23 de abr de 2017

Saudosa memória, “Muda Brasil!”.

 photo corrupobrasil_zpsdaluni4m.jpg • Prática comum. Mais de 70% dos inquéritos abertos por Fachin envolvem caixa 2. Prática de partidos e políticos representa 71% das investigações. 
• Desencanto com a política, crise e insegurança levam brasileiros abastados a buscar visto e fixar residência em Portugal. 
• Temer quer aliado de Janot na Procuradoria-Geral da República. Presidente avalia nome alternativo para ocupar o cargo a partir de setembro. 
• Terrorismo vira morte e greve de fome em prisão. Detidos em Operação Hashtag aguardam julgamento há nove meses na Penitenciária de Campo Grande (MS). 
• Conflito entre órgãos põe em risco leniência, diz advogado. Defensor de empresas e delatores critica resistência da AGU e TCU a acordos. 
• Governo avalia aumentar multa de US$ 2,4 bi à Odebrecht. Empresa já pagou o equivalente a R$7,6 bi para ressarcir parte dos danos. 
• Contribuição para a Previdência resiste ao desemprego. Metade da população ocupada não tem CLT; crise não afeta pagamento. 
Brasil ganha se for possível manter governo até 2018. Cofundador da Natura acredita que é preciso preservar o governo Temer. 
• Instituto Lula fez opção preferencial por receber dinheiro no Caixa 2. Odebrecht até faria doação legal, mas Instituto Lula não quis. 
• Delação de executivo da Odebrecht confirma lobby de Lula pela Odebrecht. Lula tentou vender a Cuba novo projeto da Odebrecht no porto; O executivo da Odebrecht João Carlos Mariz Nogueira relatou em delação premiada ter presenciado, em 2014, em Cuba, conversa entre Lula e o representante do Itamaraty Marcelo Câmara, que pode confirmar a acusação de lobby e tráfico internacional de influência contra o ex-presidente, alvo da Operação Janus, da Polícia Federal. Nessa conversa, Lula contou ter levado ao presidente cubano, Raúl Castro, uma proposta da empreiteira que ajudaria a viabilizar uma linha de crédito para a construção de uma zona franca industrial. A obra seria um anexo do Porto de Mariel, que também foi construído pela Odebrecht. O negócio, porém, não foi levado adiante. O ex-presidente estava no país a pretexto de fazer palestras pagas pela da Odebrecht. 

Temer acha corrupção triste, mas não faz nada.
Carlos Drummond de Andrade escolheu como epígrafe do livro Claro Enigma um verso de Paul Valéry: Les événements m’ennuient. Significa: os acontecimentos me entediam. Ou me chateiam, numa tradução livre. Michel Temer poderia adotar o mesmo verso como lema de sua gestão. Mais do que revolta, o comportamento do presidente diante da crise moral começa a provocar uma onda de tédio.
Em entrevista à espanhola TVE, Temer concordou com o entrevistador quando ele disse que é triste ter dezenas de políticos acusados de corrupção no Brasil. Sim, me parece triste, não posso falar outra coisa, aquiesceu o entrevistado, antes de deixar claro que sua tristeza não tem a menor serventia: Em relação a essas investigações, temos que esperar que o Poder Judiciário condene ou absolva as pessoas.
Dois espetáculos não cabem no mesmo palco. Ou no mesmo governo. Dividido entre uma encenação e outra, a plateia não dá atenção a nenhuma das duas. Temer anuncia que está em cartaz a novela das reformas. Mas a hecatombe da Odebrecht faz piscar outra palavra no letreiro: c-o-r-r-u-p-ç-ã-o. A estratégia de Temer é clara: simular desgosto com a podridão e tentar arranca as reformas do Congresso apodrecido.
Noutra entrevista, dessa vez à agência de notícias Efe, Temer reiterou que deseja descer ao verbete da enciclopédia como o presidente que 'reformulou o país'. Vaticinou: 'A melhor marca do meu governo, será colocar o país nos trilhos. Bocejos! O presidente parece dar de barato que, na disputa por um lugar no cartaz, o vocábulo reformas prevalecerá sobre corrupção. Será?
Fernando Henrique Cardoso gosta de dizer que, sob atmosfera caótica como a atual, o Brasil costuma avançar. De fato, a crise atenuou as resistências ideológicas às reformas. As corporações ainda brigam pela preservação de privilégios. Mas estão meio zonzas. Amedrontado, o Congresso talvez se mexa.
Supondo-se que Temer consiga aprovar algum tipo de reforma trabalhista e previdenciária, os efeitos das mudanças serão avaliados mais adiante. A imagem do seu governo, porém, é um problema urgente. Com a popularidade roçando o chão, Temer associa sua agonizante figura a uma tríade de símbolos tóxicos: cumplicidade, suspeição e acobertamento.
Acomodado por delatores no centro de cenas nas quais foram negociadas verbas eleitorais espúrias e propinas milionárias, Temer só não é investigado porque a Procuradoria-Geral acha que ele dispõe de imunidade temporária enquanto estiver na cadeira de presidente. Contra esse pano de fundo enodoado, o presidente passa a sensação de que não dispõe de moral para agir. Daí, por exemplo, a presença de ministros suspeitos no governo.
Quando escuta Temer dizer que fica triste com a suspeita de roubalheira que recai sobre tantos políticos, a plateia boceja de tédio. As manifestações do presidente dão sono antes de irritar. Confrontadas com os avanços da Lava Jato, suas palavras mostram que, no Brasil da Lava jato, o pesadelo tornou-se menos penoso do que o despertar.
Em meio aos dois espetáculos que estão em cartaz, Temer se divide. Do ponto de vista econômico, a aura do presidente pertence à modernização. Do ponto de vista político, Temer se esforça para simbolizar o que há de mais anacrônico. Acossado pela hecatombe moral, Temer reage à moda do avestruz: enfia a cabeça na sua pseudo-tristeza. De duas, uma: ou Temer morrerá de tédio ou acabará gritando diante do espelho: Fora, Temer. (Josias de Souza) 

