2 de abr de 2017

O país carece de robocops.

 photo AroeiraPaisagem_zpsbf24y0v2.jpg • Filho de ex-presidente do TCE revela esquema de recebimento de propina. 1) O ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ), o advogado Jonas Lopes de Carvalho Neto, revelou em delação mais um braço de corrupção no tribunal. De acordo com o depoimento, organizações sociais contratadas para administrar unidades de saúde faziam parte do esquema de corrupção. 2) Segundo divulgado pelo RJTV deste sábado (1), o ex-presidente do TCE contou que era responsável por receber propinas de até R$ 200 mil para membros do tribunal em seu escritório no centro do Rio de Janeiro. A tarefa teria sido incumbida a ele entre 2012 e 2013 pelo pai. 3) O governador do estado, Luiz Fernando Pezão, participou de reuniões para negociar as propinas pagas a conselheiros do TCE enquanto era vice-governador do Rio, em 2013. O relato foi feito pelo conselheiro e ex-presidente do TCE, Jonas Lopes de Carvalho Júnior. 
• Inaceitável. Acordo que permita a saída de Sérgio Cabral da cadeia em pouco tempo será um tapa na cara do povo do Rio. Especula-se que Sérgio Cabral deseja delatar crimes cometidos pelo Judiciário. Se apresentar fatos e provas contundentes, ótimo. Mas, como a polícia, o MP e a Justiça já descobriram os crimes que ele cometeu, conhecem toda a quadrilha, sabem onde está o dinheiro roubado, parte dele até já repatriada, a delação não pode ser instrumento para beneficiá-lo com penas reduzidas. Um acordo que permita a saída do ex-governador da cadeia em pouco tempo será um tapa na cara do povo do Rio de Janeiro, vítima da crise que assola o estado. (O Globo) 
• STF manda Pezão e Picciani explicarem venda da Cedae. 
• PGR quer anular prisão domiciliar concedida a Adriana Ancelmo. 
• Eike negocia acordo de delação premiada com o MPF do Rio. Depoimentos podem atingir políticos de diversas legendas. 
• Taxa de desemprego atinge 13,5 milhões de pessoas no Brasil. Índice é o maior registrado desde o ano de 2012. 
• Eduardo Paes não economizou nas solenidades e festas de inauguração enquanto era prefeito. Dados da Controladoria Geral do Município, encaminhados ao gabinete do vereador Paulo Pinheiro (PSOL), apontam que foram gastos R$ 53 milhões entre 2009 e 2014 com eventos como aberturas de creches e clínicas da família, entregas de medalhas, almoços e outras celebrações. Enquanto Crivella se vê em maus lençóis com o rombo. 
• Bancos não podem mais descontar consignado de servidor com salário atrasado. 
• É um nunca acabar! Dois novos partidos em formação podem ser julgados pelo TSE até outubro. São eles o Partido da Igualdade (ID) e o Muda Brasil (MB). 
• Câmara aumentará verbas públicas para campanhas. Volume pode dobrar em relação a 2014, atingindo ao menos R$ 3,9 bi em 2018. 
• Partidos gastam 10% do fundo em luxo e jatinhos. Até 10% do fundo partidário usado até para comprar aeronaves. 
• Governo federal pagou R$ 648 milhões em extras para os servidores. É quanto o governo federal pagou além de salários em fevereiro. 
• Governo terá de negociar concessões para aprovar reforma previdenciária, mas precisa garantir modelo mais justo. 
• Chapa Dilma-Temer teve valor ilegal de R$ 112 milhões. Para o MPE, a quantia irregular configurou abuso de poder econômico. 
• Levantamento aponta que 80% dos conselheiros de contas vieram da política. 
• Investigação sobre Ciro se arrasta há 4 anos. Ex-deputado levantou suspeita de que presidenciável teria espionado desafeto. 
• Em 3 meses, carteira de obras da Odebrecht encolhe 20%. Grupo perde US$ 4,3 bi em contratos cancelados e projetos encerrados; Odebrecht voltará aos negócios com setor público nos EUA antes do que no Brasil. 
• Governo quer redesenhar rede ferroviária. Ideia é criar mais ligações entre áreas produtoras e portos com programa de concessões. 
• Luciano Hulk candidato, pilhéria não!

