17 de jun de 2017

Do açougue à derrubada de um país.

 photo ampulheta_zps911fhweo.jpg • STF vai julgar quarta-feira se pode mudar penas de delatores da JBS. 
• Meta da inflação será de 4,25 % em 2019. Mudança deve ser confirmada até o fim do mês e visa conter alta de juros. 
• Aécio pede ao STF para ser julgado pelo plenário e não pela turma. Primeira Turma manteve prisão da irmã do senador; Ancelmo Gois diz que pedido de Aécio, ontem, para ser julgado pelo pleno do STF é porque a tendência da 1ª Turma do Supremo, a quem caberia esta decisão, na terça próxima, seria impedir a volta dele ao Senado. E a mesma turma tenderia a soltar a irmã Andrea Neves, mandando-a para a prisão domiciliar com tornozeleira e outras restrições. A conferir. 
• Denúncia da PGR contra Temer fica para o final do mês. Janot deve apresentar acusação entre os dias 23 e 26. 
• A guerra fria de Janot x Gilmar e a denúncia de Fontelles. Clima vai esquentar entre os dois desafetos do Judiciário; entenda no Blog Esplanada. A guerra fria entre o PGR Rodrigo Janot e o ministro do STF Gilmar Mendes tende a esquentar nos próximos dias. Janot irá decidir se acolhe ou não o pedido de investigação contra Gilmar por crime comum apresentado pelo ex-procurador-geral Cláudio Fontelles. Sete dias antes da revelação do escândalo JBS, em 10 de maio, Janot se manifestou contra um pedido de impeachment do ministro Gilmar por falta de elementos legais para o pedido ir adiante. O novo pedido de Fontelles tem peso. Baseou-se na denúncia da própria PGR, que apontou crime de corrupção passiva e obstrução de Justiça de Aécio Neves em conversa telefônica com Gilmar, incitando tráfico de influência do togado em votação no Senado. 
• Em carta, ministro interino da Cultura João Batista Andrade pede demissão. Decisão seria apenas um adiantamento do que o presidente Michel Temer faria em breve; disputa pela vaga deverá ser entre os integrantes do PMDB. Cortes deixaram orçamento da pasta inviável. João Batista deixou Cultura porque não estava conseguindo manter a presidente da Ancine. 
• Oposição aposta em clima ruim para evitar reforma trabalhista. PT espera que denúncia de Rodrigo Janot influencie pauta do Senado. 
• Riotur diz que vai ajudar escolas de samba a obter financiamento privado. 
• Joesley depõe à PF e confirma acusações anteriores sobre Temer. Na Operação Patmos, Joesley depõe e reafirma que pagou propina para ser favorecido no governo; JBS apaga associação com marca Friboi em embalagens. Empresa elimina marca mais famosa nos rótulos de outras linhas; Geddel informava Temer sobre pagamentos a Cunha, diz Joesley. Empresário da JBS afirma que presidente chefiava organização criminosa. 
• O empresário Joesley Batista, do frigorífico JBS, afirmou em entrevista à revista Época que chega às bancas no sábado, 17, que o presidente Michel Temer é chefe de organização criminosa. O empresário, que após ter acordo de delação premiada foi morar nos Estados Unidos, está no Brasil desde domingo, 11. Nesta sexta-feira, 16, Joesley prestou depoimento na Justiça Federal, em Brasília. Para Joesley, quem não está preso está no Planalto. O Temer é o chefe da Orcrim (organização criminosa) da Câmara. Temer, Eduardo (Cunha, deputado cassado), Geddel (Vieira Lima, ex-ministro da Secretaria de Governo do governo Temer), Henrique (Eduardo Alves, ex-ministro do Turismo no governo Temer), (Eliseu) Padilha (atual ministro da Casa Civil) e Moreira (Franco, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência). É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles
• Lentidão da Justiça ajuda réus de mensalão tucano. Quase uma década após denúncia, caso teve apenas uma condenação. 
 • Cardozo: comparar provas contra Dilma e contra Temer é risível. 
• PGR prepara denúncia de Temer, e JBS vê retaliações do Planalto. 
• BC teme efeito da crise e destoa de euforia do Planalto. 
• Falta de nome para o pós-Temer dá fôlego para o peemedebista. 
• Ala jovem tucana deve apoiar denúncia contra presidente. Deputados com menos de 40 anos são mais resistentes a ficar no governo.
• Presidência preparou texto para Temer abreviar mandato. Opção de encurtar governo estava em versão inicial de fala de 18 de maio. 

