6 de mai de 2017

O Rio, ah, vai bem...

• Inscrições para o Enem 2017 começam na segunda. 
• Faroeste: Quadrilhas cobram taxa mensal de empresários para não roubar cargas no RJ. 
• Parei de controlar propina em US$ 10 milhões, diz Duque; Lula conhecia e comandava o esquema, afirma Renato Duque. Ex-diretor da Petrobras delata petista; acusação é fabricada, diz ex-presidente; Grupo de Lula exigiu propina de US$ 133 milhões, diz Duque. Segundo o ex-diretor da Petrobras, as comissões eram divididas entre o PT, o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente da República. Ele tinha pleno conhecimento de tudo, tinha o comando, afirma Duque sobre Lula e o esquema Petrobrás. Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, ex-diretor de Serviços da Petrobrás revela três encontros pessoais com o ex-presidente, um dos quais já em 2014, com a Operação Lava Jato nas ruas. 
• A capital do Paraná já começou a se preparar para o interrogatório de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está marcado para acontecer na próxima quarta-feira (10). Para garantir que o depoimento aconteça sem nenhum problema, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) elaborou um plano especial de segurança. 
• Em uma situação sem precedentes dentro do histórico da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), pedidos de liberdade feito por dois empresários que estão presos preventivamente por decisão do juiz Sergio Moro serão analisados não pelo relator original do processo, o ministro Edson Fachin, mas por outro ministro, Dias Toffoli. Presos preventivamente e condenados junto com o ex-ministro José Dirceu na Lava Jato, os empresários Flavio Henrique de Oliveira Macedo e Eduardo Aparecido de Meira pediram - na tramitação do habeas corpus de Dirceu - a extensão da ordem de revogar a prisão que lhe foi concedida, alegando situação idêntica. 
• Palocci sobre delação: É o único jeito de sobreviver
• Presença de Dirceu divide moradores de bairro de Brasília. Em prisão domiciliar, petista tem sido alvo de ataques e homenagens. 
• Servidores públicos acham texto aprovado da reforma da Previdência pior que original. 
• Muito estranho. Satélite brasileiro é o mais caro de todo o mundo. SGDC custou até 12 vezes mais que os similares de outros países, R$ 2,8 bilhões. O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações brasileiro, lançado esta semana, é o mais caro do mundo. Contratado em 2013 pelo governo Dilma por R$2,8 bilhões, é semelhante a outros bem mais baratos. A Índia, por exemplo, que lançou seu satélite de semelhantes características 24 horas depois do Brasil, gastou R$227 milhões, doze vezes menos que o governo brasileiro. Em janeiro, o Japão gastou R$ 1,1 bilhão a menos para colocar um satélite idêntico no espaço.
• Senadores do PMDB se reunirão com Temer à revelia de Renan e a convite de Jucá. 
• Ex-presidente da Funai ataca governo e aponta ingerência política. Ex-presidente da Funai diz que foi demitido por não fazer malfeitos. Antônio Fernandes Toninho Costa reclama de ingerências: Saio porque sou honesto. Afirma que sofreu, em 4 meses, com a bancada ruralista liderada pelo ministro da Justiça Osmar Serraglio, além da incompetência do governo com causas indígenas. 
• Economia não depende só da Previdência, mas também de continuidade de agenda, diz FHC. Em entrevista, o ex-presidente defendeu que a reforma é importante para melhorar o lado fiscal do País e a confiabilidade dos investidores, mas é preciso mais: parcerias com o setor privado e investimentos em infraestrutura. 
• Presos provisórios custam R$ 6,4 bi por ano ao país. Prisões têm 221 mil detentos desse tipo; cada um custa R$ 2.400 por mês. 

