16 de fev de 2017

Política e troletagens.

 photo aposentar_zps5ikpypzm.jpg • O presidente Michel Temer (PMDB) formalizou o convite para que o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Velloso assuma o comando do Ministério da Justiça no lugar de Alexandre Moraes. Cotado para pasta da Justiça, Velloso já criticou atuação da PF. Ex-ministro do STF atacou uso de algemas durante prisões e apreensões em escritórios de advocacia. 
• Sérgio Cabral vai para prisão especial da Lava Jato em março. Unidade reformada em Benfica tem banheiro privativo e colchão usado por atletas na Olimpíada; Justiça torna Sérgio Cabral réu pela quarta vez. Ex-governador do Rio, preso desde novembro em Bangu 8, é acusado de 184 crimes de lavagem de dinheiro. 
• Janot pretende enviar delação da Odebrecht ao STF até março. No Supremo, caberá a Fachin decidir sobre a divulgação do teor da colaboração da empreiteira. 
• Chamadas entre telefones fixos e móveis ficarão mais baratas a partir do dia 25. Ligações locais entre fixo e móvel terão redução de até 19,25%; interurbanas caem até 12,01%. 
• Só 1% dos réus com foro é condenado, diz pesquisa. Supremo em Números avaliou decisões da Corte de 2011 a 2016; caso de Moreira Franco pode ir a plenário. 
• Cunha foi crucificado pela opinião pública, diz ministro Marco Aurélio Mello. 
• FGTS: Caixa admite falha no 0800 e pede que trabalhadores acessem site de contas inativas; FGTS financiará imóveis de até R$ 1,5 milhão. Fazenda também anuncia que liberação de venda de terras para estrangeiros sai em 30 dias; Saque das contas inativas do FGTS acaba em 31 de julho. Nesta semana, as agências do banco abrirão mais cedo para tirar dúvidas dos trabalhadores. 
• Plano de desinvestimento da Petrobrás chama a atenção de agências. Problemas enfrentados pela estatal com plano de venda de ativos são o foco de preocupação. 
• Forças Armadas e Força Nacional ficarão no ES por mais 20 dias. 
• Senador Paulo Paim pede criação de CPI para investigar rombo na Previdência. Defende que é necessária uma Comissão Parlamentar de Inquérito para esclarecer as receitas e as despesas, os desvios, desonerações, desvinculações e sonegações da Previdência; Aliados preparam mudanças em reforma da Previdência. Tucanos querem barrar regra que dificulta benefício assistencial. 
• Governo busca medidas populares após queda na avaliação da gestão Temer. Padilha quer elevar popularidade do presidente, em baixa, mas esbarra nas contas da equipe econômica. 
• A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira a Operação Leviatã, desdobramento da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), que tem como objetivo o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro do STF Edson Fachin, referentes à inquérito instaurado a partir de provas colhidas no âmbito da Lava Jato. Entre os alvos da operação estão o ex-senador do Pará Luiz Otávio e o filho do senador Edison Lobão (PMDB-MA), Márcio Lobão. Os mandados desta manhã decorrem de representação feita pela PF no curso das investigações que apuram pagamentos de 1% de propina a dois partidos políticos sobre as obras da Hidrelétrica de Belo Monte, por parte das empresas que participavam do consórcio. Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. 
• Temer estuda dar status de ministério à Segurança. No arranjo em análise pelo Planalto, Justiça teria suas funções divididas; nome do advogado Antônio Claudio Mariz de Oliveira volta a ser cotado após ser descartado como ministro por críticas à Lava Jato. 
• Bolsa brasileira é uma das que mais sobe no mundo. Em dólares, Bovespa avança 121% em um ano, muito acima de bolsas de mercados como EUA e Alemanha; Risco de calote do país e dólar recuam para o nível pré-crise. Expectativa de reformas e valorização de commodities atraem investidores. 
• Crise econômica leva cerca de 3 milhões de brasileiros à pobreza. Com otimismo, número de pessoas consideradas pobres no país em 2017 chegará a 19,8 milhões. Dessas, 8,5 milhões estariam caracterizadas como extremamente pobres. 
• Associação lança campanha para mudar ICMS e acabar com guerra fiscal entre estados. Com apoio do BID, o Movimento Viva, lançado pelos fiscais de renda de São Paulo, pretende elaborar novo modelo de arrecadação do principal tributo estadual e propor ao Congresso uma nova legislação para simplificar a arrecadação e melhorar o ambiente de negócios.

• Segunda mulher é detida em caso de assassinato de meio-irmão de Kim Jong-um. Uma segunda suspeita, com passaporte da Indonésia, foi detida nesta quinta-feira no caso do assassinato na Malásia do meio-irmão do líder norte-coreano, Kim Jong-un, um homicídio digno da Guerra Fria, que Seul atribui a agentes de Pyongyang. Kim Jong-nam faleceu na segunda-feira depois de ter sido atacado por duas mulheres que teriam lançado um líquido em seu rosto no aeroporto internacional de Kuala Lumpur. 
• Oceanos perderam 2% de oxigênio desde 1960, o que pode ter consequências potencialmente devastadoras para plantas e animais marinhos, disseram cientistas na quarta-feira. Nessas cinco décadas e meia, as partes dos oceanos desprovidas de oxigênio quadruplicaram, segundo um estudo publicado na revista científica Nature. 
• A safadeza continua. Em encontro com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, Donald Trump declarou que o processo de paz no Oriente Médio pode incluir solução que não preveja um Estado palestino. 
• Indicado para o Trabalho desiste, e Trump tem 2ª baixa. Dono de rede fast-food, Andrew Puzder já via resistência entre os republicanos. 
• Ministra diz ter título da ONU que não existe. Homenagem a Luislinda, de Direitos Humanos, foi dada por ONG coreana. 
• Conselheiro caiu por vazamentos criminosos, diz Trump. Presidente reclamou de imprensa por divulgar contatos com governo russo. 
• Crise aflige equatorianos antes de eleição presidencial. Encolhimento da economia, dependente do petróleo, é o principal temor. 

