15 de jan de 2017

Sumiram as câmeras.

 photo vagas_zpsntg3eyuv.jpg • Crise em penitenciárias atinge RN e ao menos 10 morrem. Há relatos de presos decapitados em briga de facções em presídio superlotado. Presos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, iniciaram rebelião em um dos pavilhões. Ainda não se tem confirmação de mortos e feridos; na Bahia, duas fugas de detentos em menos de 24 horas. As fugas aconteceram em Salvador, na Bahia. Ao todo 38 presos conseguiram escapar; poucos foram recapturadas e buscas continuam nas proximidades; em dez anos, dobra o número de prisões ligadas a tráfico de drogas. Delito corresponde a 28% do total de crimes; falta de critérios objetivos para diferenciar tráfico de uso pessoal faz réus primários superlotarem as cadeias; Diante do caos carcerário, país deveria debater a legalização das drogas e mudar enfoque prisional. 
• Pobre Rio. Com delegacias do Rio paralisadas, vítimas esperam para registrar crimes. Bombeiros podem paralisar serviços caso governo do Rio não pague salário. 
• Governo federal vai gastar R$ 306,9 bilhões em salários este ano. Contribuinte vai se esfolar para bancar salários de servidores. 
• Congresso é mito. 20% dos senadores. Bancada dos suplentes é a 2ª maior do Senado, atrás do PMDB. Substitutos têm direito a salário, motorista, apartamento e benefícios durante o mandato. 
• Acidentes de percurso: Em 248 dias como presidente, Michel Temer já cometeu uma série de gafes. 
• Projeção de Cármen Lúcia provoca ciúme no Planalto. Estilo da presidente do STF também é alvo de ressalva entre colegas. 
• O ministro Gilberto Kassab atenderá as empresas de Comunicações, piorando dramaticamente a vida do cidadão que lhe paga o salário. Cidadão, aliás, há anos explorado pelos mais caros e ineficientes serviços de internet do ocidente. Kassab confirmou que vai limitar os dados para assinantes de banda larga fixa. Na prática, o que é caro ficará mais caro, e o que é ruim continua sem perigo de melhorar. A Agência Nacional de Telecomunicações negou planos de cortes. (Cláudio Humberto) 
• Hum... O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, revelou que desde 2009 - durante o governo Lula - o Palácio do Planalto, assim como o Palácio do Alvorada não têm câmeras de segurança internas. Declaração foi dada em entrevista para a revista Veja. As retiradas foram feitas quando o Planalto passou por reformas, durante o governo Lula, mas após a conclusão dos serviços as câmeras não voltaram a ser instaladas. Etchegoyen acredita que a retirada foi proposital. Disse também que não quiseram a recolocação das câmeras, sugerindo que foi conveniente que o local passasse anos sem ter registros de imagens. O general informou que já foi aberto processo de licitação para instalação dos equipamentos, e o governo deve gastar ao menos R$10 milhões. 
• Odebrecht pode trocar de nome para se reerguer. No centro da Lava Jato, empresa foi considerada a mais corrupta do mundo. 
• Aposentado no Brasil garante renda maior que outros países. Em média, aposentados conseguem manter 82,5% do salário da ativa. 
• Ao plantar árvore, Doria chama Lula de maior cara de pau do Brasil. Prefeito dedica plantio de pau brasil ao ex-presidente. 
• SUS passa a oferecer terapias alternativas como o reiki e a meditação.
• Yazidis purificam ex-escravas sexuais do EI. Minoria perseguida faz ritual para reintegrar mulheres vítimas de abusos.
• Naufrágio deixa oito mortos e vários desaparecidos no Mediterrâneo. Um novo naufrágio ao norte da costa líbia teria deixado mais de 100 desaparecidos, segundo relato de quatro resgatados - informou a Guarda Costeira italiana neste sábado (14), acrescentando que oito imigrantes foram encontrados mortos. 
• Ao The Wall Street Journal, Trump diz que pode retirar sanções contra Rússia. Donald Trump admite que pode retirar sanções contra Rússia, mas impõe que Moscou ajude no combate ao terrorismo e demais assuntos estratégicos
• Bélgica prende 3 em operação antiterrorismo em Bruxelas. Bairro onde ocorreram buscas é onde se refugiaram responsáveis pelos atentados de Paris, em 2015. 