• O Antagonista. 
1 - O generalíssimo Sérgio Etchegoyen, que se tornou um dos pilares do governo Michel Temer ao lado de Henrique Meirelles, quer nomear o diretor-geral da Polícia Federal. 
2 - O Globo descobriu que Michel Temer reuniu-se com Carlos Velloso, ex-presidente do STF, para avaliar a sua situação jurídica. 
3 - Secretaria da Presidência confiscou 21 tralhas de Lula. A informação foi dada a Sérgio Moro pelo secretário de Administração da Presidência da República, Antonio Carlos Paiva Futuro. Os objetos, informa o Estadão, estavam armazenados em uma sala no Banco do Brasil, no centro de São Paulo, e foram apreendidos em março de 2016 na Operação Lava Jato. Foram confiscados um peso de papel, três moedas, um bibliocantos, cinco esculturas, duas maquetes, uma taça de vinho, uma adaga, três espadas, uma coroa, uma ordem, um prato decorativo e moedas antigas
4 - JBS encomendou laudo de gravação a ex-FBI. O Antagonista apurou que a defesa de Joesley Batista encomendou dois laudos da gravação da conversa clandestina com Michel Temer.

May anuncia 5 milhões de euros para vítimas do incêndio na Grenfell Tower. Pelo menos 30 pessoas morreram no incêndio do prédio em Londres.
• Fifa quer acabar com o Mundial de Clubes e pode reconhecer Copa Intercontinental.
• Trump cancela completamente acordo com Cuba. Americano restringe viagens e transações comerciais com país caribenho. Donald Trump denuncia o caráter brutal do regime cubano; Trump impõe restrições a viagens e comércio com Cuba e refreia distensão da era Obama. 
• Morre ex-chanceler Helmut Kohl, 87, pai da reunificação. Mais longevo líder eleito na Alemanha teve a tarefa de integrar o país. 
• Colisão entre navio dos EUA e cargueiro deixa 7 desaparecidos; Acidente com o USS Fitzgerald aconteceu na costa do Japão. Todos os desaparecidos são marinheiros americanos; 
• Justiça espanhola decide extraditar operador da Odebrecht.


Prestes a ser aprovada pelo Senado, reforma reduz poder do trabalhador.
Parlamentares da oposição sobem no plenário da Câmara para protestar contra a reforma trabalhista.
A poucos dias do Natal de 2016, o governo Temer anunciou de forma atarantada e pouco pretensiosa uma proposta de reforma da legislação trabalhista. Na véspera, o Palácio do Planalto tinha dúvidas sobre o escopo das mudanças e oscilava entre uma medida provisória e um projeto de lei para endereçar as inovações ao Congresso.
Classificou-se o texto de minirreforma, cujo mote principal era dar força de lei a acordos coletivos negociados entre empresas e trabalhadores, ressalvados alguns direitos.
Sem alarido e em poucos meses, um parecer com mais de cem alterações na legislação foi produzido na Câmara. Gozando de vigor parlamentar, o governo conseguiu ver a nova versão da reforma aprovada pelos deputados em questão de dias.
No Senado, mesmo sob a crise que abala o mandato presidencial, o Planalto vem enquadrando senadores para não alterar o texto da Câmara. Apesar do esperneio oposicionista, o que se vislumbra é manter a proposta incólume e, por meio de vetos e de uma medida provisória, atenuar mais à frente alguns dispositivos. Temer acena a sindicalistas que pode até mesmo rever o fim imediato do imposto sindical obrigatório.
Seguindo o roteiro expresso, a Comissão de Assuntos Sociais deve aprovar a reforma na próxima semana, apesar das mais de 200 emendas apresentadas para modificar o texto. Até o final deste mês, mais tardar início de julho, a proposta tende a ser sacramentada pelo Senado.
É quase consenso que a septuagenária CLT não dá mais conta de regular as relações de trabalho. No entanto, não pode ser bem-vista uma reforma (resultante de um debate atropelado) que flexibiliza contratos trabalhistas, mas reduz o poder de negociação dos empregados, principalmente por estar dissociada de uma revisão da velha estrutura sindical.
Para o mercado, o empresariado e o governo Temer -antes reformista, agora equilibrista-, interessa uma reforma qualquer a nenhuma. (Julianna Sofia) 