• Na ONU, Brasil é cobrado sobre violações de direitos humanos. Brasil é alvo de críticas em conselho da ONU. Mais de 30 países questionaram violência contra população indígena. 
• Líder nas pesquisas, Macron denuncia ataque hacker. Marine Le Pen, candidata ultranacionalista, e o centrista Emmanuel Macron, que se enfrentarão nas eleições presidenciais francesas neste domingo (7). Eleição na França expõe debate sobre protecionismo. Plataformas de Macron e Le Pen descrevem efeitos antagônicos da globalização. 
• Trump assina lei orçamentária e evita paralisação do governo neste ano e evita paralisação do governo neste ano. Apesar de ser uma das maiores promessas da campanha do magnata, texto não inclui verba para a construção de um muro na fronteira com o México; Nos EUA, ala moderada é desafio para Trumpcare. Aprovada na Câmara, reforma terá resistência de republicanos no Senado. 
• Notícia falsa para manipular ações entra na mira dos EUA. Órgão regulador acusa de fraude site que não destacou reportagem como paga. 
• Estupidez chavista. Maduro convoca nova Constituinte na tentativa de manter-se no poder, o que prolonga a agonia da Venezuela. 

Terá a água batido em queixos impróprios?
Ao mandar de volta ao aconchego do lar João Claudio Genu, José Carlos Bumlai, Eike Batista e José Dirceu, a segunda turma do STF abriu a porteira nos dois sentidos. Saem os presos e as suspeitas invadem o topo do judiciário nacional.
Chega às raias do inadmissível que, conforme denunciou o procurador Deltan Dallagnol, o mesmo grupo de ministros tenha mantido na cadeia delinquentes em situação análoga aos que agora manda soltar. Como costumava dizer um amigo meu, já falecido: É a diferença entre pano de chão e toalha felpuda.
Como pode proporcionar segurança à sociedade um poder supremo da República que faz esse tipo de diferenciação? Que se conduz de modo ziguezagueante, para não dizer trôpego? Que decide e logo volta atrás? Onde alguns de seus membros se consideram em condições de julgar casos ante os quais se deveriam declarar impedidos? Que mantêm uma vida social comum e conversações tão frequentes quanto pouco recomendáveis com figuras da cena política e econômica de quem nós guardaríamos prudente distância? Os membros da Suprema Corte dos EUA, tão logo assumem suas funções, se recolhem a uma vida quase monástica, evitando toda atividade social que os exponha a situações de convívio inconveniente.
Sinto muito. A desejável saída da crise política, pela qual tanto ansiamos como nação, pressupõe credibilidade no Poder Judiciário. E o STF vem se esforçando por cair em descrédito. É essa a conclusão inevitável de uma deliberação por 3 x 2 em matéria de tamanha sensibilidade social, onde isso parece não haver merecido qualquer consideração por parte da posição vencedora.
Proliferam, então, as suspeitas. Como não associar esse surto de habeas corpus e as palavras arrogantes, duras e desrespeitosas do ministro Gilmar Mendes contra os promotores da Lava Jato, com a ruptura do contrato entre Antonio Palocci e os advogados que tratariam de sua delação premiada? Um dia o Italiano anuncia estar em condições de disponibilizar a Sérgio Moro atividades ilícitas com nomes, endereços e anotações que poderiam demandar mais um ano de investigações. Dia seguinte, recado dado, sabe-se da contratação, por ele, de advogados especializados em delações. Qual a consequência? Liberdade ainda que tardia para as toalhas felpudas! Só faltou ser dito: Ai de quem falar em delação premiada daqui para a frente!. E Palocci dispensou seus advogados.
Terá a água batido em queixos impróprios? A declaração da ministra presidente em entrevista ao programa Conversa com Bial da Rede Globo, na madrugada desta quarta-feira, 3, é uma clara expressão de insegurança quanto a isso. Disse ela: A Lava Jato não está ameaçada, não estará. Eu espero que aquilo que cantei como hino nacional a vida inteira, nós do Supremo saibamos garantir aos senhores cidadãos brasileiros, de quem somos servidores: verás que um filho teu não foge à luta. Veremos? (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor) 

