24 de mai de 2017

O que não está errado no país.

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 photo umretratododio_zps03l3usve.jpg • A que ponto chegamos: senadores se estapeiam e se xingam na Comissão de Assuntos Econômicos. Ódio...
• Base aliada vê saída de Michel Temer e já negocia eleição indireta. Para PSDB, PSD e DEM, presidente deve ser cassado em julgamento do TSE; ex-ministro Nelson Jobim e senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) são opções. 
• Supremo divulgou diálogo entre jornalista e fonte. Em áudio liberado, Reinaldo Azevedo conversa com Andrea Neves. 
• Primeira discussão oficial no Senado sobre mudanças trabalhistas após divulgação de suspeitas contra Temer foi marcada por tumulto. CCJ retira da pauta votação da PEC das diretas. Medida propõe eleição direta em caso de vacância na Presidência. Decisão irritou a oposição. 
• Apesar de vitórias da base aliada, sucessão de Temer é tema das conversas nos bastidores. 
• PF diz que aliado de Temer entregou mala com R$ 465 mil. Rocha Loures (PMDB-PR) teria recebido um total de R$ 500 mil da JBS na noite de 24 de abril. E os R$ 35 mil? 
• Operação reforça cerco a assessores próximos de Temer. 
• Irmã de Aécio Neves pede liberdade ao STF e implica irmão. 
• Aprovada MP que autoriza saque de contas inativas do FGTS. 
• Não dá! Aécio afirma que estava sem dinheiro e caiu em armação de Joesley. Não fiz dinheiro na vida pública, diz Aécio Neves em vídeo. Senador afastado afirma que pediu dinheiro a empresário investigado para custear defesa. 
• PSDB e DEM fazem apostas pós-Temer. Partidos debatem nome comum para o lugar do presidente capaz de barrar a possibilidade de eleição direta e o 'risco' de Lula voltar ao Palácio do Planalto. 
• Equipe econômica tenta desvincular reforma da Previdência da crise. Avaliação é de que, caso Temer saia, próximo presidente teria apoio para seguir com a agenda econômica. 
Reforma é questão de Estado, e não de governo. Para secretário, se mudanças na Previdência forem adiadas, será preciso compensar o tempo perdido. 
• São um insulto aos brasileiros de bem e um escárnio da Justiça os termos da colaboração premiada assinada entre o sr. Joesley Batista e a Procuradoria-Geral da República; Janot afirma que delação revelou crimes graves. Para procurador-geral da República, acordo é muito maior do que áudios questionados; ministro do Supremo indica que benefícios poderão ser revistos pela Corte. 
• JBS contrata advogados para se defender de acusações nos EUA. Empresa tem 91 unidades de negócios e 47% do faturamento em território norte-americano. 
• O costume do surrupiar. Ex-assessor de Temer entregou mala com R$ 35 mil a menos. 
• Se safará? STF condena Maluf a 7 anos e 9 meses de prisão por lavagem. 

