19 de mar de 2017

É muita sujeira para a Justiça.

 photo mudanas_zpskxbbtijh.jpg • Dinheiro de esquema de Sérgio Cabral (270 milhões) vai para 13° de 142 mil aposentados no Rio. 
• Presidente do Previ-Rio diz que não tem dinheiro para pagar auxílio. 
• Rio: prefeitura quer aplicar taxa de 11% a inativos. 
• Lava Jato completa 3 anos com 135 condenações e 91 prisões. 
• Rio inclui nove cidades na vacinação contra febre amarela. Capital vai ampliar unidades para 233 até o início de abril. 
• Petrobras aumenta preço de botijões de gás de uso residencial em 9,8%. Reajuste entra em vigor à 0h de terça-feira. 
• Acusado de desviar R$ 358 milhões, PR Costa diz estar pagando muito caro
• Transposição do São Francisco divide Nordeste em meio a seca. Moradores ao longo da obra no rio alternam-se entre euforia e apreensão. 
• Por que presidentes precisam buscar em políticos como base de apoio? Será que o resto dos homens de cultura e de bem pelo país não servem. Aí um traço das discórdias do eleitor nas fajutices de botar goela abaixo o que eles querem e não desejos do povo. (AA) 
• Na chapa: Temer apresenta tese frágil para não ter de responder, na Justiça Eleitoral, por eventuais recursos ilícitos na campanha de Dilma Rousseff. 
• Odebrecht diz ter acertado repasse de R$ 50 mi a Aécio. Em delação, Marcelo Odebrecht cita contrapartida por apoio a obra em usina. 
• Previdência vai precisar de nova reforma em 2019. Fabio Giambiagi diz que próximo presidente terá de lidar com a questão. 
• MPF quer revogar prisão domiciliar de Adriana Ancelmo. Juiz autorizou mulher de Sérgio Cabral a deixar Bangu. Direitos e medidas iguais às demais. 
• Temer, ministro e produtores se reúnem para discutir medidas contra crise da carne. Encontro será neste domingo no Palácio do Planalto. Operação Carne Fraca, da PF, que revelou fraude na produção e comercialização, gera desconfiança de consumidores e ameaça exportações. 
• Escândalo da carne lança dúvidas sobre ações da JBS. Abertura de capital em NY está prevista para abril, mas ordem é aguardar; R$ 2 milhões são bloqueados de investigados e cerca de 30 empresas fornecedoras de grandes frigoríficos e 33 fiscais federais estão sendo investigados; Polícia Federal desarticulou organização criminosa liderada por fiscais agropecuários que emitiam certificados sanitários sem fiscalização por propina; BC bloqueia R$ 2 milhões de 46 investigados; Investigação contra frigoríficos gera piadas. 
• Mais lista de Janot chegando. Auxiliares dele já estão debruçados em outras delações preparando novos pedidos de investigação. 
• O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), condenou à multa de um salário mínimo, por litigância de má-fé, os advogados Melina Girardi Fachin, Marcos Alberto Rocha Gonçalves e Carlos Eduardo Pianovski, do escritório Fachim Advogados Associados. Melina é uma das duas filhas do ministro Edson Fachin, colega de Barroso no STF. 
• Lula vira herdeiro de Maluf até pela coleção de processos por corrupção. Lorota do rouba, mas faz de Maluf já pode ser usada por Lula. 
• Radar: Eike Batista teme ser assassinado em Bangu. 
• Delírio: Petistas querem a oposição sócia do assalto que fizeram à Petrobras. Petistas tentam envolver na roubalheira quem estava na oposição. O PT retomou a estratégia de tentar escapar do lamaçal do petrolão acusando operação Lava Jato de proteger o PSDB. O governo era do PT e o PSDB estava na oposição, lembrou ontem o procurador Deltan Dallagnol. PP é o partido com o maior número de políticos denunciados na Lava Jato, e que PT e PMDB, parceiros na rapina, têm igual número de larápios acusados. Além disso, há vários tucanos já enrolados. 
• Hum... Blairo reafirma que inspeção brasileira é forte, robusta e séria. Para ministro, o que houve foi o desvio de alguns servidores; Temer convoca Blairo para discutir ações relativas à operação Carne Fraca. 
• Por que a conta de luz caiu 16% em 2013, mas subiu 58% depois?