Duque põe Lula na pauta da delação de Palocci.
Antonio Palocci mantém o propósito de celebrar com a Lava Jato um acordo de colaboração judicial. Em privado, afirma que o pedido de liberdade que sua defesa protocolou no Supremo Tribunal Federal não alterou o plano de se tornar delator. Nesse cenário, o depoimento de Renato Duque ao juiz Sergio Moro introduziu na pauta da delação de Palocci um tema incontornável: Lula.
Representante do PT no time de diretores acomodados na Petrobras para assaltar os cofres da estatal, o petista Duque esmiuçou para o juiz da Lava Jato um esquema de cobrança de propinas em contratos para a construção de sondas. Envolve a empresa Sete Brasil. Na versão de Duque, Palocci foi escalado para defender os interesses de Lula na partilha da verba de má origem.
Duque deu nome aos bois. Integram o roteiro, além de Lula e Palocci, o ex-gerente da diretoria de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari, e o ex-ministro José Dirceu.
A certa altura, Duque contou a Moro: Ele, Barusco, diz pro Vaccari que tinha fechado com todos os estaleiros a participação de 1% em cima dos contratos, sendo que Kepel e Jurong tinha fechado em 0,9%. Ele propôs nessa ocasião uma divisão ao estilo que ele praticou na Engenharia, com metade para a Casa [executivos da Petrobras] e metade pro partido [PT]. O Vaccari falou: Nesse assunto específico eu vou consultar o Antonio Palocci, porque o Lula encarregou o Palocci de cuidar desse assunto. Aí Vaccari vai, tem a conversa, retorna e diz que a posição não é de meio a meio; é 1/3 para a Casa e 2/3 para partido. A parte de 1/6 daria US$ 33 milhões; multiplicado por seis daria quase US$ 200 milhões. Os 2/3 do partido político, Vaccari me informou que iriam para o PT, José Dirceu e Lula. A parte do Lula seria gerenciada pelo Palocci.
Não há hipótese de Palocci se entender com os procuradores da Lava Jato sem esclarecer sua participação neste e noutros episódios em que aparece engachado em Lula. Por exemplo: O delator Marcelo Odebrecht declarou a Moro que Palocci era o Italiano das planilhas do departamento de propinas da construtora. Entre outras atribuições, cabia a ele gerenciar uma verba suja de R$ 40 milhões destinada à rubrica Amigo, codinome atribuído a Lula.
Odebrecht relatou em sua delação: A gente botou R$ 40 milhões que viriam para atender demandas que viessem de Lula. Veja bem: o Lula nunca me pediu diretamente. Eu combinei via Palocci. Óbvio, ao longo dos usos, ficou claro que era realmente para o Lula. […] O Palocci me pedia para descontar do saldo Amigo. Nessa versão pelo menos R$ 13 milhões da cifra destinada a Lula foram repassados a um ex-assessor de Palocci em dinheiro vivo.
Confirmando-se a entrada dos petistas Duque e Palocci no rol de delatores, ficará de ponta-cabeça o discurso de Lula e do petismo. Será difícil encaixar dois personagens tão identificados com o PT na categoria de integrantes do hipotético complô que estaria tentando golpear a candidatura presidencial de Lula.
Foi à breca também o discurso da suposta seletividade da Lava Jato. Hoje, encontram-se sob suspeição desde Michel Temer até a cúpula do PSDB (pode me chamar de Aécio Neves, Geraldo Alckmin e/ou José Serra). A bancada de deputados e senadores encrencados é suprapartidária. De resto, foram imprensados oito ministros de Temer, entre os quais estão dois fraternais amigos do presidente (Eliseu Padilha e Moreira Franco).
Juridicamente, Lula ficou tornou-se um personagem duro de defender. Politicamente, ostenta um discurso desconexo. Se virar matéria-prima da delação de Palocci, ministro da Fazenda do seu governo, Lula terá dificuldade para desqualificar o delator. Xingá-lo seria como cuspir contra a própria imagem refletida no espelho. (Josias de Souza) 

Viva como as flores!
Em um antigo mosteiro budista um jovem monge questionava o mestre: - Mestre, como faço para não me aborrecer com as pessoas? Algumas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes. Sinto ódio das que são mentirosas e sofro com as que caluniam.
- Pois viva como as flores! – advertiu o mestre.
- Como é viver como as flores? – perguntou o discípulo.
- Repare nestas flores - continuou o mestre, apontando os lírios que cresciam no jardim. - Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas. É justo que você se angustie com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem.
Os defeitos deles são deles, e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimentos. Exercitar, pois, a virtude é rejeitar todo mal que vem de fora...Isso é viver como as flores. 
Por que políticos eleitos trabalham para o Executivo? Será que não existem pessoas na vida pública com capacidade para exercer como antigamente se via? Se não é corrupção, o que é! (AA)

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