Uma escolha acertada.
Carlos Mário Velloso já é o novo ministro da Justiça, faltando apenas que o Senado aprove a indicação de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal, na próxima terça-feira. Essa engenharia adotada pelo presidente Michel Temer se justifica pelas dificuldades do preenchimento das vagas no ministério e arredores, coisa que algum dia acabará desfazendo todo o edifício burocrático. Imagine-se, por exemplo, se o ex-ministro da Justiça tiver sua escolha obstada no Senado pelas oposições somadas a descontentes do PMDB.
Apesar da ressalva, a escolha presidencial agradou a todos. Velloso conta com o apoio geral não apenas da base parlamentar do governo, como dos partidos e da opinião pública. Feito ministro do Supremo pelo então presidente Fernando Collor, foi voto favorável ao impeachment do jovem chefe do governo, demonstrando independência e altivez. Presidiu depois a mais alta corte nacional de justiça, com comportamento irreprochável. No ministério da Justiça, por certo manterá a mesma performance. Atualmente abrigado em Belo Horizonte, depois de sua aposentadoria no Supremo, retorna a Brasília para o mais difícil desafio de sua vida pública. Manterá suas opiniões, inclusive de ser contrário à existência de foro especial para parlamentares.
Não será um ministro político, mas fará política em termos altos, dado seu relacionamento com as diversas correntes partidárias. (Carlos Chagas) 

Temer, PSDB e o anti-Lula.
Uma pesquisa sozinha não conta toda a história. Nas vésperas da divulgação do levantamento CNT/MDA, o Planalto vazou pesquisa interna com melhora marginal da avaliação do governo Temer. Nesta quarta-feira, a notícia é o contrário: crescimento da desaprovação e do ruim/péssimo. Qual pesquisa está certa? Eventualmente ambas. Como? Depende de como se faz a comparação.
A do Ibope comparava a avaliação do governo em fevereiro com dezembro. A da MDA, fevereiro com outubro. Não é só isso. Pequenas oscilações de um mês para outro não revelam tendências. Podem ser variações estatísticas ou respostas passageiras da opinião pública a um fato específico, como a liberação do dinheiro das contas inativas do FGTS, por exemplo.
Na pesquisa Ibope para o Planalto, a aprovação e Temer foi de 24% em dezembro para 28% em fevereiro. Na MDA, caiu de 32% em outubro para 24% agora. A diferença em fevereiro está dentro da margem de erro se somarmos dois pontos em uma pesquisa (limite da margem) e subtrairmos dois pontos na outra (idem).
Mais importante é verificar se há movimento consistente ao longo do tempo que indique a tendência da opinião pública. Quando comparamos as três últimas pesquisas MDA, percebe-se uma curva ascendente da desaprovação: 40% em junho, 51% em outubro e 62% em fevereiro. O mesmo ocorre com os que acham o governo ruim ou péssimo: 28%, 37% e 44%. Ao mesmo tempo, caiu o não sei. À medida que conhece o governo, mais gente o avalia mal.
Essa tendência é consistente com o Datafolha, que verificou um aumento de 20 pontos do ruim/péssimo do governo Temer em dezembro, na comparação com julho. Como o MDA agora, o Datafolha encontrou apenas 10% de ótimo/bom para o governo dois meses atrás. Mas o ruim/péssimo era 51%, enquanto MDA e Ibope encontraram taxas mais baixas em fevereiro: 44% e 45%.
Levando-se em conta todas as pesquisas dos três institutos, é possível afirmar que: 1) a tendência mais consistente ao longo do tempo tem sido a de piora da avaliação do governo Temer à medida que mais pessoas se familiarizam com ele; 2) na margem, ou seja, nos últimos dois meses, pode ser que essa tendência tenha sido interrompida, mas só novas pesquisas nos próximos meses serão capazes de confirmar a eventual reversão.
Seja como for, a notícia prevalente sobre a pesquisa CNT/MDA foi que a popularidade presidencial está em queda. Se a repercussão do fato é negativa, ele se torna negativo também.
A pesquisa foi uma má notícia para Temer e ainda pior para o PSDB. Tucano mais bem colocado nas intenções de voto para presidente, Aécio Neves foi ultrapassado por Jair Bolsonaro na pesquisa espontânea (7% a 2%) e está tecnicamente empatado com o militar aposentado e deputado nos cenários estimulados.
Se fosse só nessa pesquisa o problema do PSDB não seria tão grave. Mas a MDA confirma a perda continuada de capital eleitoral dos presidenciáveis tucanos em todos os institutos desde que o partido aderiu ao governo federal. Não se trata só de desgaste pela associação com Temer e a Turma do Pudim.
O problema do PSDB é que uma parte importante do eleitorado que votou nos candidatos do partido a presidente nas últimas eleições encontrou um nome que julga representá-la melhor: Bolsonaro. Sem o voto desse segmento engajado, os tucanos perdem a primazia como anti-Lula. O líder petista recuperou ainda mais intenção de voto, mas segue sob risco de virar réu inelegível.
A pesquisa MDA reforça a ideia de que a melhora da avaliação do governo Temer é condição necessária para o PSDB ter chance em 2018, mas não é suficiente. O campo está aberto para surpresas de ambos os lados do espectro político. (José Roberto de Toledo, Estadão) 
Devemos estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos para poder viver a vida que nos espera. (Joseph Campbell)

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