13 de mai de 2017

Salve-se, se puder...

 photo rus45_zpsy6luvw0c.jpg • 13 de maio, dia da abolição da escravatura? A Lei Áurea foi assinada pela princesa Isabel em 1888. 
• Existe uma alma em São Bernardo do Campo à espera de justiça.
• Ataque hacker em escala global atinge 99 países. Segundo especialistas, a invasão que bloqueia acesso a dados mesmo sem a ação do usuário é obra de multinacional do cibercrime. Mega-ataque hacker afeta 74 países, inclusive Brasil. Ação que usou brecha identificada pelos EUA não foi reivindicada; Após relatos de ataques cibernéticos em empresas da Europa, começam a surgir no Brasil os primeiros casos envolvendo empresas e órgãos governamentais. Dentre eles, a sede brasileira da Telefônica/Vivo, além do Tribunal de Justiça de São Paulo, o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo e o Ministério Público do Estado de São Paulo. O INSS suspendeu o atendimento após registrar indícios de ataque. A Petrobrás reiniciou a rede corporativa; O esquema dos hackers agora é sequestrar dados e pedir resgate em bitcoin. Pra se proteger, dica é ou não atualizar o Windows?
• Treze deputados acumulam 100 acusações criminais. Bancada dos investigados na Câmara é encabeçada por parlamentares que colecionam de 5 a 18 inquéritos e ações penais. Entre eles, estão relatores e autor de propostas polêmicas, líderes, fundador de partido e ex-presidente do Corinthians. 
• Reforma da Previdência: acesso à Câmara será garantido com restrições necessárias, diz Rodrigo Maia. Presidente da Câmara se reúne com presidente do STF, Cármen Lúcia, depois que o ministro Fachin liberou acesso a três entidades para sessões de votação da reforma. Deputado classificou a reunião como conversa sobre os limites da decisão. 
• Operação da PF investiga grupo JBS e Palocci em fraude bilionária no BNDES. Ação mira em empréstimo à companhia após contratação de empresa de ex-ministro, preso em Curitiba: Operação Bullish. Operação investiga repasses do BNDES à JBS. Empresa é alvo de buscas pela 5ª vez, por causa de investimentos de R$ 8 bi. Operação da PF mira o empresário Joesley Batista, da JBS, e o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho No exterior, Joesley e Coutinho escaparam de condução coercitiva. 
• João Santana diz que Dilma Rousseff o orientou a ficar o máximo de tempo, por cautela, fora do país; João Santana diz ter combinado campanha com Delcídio de forma inusitada: dentro da sauna; João Santana e Mônica Moura delatam caixa dois e trabalho fictício para ex-marido de Marta. 
• Cármen Lúcia reclama do machismo de ministros no Supremo: Não nos deixam falar
• Fundador da Gol, Nenê Constantino é condenado a 16 anos de prisão por mandar matar líder comunitário. 
Estado de direito não comporta soberanos, diz Gilmar Mendes. 
• Palocci é aconselhado a desistir de habeas corpus para fechar delação com Lava Jato. Ex-ministro dos governos de Lula e Dilma, que deve citar qual a relação de esquemas de corrupção com o sistema financeiro do país, substituiu a sua defesa. O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma) decidiu fazer delação premiada. Diante da promessa de que muito em breve poderá ganhar liberdade, comunicou a seu advogado de confiança, o veterano criminalista José Roberto Batochio, que não precisa mais de assistência. Palocci não resistiu ao sofrimento psicológico que lhe foi imposto em Guantánamo meridional, declarou Batochio, referindo-se a Curitiba. 
• Em depoimento ao MPF, o marqueteiro João Santana disse que todas as campanhas eleitorais feitas no País usam caixa 2 e violam a democracia: Não há uma só campanha no Brasil, vamos dizer, 99,9%, e não há um único marqueteiro, eu imagino, que não tenha sido obrigado ou que não recebeu. Não que isso nos isente. Também relatou que Dilma teria nomeado Graça Foster para a presidência da Petrobrás para acabar com a esculhambação na estatal. 
• Lava Jato. Dilma sugeriu transferir conta da Suíça (caixa 2) para Cingapura, diz Mônica. Ex-presidente queria tirar conta da Suíça para manter sigilo de operações. A delatora Mônica Moura, marqueteira de campanha do PT, afirmou ao MPF que Dilma sugeriu que ela transferisse uma conta mantida na Suíça para a Cingapura por ser mais seguro. A conta seria o elo de ligação dos pagamentos feitos pela Odebrecht a ela e seu marido, João Santana. A empresária entregou um registro com as imagens do e-mail que diz ter usado para trocar mensagens com a ex-presidente. 
• Prova contundente. Depósito de Mônica, para ressarcir assessora presidencial, compromete Dilma. Depósito de R$ 6 mil prova uso de Caixa 2 em benefício próprio. 
• Delações envolvem Dilma e Cardozo na Lava Jato. Vazar informação sigilosa obtida em razão do cargo é crime. 
• Dias antes de ter a prisão revogada, José Dirceu escreveu do cárcere uma carta de 14 páginas à qual o Estado teve acesso. Comparou os delatores que o acusam a cachorros da ditadura, defendeu uma virada à esquerda do PT, criticou o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a ação do juiz Sérgio Moro. Qualificou como golpistas o governo Temer e a mídia. E, diante do risco do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ser candidato em 2018, em razão dos processos em que é réu na Operação Lava Jato, o petista escreveu: Darão outro golpe, condenarão e prenderão Lula? Serão capazes dessa violência e ilegalidade? Veremos
• As 7 revelações mais curiosas das delações de Santana e Mônica. Leia
• Juiz dá 3 dias para Eike pagar R$ 52 milhões ou voltar à prisão. 
• Rodrigo Janot ressalta Não adianta esconder bens ou valores fora do Brasil.
• Papa Francisco canonizou neste sábado pastorinhos de Fátima. 
• França tem sistema político revirado por Macron. Movimento do presidente eleito força mudanças de socialistas e republicanos; Macron deixa presidência do movimento En Marche criado por ele em 2016. 
• Trump sugere ter gravado fala com ex-chefe do FBI. Republicano alerta Comey a pensar nisso antes de vazar informação à mídia. 

