16 de jun de 2017

Em solavancos…

 photo abarcafurada_zpsvja8rp7z.jpg • Sambistas convocam protesto na internet após comunicado da Liesa. Liga afirmou que redução de subvenção da prefeitura inviabiliza o carnaval de 2018. 
• STF suspende bloqueios nas contas do Rio e manda devolver dinheiro arrestado. 
• Samarco dribla multas e Ibama não recebe R$ 344 milhões. Vila de Bento só será reconstruída em 2018. 
• Reforma política elevaria fundo para campanha a R$ 3 bilhões. Políticos tentam aumentar verba pública que será usada nas eleições. 
• Jornalista Alexandre Garcia é hostilizado em voo da Gol. Ele foi chamado diversas vezes de golpista por um rapaz durante o embarque. Piloto quis retirar o agressor do voo, mas Garcia não concordou. 
• Operação Omertà: Palocci pede absolvição e cita ex-deputado flagrado com mala de R$ 500 mil. 
• Fachin pode atrasar envio de denúncia contra Temer. Entendimento é de que ministro-relator do inquérito que investiga presidente deve pedir novas manifestações das partes antes de encaminhar acusação para a Câmara.
• MP investiga propina para Geddel em obra. Citado na delação da Odebrecht, ex-ministro de Temer é alvo de pedido de inquérito no Ceará. 
• Em caso de denúncia, Congresso pode suspender recesso, diz Maia. Presidente da Câmara avalia hipótese se houver pedido da Procuradoria contra o presidente Temer. 
• Cai número de desempregados que recebem seguro no país. Número de beneficiários do programa cai apesar do avanço do desemprego. Aumento do desemprego chegou em um ponto zero, diz ministro do Trabalho. Nogueira defendeu reformas e rejeitou acusações de que direitos serão prejudicados.
• Além da corrupção: Administração irresponsável de Sérgio Cabral contribuiu muito mais para a ruína do Rio de Janeiro do que os desvios de recursos públicos. 
• Anunciada como medida para acabar com privilégios, a reforma da Previdência pode deixar benesses para deputados da ativa e aposentados de ao menos oito Estados, caso não haja mudanças em regimes especiais de aposentadoria. De forma geral, esses parlamentares podem se aposentar aos 60 anos e com o último salário na função, que é de R$ 25.322,25. O teto do benefício pago hoje pelo INSS é de R$ 5.531,31; 
• Se aprovada a reforma da Previdência, que pretende estabelecer idade mínima para aposentadoria, eles também teriam vantagem. Os deputados estaduais de RS, CE e SE contam com regras específicas de Previdência. PA, BA, MT, MG e RS têm institutos de Previdência em liquidação ou extinção, mas as regras mais vantajosas poderão permanecer. 
• Quase 60 milhões dos brasileiros estão inadimplentes. 
• Senado mantém salário de Aécio, mas corta benefícios. Ministro Marco Aurélio diz que a Casa não está descumprindo decisão sobre senador mineiro. 
Meu silêncio não está à venda, diz Cunha. Defesa afirma que deputado cassado negou ter recebido propinas da JBS em troca de se manter calado nas investigações da Lava Jato. 
• Em entrevista ao Estado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso argumenta que a sucessão de denúncias pesa sobre a permanência do PSDB no governo Temer. A imensa maioria está unida contra a corrupção e a favor de passar a limpo as instituições. FHC sugere gesto de grandeza a Temer com convocação de eleições gerais; Em sua nota para a Folha de S. Paulo, FHC deu a entender que o PSDB tem de pular fora do governo de Michel Temer. Só o voto poderá garantir a legitimidade. Para FHC, é preciso devolver a legitimação da ordem à soberania popular.
• Empresas dos irmãos Batista. J&F põe empresas à venda por R$ 8 bi, afirma agência. Oficialmente, controladora da JBS vinha negando que estivesse vendendo ativos; Correios projetam fechar 2017 com prejuízo de R$ 1,3 bilhão. A defesa dos irmãos Joesley e Wesley Batista encaminhou ao ministro Edson Fachin uma petição com informações para defender o acordo de colaboração premiada; A Folha informa que o procurador Lucas Furtado, do TCU, abriu investigação para apurar o impacto dos empréstimos do BNDES ao grupo J&F nas contas do Tesouro. 
• Com a crise da JBS, pecuaristas se unem para assumir os frigoríficos em Mato Grosso. O projeto, que ainda está em estágio inicial, pretende criar uma cooperativa para reativar até 15 unidades - o que seria uma alternativa para a venda de gado, fugindo da concentração do setor. 
• Enquanto na economia setores tentam se reorganizar, na política, algumas pedras: parlamentares que se articulam para rejeitar a denúncia contra o presidente Temer podem ser obrigados a mudar os planos ao menos quanto ao recesso. É que levanta-se a hipótese de Fachin pedir novas manifestações das partes antes de encaminhar a acusação à Câmara. 
• Em seu 5º ano de prejuízo, Correios projetam rombo de R$ 1,3 bi para 2017. De janeiro a abril, perdas acumuladas são de R$ 800 milhões; para tentar reverter a crise, presidente da companhia propõe restringir custeio de plano de saúde apenas para funcionários ativos e aposentados, excluindo cônjuges, filhos e pais. 
• Marin vende mansão por R$ 11,5 mi. Casarão em região nobre de São Paulo é negociado para que a família consiga custear as despesas do ex-presidente da CBF, que está preso nos EUA. 
• Escutas telefônicas feitas pela Justiça espanhola revelam que o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, telefonou para o ex-comandante do Barcelona, Sandro Rosell, para pedir ajuda sobre um lugar seguro no mundo para onde poderia fugir caso investigações se aproximassem dele. 
• Número de mortes por overdose aumenta nos EUA. As mortes são sintoma de uma crise de saúde pública cada vez maior: o vício em opiáceos, que agora se tornou mais mortífero com a entrada de drogas como fentanyl e similares. As overdoses de drogas são, agora, a principal causa de morte entre os norte-americanos com idade inferior a 50 anos.

