26 de jul de 2017

Assim caminhamos em agruras.

• Governo já discute possibilidade de mudar meta fiscal deste ano.
• AGU recorre contra decisão que suspendeu aumento de imposto. Recurso no Tribunal Regional Federal (TRF1) busca retomar o reajuste da alíquota sobre os combustíveis; Liminar suspende aumento no imposto dos combustíveis. Governo recorre; previsão é arrecadar R$ 10,4 bi com alta em tributos.
• Governo quer licença não remunerada de até 6 anos a servidores.
• MP aprova reajuste de 16% a procuradores. Aumento do salário, proposto pelo conselho da instituição, custaria R$ 116 mi aos cofres públicos e depende de aval do Congresso.
• Fundo FI-FGTS tem rentabilidade recorde de 8,3% em 2016. Lucro foi de R$ 2,627 bilhões, impactado em grande parte pela valorização das ações do BB.
• Mordomia por nossa conta. Senado gastará R$8,3 milhões com aluguel de 85 carros oficiais.
• Advogados tentam fechar delações ainda na gestão Janot. Temor é de mudança de critérios com chegada de Dodge, em 18 de setembro; Dodge defende aumento de 16,7% para procuradores. Sucessora de Janot atende a pleito de associação que ajudou a elegê-la.
• Novas regras para setor de mineração aumenta royalty de minerais. Para corrigir defasagem, governo aumentou as alíquotas cobradas pelo uso do minério de ferro.
• Temer promete dinheiro para escolas de samba no Rio. Deputado do PMDB diz que presidente garantiu que governo vai investir R$ 13 mi no carnaval.
• DEM e Alckmin alinham interesses. Reunião, que teve a presença de Rodrigo Maia, foi deferência ao governador, visto como aliado histórico.
• Funaro vai delatar propina na eleição de Cunha para presidente.
• A Receita Federal está fazendo um pente-fino sobre os valores trazidos ao Brasil dentro do programa de repatriação. Os contribuintes suspeitos de terem declarado dinheiro de origem ilegal serão intimados a se explicar a partir de agosto. A principal origem de suspeita é um rendimento incompatível com o patrimônio declarado.
• O Fisco vai dar prioridade aos servidores públicos que aderiram ao programa e investigará também o uso de laranjas para lavar dinheiro irregular. Cinco políticos também apresentaram declaração, embora estivessem impedidos por lei de entrar na repatriação.
• Na segunda etapa do programa, que permite a entrada de capital mantido no exterior após pagamento de imposto e multa, a arrecadação está em R$ 1 bilhão. O governo esperava a entrada de R$ 13 bilhões. O prazo termina dia 31.
• Ainda na Economia, a expectativa é que a Selic volte a ficar em 1 dígito após 4 anos. Se o Comitê de Política Monetária confirmar nesta quarta-feira o corte de 1 ponto porcentual esperado pelo mercado, a taxa básica de juros deve chegar a 9,25% ao ano. Os investidores avaliam, porém, que a manutenção da Selic em patamares mais baixos depende da manutenção da agenda de reformas.
• Fogo no pavio da Previdência. Centenas de milhões de reais podem ser perdidos por mês com o atraso nas reformas. Os problemas se acumulam e se agravam enquanto o joguinho político entrava decisões.
• Governo muda regras de mineração e cria agência reguladora.
• Governo aprova CNH digital que poderá ser levada em celular.
• Economia ínfima. Programa de demissão voluntária em estudo no governo pouco representaria diante do inchaço da folha.
• Procuradoria pede pena máxima para Sérgio Cabral. Órgão vê 'ganância desenfreada' em atuação do ex-governador do Rio.
• O Antagonista:
1. A Folha publica que há uma cisão interna no PT entre apoiadores explícitos do tirano venezuelano, como Gleisi Hoffmann, e aqueles mais prudentes, digamos. Lula estaria preocupado com a administração Maduro (sic) e teria recomendado, mais de uma vez, moderação ao presidente da Venezuela, segundo o jornal. Lula é um plantador profissional. 
2. Ao manter o bloqueio do dinheiro de Lula, o desembargador João Pedro Gebran Neto disse que o ex-presidente poderia subsistir com o auxílio que lhe é devido em decorrência da ocupação do cargo. Só que Lula não recebe pensão de ex-presidente, porque isso não existe mais desde 1988. Recebe pensão como anistiado político. Essa pensão é um absurdo maior do que a de ex-presidente. 