Cerco de militantes a tribunal traça fronteira de gueto ao PT.
A charge de Hubert, à página A2 da Folha (10.mai), no Dia do Depoimento, é a mais refinada tradução da operação em curso. Se ela contivesse apenas as imagens de Lula e Moro encarando-se como duelistas, seria mera reiteração da narrativa dominante, construída pelo lulopetismo. Mas o autor dribla a armadilha, inserindo um Chico Buarque, símbolo do PT estampado no peito, que cantarola olhos nos olhos, quero ver o que você diz....
A narrativa é só uma interpretação, configurada para uso político -eis a mensagem da charge. Cabe acrescentar dois registros: 1) o sucesso dos seus fabricantes deve-se, em larga medida, à adesão de correntes odientas de direita, que a repetem, mas para celebrar Moro; 2) Quando triunfa na produção dessa versão, o lulopetismo cava um buraco para si mesmo, depredando seu futuro.
Se um dia eu tiver cometido erro, não quero ser julgado só pela Justiça, quero ser julgado pelo povo brasileiro, clamou Lula na praça.
Quando um político comete um erro, é julgado pelo povo, não pelo Código de Processo Penal, teorizara antes, diante de Moro, para acrescentar que eu já fui julgado pelo povo. Política é, sobretudo, a formulação de narrativas, de preferência duais: Povo vs. Elite, Progresso vs. Reação, Mercado vs. Estado etc.
Lula escolheu uma polaridade singular: Povo vs. Justiça. Funciona, para objetivos imediatos, mas gera sequelas incuráveis. O cerco de um tribunal pela massa de militantes, expressão teatral da narrativa escolhida, traça uma fronteira de gueto ao redor do PT.
A ideia do julgamento pelo povo, elemento crucial da narrativa, funda-se na deliberada confusão entre política e justiça. O erro político será (ou não) julgado pelos eleitores. O crime, exclusivamente pelo sistema de justiça.
Não é casual a seleção da palavra erro para fazer referência a crimes. Nela, encontra-se a articulação semântica da versão que procura exibir o sistema de justiça como um ator do jogo político. Na imprensa, companheiros de viagem reverberam a narrativa partidária por meio da expressão Partido da Justiça. O sistema de justiça, porém, não tem partido -ao menos nas democracias.
Existe a hipótese de que Moro tenha decidido perseguir Lula? Eduardo Cunha e dezenas de outros réus da Lava Jato apresentam-se igualmente, como perseguidos. Mesmo assim, a hipótese não pode ser descartada. Quem acredita nela -e, ao mesmo tempo, no sistema de justiça das democracias- deve apelar às instância judiciais superiores, não à gritaria da militância.
Mas, hoje, quando a coisa é com ele, Lula segue o exemplo de José Dirceu, declarando-se um perseguido político. É um passo do qual o ex-presidente se poupara, no passado recente, quando fez a promessa (vazia) de provar, na esfera dos tribunais, a farsa do processo do mensalão.
Lula não equivale a Povo, exceto num tipo de propaganda incapaz de ocultar sua alma autoritária. Moro também não equivale a Justiça. O juiz de primeira instância é apenas um nexo de um sistema que abrange a Polícia Federal, os procuradores, os advogados de defesa e as instâncias superiores do Poder Judiciário.
Os conflitos entre Moro e tribunais superiores e entre o Ministério Público e o STF (Janot vs. Gilmar Mendes) não são indícios de uma desordem, mas sinais do funcionamento regular de uma ordem assentada na autonomia das instituições. Já a convocação da militância para sitiar um juiz reflete inconformidade com a democracia: o desejo de que o Povo (entenda-se: o Partido) assuma as funções do sistema de justiça.
Na Venezuela, é isso que acontece, sob aplausos do PT. Otribunal superior obedece aos comandos do Povo -isto é, do Partido, ou seja, do regime chavista. O Lula de Curitiba, que ergue o punho contra o sistema de justiça, veste a fantasia de Nicolás Maduro. É carnaval eleitoral - mas é um buraco. (Demétrio Magnoli) 