E lula acordou num sítio que não era dele.
Para contar desde o começo essa história do sítio de onde Lula se autodespejou, eu preciso começar por seu personagem mais estranho - Fernando Bittar. Ele é dono de um local aprazível onde não chegava telefonia celular. A propriedade precisava de cuidados e reformas para cuja execução não dispunha de renda suficiente. Mas não se deixou abater por isso.
Disposto a transformar o Santa Bárbara num pequeno paraíso serrano, para onde nunca ia nem iria, o remediado Bittar, em vez de pedir orçamento para três empreiteiros e escolher o de menor preço, como faríamos nós, perguntou a seus universitários botões: qual é a maior empreiteira do país, universitários? E os botões, em coro lhe responderam: a Odebrecht. Não havendo discordância entre os informantes, Fernando decide. Que seja a Odebrecht.
A poderosa construtora de hidroelétricas, portos e rodovias, despacha engenheiros para Atibaia. E a obra foi feita, ficando pronta bem antes da Linha 6 do metrô de São Paulo. Mas faltavam detalhes. Se alguma vez na vida você tentou falar com empresa de telefonia celular por telefone, deve saber o quanto isso é difícil. Imagine, então, conseguir dela a instalação de uma torre, só para você, em meio aos matagais e matacões de despovoada serra. Impossível? Não ao Fernando. Ele ligou para a OI e conseguiu sua torre. Também a velha cozinha não estava legal. Era preciso melhorar aquela parte da casa. Para a impressionante e complexa tarefa, nosso herói chamou outra grande empreiteira, a OAS, terceira no ranking das maiores do país.
Agora, pasmem. Quando tudo ficou pronto, num lance de fazer inveja a João Pedro Stédile, o ex-presidente Lula irrompe no Santa Bárbara, sem foices nem bandeiras vermelhas, com aquela entourage que a nação lhe disponibiliza vitaliciamente para que nunca mais na vida necessite ir até a adega buscar uma garrafa. E de tudo, a partir daí, usou e abusou em 111 visitas até seu autodespejo.
Gostaria de haver assistido aquela alvorada de uma nova consciência na alma de Lula. Só pode ter sido algo assim. Veja se não. Ele acordou, esfregou os olhos, contemplou assustado seu entorno, sacudiu a galega até despertá-la e disparou: O que estamos fazendo aqui, mulher? Não me chamo Fernando e não moro em Atibaia! Vamos embora deste lugar!. E se foram para nunca mais voltar.
Nem Luiz Inácio, nem Fernando. Só alguns milhares de garrafas de vinhos finos, se não resgatadas, dormem serenas na fria encosta da Serra do Itapetinga. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor)

O passado do fracasso ou o futuro da frustração? 
Destinam-se ao fracasso a greve geral marcada pelas centrais sindicais no próximo dia 28 e a manifestação em favor do Lula, que o PT pretende realizar em Curitiba a 3 de maio. Não que os trabalhadores estejam satisfeitos com o governo Michel Temer, muito pelo contrário. Da mesma forma, os companheiros sabem que seu partido anda na baixa e dificilmente sensibilizarão a capital do Paraná numa quarta-feira.
Pode até ser que os fatos desmintam as previsões, mas a verdade é que o Brasil de verdade faz tempo desligou-se do Brasil de mentirinha. Os 13 milhões de desempregados não podem fazer greve, enquanto ao PT, posto em frangalhos, falta motivação para antecipar a sucessão presidencial de 2018.
Mais do que indignar-se diante das delações que se sucedem todos os dias, o povão dedica profundo desprezo às informações sobre a corrupção que nos assola. Não parece disposto a se deixar influenciar pelos que sustentam a volta ao passado ou os que programam um futuro ainda pior.
Numa palavra, a nação rejeita as reformas fajutas do governo Michel Temer tanto quanto dá as costas aos que falharam na tentativa de mudá-la. O povão não irá às ruas, nem para exaltar o modelo que não deu certo, nem para apoiar as elites que pretendem aumentar seus privilégios e suas benesses.
Vale repetir, a vida é sempre mais fascinante do que a ficção: quem garante que não prevalecerá o passado do fracasso ou o futuro da frustração? Ou, numa terceira hipótese, que continuará tudo como está? (Carlos Chagas) 
Aqueles que nos magoaram fizeram apenas o que sabiam fazer, em função das condições de suas vidas. Se não perdoarmos, permitiremos que essas mágoas antigas continuem a nos dominar. (Wayne W. Dyer)

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