Temer já devia estar afastado e preso.
Não pode ser presidente da República quem cometeu os crimes, cometidos pelo atual. Que na verdade é chamado metaforicamente dessa forma, por causa da conspiração parlamentar coordenada pelo próprio Temer e executada pelo parceiro ainda mais corrupto, Eduardo Cunha, então presidente da Câmara.
E agora praticamente 1 ano depois, preso e condenado por enquanto a 15 anos, Eduardo Cunha ressurge dos escombros que deveriam ser impenetráveis, movimenta diversos personagens. Temer e os irmãos Batista, se acumpliciam para garantir o silencio do próprio Cunha. E através da conversa nos porões do Jaburu, o país inteiro fica sabendo, que na prisão, Cunha é mantido por mesadas pagas pelos irmãos Batista. Com o conhecimento e o aval de Temer, o grande beneficiado. Pois se Cunha falar, atingirá dura e frontalmente o presidente indireto.
Curioso e estranho, que nas conversas nos subterrâneos do palácio, para silenciar Cunha, surgiu espetacular e com estrondo, a cumplicidade entre todos eles, com dados que estarreceram o país, desvendaram a falta de caráter, de responsabilidade e de autoridade do personagem que ocupava a presidência indireta, e que agora, haja o que houver, deixará a presidência, trocando-a por uma outra localização mais vexatória, mas inteiramente justa.
O Judiciário tenta proteger Temer.
Na quinta-feira com a explosão do escândalo, escrevi dando a solução constitucional e imediata para o caso no mesmo dia. O TSE se reuniria, julgaria a cassação da chapa com o voto contundente do relator Herman Benjamin, afastaria Temer, e na mesma hora convocaria Eleição Direta para 60 dias. Mas o presidente do TSE o notório Gilmar Mendes, impediu a solução na hora, marcou reunião para 6 de junho. Mais 20 dias para o irresponsável Temer.
Indiretas, não.
Começaram a falar em Renúncia de Temer, mas ele mesmo desistiu, diante da proteção de altos figurões do judiciário. Se refugiaram todos, na tecnalidade das gravações e de possíveis falhas do áudio ou da gravação. Isso não tem a menor importância. O fato irrespondível e irrecusável: Temer estava no palácio com os comparsas corruptos. Participou de tudo, concordou com tudo, ouviu as confissões dos crimes, dialogando ou em silencio, já deveria estar preso.
E aí convocada a substituição Direta. No mês passado, o mesmo TSE cassou os mandatos do governador e vice do Amazonas, e marcou imediatamente eleição direta. Perguntinha ingênua: para governador pode, para presidente, não? Com Indiretas, o presidente será Jucá, Lobão, Rodrigo Maia, Renan. Ou até Gilmar Mendes, candidatíssimo. Já revelei isso há meses, quando comprou um apartamento em Portugal. Não adivinhei, contei que ele tentaria a presidência, se não conseguisse, iria morar no exterior.
Impeachmen, não.
Essa é outra proposta que favorecerá o irresponsável presidente conspirador. No mínimo 6 meses. Já estão tramando várias soluções para beneficiar Temer, com ele mantido no Planalto ou expulso. Desmoralizado o Executivo, esquartejado o Legislativo, preservemos o judiciário. Isso só pode acontecer com o afastamento e a prisão de Temer. imediatamente. (Helio Fernandes) 

Meu último post na Veja.
PF divulga trechos de conversa minha com Andrea Neves, uma das minhas fontes, em que faço críticas a uma reportagem da Veja. Pedi demissão. Direção aceitou. 
Andrea Neves, Aécio Neves e perto de uma centena de outros políticos são minhas fontes.
Trechos de duas conversas que mantive com Andrea, que estava grampeada, foram tornados públicos. Numa delas, faço uma crítica a uma reportagem da Veja e afirmo que Rodrigo Janot é pré-candidato ao governo de Minas e que estava apurando essa informação. Em outro, falamos dos poetas Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto.
Fiz o que deveria fazer: pedi demissão - na verdade, mantenho um contrato com a Veja e pedi o rompimento, com o que concordou a direção da revista.
Abaixo, segue a resposta que enviei ao BuzzFeed, que vai fazer ou já fez uma reportagem a respeito. Volto para encerrar. Mesmo!
Comecemos pelas consequências.
Pedi demissão da Veja. Na verdade, temos um contrato, que está sendo rompido a meu pedido. E a direção da revista concordou.
1: não sou investigado;
2: a transcrição da conversa privada, entre jornalista e sua fonte, não guarda relação com o objeto da investigação;
3: tornar público esse tipo de conversa é só uma maneira de intimidar jornalistas;
4: como Andrea e Aécio são minhas fontes, achei, num primeiro momento, que pudessem fazer isso; depois, pensei que seria de tal sorte absurdo que não aconteceria;
5: mas me ocorreu em seguida: se estimulam que se grave ilegalmente o presidente, por que não fariam isso com um jornalista que é crítico ao trabalho da patota?;
6: em qualquer democracia do mundo, a divulgação da conversa de um jornalista com sua fonte seria considerada um escândalo. Por aqui, não;
7: tratem, senhores jornalistas, de só falar bem da Lava Jato, de incensar seus comandantes;
8: Andrea estava grampeada, eu não. A divulgação dessa conversa me tem como foco, não a ela;
9: bem, o blog está fora da Veja. Se conseguir hospedá-lo em algum outro lugar, vocês ficarão sabendo;
10: o que se tem aí caracteriza um estado policial. Uma garantia constitucional de um indivíduo está sendo agredida por algo que nada tem a ver com a investigação;
11: e também há uma agressão a uma das garantias que tem a profissão. A menos que um crime esteja sendo cometido, o sigilo da conversa de um jornalista com sua fonte é um dos pilares do jornalismo.
Encerro
No próximo 24 de junho, meu blog completa 12 anos. Todo esse tempo, na Veja. Foram muitos os enfrentamentos e me orgulho de todos eles. E também sou grato à revista por esses anos.
Nesse tempo, sob a direção de Eurípedes Alcântara ou de André Petry, sempre escrevi o que quis. Nunca houve interferência.
O saldo é extremamente positivo. A luta continua. (Reinaldo Azevedo)

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