18 de jun de 2017

Um país minado.

 photo AroeiraCorda_zpso7xsnc2i.jpg • Temer decide processar Joesley em razão de entrevista. Empresário acusou o presidente de liderar uma organização criminosa. Irá processar Joesley por acusações infundadas; Temer: Joesley é o bandido notório de maior sucesso na história brasileira
• Entrevista Época: Joesley afirma que o PT institucionalizou a corrupção no Brasil; Temer é chefe da maior organização criminosa, diz Joesley. Durante entrevista a revista, Joesley conta como era sua relação com Temer e como fazia para pagar pelo silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro. 
• Pós-Itália: Palocci acusa Mantega de gerenciar a propina paga pela Odebrecht ao PT. 
• Aliados planejam esvaziar sessão para salvar governo Michel Temer. Constituição determina que denúncia precisa de 342 de 513 votos para avançar. 
• Com recessão, recuperação do caixa do governo será lenta. Prejuízos acumulados pelas empresas reduzem recolhimento de impostos. 
• Sob suspeita, dirigente de fundo é pressionado a sair. Presidente de comitê do FI-FGTS deve entregar o cargo nesta semana. 
• STF nega extensão de prazo para defesa de Aécio Neves. Marco Aurélio decide que prisão de Aécio será julgada na primeira turma. 
• Governadores se sentiram usados por Temer. 
• Defesa de Loures pede que ex-deputado deixe a carceragem da PF. Fachin deu três dias para que a PF preste informações.

• Brasil e Argentina criam equipe conjunta para investigar Odebrecht. 
• Rainha Elizabeth II pede unidade depois de incêndio em Londres. Número de mortos em incêndio em Londres chega a 58, anunciam autoridades. 
• Sete marinheiros desaparecidos do destróier Fitzgerald são encontrados mortos. Os sete oficiais da marinha norte-americana desaparecidos após a colisão são encontrados. USS Fitzgerald quase afundou e danos foram significativos, diz Marinha dos EUA. 
• Sob Macron, França deve renovar Assembleia Nacional. Apoio ao presidente tende a se repetir nas legislativas deste domingo. 
• Venezuela é o menor mercado do Brasil na América do Sul. País, que já foi 8º maior comprador brasileiro, hoje não está nem entre os 50. 
• O número de vítimas mortais no incêndio que deflagrou na tarde de sábado (17) em Pedrogão Grande, na Zona central de Portugal, não para de subir. Já são 43 as vítimas mortais, incluindo 18 pessoas apanhadas pelas chamas quando circulavam por estradas, registradas até o momento. 
• Bomba em banheiro de shopping deixa mortos e feridos em Bogotá. Francesa de 23 anos é 1 das 3 vítimas; 4 dos 9 feridos estão em estado grave. 
• Teatros de NY estreiam peças da temporada Trump. Metrópole receberá, no ano todo, espetáculos críticos ao presidente dos EUA. 

Governar o Brasil não é difícil nem impossível: é inútil.
Benito Mussolini terminou seus dias na face da Terra numa posição incômoda: pendurado de cabeça para baixo num gancho de açougue. Um fim de vida coerente com uma de suas frases mais famosas: Governar a Itália não é difícil, é impossível. Menos trágicos, os presidentes do Brasil, mesmo sem o fim lastimável do ditador italiano, poderiam dizer: governar o Brasil não é difícil nem impossível: é inútil.
Citando Suetônio poderíamos dizer que os 12 Césares tiveram as mesmas dificuldades dos presidentes dos dias de hoje. Um deles resolveu seus problemas e os problemas do Império Romano nomeando um cavalo para senador, que nada ficou devendo aos senadores que o sucederam.
Ernest Renan, no meu entender o maior estilista da língua francesa, considerou a linhagem dos Pios não só o melhor período do império como o período mais feliz da humanidade do seu tempo. Teve razões para isso, uma vez que seus antecessores e sucessores, segundo Cesare Cantù, não eram coisas que prestavam.
Falta ao Brasil um Suetônio e um Cantù, apesar de termos césares demais. Somente para ficar no ano da Graça de 2017, temos três ex-presidentes e estamos na iminência de termos mais um, além de outros que estão na fila.
Nenhum deles ficou pendurado num gancho de açougue, mas tivemos um suicida, um louco que renunciou, outro que foi exilado e dois que foram impedidos. Disso tudo resultou que o Brasil pode ter governantes em excesso, que prometerão pão e leite para todos, descobrirão a inutilidade do leite e do pão, mas farão licitações que abastecerão corruptos e corruptores.
Um ex-presidente que foi exilado dizia que governar era abrir estradas. A maioria preferiu abrir as burras da nação, tornando inúteis suas promessas e nomeando cavalos para os altos escalões. (Carlos Heitor Cony) 