Pior para todos, no escândalo da carne.
Incrível, mesmo, com as exceções de sempre, foi o comportamento da mídia televisiva e escrita diante do escândalo que expôs o mercado da carne. A maioria dos veículos noticiou a ação da Polícia Federal na investigação da roubalheira que envolve frigoríficos grandes e pequenos, mas abriu páginas e vídeos à farta publicidade das empresas flagradas metendo a mão na atividade conspurcada.
Evidenciaram, esses veículos, a disposição de continuarem faturando em cima de desculpas esfarrapadas que pretenderam contrabalançar crimes capazes de perturbar a economia nacional. O Brasil está em vias de perder os resultados da exportação que vinha sendo das mais lucrativas de nossa economia, por conta da roubalheira dos responsáveis pelos frigoríficos.
Não adianta argumentar que tudo se tratou de iniciativa solerte de uns poucos funcionários públicos e privados, porque na realidade são as empresas as responsáveis pelo envio de carne podre a nossos fregueses dos outros continentes. Basta ver a queda nos preços das ações e a reação de países que não confiam mais na produção nacional. Nem nossa população, da mesma forma atingida pela certeza de estar sendo envenenada.
A queda, já neste fim de semana, das vendas de carne nos supermercados, só será inferior às exportações que elevavam nossa balança comercial e agora começam a ser denunciadas pelos importadores. Pior para todos, menos para os concorrentes.
Como complemento desse festival de corrupção, também surgiu a denúncia de que propinas da carne também abasteciam o PMDB e o PP. (Carlos Chagas) 

E dizer que tudo começou com merenda escolar. 
O império contra a saúde vem dos tempos antigos e mesmo vi o quanto se fazia com a adulteração do leite. De vista com alguns funcionários de botecos, sabia que carnes era condimentadas com produtos químicos. É só recorrer aos jornais antigos ou pesquisas na web.  O que mais choca é saber que as crianças e até idosos podem ter consequências sérias em seus organismos, embora muitos especialistas já digam que não. Se somos carnívoros, então vale tudo. É muita desfaçatez de gente que se preocupa com o dinheiro. Que cada um seja um espião pela comunidade. Estamos inertes e só fazemos passeatas, o que de força vale tanto quanto as 10 Medidas, ou seja, se lascam pro povo. (AA) 