3. A pressa de Janot e duas perguntas. Rodrigo Janot, apesar de toda a elegância com Raquel Dodge ontem, está correndo para fechar acordos de delação antes da posse da sua sucessora, em setembro. Os advogados dos delatores também estão com pressa, porque não sabem se a nova PGR imporá outras condições. De acordo com a Folha, o procurador-geral e sua equipe pretendem concluir as tratativas com a empreiteira OAS, o ex-ministro Antonio Palocci, o empresário Henrique Constantino, sócio da Gol, o ex-deputado Eduardo Cunha e o doleiro Lúcio Bolonha Funaro. Palocci vai poupar Lula e entregar apenas Guido Mantega, Janot? Acordos com Cunha e Funaro não seriam excludentes, Janot? 
4. Ninguém ganha de Moro. O juiz Sergio Moro é fenomenal. Ele é atacado todos os dias por Lula e pela imprensa. Mas sua popularidade permanece inabalável. 64% dos brasileiros o apoiam. Um mês atrás, eram 63%. Enquanto isso, Lula tem o apoio de 29% e é reprovado por 68%. Não dá para o cheiro. 
5. Michel Temer não está satisfeito com Henrique Meirelles, que não está satisfeito com Michel Temer. Mas Henrique Meirelles é o que Michel Temer tem. Até as eleições de 2018, o Brasil sobrevive sem Michel Temer, mas não sobrevive sem Henrique Meirelles. 
6. Aécio Neves deverá deixar a presidência do PSDB em agosto, noticia O Globo. Disse um tucano ao jornal: Está batido o martelo. Aécio vai se afastar definitivamente da presidência do PSDB em agosto. Como presidente de fato afastado, cabe a ele convocar uma reunião da Executiva Nacional, para escolher o novo presidente. Quanto ao Tasso, não tenho certeza se será ele. Aécio tem muito mais a fazer do que ser presidente do PSDB. 
7. Servidores públicos que reduzirem a sua jornada de trabalho, com corte de salário, poderão ter emprego na iniciativa privada, mas não na mesma área de atuação. Há emprego na iniciativa privada? O governo brasileiro não vive no Brasil. 
8. O Estadão noticia que a Receita Federal fará um pente-fino para saber quem repatriou recursos de origem ilegal, para além dos casos de simples sonegação, previstos pela lei. O primeiro alvo serão funcionários públicos. Segundo apurou o jornal, há servidores com milhões repatriados. Por que não fizeram isso no momento da repatriação? 
9. Ultimato de Meirelles. Crise na equipe econômica compromete a estabilidade do governo de Michel Temer, que comemorava as conquistas recentes no campo político. Entenda com Claudio Dantas.
Meirelles é fervido por Temer, pelo Congresso e pela própria parolagem.
Não se diga que estão fritando Henrique Meirelles. Ele é um queridinho do mercado, entende-se bem com Michel Temer e vocaliza as ortodoxias de gênios que sabem como consertar o Brasil, mas não conseguem conviver bem com seu povo. Meirelles está sendo fervido.
A fervura de um ministro difere da fritura porque enquanto a frigideira é desconfortável desde o primeiro momento, inicialmente o panelão oferece um calorzinho agradável. Depois é que são elas.
Desde o amanhecer do governo, Michel Temer flertava com a abertura de um balcão no Planalto. O ministro da Fazenda conseguiu contê-lo, até que surgiu o grampo de Joesley Batista. Para salvar seu mandato, o presidente abriu os cofres para os piores interesses predatórios instalados no Congresso. Não se deve esquecer que Meirelles foi levado para a Fazenda numa equipe em que estavam o senador Romero Jucá e o deputado Geddel Vieira Lima.
Temer deu a Meirelles quase toda a autonomia que ele pediu, mas o ministro não entregou os empregos e a perspectiva de crescimento que prometeu. Entrou no governo oferecendo um aumento de 1,6% para este ano e elevou o balão para 2%. Tudo fantasia, hoje o FMI espera 0,3%.
Na segunda-feira, ao ser indagado sobre a possibilidade de um novo aumento de impostos, ele informou: Tudo é possível, se necessário. Frase típica das serpentes encantadas pelos refletores. Não quer dizer absolutamente nada. Enuncia um dilema que exige a definição de possível e de necessário. Atravessar uma rua com o sinal fechado, por exemplo, pode parecer necessário, mas deixa de ser possível se o cidadão é atropelado. O Visconde de Barbacena achava que a derrama era necessária. Descobriu que não era possível.
Todos os ministros da Fazenda desempenham o papel da animadores do auditório. Alguns fazem isso com elegância, como Pedro Malan, outros, de forma patética, como Guido Mantega. Meirelles distanciou-se de Malan e caminha para o modelo de Mantega, num governo onde estão Michel Temer e seu mundo de bichos fantásticos.