Cabral delata juízes, desembargadores e membros do MP. Total: 97! 
Lista de Janot vem causando movimentos sísmicos na política? Pois esperem para ver a Lista de Cabral!!! A terra pode tremer de verdade. Segundo quem está por dentro do assunto e não costuma errar, neste exato momento, Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, está fazendo o primeiro depoimento de sua delação premiada.
A julgar pelo procedimento adotado pela moral profunda da Lava Jato, o prêmio de Cabral será gigantesco, né?, já que o Paradigma Sérgio Machado prova que, quanto mais bandido, mais benefícios se recebem.
Conhecem aquela piada do tenor que, coitado, arrancava as últimas reservas de ar de pulmões já cansados, sob uma intensa vaia da plateia?
O homem se cansou da humilhação e dos tomates e disse, no palco do Scala de Milão: Aspetta il baritono!!!. Em tradução livre: Ah, tão me achando ruim, né? Esperem o barítono.
A Lista de Janot vem causando movimentos sísmicos desagradáveis na política? Pois esperem para ver a Lista de Cabral!!! A terra pode tremer de verdade. Escombros à vista!
Quem tem acesso à coisa assegura que ela inclui 97 nomes - 97!!! - de juízes, desembargadores e membros do Ministério Público.
A coisa vai ser feia. Como já resta claro a esta altura, existiu o petrolão, sob o comando de uma verdadeira organização criminosa, com a sua devida hierarquia, e havia o esquema do Rio. Ali, Cabral conseguiu, vamos dizer, a sua independência. Ele chefiava uma espécie de enclave dentro do esquema geral. (Reinaldo Azevedo) 

Passar o Brasil a limpo.
O Tribunal de Contas da União nasceu pela iniciativa de Rui Barbosa, maior artífice da Constituição de 1891, que estabeleceu a República. Era para moralizar os costumes políticos dilapidados pelo Império. Nosso segundo presidente da República, Floriano Peixoto, inaugurou a sinecura ao nomear amigos sem qualificação intelectual ou jurídica. Guardadas as proporções, inaugurou-se a queda, com as exceções de sempre. Sucederam-se nomeações vitalícias, com altos vencimentos para as nomeações até que alcançassem o prazo para as aposentadorias.
Virou moda aproveitar políticos, ex-parlamentares ou não, para gozar sem trabalhar os proventos de carreiras que só terminam com a ida para o cemitério. Por que não extinguir os Tribunais de Contas estendidos da União para os Estados e até os municípios? Vasta economia fariam os cofres públicos com a extinção.
Cinco dos sete ministros do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro estão na cadeia. Quantos outros mereceriam a mesma sorte, espalhados pelo país inteiro, além daqueles designados para o ápice da pirâmide, no caso do Tribunal de Contas da União?
Quem julgará os julgadores torna-se a principal questão. O Poder Judiciário, por certo, fechando-se o círculo, porque os ministros dos tribunais superiores e dos tribunais estaduais de Justiça valem-se das mesmas prerrogativas de aposentar-se, agora depois de 75 anos.
Se é para passar o Brasil a limpo, em nome da moralidade pública, melhor que os doutos ministros tivessem mandatos terminativos. Com aposentadorias, é claro, proporcionais ao tempo de serviço. (Carlos Chagas) 

Empoderamento feminino é totalitarismo sexista.
O vocábulo empoderamento é dos mais horrorosos neologismos criados pela novilíngua esquerdista. Além de ser uma palavra desajeitada, carrega consigo aquela desonestidade intelectual que constitui trade mark do esquerdismo articulado e militante. Sempre que a escrevo, o corretor automático do word sublinha em vermelho, asseverando-me que não existe no nosso vocabulário. Contudo, a despeito da informação do dicionário, ela entrou em vigência, tem vigor e cobra reverências na novilíngua esquerdista.
Há um esquerdismo honesto. Ele é alimentado por exóticas convicções e por uma fé que joga ao mar cordilheiras de realidade, montanhas de péssimas experiências históricas, mas é credor do respeito que merecem as severas convicções de quem as tem. Em contrapartida, há um esquerdismo militante profundamente desonesto, que conhece a realidade, fatos e tratos da história, que tem perfeita noção de seus fracassos e limitações, mas se mantém laborioso na faina do proselitismo, em vista do poder.
É o caso de um certo feminismo que usa e abusa do termo empoderamento. Antes de qualquer consideração sobre essa apropriação parece importante afirmar e reafirmar a dignidade da mulher, o respeito e o autorrespeito que a dignidade impõe, especialmente, no plano dos direitos naturais. Não se trata de uma suposta igualdade dos sexos, porque isso seria lutar contra as desigualdades que a natureza providenciou, mas da igual dignidade de todos os seres humanos, independentemente das diferenças sexuais (o esquerdismo militante dirá gênero).
Não se confunda empoderamento com reconhecimento de direitos. O sufixo mento, derivado do latim mentum, expressa o resultado de uma ação. Empoderamento, então, significa a obtenção de poder como ápice de algo que se faz. Ora, salvo circunstâncias muito particulares, o acesso ao poder independe gestos de boa vontade, e - menos ainda - de doações voluntárias. Poder, capacidade de mando, é um natural objeto de disputa. Mulheres das quais se diz empoderadas, na vida pública ou no mundo dos negócios, alcançaram seus bastiões de comando por terem suplantado outros e outras que visavam a mesma posição. A justiça e a equidade se satisfazem plenamente se quem chegar ao poder o houver alcançado de modo legítimo, segundo as regras vigentes. Jamais por ser homem ou mulher. Exemplificando: a chanceler alemã Angela Merkel e a primeira-ministra do Reino Unido Thereza May chefiam os respectivos governos porque conquistaram a posição de liderança dentro de seus partidos. Dilma Rousseff foi empoderada por Lula. Viram no que deu?
Todo movimento que tenha em mira o puro e simples empoderamento feminino está fora da ordem natural em uma sociedade democrática. É ensaio totalitário sexista. (Percival Puggina. é arquiteto, empresário e escritor) 