Serraglio era protetor do fiscal da Carne Fraca.
Não foi por acaso que Osmar Serraglio recorreu ao fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, para pedir que acudisse o dono de um frigorífico sob fiscalização no Paraná. No exercício do seu mandato de deputado federal, Serraglio notabilizou-se como um ferrenho protetor político do personagem. Agora, na pele de ministro da Justiça, Serraglio tenta se desvencilhar do seu protegido, acusado pela Polícia Federal de liderar a organização criminosa desbaratada na Operação Carne Fraca.
O blog apurou que Serraglio pegou em lanças para tentar impedir que o grande chefe, como se referia a Daniel Gonçalves Filho, fosse afastado do comando da superintendência do Ministério da Agricultura no Paraná. Última titular da pasta da Agricultura na gestão de Dilma Rousseff, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) recebeu Serraglio em seu gabinete no ano passado, antes do impeachment da ex-presidente petista. O visitante estava acompanhado do deputado Sérgio Souza (PMDB-PR), outro anteparo político do fiscal da Carne Fraca.
Numa deferência à dupla de apoiadores do fiscal tóxico, Kátia Abreu informou que recebera da Consultoria Jurídica do Ministério da Agricultura uma recomendação para suspender Daniel Gonçalves do posto de autoridade máxima da pasta no Estado do Paraná. Explicou que o afastamento ocorreria como resultado de um Processo Disciplinar Administrativo. Inconformado, Serraglio pediu à então ministra de Dilma uma cópia do processo. Embora o pedido fosse inusual, foi atendido.
Mesmo depois de folhear o processo, Serraglio não se deu por achado. Insistiu para que Kátia Abreu mantivesse Daniel Gonçalves no comando da representação da Agricultura no Paraná. O processo administrativo tratava de um caso de furto na superintendência paranaense do ministério. Daniel livrara um subordinado da acusação de surrupiar combustível. O problema é que ele não tinha poderes para inocentar o colega. Para complicar, as evidências do desvio eram eloquentes.
De resto, o protegido de Serraglio respondia a vários outros processos administrativos. Àquela altura, Daniel Gonçalves já se encontrava também sob investigação da Polícia Federal. Mas o inquérito que desaguaria na Operação Carne Fraca corria em segredo. Sem saber, Kátia Abreu tomou distância de uma encrenca.
Dois meses antes, em fevereiro de 2016, o ainda deputado Serraglio, também alheio à movimentação dos agentes federais, tocara o telefone para Daniel Gonçalves. Por mal dos pecados, aproximara-se da radiação. Sua voz soara num grampo que a Justiça autorizara a PF a instalar, para ouvir as conversas vadias do então superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná. Agora, convertido em Ministro da Justiça por Michel Temer, Serraglio encontra-se na constrangedora posição de superior hierárquico de uma Polícia Federal que chama seu ex-protegido de corrupto.
Segundo a Polícia Federal, a quadrilha liderada por Daniel Gonçalves cobrava propinas de frigoríficos. Em troca, fechava os olhos da fiscalização. E permitia que chegassem às gôndolas dos supermercados carnes com prazo de validade vencido -por vezes, muito vencido.
O juiz Marcos Josegrei da Silva, que cuida do caso, anotou no despacho em que autorizou a deflagração da Operação Carne Fraca: É estarrecedor perceber que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Paraná, um dos órgãos mais importantes para garantir a qualidade dos alimentos consumidos diariamente por milhões de pessoas não apenas neste Estado, como também em outras partes do Brasil, e fora das fronteiras nacionais em alguns casos de exportação, foi tomado de assalto -em ambos os sentidos da palavra- por um grupo de indivíduos que traem reiteradamente a obrigação de efetivamente servir à coletividade.
O magistrado prosseguiu: O exame dos indícios que emergem das centenas de horas de ligações telefônicas captadas ao longo de mais de um ano de incessante investigação, dos relatórios policiais e do cruzamento de dados bancários e fiscais realizado minuciosamente pela Receita Federal apontam para a perturbadora conclusão acerca da presença de uma organização criminosa há muito enraizada em diversos escalões da unidade do MAPA/PR.
Num dos telefonemas captados pelas escutas autorizadas pelo juiz Marcos Josegrei, Serraglio chama o fiscal Daniel Gonçalves de grande chefe. O então deputado federal pedia informações sobre uma fiscalização num frigorífico chamado Larissa, assentado na cidade de Iporã (PR). Pertence a Paulo Rogério Sposito, que também teve a prisão decretada. Seguiu-se o seguinte diálogo:
Osmar Serraglio: Grande chefe, tudo bom?
Daniel Gonçalves: Tudo bom?
Serraglio: Viu, tá tendo um problema lá em Iporã. Cê tá sabendo?
Daniel: Não.
Serraglio: O cara lá….que o cara que tá fiscalizando lá…apavorou o Paulo lá…disse que hoje vai fechar aquele frigorífico…botô a boca..deixou o Paulo apavorado. Mas para fechar tem o rito, não tem? Sei lá…como funciona um negócio deste?
Daniel: Deixa eu ver o que está acontecendo.. tomar pé da situação de lá…falo com o senhor.
Daniel Gonçalves ligou para uma subordinada, a fiscal Maria do Rocio, também encrencada na Carne Fraca. Pediu-lhe que verificasse o que sucedia nas instalações do frigorífico Larissa. A interlocutora informou que não havia nada de errado na empresa. A informação foi repassada a Serraglio.
Abalroado pelo noticiário, Serraglio mandou divulgar uma nota. Nela, sua assessoria escreveu: Se havia alguma dúvida de que o ministro Osmar Serraglio, ao assumir o cargo, interferiria de alguma forma na autonomia do trabalho da Polícia Federal, esse é um exemplo cabal que fala por si só. O ministro soube hoje, como um cidadão igual a todos, que teve seu nome citado em uma investigação. A conclusão tanto pelo Ministério Público Federal quanto pelo Juiz Federal é a de que não há qualquer indício de ilegalidade nessa conversa degravada.
Acomodado na poltrona de ministro da Justiça há carca de um mês, Serraglio, de fato, não foi informado previamente sobre a Operação Carne Fraca. Não ignorava, porém, o risco de contágio que a proximidade com Daniel Gonçalves propiciava. O fiscal foi alçado pela primeira vez ao cargo de superintendente da Agricultura no Paraná em 2007, sob Lula. Indicou-o o ex-deputado federal Moacir Micheletto, morto num acidente automobilístico em 2012. Nessa época, Serraglio endossou o apadrinhamento, junto com outros parlamentares paranaenses.
Em 2014, sob protestos de Serraglio, Daniel Gonçalves foi apeado do cargo. O afastamento chegou com pelo menos dois anos de atraso. Em outubro de 2012, quando respondia pela pasta da Agricultura o peemedebista gaúcho Mendes Ribeiro, já falecido, o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), enviou-lhe um requerimento de informações.
Bueno indagava ao ministro de então que providências ele havia tomado para esclarecer denúncias contra Daniel Gonçalves enviadas ao Ministério da Agricultura pelo Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários. De acordo com essas denúncias, já naquela época o mandachuva da superintendência paranaense convivia com a suspeita de afrouxar fiscalizações e proteger infratores.
Mendes Ribeiro mandou abrir um processo disciplinar para apurar as suspeitas. Mas ele adoeceu. E o processo foi enviado às calendas gregas. Só em 2014 o protegido de Serraglio perdeu o posto. Por pouco tempo. Retornaria à chefia da superintendência no Paraná em 2015. E lá permaneceria até ser afastado por Kátia Abril, em abril de 2016.
Em matéria de fiscalização agropecuária, o interesse público está desassistido no Paraná há muito tempo. Durante toda a Era do PT, a chefia da superintendência da pasta da Agricultura no Estado foi compartilhada entre Daniel Gonçalves, o preferido do PMDB, e outro fiscal de carreira, Gil Bueno de Magalhães, um apadrinhado do PP, Partido Progressista.
Nesse vaivém, Gil Bueno retornou ao posto máximo da Agricultura em julho de 2016, já sob a presidência-tampão de Michel Temer. Apadrinharam-no, novamente, deputados paranaenses do PP, campeão no ranking de enrolados do petrolão. Entre eles Dirceu Sperafico, Nelson Meurer e Ricardo Barros, hoje ministro da Saúde. Na última sexta-feira, Gil Bueno engordou a lista de suspeitos que tiveram a prisão decretada nesta primeira fase da Operação Carne Fraca. (Josias de Souza) 