Em fevereiro Meirelles anunciou pela primeira vez: A mensagem importante é que essa recessão já terminou. Atrás dele veio uma charanga comemorativa. No mundo real, seu teto de gastos estourou, a reforma da Previdência será diluída e benza-se aos céus se o piso dos 65 anos for preservado. No caso da reforma trabalhista fingiu-se que acabou o imposto sindical, ao mesmo tempo em que o governo negocia uma nova tunga. Antes, os trabalhadores formais pagavam um dia de trabalho a uma máquina infiltrada pela pelegagem e trabalhadores e patrões. Pelo que se negocia, algumas categorias serão mordidas em mais que um dia.
O remédio de Meirelles foi aumentar um imposto. Faça-se justiça ao doutor registrando que ele nunca se comprometeu a não aumentá-los. O seu problema é outro, Ele lida com essas taxações como se fossem uma arma para punir uma sociedade que é obrigada a pagar porque ele e seu presidente não fazem o serviço que prometem.
Um dia Meirelles deve dar uma olhada na galeria de doutores que o antecederam. Nos últimos vinte anos foram catorze. Pelo menos sete foram fritos. Antonio Palocci está na cadeia, uns três deveriam ter ido para o hospício. Inteiros, saíram só dois, Malan e Fernando Henrique Cardoso, mas todos foram homenageados pela mesma orquestra que hoje ensaboa Meirelles. (Elio Gaspari) 

Por que tantos professores de história são comunistas?
Perdi a conta do número de vezes em que participei de debates de natureza política ou ideológica tendo do outro lado da mesa professores de História que não dissimulavam suas convicções comunistas, ou marxistas, ou socialistas. Não são poucas, por outro lado, as mensagens que recebo contendo relatos de alunos sobre a doutrinação política desenvolvida nesses cursos tão importantes ao desenvolvimento intelectual e cultural dos estudantes. Por outro lado, sempre que conheço algum professor ou aluno fora desse mainstream doutrinário, sei que estou diante de um valoroso resistente.
Afinal, por que tantos professores de História são comunistas? E, numa extensão disso, por que, embora em grau menor, igual tendência ocorre em outros cursos das Ciências Humanas? Creio que se trate da convergência de dois fatores. De um lado, a prévia doutrinação dos colegiais no ensino fundamental e médio; de outro, a conveniência política dos partidos mais à esquerda do leque ideológico que sabem quanto vale o domínio da narrativa histórica para as determinações políticas do presente e para os alinhamentos do futuro.
Não se peça da ciência aquilo que ela não pode proporcionar. Os eventos da História sempre admitem várias interpretações, notadamente quando envolvem conflitos. Nestes casos, obviamente, as partes em disputa têm divergentes pontos de vista sobre os acontecimentos e farão deles relatos desiguais.
É nessa tensão que entram Marx e suas convicções sobre o futuro. Ao se assumir como profeta, o alemão fundou uma religião, e seus seguidores são convocados a um ato de fé. Como bem ensinou Olavo de Carvalho, ao ver a história desde seu ponto de chegada, os seguidores de Marx com estrado de professor, púlpito de pregador, teclado de jornalista ou escritor, microfone de comunicador passam a ver tudo que acontece entre o ponto de partida e o ponto de chegada como pá e picareta para abrir o caminho. Portanto, não há limites para a manipulação dos fatos e não há verdades que se mantenham além do tempo necessário a dar um passo adiante.
Eis o motivo pelo qual o que antes se chamava, de modo adequado interpretações da História, passou a ser denominado pelos marxistas como guerra de narrativas, desdobramento de sua indispensável luta de classes. Danem-se as perspectivas dos atores nos fatos narrados! Aliás, danem-se os próprios atores! O único interesse do relato é obter vantagem para o processo político do momento.
Assim fica fácil entender, também, o processo pelo qual militantes comunistas insistem em dizer que lutavam pela democracia contra o regime militar nos anos 60 e 70. Ora, eles tinham e mantêm ojeriza pela democracia que denominam burguesa e, por isso, tanto se empenham, ainda hoje, em implantar seus conselhos populares (sovietes). No entanto, com vistas aos fins, reconstroem a própria história. Lutaram para implantar uma ditadura comunista de inspiração cubana em nosso país e hoje negam haver crido no que creram, pelo que pegaram em armas, e ainda creem.
Não é possível fazer política nesses moldes sem usar e abusar da História e sem meter o dedo na jugular dos fatos. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor) 
A força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável. (Gandhi)

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