Guerras no Brasil.
Costumo almoçar no shopping em mesa com amigos, entre os quais um jovem universitário de 24 anos, Adriano, estagiário de Direito. Ontem ele me perguntou se eu saberia alguma coisa sobre uma certa bomba no Aeroporto de Guararapes, no Recife. Fiquei surpreso com a pergunta, pois imaginei que todo brasileiro soubesse daquele fato, que marcou o início do terror no Brasil. Era uma bomba para matar o Ministro do Exército, Costa e Silva, em 1967, mas matou um jornalista, Édson Régis de Carvalho, um almirante reformado, Nélson Gomes Fernandes, arrancou quatro dedos a mão do general Syvio Ferreira da Silva e a perna do ex-artilheiro do Santa Cruz, conhecido como o Canhão do Arruda, Sebastião Thomaz de Aquino, que morreu na semana passada.
A partir de então, entraram em atividade grupos que já se preparavam desde 1961. Da bomba no Guararapes à bomba do Riocentro, em 1980, houve guerrilha rural e guerra revolucionária urbana. Fernando Gabeira, um dos sequestradores do Embaixador dos Estados Unidos, conta que o objetivo era implantar no Brasil uma ditadura tipo Cuba. No livro Dos Filhos deste Solo, Nilmário Miranda, militante e Secretário de Direitos Humanos de Lula, calcula em 364 o número de mortos do lado dos terroristas e guerrilheiros. Entre empresários, civis, militares e policiais, os mortos foram cerca de 120. O que dá 484 mortos em 13 anos de guerra interna. Exatos três dias de assassinatos na guerra do Brasil de hoje.
O Atlas da Violência, recém divulgado com base em números de 2015 mostra que foram 59.080 os assassinatos naquele ano. Certamente abaixo do número real, pois se sabe, por exemplo, que muitos registros de afogamento encobrem homicídios. O número vem crescendo, e hoje deve passar de 60 mil por ano. O que dá 164 mortos por dia. Dos homicídios no mundo inteiro, o Brasil entra com 11% e é campeão. A taxa relativa de homicídios mais alta está no Nordeste. A mais baixa em São Paulo. Ganhamos longe do Estado Islâmico ou da guerra na Síria, mas enquanto nos ocupávamos em noticiar sete mortos a facadas na Ponte de Londres, naquele dia tínhamos no mínimo 20 vezes isso em número de homicídios.
Assim como os jovens desconhecem a história de uma guerra interna contemporânea no Brasil, parece que não nos importamos com a matança atual. Aquela guerra teve média de 37 mortos por ano; agora são 60 mil. O governo desarmou as pessoas, tirando-lhes o direito à legítima defesa, mas não dá segurança nem desarmou os bandidos. Só deu a eles tranquilidade de que não haverá reação. E quando há reação da polícia, ela é duramente criticada. Na guerra de hoje, o medo nos tira a liberdade e a alienação nos tira a cidadania. (Alexandre Garcia) 