Com Temer ou presidente biônico, crise vai piorar.
TSE julga o pedido de impugnação da chapa Dilma-Temer, em ação proposta pelo PSDB, em A crise brasileira, mesmo diante de todos os paliativos que lhe tentam ministrar -acordos, reformas, articulações envolvendo o Judiciário-, continua avançando. E o único remédio eficaz para as enfermidades da democracia é a renovação do ambiente político, mediante eleições gerais.
O Reino Unido acaba de ministrá-lo para superar a crise do brexit. Aqui procede-se de maneira inversa. Defende-se a rigidez do calendário eleitoral, sob o argumento de que se trata de cláusula pétrea constitucional.
Ora, nenhuma cláusula constitucional é mais pétrea que a própria democracia -e é ela que está em risco. Aguardar um ano e meio para salvá-la é uma temeridade. O quadro clínico da política brasileira é terminal. Ou o renovamos imediatamente ou descambaremos para o imponderável da desobediência civil.
Nenhum legislador -e o constituinte de 1988 não é exceção- poderia prever um quadro convulsivo como o que vive neste momento o Brasil, com o conjunto das instituições do Estado, os três Poderes, sob total descrédito perante a sociedade.
Uma conjuntura em que as maiores autoridades da República, incluindo o próprio chefe do governo, estão sendo investigadas, acusadas de graves infrações.
Alguns já estão presos, outros o serão a qualquer momento; outros ainda, já na condição de réus, se empenham em manter-se sob a proteção do foro privilegiado, na expectativa de acordos que os inocentem.
Nesse ambiente de salve-se quem puder, viola-se, sem qualquer cerimônia, outra cláusula pétrea constitucional, a que determina que os três Poderes sejam independentes e harmônicos entre si (artigo 2º). Não têm sido, muito pelo contrário.
Jamais assistiu-se tamanho embate entre eles, a que se associa o Ministério Público, ao qual a Carta de 1988, sem formalizá-lo, conferiu status de verdadeiro quarto Poder.
Esses conflitos, que não raro se manifestam em linguagem nada protocolar, aumentam a insegurança jurídica, que, por sua vez, inibe os investimentos, aprofundando o ambiente recessivo, que hoje, com a falência de milhares de empresas, já contabiliza mais de 14 milhões de desempregados.
E o Estado não vê saída porque ele próprio é a crise.
Há 14 pedidos de impeachment contra o presidente Michel Temer protocolados na Câmara dos Deputados. No Senado, há pedidos idênticos contra ministros do STF.
A Lava Jato, indiferente às aflições do meio político, prossegue implacável sua missão saneadora. Como operar, em tal ambiente, reformas como a trabalhista e a previdenciária, que, por sua abrangência e profundidade, assustam o contribuinte?
São necessárias, mas com que autoridade os agentes do Estado, desmoralizados e sob investigação, irão convencê-lo de sua urgência? Economia não é ciência exata. Tem forte componente psicossocial. Sem credibilidade, nenhuma medida, por mais engenhosa, funciona.
Não se questiona a competência e o acerto da equipe econômica, mas as condições de temperatura e pressão do governo e de sua base política são as de um moribundo.
O temor de que a antecipação das eleições gerais proporcione o retorno do PT ao poder é falso. PT e Temer são faces de uma mesma moeda, e respondem por crimes de que foram parceiros.
Lula e Temer estão irmanados no propósito de não antecipar as eleições. Temer porque precisa das prerrogativas do cargo para socorrer-se no foro privilegiado; Lula para transfigurar-se de criminoso comum em perseguido político.
Não será com presidentes biônicos, trapaças de bastidores, duelos entre os Poderes e lances teatrais que o Brasil sairá da crise. Eleições gerais já. (Ronaldo Caiado, senador) 