Atores políticos descobriram o valor da internet sobre o sistema de crenças.
Grigory Potemkin, comandante na Guerra Russo-Turca (1768-1774) e amante eventual de Catarina, a Grande, atuou também na área da cenografia política, construindo as cidades potemkin: simulacros de povoados, feitos só de fachadas e habitantes felizes, incrustados em lugares de passagem das comitivas da czarina. Internet potemkin é uma definição apropriada para os espaços virtuais criados com a finalidade de insular usuários que desenvolveram intolerância ao ambiente cada vez mais tóxico da rede mundial.
Na versão atualizada de seu projeto editorial, este jornal dobra a aposta no jornalismo profissional como antídoto para notícia falsa e intolerância (Folha, 30/3). O texto vai no rumo certo, mas lança âncora pouco antes do porto de destino.
Um relatório do Pew Research Center, The Future of Free Speech, Trolls, Anonymity and Fake News Online, esclarece os mecanismos do que se pode chamar de preferência pela mentira. Notícias verdadeiras são produtos caros: exigem apuração, checagem, contextualização. Não custa nada inventar notícias falsas. Humanos deixam-se seduzir por fake news, que carregam os ingredientes do inusitado, do espantoso, da conspiração, e gostam de discursos odientos, que satisfazem necessidades oriundas da ansiedade, do medo, do rancor. A ação de um único provocador gera efeitos multiplicadores, envenenando redes sociais.
A economia da internet opera segundo regras quantitativas. A publicidade segue as curvas estatísticas de clicks e likes. Como explica Andrew Nachison, especialista consultado pelo relatório, referindo-se a plataformas controladas pelo Google ou o Facebook, quanto mais retornamos, mais eles fazem dinheiro -e o torneio da gritaria segue em frente. Está lá, no texto da Folha: Os algoritmos que garantem índices elevados de audiência para as multinacionais do oligopólio são os mesmos que alimentam o sectarismo e a propagação de inverdades. O negócio da mentira funciona melhor que o do jornalismo.
A psicologia e a economia desvendam apenas parcialmente o fenômeno da degeneração em rede do discurso público, pois não tocam na sua fonte política: a militarização das narrativas. Atores políticos nacionais e transnacionais descobriram o valor da internet como arena de guerras pós-modernas no campo dos sistemas de crenças. A expressão guerrilha na internet aparece em formulações estratégicas de organizações jihadistas, movimentos nacionalistas, governos autoritários e partidos políticos.
Centros de comando dessas guerras virtuais foram estabelecidos pelo Estado Islâmico, pelo Kremlin de Putin, por correntes nativistas que orbitam ao redor de Trump, pelos movimentos nacional-islamistas acionados por Erdogan. No Brasil, a estratégia, empregada há anos pelo PT, é replicada pelo antipetismo histérico que busca um Trump nativo.
A complexidade assusta, atemoriza, paralisa. Os generais da militarização das narrativas entenderam a força persuasiva da simplificação. As narrativas militarizadas são sentenças primitivas, isentas de nuances, manufaturadas como binômios identitários: nós contra eles. O mecanismo que garante sua difusão em rede é constituído por softwares e robôs. O usuário de redes sociais que reproduz impulsivamente as fake news opera, sem saber, como auxiliar desses canhões da guerra cibernética.
A nova versão do projeto editorial da Folha: enfatiza o papel do jornalismo profissional na produção de relatos fidedignos de fatos relevantes, em meio à cacofonia da pós-verdade. Contudo, a militarização das narrativas exige um passo mais ousado: o contraste sistemático, explícito, entre a verdade factual e as fake news distribuídas pelos atores principais da guerrilha na internet. Só assim a imprensa pode oferecer alternativas aos condomínios suburbanos da internet potemkin. (Demétrio Magnoli) 
Não deixe que lhe empulhem sorrateiramente algo que só interessa a quem fala. (AA)

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