22 de mar de 2017

O Brasil é um novelo.

 photo carnefraca2_zpssdhcid9n.jpg • Alexandre de Moraes toma posse hoje no Supremo Tribunal Federal.
• Senado avança para aprovar fim do foro privilegiado, mas quer algo em troca.
• Temer retira servidor estadual e municipal de texto da Previdência afirmando que surgiu com grande força a necessidade de fortalecer autonomia dos Estados . Decisão do governo federal busca enfrentar oposição à proposta de reforma.
• Ministro quer concluir em 21 dias apuração em frigoríficos. Liberação de seis unidades é prioridade para o governo Temer. Ministro da Agricultura admite que faltam fiscais para frigoríficos. Ministério decidiu abrir a possibilidade de remoção voluntária de funcionários para a função.
• Indicação política é maioria em cargos de superintendência na Agricultura. Dos 27 órgãos responsáveis pela fiscalização agrícola, ao menos 19 estão nas mãos de indicados por partidos.
• Mais confiança, com cautela. Consumidores e empresários demonstram menor pessimismo; essa disposição é um dos ativos mais importantes do governo de Michel Temer.
• Perguntas: Um ministro que entende(?) de política e de caldo de carne pode saber sobre frigoríficos? E por que foi direto a JBS? Esquisito. Será o BNDES concedeu empréstimo(s) a essa potência?
• Gilmar acusa Procuradoria por vazamento na Lava Jato. Para ministro do STF, divulgação de informações sigilosas é chantagem. Vazamentos não são novidade da Lava Jato nem exclusividade do MP. Ensaiam fazer o que se fez com a Castelo de Areia, anulada em 2010 por uso de denúncia anônima.
• Excessos da carne: Embora sinais de ilícitos sejam graves, anúncio atabalhoado de operação pela PF causou prejuízo ao país. Pena que isso já dura algum tempo. É difícil sustentar que a vilã é a PF e não os frigoríficos investigados.
• Incrível que diante de tudo ainda existam resistências ou... Aprovar anistia é possível, diz petista Vicente Cândido. Relator da reforma política na Câmara defende perdão a alvos da Lava Jato.
• Petrobrás lucra no 4º tri, mas tem prejuízo de R$ 14,8 bi em 2016. Estatal teve ganho de R$ 2,5 bi nos últimos três meses do ano, mas não reverteu perdas. Terceiro ano seguido com perdas foi influenciado por adiamento de projetos.
• IDH para de avançar e país mantém 79º lugar na lista. Colocação em ranking global com dados de 2015 é a mesma de ano anterior. E brasileiros só pensam no futebol...
• Suga, suga, suga... Meirelles diz que não há pressa para corrigir tabela do Imposto de Renda. Defasagem acumulada é de mais de 80% em 20 anos; ministro não descarta aumento de impostos.
• Investigação sobre Del Nero emperra na Fifa. Documentos não são considerados como suficientes para suspender presidente da CBF.
• Moro obriga blogueiro que adiantou operação a depor. Eduardo Guimarães é investigado por ter antecipado ação contra Lula há 1 ano; O escarcéu em torno do interrogatório do blogueiro petista Eduardo Guimarães tem um motivo muito evidente. Se Lula e seus comparsas foram alertados sobre a batida da PF e se, depois disso, eles aproveitaram para destruir provas, a Lava Jato tem o dever de mandá-los para a cadeia; A Lava Jato acusou o blogueiro petista de ter alertado Lula e seus comparsas sobre os alvos da PF. O Globo perguntou ao advogado do blogueiro se ele fez isso mesmo. O advogado respondeu: Ele checou informações antes de divulgar, não sei com quem, nem como. A Lava Jato já sabe com quem e já sabe como; Os comparsas da ORCRIM que aparelharam a imprensa repetem que a Lava Jato interrogou o blogueiro petista porque queria descobrir o nome de sua fonte. É mentira. Como O Antagonista explicou ontem à tarde, o MPF já havia identificado o autor do vazamento. A batida policial na casa do blogueiro teve outro propósito: demonstrar que, antes de publicar o vazamento em seu site, ele alertou os investigados (leia-se Lula) sobre os alvos da PF, a fim de que eles pudessem destruir provas. A nota do MPF é clara: As providências desta data não tiveram por objetivo identificar quem é a fonte do jornalista, que já era conhecida, mas sim colher provas adicionais em relação a todos os envolvidos no prévio fornecimento das informações sigilosas aos investigados. E também: Dentre os motivos das providências, estão provas de que o blogueiro informou diretamente aos investigados a existência de medidas judiciais sob sigilo e pendentes de cumprimento, antes mesmo da publicação das informações no blog.
• Para não enfrentar dissabores em voos de carreira, os ex-presidentes Lula e Dilma usaram um jato para levá-los de São Paulo a Campina Grande (PB), no fim de semana, para a patética reinauguração de parte das obras de transposição do rio São Francisco. O jato um Legacy 600, prefixo PR-AVX, com capacidade para 16 pessoas, entre passageiros e tripulação, pertenceu a um amigo do peito da dupla: Eike Batista, hoje no xilindró. (Diário do Poder) 
• Fraude generalizada: Ministro do TCU vê fraude generalizada no programa Leite da Paraíba. TCU apurou que metade era água e havia até soda cáustica.
• E agora, Blairo? E agora, Osmar? A Operação Carne Fraca descobriu que a quadrilha liderada por Daniel Gonçalves Filho queria operar o sistema eletrônico de exportações do Ministério da Agricultura. Confira o comentário de Claudio Dantas, que também cobra de Blairo Maggi explicações sobre a denúncia do esquema que chegou a seu gabinete um ano atrás. 
Temer afasta suspeitos miúdos e adula graúdos.
Na engrenagem aparelhada do Estado brasileiro, sempre que um servidor público é pilhado em atos de corrupção, deveria haver vergonha em pelo menos um gabinete de congressista ou de autoridade, que teria de explicar por que apadrinhou a nomeação de um desqualificado. Cada assalto feito no segundo ou no terceiro escalão tem sempre um cúmplice disfarçado no primeiro escalão. Entretanto, acima de um certo nível de poder, nenhuma cumplicidade justifica um rosto vermelhinho.
No escândalo da carne, o ministro Blairo Maggi obteve a concordância de Michel Temer para afastar os 33 servidores da pasta da Agricultura suspeitos de manter um relacionamento promíscuo com frigoríficos que deveriam fiscalizar. Maggi fez mais: abriu contra os servidores processos administrativos que podem resultar em demissão. O ministro fez pior: depois de enviar os suspeitos para o patíbulo do Diário Oficial, exibiu suas cabeças na vitrine da internet (veja a lista aqui). (veja a lista aqui)
O 7º nome da lista de execrados da Agricultura é o ex-superintendente da pasta no Paraná, Daniel Gonçalves Filho, um personagem que o ministro Osmar Serraglio (Justiça) chama de grande chefe. O 14º nome da relação é Gil Bueno de Magalhães, que substituiu Daniel Gonçalves na superintendência paranaense em 2016, sob o apadrinhamento de deputados do PP -entre eles o agora ministro Ricardo Barros (Saúde). Enquanto os afilhados são tratados na base do mata-e-esfola, os padrinhos fingem-se de mortos.
Em comunicado à imprensa, a pasta da Agricultura anotou que os 33 servidores foram afastados em razão da investigação da Polícia Federal sobre supostas irregularidades em frigoríficos. Se os crimes são supostos, a culpa é presumida. Ainda assim, optou-se pelo afastamento preventivo, acompanhado da abertura de processos administrativos. Nada poderia ser mais respeitoso com o contribuinte do que afastar a suspeição do exercício de funções públicas.
O acerto em relação aos suspeitos miúdos expõe o desacerto no trato com os suspeitos graúdos. No modelo criado por Michel Temer para proteger amigos em apuros, instituiu-se o afastamento em conta-gotas. Ministros investigados não devem nada a ninguém, muito menos explicações. Quando forem denunciados amargarão um afastamento temporário, conservando o salário e o foro privilegiado. Só depois de convertidos em réus pelo Supremo Tribunal Federal é que os ministros seriam enviados ao olho da rua.
Nos próximos dias, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, puxará o manto diáfano que esconde os podres da colaboração da Odebrecht. Em condições normais, haveria escândalo em gabinetes do Planalto e da Esplanada. Mas já está entendido que o cinismo é o mais próximo que o governo conseguirá chegar da honestidade.
Se a pasta da Justiça pode ser gerida por alguém cuja voz foi captada num grampo travando diálogo vadio com um sujeito que a PF chama de líder de uma organização criminosa, tudo é permitido. Inclusive tratar a plateia como cretina. (Josias de Souza) 