O garoto da testa tatuada é símbolo de um tempo em que primeiro se pune e depois se investiga.
Jovem tem testa tatuada após ser flagrado roubando 'eu sou ladrão e vacilão' tatuagem roubo bicicleta São Bernardo do Campo.
O adolescente que teve a testa marcada por homens comuns, que se querem - e devem ser - honrados, traduz aquilo que, como sociedade, fizemos do que fizeram de nós.
Nem a vítima nem seus algozes sabiam que ali estava um emblema destes dias. Quando um historiador decidir esmiuçar o Zeitgeist, o espírito deste tempo, há de se debruçar sobre esse evento aparentemente irrelevante para concluir que ele revela uma mentalidade, plasmada, sim, pelas vicissitudes do cotidiano, pela vida e seu ofício, pelas dificuldades que todos experimentamos, afinal, na própria pele. Mas não só isso. Todos temos também um juízo de valor sobre o poder, seus agentes e o bem ou mal que nos fazem.
Aquele historiador há de proceder como o norte-americano Robert Darnton no excelente O Grande Massacre de Gatos e Outros Episódios da História Cultural Francesa. Em seis capítulos, ele expõe o modo de pensar da França do Século 18, na passagem do Antigo para o Novo Regime, por intermédio da análise de narrativas populares. Uma delas trata de um episódio ocorrido ali por 1730. Operários de uma tipografia da rua Saint-Séverin, em Paris, resolvem matar todos os gatos da vizinhança. Na origem do massacre, a revolta contra o patrão e as aviltantes condições de trabalho. A matança começou por La Grise, a gata predileta da mulher do seu algoz.
Seria então o massacre mera metáfora da revolta do trabalho contra o capital? Darnton vai além dessa facilidade. Os gatos já não gozavam de boa reputação - trariam algo de maligno. Havia a tradição de torturá-los no Carnaval e outras festividades. O ódio episódico desencadeou a matança, mas esta não teria acontecido sem um lastro cultural.
Aquele acusado de ser um ladrão de bicicleta teve, segundo rosnou a extrema-direita nas redes sociais, o merecido tratamento. A extrema-esquerda não chegou a transformá-lo num herói, mas ensaiou o discurso das iniquidades sociais, o que é factualmente falso.
Notem que o rapaz não foi espancado, linchado ou submetido a barbaridades típicas dessas situações. Ele foi marcado. O que interessa é submetê-lo ao opróbrio. A questão concerne à política. Rodrigo Janot, procurador-geral da República, manipulava o instrumento que gravou a testa do garoto. Exagero retórico? Estamos no terreno de simbolismos reveladores.
Então não é isso o que vem fazendo dia após dia, com a nossa - da imprensa - diligente colaboração, o MPF? Todos os políticos, de todas as tendências e matizes, trazem na testa Eu sou ladrão e vacilão. É um truísmo: as pessoas fazem justiça com as próprias mãos quando não confiam naquela que lhes oferece o Estado. Sentem que precisam se proteger e purgar os pecados do mundo. E então se têm os bodes expiatórios, os gatos expiatórios, os homens expiatórios. E serão brutais segundo suas tradições e superstições.
A miséria moral é ainda maior: juízes estão a fazer justiça com a própria toga. Procuradores estão a fazer justiça com a própria página no Facebook. Especuladores disfarçados de jornalistas estão a fazer justiça com suas próprias apostas na variação cambial.
Um amigo, de um tempo extinto, está lendo Dos Delitos e das Penas, que Cesare Beccaria escreveu aos 26 anos. Deveria ser obrigatório a todos os jornalistas, mais aos investigativos. Destaca um trecho e me manda por WhatsApp: O verdadeiro tirano começa sempre reinando sobre a opinião; quando é senhor dela, apressa-se a comprimir as almas corajosas, das quais tem tudo que temer porque só se apresentam com o archote da verdade, quer no fogo das paixões, quer na ignorância dos perigos.
Entendi. O janotismo tentou me marcar e busca gravar o seu emblema, como tatuagem, na testa de qualquer um que rejeite o fascismo de esquerda como consequência natural da caça aos ladrões. (Reinaldo Azevedo) 