Governo, Oposição e a Bala de prata.
Há muitos anos, em um dos shows que periodicamente apresentava na linha do Eu sou o espetáculo, o comediante José Vasconcellos parodiava o ator Gary Cooper subitamente cercado de índios inamistosos. Eram dez mil índios à frente, dez mil à retaguarda, outros dez mil de cada lado. O que farei? perguntava, em inglês, simulando o astro hollywoodiano em diálogo consigo mesmo. O melhor é tornar-me índio também!, concluía.
Lembrei-me do saudoso comediante e do impasse de Gary Cooper ao ponderar nossa situação como cidadãos no quadro político em que nos emolduraram. Nunca vivi cena assim. Ela está bem expressa na imagem que me chegou pelas redes sociais solicitando marcar com x a instituição em que mais se poderia confiar. Apresentava, para isso, quatro alternativas: governo, parlamento, judiciário e ... jogo do bicho. Impossível negar que estamos literalmente cercados!
Se buscarmos saídas pelo padrão universal, ou seja, dentro do binômio governo/oposição, salta aos olhos a ausência de alternativas. O que acontece no Brasil é inusitado! Sabe-se, agora, fora de qualquer dúvida, que havia uma organização criminosa dentro do governo e outra na oposição. Com o impeachment, uma parte da que estava no governo juntou-se aos quadrilheiros à espreita nas cavernas da oposição e formou o novo governo. Havia gente boa no anterior? Sim, claro; pouca, mas havia. Há gente boa no novo governo? Sim, claro, pouca, mais há. O problema é que os interesses se polarizam em torno da disputa pelo poder, fazendo com que deixe de existir uma alternativa política respeitável, na qual a nação possa confiar.
Com a cisão da organização criminosa que governava o país foi como se uma cápsula de guerra bacteriológica se rompesse. A peste se alastrou. E o fez com intensidade, atingindo os tribunais superiores, que confundem dignidade com indignação ante qualquer dedo virado para seu lado. Não, cavalheiros, arrogância nunca foi sinônimo de virtude e não é o pedestal que faz o santo.
No curto prazo, nosso rumo está traçado pelo GPS da Constituição. Seremos governados por uma quadrilha, pelo menos até 31 de dezembro de 2018. A situação também não se altera mudando-se a Constituição, como quer o PT com suas joint ventures para eleger Lula. Oportuna e felizmente, logo ali, em outubro do ano que vem, ou seja, dentro de 16 meses, o poder volta às mãos do povo viabilizando a higiênica faxina eleitoral que poderá encurtar, para muitos, a distância entre a Praça dos Três Poderes e a porta da cadeia. E saneando o quadriênio vindouro. No presidencialismo, dia de eleição é a bala de prata quadrienal. Errou, se ferrou.
Enquanto não forem melhorados, assim são os passos da democracia e do Estado de Direito dos quais este colunista não arreda pé. Quem quiser alternativa diferente vá beber noutra caneca.
Somos como Gary Cooper parodiado por José Vasconcellos. Estamos entre dois bandos que se enfrentam. Graças a Deus não precisamos aderir a um deles. Aliás, se me recuso a apontar qualquer um como merecedor de adesão, não hesito em identificar o pior. Muito resumidamente, porque a lista seria imensa, refiro-me ao bando formado por aqueles que: 
• apreciam, reverenciam e apoiam financeiramente os regimes cubano e venezuelano;
• sonham com um marco regulatório da imprensa, com um marco civil da Internet e com um Conselho Federal de Jornalismo para cercear quem os incomode;

• promovem a luta de classes, conflitos raciais, conflitos de gênero, invasões de terra, violência sindical;
• são contra privatizações e responsabilidade fiscal;
• se puderem, criarão os sonhados Conselhos populares (sovietes) para esterilizar a representação parlamentar;
• dão refúgio a terroristas, fundaram e comandam o Foro de São Paulo;
• apoiam quaisquer políticos ou filósofos adversários da cultura e da civilização ocidental;
• chamam bandidos de heróis do povo brasileiro, dão nomes de ruas e constroem memoriais a líderes comunistas;
• têm fobia a órgãos de segurança pública;
• dedicam preferencial atenção aos direitos humanos dos bandidos;
• promovem a ideologização da educação e defendem o direito de fazê-lo;
• são contra a redução da maioridade penal e a favor do desarmamento;
• apoiam a agenda de gênero nas escolas, criaram o kit gay, defendem a liberação do aborto, financiam a marcha da maconha;
• criaram, compreendem e utilizam movimentos sociais como milícias a serviço de suas causas políticas.
Cadeia para todos os corruptos, independentemente das letrinhas partidárias em que estejam acantonados! Toda a atenção para o esclarecimento dos eleitores com vistas ao pleito do ano que vem! Todo empenho por uma reforma institucional com parlamentarismo, voto distrital e cláusula de barreira! O poder não pode voltar às piores mãos! Estamos cercados, mas lutando o bom combate! (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor) 
Aquele que luta contra nós fortalece nossos nervos e aprimora nossas qualidades. Nosso antagonista trabalha por nós. (Edmund Burke, filósofo irlandês, 1729/1797)

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