Briga de foice em quarto escuro.
É bobagem chamar de apenas insignificante o último episódio no capítulo da carne podre desvendado pela Polícia Federal. Perdeu o presidente Michel Temer mais uma oportunidade de ficar calado. Ainda mais porque nas investigações começa a aparecer a presença de políticos governistas pela nomeação de altos funcionários do ministério da Agricultura indicados por deputados e senadores que o dinheiro sujo dos frigoríficos costuma irrigar. 
A Polícia Federal reagiu, ontem, contra a tentativa do Executivo de minimizar a nova denúncia de roubalheira no setor de exportação de carnes. E outros. Quatro senadores estão sob vigilância por envolvimento em negócios ilícitos variados, como a prestação de serviços de segurança, limpeza e sucedâneos a órgãos públicos.
Indaga-se da hipótese de continuar o entrevero entre a denúncia e sua camuflagem, cuja conclusão será a desmoralização das instituições.
O Supremo Tribunal Federal autorizou a investigação sobre pessoas ligadas aos senadores Eunício Oliveira, Renan Calheiros, Waldir Raupp e Humberto Costa. Com a retaguarda garantida, logo surgirão através da Polícia Federal evidências da participação parlamentar em muitas atividades fajutas, por meio de seus prepostos ou diretamente.
Aguarda-se a reação do Congresso na defesa de seus integrantes, culpados ou inocentes, mas a verdade é que a Polícia Federal não se intimidou e prepara-se para seguir adiante.
Em suma, dentro do próprio governo a briga é de foice em quanto escuro. (Carlos Chagas)  

