3 de mar de 2017

Aguentar delações até quando.

• Banco Central sinaliza que pode acelerar queda da taxa de juros. Selic pode ter corte maior diante da alta ociosidade da economia e expectativas ancoradas para IPCA. 
• Delator da Odebrecht relata caixa 2 de R$ 9 mi após pedido de Aécio. Ex-presidente da construtora diz que fez repasse a políticos aliados e ao marqueteiro do tucano. 
• Itaipava foi usada como laranja para disfarçar doações de até R$ 40 mi. Ex-executivo da Odebrecht diz que usou cervejaria para repasses a partidos da base de Dilma e Temer. 
• Como sugar? Carga Tributária. Brasileiros já pagaram R$ 400 bilhões de impostos em 2017. 
• Câmara quer votar projeto antigo sobre terceirização. Texto que Senado aprovou em 2002 pode ser desengavetado por Rodrigo Maia. 
• Marcelo Odebrecht diz que terceirizou caixa dois. Segundo empreiteiro, doação passou por cofres, por exemplo, de cervejaria.
• Moro condena Delúbio a cinco anos de prisão. Ex-tesoureiro do PT era acusado de lavagem de dinheiro. 
• STF retoma ação para afastamento de Pimentel, governador de MG. 
• Indícios concretos de corrupção. Rio teria pagado propina para sediar Olimpíada, aponta MP da França. Le Monde revela corrupção na escolha do Rio para Jogos Olímpicos de 2016. Empresário Arthur Soares teria depositado US$ 1,5 milhão na conta de filho do então membro do COI Lamine Diack. 
• Horário de Verão gerou economia de R$ 159,5 milhões. 
• Pré-sal atinge 47% da produção brasileira de petróleo. Dados da ANP mostram crescimento da participação de empresas estrangeiras. 
• Governo federal vai analisar aposentadoria de militares. Grupo interministerial terá prazo de 120 dias para calcular despesas futuras com inativos e pensões. 
• Corrupção sem limites. Odebrecht comprou MP e deu R$300 milhões ao PT, revela ex-presidente. Odebreccht comprou medida provisória assinada por Dilma. 
• Exclusivo: Odebrecht pagou 4 milhões ao PDT a pedido de Mantega. O Antagonista obteve com exclusividade o conteúdo do depoimento de Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, ao TSE, na ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer. Fernando Reis disse que, em meados de 2014, Marcelo Odebrecht mandou que ele ajudasse Alexandrino Alencar (o executivo da empreiteira mais ligado a Lula). Missão dada, missão cumprida. Alexandrino Alencar disse a Fernando Reis que havia ocorrido uma reunião de Marcelo Odebrecht com Guido Mantega. Nessa reunião, o então ministro da Fazenda pedira ao empreiteiro apoio financeiro para que o PT confirmasse a participação de partidos na coligação em torno da candidatura de Dilma Rousseff -- e, assim, obtivesse mais tempo de propaganda eleitoral na TV. Guido Mantega também explicara a Marcelo Odebrecht que, devido a uma relação sindical complicada, havia uma dificuldade em relação ao PDT. Era preciso atuar rapidamente para garantir que os pedetistas aderissem à chapa Dilma/Temer. Para convencer o PDT, foi estabelecida uma faixa de apoio financeiro entre 4 milhões e 7 milhões de reais. Fernando Reis marcou, em seguida, uma conversa com o então tesoureiro pedetista Marcelo Panella. Eles se encontraram numa cafeteria em São Conrado, no Rio de Janeiro. Na conversa, Fernando Reis comunicou a Marcelo Panella que tinha a permissão de oferecer ao PDT 4 milhões via caixa 2, em troca da confirmação da participação do PDT na coligação Com a Força do Povo. Marcelo Panella respondeu a Fernando Reis que já esperava o contato da Odebrecht, mas achou o valor baixo. Ficaram de voltar a encontrar-se depois da formalizaçãodo apoio do PDT a Dilma Rousseff. Após receber sinal positivo do setor de operações estruturadas, que administrava a distribuição das propinas pela empreiteira, Fernando Reis procurou Marcelo Panella no final de julho de 2014. Combinaram quatro entregas no valor de 1 milhões de reais cada uma. Segundo Fernando Reis, as entregas das parcelas de 1 milhão de reais, em espécie, ocorreram em 4 e 11 de agosto e 1º e 9 de setembro daquele ano. Todas as entregas foram feitas no escritório de Marcelo Panella, na avenida Nilo Peçanha, 50, no centro do Rio de Janeiro. 