Joesley soa como virgem de Sodoma e Gomorra.
De passagem pelo Brasil, o corruptor confesso Joesley Batista falou à revista Época. Apresentou-se na conversa como uma vítima de políticos achacadores. Nessa versão, se não distribuísse mimos e propinas os interesses do seu grupo empresarial seriam prejudicados. A tese da extorsão é cansativa e ofensiva. Ela cansa porque já foi usada à exaustão pelas empreiteiras pilhadas na Lava Jato. Ofende porque supõe que a plateia é feita de imbecis.
Na definição do dono da JBS, Temer é o chefe de uma organização criminosa que inclui Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves, Eliseu Padilha e Moreira Franco. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por quê? Para não armarem alguma coisa contra mim. Há, hã… O problema dessa formulação é que, guiando-se por autocritérios, Joesley participa do enredo da rapinagem no papel de um anjo cercado de demônios.
As asas angelicais do entrevistado abriram-se com maior entusiasmo no instante em que ele explicou por que pagava pelo silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, que estão atrás das grades. Virei refém de dois presidiários. Combinei quando já estava claro que eles seriam presos, no ano passado. O Eduardo me pediu R$ 5 milhões. Disse que eu devia a ele. Não devia, mas como ia brigar com ele? Dez dias depois ele foi preso.
O anjo prosseguiu: Eu tinha perguntado para ele: Se você for preso, quem é a pessoa que posso considerar seu mensageiro?. Ele disse: O Altair procura vocês. Qualquer outra pessoa não atenda. Passou um mês, veio o Altair. Meu Deus, como vou dar esse dinheiro para o cara que está preso? Aí o Altair disse que a família do Eduardo precisava e que ele estaria solto logo, logo. E que o dinheiro duraria até março deste ano. Fui pagando, em dinheiro vivo, ao longo de 2016. E eu sabia que, quando ele não saísse da cadeia, ia mandar recados.
Que a política virou apenas mais um ramo do crime organizado, ninguém ignora. Nessa matéria, a Lava Jato eliminou até o benefício da dúvida. Mas Joesley só está solto para dar entrevistas porque sua delação foi superpremiada pela Procuradoria-Geral da República. O delator faria um favor aos brasileiros se não exagerasse na pose.
O que há de novo no país que a força-tarefa de Curitiba desencavou é que, pela primeira vez desde as caravelas, a polícia, a Procuradoria e a Justiça invadiram os salões do clube dos corruptores, do qual Joesley Batista é sócio-atleta. O barão da carne ainda não se deu conta da aversão que sua despudorada figura passou a despertar.
Hoje, só há dois tipos de brasileiros: os desinformados e os que torcem para que os lucros que a JBS obteve no mercado financeiro manipulando a própria delação resultem em nova ação judicial. Coisa séria o bastante para levar gente como Joesley à cadeia sem prejuízo da utilização de tudo o que foi delatado para fins criminais.
Até lá, convém a Joesley não diminuir sua importância como corruptor no maior esquema de rapinagem sob investigação no planeta. Do contrário, sua voz soará nos depoimentos e nas entrevistas como ladainha de uma virgem de Sodoma e Gomorra. (Josias de Souza) 
As lições da desgraça são as sumas lições da vida. (Giacomo Leopardi)

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