O casal Santana faz temer e tremer.
Depois do depoimento de Lula, a sensação é o casal. Se o que delatam for verdade, Brasília vai estremecer. Já está mesmo com as negativas gerais. Os vídeos do ex-presidente já cansaram e se esgotaram, por dois motivos. Repetiram muito. E lulistas e anti-lulistas, têm posições e convicções irrefutáveis e inarredáveis. Enquanto se especula aqui, vejamos na Venezuela, onde os fatos e números são assombrosos e praticamente confirmados.
1910. Candidato francamente favorito à reeleição: coronel Chávez. Por sugestão de Lula, chamam João Santana, conversam, se acertam. Não sei o que Santana poderia acrescentar à campanha. Chávez sai de cena, entra o Ministro do Exterior, Nicolas Maduro. Está tudo decidido, ele só tem que pagar, para eles, insignificantes 11 milhões de dólares. Tudo em pacotes em cima da mesa, Maduro chama a segurança, para levá-los até à saída do edifício.
Podem imaginar o volume desse dinheiro, como carregá-lo e para onde. Mas assim que foi denunciado, Maduro proibiu qualquer notícia ou comentário. Santana então deu mais detalhes. Em suma: não há suma, deve ser tudo verdade mesmo. Benefício do casal: como já revelei. Condenados há 8 anos, foram libertados, a pena passou para 4. Cumpridos suavemente. Única exigência, que vai fazer Santana sofrer: nesses 4 anos, não poderá fazer marquetagem, aqui ou no exterior. Depois desse tempo, será entre eles e os clientes. (Helio Fernandes) 
Democracia neste país é relativa, mas corrupção é absoluta. (Paulo Brossard)

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