• Ficamos para trás. Salários da indústria na China já superam os de países como Brasil, aproximando-se da periferia europeia. 
• Secretário de Trump deixa investigação sobre Rússia. O também procurador-geral conversou com embaixador russo na campanha. 
• Exército sírio volta a expulsar EI de Palmira. Retomada de cidade histórica é mais um golpe contra grupo terrorista. 
• Procurador dos EUA não quer investigar interferência russa na campanha de Trump. Recusa acontece um dia depois de Jeff Sessions, o procurador-geral norte-americano, ser acusado de ter conversado com o embaixador russo em 2016. 

Contradições legais, tão comuns no Brasil.
O Tribunal Superior Eleitoral avança, o relator Herman Benjamim parece inclinado a condenar a chapa Dilma-Temer, vitoriosa em 2014, por abuso do poder político e econômico. Nesse caso, a lei estabelece a anulação do resultado. Como Dilma já foi objeto do impeachment e Temer assumiu, apenas ele será punido com o afastamento. Nesse caso, abrem-se duas hipóteses: ou vai para o poder o segundo colocado nas eleições passadas, no caso Aécio Neves, ou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, assume a presidência da República para convocar eleição indireta para completar o mandato até 31 de dezembro de 2018.
Só que a Constituição determina que presidentes da República só possam ser processados por crimes cometidos no exercício de seus mandatos. Temer estaria fora do alcance da punição, pois assumiu depois das eleições.
Sem punição - É absurda essa cláusula de limitar o afastamento apenas ao período em que o condenado exerce o mandato presidencial, mas está na Constituição. Vamos que Temer, antes de chegar ao palácio do Planalto, tenha assassinado alguém. Não poderá ser punido. Só depois de completado o mandato correrá o processo. Assim, se tiver incurso em abuso de poder antes de empossado, ficará incólume até ser sucedido pelo próximo presidente.
De qualquer maneira, um terremoto abalará as instituições, mesmo tanto tempo depois das eleições presidenciais, se o Tribunal Superior Eleitoral anular a vitória da chapa Dilma-Temer. É o que poderá acontecer. Sem esquecer que o PSDB, autor do processo ora em conclusão, é hoje o maior auxiliar do governo Temer no Congresso. São as contradições legais tão frequentes em nossa vida política. (Carlos Chagas) 

PSDB mira em Dilma e atira nos próprios glúteos.
Em janeiro de 2015, ao protocolar no Tribunal Superior Eleitoral ações de cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, o PSDB trombeteava a tese segundo a qual Aécio Neves perdera a disputa presidencial para uma organização criminosa. Nessa época, o ninho sonhava com uma limpeza que conduzisse à convocação de novas eleições. Dava-se de barato que Aécio estava com um pé no Planalto.
O tempo passou. Hoje, o PT derrete, Dilma Rousseff cuida dos netos, Lula tem pesadelos com Sergio Moro e Michel Temer dá expediente no Planalto. Quanto ao PSDB, num instante em que a legenda começava a se habituar à exposição dos seus pés de barro nas vitrines da Lava Jato, terá de conviver também com a exibição dos seus glúteos no processo aberto por sua iniciativa contra Dilma e Temer.
Provocados pela defesa de Dilma, os delatores da Odebrecht citam em seus depoimentos à Justiça Eleitoral também os podres do tucanato. Um dia depois de Marcelo Odebrecht ter mencionado uma tentativa de Aécio Neves de mordê-lo em R$ 15 milhões, o também delator Benedito Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infra-estrutura, disse que a construtora despejou, a pedido de Aécio, R$ 9 milhões em campanhas tucanas. Tudo no caixa dois. Aécio reconhece que fez o pedido. Mas nega que a verba tenha passado por baixo da mesa.
O tucanato frequenta a conspurcada cena pública brasileira como a principal evidência de que, em política, nada se cria, nada se copia, tudo se corrompe. Não é à toa que as opções presidenciais do tucanato começam a despontar nas pesquisas eleitorais como sub-Bolsonaros. (Josias de Souza)

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