Romero Jucá, o porta-voz da politicalha.
Enquanto os Três Poderes agonizam, desarmônicos e hostis entre si, um dos personagens mais comprometidos e desmoralizados, aparece em público, e proclama estarrecedoramente: Se exterminar a política, o país vai para uma aventura.
Há dezenas de anos não se faz política no Brasil, e sim a mais vil, deprimente, degradante e corrupta politicalha. E o mais comprometido de todos, que contamina tudo ao seu redor, tem a audácia de ligar o sinal de alerta. Lá do distante estado de Roraima, foi tudo, ininterruptamente.
Se tivesse nascido num estado grande e poderoso, (São Paulo, Rio, Minas) já teria sido presidente da República. Serviu a todos os governos e presidentes. Ministro da Previdência nomeado insensatamente por Lula, foi demitido antes de completar 4 meses, os deslizes eram maiores do que a paciência do próprio presidente. Mas inexplicável e incompreensivelmente, foi feito líder do mesmo Lula no Senado Passava a ocupar a liderança que exercera no governo FHC.
A liderança como herança Lula passou o cargo a Dilma, mas Romero Jucá, inatingível, continuou. No rumoroso e tormentoso processo de impeachment, pela primeira vez abandonou a liderança, vestiu-se de almirante, comandou o que ele mesmo identificou como desembarque do PMDB do governo Dilma. Vitoriosa a travessia com Temer empossado sem voto, sem povo, sem urna, Jucá é nomeado estrepitosamente e com todos os poderes, Ministro do Planejamento.
Tido e havido como o segundo político com mais transito e intimidade com temer (o primeiro natural e permanentemente, Eduardo Cunha) Jucá foi nomeado Ministro do Planejamento. Durou pouco mais de uma semana, demitido e como de praxe, transferido para a liderança no Senado.
Envolvido com a lava - jato, pede todo cuidado com o país
Não ataca de frente a investigação de Curitiba, mas afirma textualmente: No final dessa operação, a política estará melhor. E logo acrescenta: Mas não podemos correr o risco de chegar a 2018, vulnerável a qualquer tipo de loucura. Sempre prudente, previdente e cauteloso, é um dos articuladores da famosa lista fechada.
Diz que não é oportunismo, apenas manter a representatividade atual. Impedir que apareça algum aventureiro. Falou por mais de duas horas, quase página inteira. Jornalisticamente, um achado. Politicamente, crime premeditado contra a sempre traída opinião pública.
Seu mandato termina em 2018, está em plena campanha eleitoral. Sabe que não será punido, e voltará com um novo mandato de 8 anos. Tão certo disso, que já está conversando para ser presidente do senado em 2019. Diz a mesma coisa para um auditório de senadores assustados: Eu sou o único capaz de absolver vocês todos.
Como tinha que terminar da forma como falou, e sabendo que lidera um grupo enorme, não apenas no senado, mas também na Câmara, fica um tempo silencioso, pensaram que havia encerrado. Mas volta com essa frase, que transcrevo textualmente.
Quem vai julgar essas pessoas é deus. Eu sou vítima desse processo. (Helio Fernandes) 
Quem não quer ser lobo não lhe vista a pele.

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