranquilidade do prédio - costuma ser cercada por dezenas de pais, cheios de perguntas adicionais às respondidas no palco, a respeito de dilemas na própria casa. Formada pela PUC de Campinas, ela se tornou a mais conhecida referência em questões de família no país. Boa parte da projeção se deve ao trabalho na imprensa, desde que começou a escrever sobre sexo no extinto jornal Notícias Populares, há quase três décadas, e logo depois na Folha de S.Paulo, da qual se despediu há duas semanas, para se dedicar ao público de Veja - ela assinará uma coluna mensal na revista a partir da próxima edição e apresentará um programa semanal no site em que responderá a questões enviadas pelos internautas, algo semelhante ao que faz na rádio BandNews FM. Aos 67 anos, Rosely vive em um condomínio tranquilo em Sorocaba, a cerca de 100 quilômetros da capital paulista, e mantém-se atuante em consultório e no atendimento a colégios e grupos de pais. Da própria experiência pessoal - é mãe de um casal, de 38 e 42 anos -, a principal conclusão é que os adultos vêm tornando a paternidade mais complicada nas últimas décadas. Eu trabalhava fora, deixava os dois com a empregada e nunca sentia a menor culpa por isso, como se tornou comum atualmente.
Por que há tantas questões sobre como criar um filho? As pessoas perderam a noção do que é uma criança. Se ela pergunta o que há na barriga de uma mulher grávida, podemos dizer apenas: um bebê. As famílias, porém, se cobram tanto que já querem explicar como o bebê entrou, como vai sair, o namoro do papai e da mamãe. Não se dá mais a resposta quando você crescer, vai entender, que em geral satisfaz as crianças. Outro sinal da dificuldade de lidar com a infância é que os pequenos têm agenda de adulto, cheia de cursos e responsabilidades.
Isso pode ter impacto no futuro? O problema é que a chance de brincar com a vida, que não foi aproveitada na infância, vira uma demanda no fim da adolescência. O número de adultos que levantam cedo para acordar o filho, de modo que ele não perca a hora das aulas na faculdade, é absurdo. Se você vai à secretaria de uma universidade no fim do semestre, há mais pais que alunos resolvendo todo tipo de pendência. Anos depois, os jovens chegam ao mercado de trabalho e muitas empresas têm dificuldade de lidar com esse perfil de recém-formado, o adulto que faz birra: só reclama, dá murro na mesa, sapateia.
Os pais de hoje se cobram em excesso? As mães se culpam muito. Elas tentam oferecer um tempo do qual não dispõem, por compromissos profissionais ou outros motivos. Nem sempre é possível controlar como passaram a noite, se acordaram dispostas, e aí elas forçam demais a barra em busca de uma perfeição que colocaram na cabeça, mas não é alcançável.
A senhora cita o exagero das mães. E os homens? A preocupação é bem menor, nem se compara. O papel deles tem mudado na educação, mas o avanço ainda é pequeno, em geral restrito a alguns grandes centros. Vocês viram essa repercussão sobre o (ator e apresentador do canal pago GNT) Rodrigo Hilbert? Aparece na mídia que ele cozinha, constrói casa na árvore no quintal, e fica todo mundo assombrado. Isso mostra quanto nossa sociedade ainda é machista, que o homem, em regra, é de pouco envolvimento. Surgiram recentemente na internet alguns blogs criados por pais que fazem sucesso por ser algo diferente, já que quase todos os espaços com esses temas são abastecidos por mulheres.
A dificuldade em dizer não permanece? Em toda palestra que eu dou, há uma pergunta assim na plateia: Como falar não?. E eu digo: Vou ensinar, gente, atenção: você olha nos olhos e diz: Nããão. Faço essa brincadeira para perceberem quão ridícula é a questão. Os pais hoje têm esse receio enorme de desagradar, um medo de perder o amor dos filhos. Sempre foi o oposto. Era o temor dos pequenos de perder o afeto dos mais velhos que permitia muitas vezes que fossem educados, deixando de fazer várias besteiras. Entendi melhor essa movimentação com os temas do Bauman (o sociólogo polonês Zygmunt Bauman): a fragilidade dos laços afetivos hoje é uma coisa que nos assombra. O ser humano precisa de vínculos razoavelmente estáveis e duradouros, mas nada mais é assim entre nossos pares. Então, estamos jogando sobre os filhos essa expectativa. Com isso, o que temos visto, em geral, são os pais superobedientes. Loucura, não? (Rosely Sayão, psicóloga) 

Quando até a indignação é corrompida.
Um grupo de atores e artistas liderado por Caetano Veloso, criou o blog "342 Agora" e produziu um vídeo convocando a sociedade para mobilizar congressistas a aprovarem o processo contra Michel Temer. Com estudada indignação, proclamam frases como: 
1. Ele merece ser julgado pelos crimes que cometeu;
2. Qualquer cidadão que está sob suspeita tem que ser investigado, por que teria que ser diferente com o presidente da República? 
3. Eu posso ser investigada, você pode ser investigado, ele tem que ser investigado; 
4. Um presidente ser acusado de corrupção passiva, formação de quadrilha e obstrução da justiça, não dá! 
5. Agora é deixar de lado nossas diferenças e se juntar por uma causa que é importante: o Brasil. 6. O futuro do Brasil depende de você.
Tudo muito certo, mas não recordo de ter ouvido qualquer desses senhores e senhoras expressando indignação com os bilhões de reais desviados para contas privadas, para operadores partidários, para dirigentes de estatais com rateios previstos entre partidos, sempre cabendo ao PT a maior quota-parte. Não ouvi um murmúrio sequer que pudesse ser entendido como decepção com o Bolsa Magnatas distribuída a figuras como Eike Batista e os irmãos Wesley e Joesley, com as contas-correntes nas grandes empreiteiras, com o conteúdo das delações que nominam pessoalmente dirigentes do PT, do PMDB, do PP (todos com 13 anos de serviços prestados ao governo petista). Nem um pio deram quando a Petrobras, tendo Dilma Rousseff como presidente do Conselho Deliberativo, fez a negociata de Pasadena, ou quando o BNDES jogou bilhões de reais nossos no poço sem fundo dos comunistas cubanos e venezuelanos, e de ditadores companheiros mundo afora. Uma cortina de silêncio parece encobrir de seus ouvidos o que as delações berram quase todo dia.
Muito oportunista, portanto, essa empolgação moral. Sobreviveram sem qualquer incômodo através de uma década inteira de falcatruas, de inusitadas fortunas que luziam ante os olhos mais distraídos, de famílias inteiras, como a Da Silva, que saíram do subemprego para o mundo dos grandes negócios. Agora, que a acusação recai sobre o odiado Michel Temer - o primeiro a sentar na cadeira que tinham como sua para sempre - retomam o discurso golpista que grita Fora! a qualquer um que apoie o traseiro onde querem sentar.
Quando o Congresso Nacional, em constitucional e prévio juízo político assim decidir, responda Temer por todos os crimes que tenha cometido. Celebrarei o evento. Mas não venham os irados do blog 342 Agora com essa indignação de meia boca, hipócrita, corrompida, cuja exclusiva finalidade é atender suposta conveniência de quem comandou o maior esquema de corrupção política da história nacional. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor)
Não existe prazer comparável ao de ficar firme sobre o vantajoso terreno da verdade. (Francis Bacon)

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