Como os canalhas fraudam a Democracia.
A tentativa de instituir o voto em lista fechada é a manobra mais descarada desde o início das operações da Lava Jato. Supera, em despudor, a missão do Bessias levando a Lula o ato que o homiziaria no ministério de Dilma. É mais desavergonhada do que a anistia do caixa 2. A democracia dos canalhas alcança seu apogeu com algo tão indecente na motivação, tão contra a democracia na concepção e tão escancaradamente desonesto que estará coberto de razão o cidadão que registrar, na polícia, um boletim de ocorrência.
A ideia e a intenção estão em todos os noticiários desta sexta-feira 17 de março. Seus promotores, grandes figurões da política nacional, estão preocupados com os prejuízos eleitorais que lhes advêm do conhecimento de seus crimes e de suas inclusões nas listas de Janot. O que conceberam pode ser descrito como um gigantesco iceberg político sem nada submerso. Da ponta à base, o mastodonte está inteiramente visível nas páginas dos jornais. Nosso país nunca adotou o voto em lista fechada exatamente pelo motivo que, agora, a organização criminosa atuante na política brasileira passou a vê-lo com bons olhos: ele esconde os candidatos e o voto deixa de ser direto e pessoal.
Com efeito, nesse sistema: 1) cada partido elabora uma lista com os nomes em disputa; 2) no dia da eleição, o eleitor escolhe e vota na lista de sua preferência; 3) o percentual de votos dados a cada lista, em relação ao total de sufrágios da eleição, define quantas cadeiras cabem a cada partido; 4) são os partidos que estabelecem a ordem dos nomes nas respectivas listas; 5) é dentro dessa ordem que as cadeiras são preenchidas (se um partido tiver direito a dez cadeiras, por exemplo, os dez primeiros nomes de sua lista serão titulares).
Com medo da reação da sociedade ante os escândalos em que estão envolvidos, os piores elementos da vida pública brasileira, candidatos preferenciais a serem varridos das urnas em 2018, encontraram no voto em lista fechada um modo de se elegerem sem necessidade de encarar individualmente os eleitores. Pretendem, com essa manobra, retomar cadeiras e preservar o foro privilegiado escondidos na lista partidária, mais ou menos como se dá comprimido para cachorro, disfarçado dentro de um naco de carne. É assim, escondidos e sem votos pessoais, mascarados, que eles querem voltar aos negócios em 2018. Antes, desfiguravam a representação política comprando votos e abusando do poder econômico com dinheiro mal havido; agora, querem continuar abastardando a democracia com o voto em lista fechada. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor) 
A vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal. (Machado de Assis)

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