Funaro diz à PF que Temer tinha pleno conhecimento de corrupção do PMDB.
Interessado em firmar um acordo de colaboração com a Justiça, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro prestou depoimento à Polícia Federal no inquérito que investiga Michel Temer. Ele admitiu ter atuado como operador de esquemas que abasteceram o caixa dois do PMDB com verbas de corrupção. Declarou que Temer tinha pleno conhecimento de que as campanhas da legenda eram vitaminadas com recursos provenientes de propinas.
O depoimento de Funaro ocorreu na última quarta-feira. O conteúdo foi noticiado no site da revista Veja e no Globo. Presidente licenciado do PMDB, Temer comandou a legenda por 15 anos, até 2016. Procurado, mandou dizer que não teve conhecimento senão das doações oficiais ao partido. Funaro disse que chegou a conversar com o próprio Temer sobre o dinheiro que azeitava as arcas do PMDB. Mas o presidente da República assegura que nem conhece o doleiro.
Preso há 11 meses na penitenciária da Papuda, em Brasília, Funaro foi ouvido por cerca de quatro horas. Já se sabia que ele havia atuado como operador de esquemas de corrupção encabeçados por Eduardo Cunha, preso em Curitiba. Interessado em se tornar delator, ele jogou o PMDB na fogueira. Negou, porém, que tivesse recebido dinheiro do Grupo JBS para se manter calado.
Funaro não teve como negar, porque está filmado, o repasse de R$ 400 mil em dinheiro vivo para sua irmã , Roberta Funaro. O doleiro alegou que se trata de pagamento por serviços que ele teria prestado licitamente à empresa. Difícil será explicar por que sua irmã recebeu a verba não por meio de transferência bancária, mas num encontro sorrateiro com executivo da JBS, num estacionamento. (Josias de Souza)
O que importa não é o tamanho do sujeito na luta, mas o tamanho da luta no sujeito. (Bear Bryant)

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