A confusão é geral.
Não passa desta semana a prisão preventiva de Geddel Vieira Lima, a menos que o ex-ministro da Coordenação Política fuja para o exterior. A Polícia Federal acompanha seus passos na Bahia, no Rio e em Brasília, já tendo levantado as provas necessárias para encarcerá-lo por haver burlado os interesses da Caixa Econômica Federal no tempo em que era um de seus vice-presidentes. A extorsão se deu em parceria com o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, hoje e ainda por muito tempo preso em Curitiba, por esse e outros crimes.
À medida em que o tempo passa, mais o círculo se fecha em torno de amigos, ministros e ex-ministros do presidente Michel Temer. Não demora e o próprio chefe do governo começará a ter seu nome citado em diversas delações premiadas já colhidas junto a ex-diretores da Odebrecht.
Não parece fora de propósito que o Tribunal Superior Eleitoral, em fevereiro, manifeste-se pela anulação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer nas eleições de 2014. Nesse caso, abrem-se duas hipóteses: o Congresso elegeria um novo presidente da República para completar o atual mandato até 2018 ou o TSE consideraria vitorioso o segundo colocado naquele pleito, o senador Aécio Neves. No primeiro caso, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, seria o candidato, ainda mais se vier a ser reeleito. Outras possibilidades são consideradas, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-presidente do Supremo e ex-ministro Nelson Jobim.
Qualquer das opções revelará que as instituições encontram-se em frangalhos, abrindo-se até a possibilidade da antecipação das eleições gerais para este ano. Tudo dependeria de o Congresso atropelar a Constituição.
Quanto a Geddel Vieira Lima, continua ligado a Michel Temer, no mínimo por laços de amizade.
Em suma, a confusão é geral. (Carlos Chagas) 

Massacres em série extirpam ponto de exclamação dos hábitos dos brasileiros.
Espantosa época essa que o Brasil atravessa. Uma época em que o horror adquire doce naturalidade. As facções criminosas promovem massacres em série nas penitenciárias do país. E poucos brasileiros parecem dispostos a fazer a concessão de uma surpresa. É matança de bandidos? Pois que venha o extermínio. E com decapitações.
Depois da mortandade de presos em Manaus e Boa Vista, sobreveio, entre a tarde de sábado e a madrugada deste domingo, a chacina da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal. De um lado uma franquia potiguar do paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). Do outro, o Sindicato do Crime do RN, que opera em regime de joint venture com o carioca Comando Vermelho (CV).
Em duas semanas, três massacres. Mais de uma centena de execuções. Os criminosos superaram os anseios de Bruno Júlio, aquele ex-auxiliar de Michel Temer que perdeu a chefia da Secretaria Nacional de Juventude depois de lamentar a baixa produtividade da usina de auto-extermínio que a bandidagem instalou nas cadeias: Tinha é que matar mais, ele disse. Tinha que fazer uma chacina por semana.
A contabilidade dos horrores de Natal ainda é desconhecida. Na noite passada, o governo estadual admitiu em nota a existência de dez cadáveres. Entretanto, vídeo pendurado na internet indicava a existência de pelo menos 17 corpos. Não foi possível concluir a escrituração porque o poder público estadual, impotente, decidiu que só entraria na cadeia depois do nascer do Sol.
Caio César, secretário de Segurança do governo do Rio Grande do Norte apressou-se em divulgar um vídeo para tranquilzar a população. Não houve fuga, disse o secretário a certa altura. A população pode ficar tranquila e realizar suas atividades normalmente. O que a autoridade máxima da segurança no Estado disse aos cidadãos de bem, com outras palavras, foi o seguinte: Fique calmo. A cadeia está cercada. Lá dentro, os bandidos estão se matando uns aos outros. Nada que mereça a sua preocupação.
O Datafolha informou, há três meses, que 57% dos brasileiros concordam com a máxima segundo a qual bandido bom é bandido morto. Quer dizer: as facções criminosas não estão senão satisfazendo, por meio do auto-extermínio, a vontade da maioria. Produzem novos carandirus sem a participação da Polícia Militar. É como se a bandidagem unisse o útil ao agradável. Defendem seus territórios e seus negócios. Simultaneamente, atendem à demanda social por sangue.
Nesse contexto, só os chatos, com seu humanismo arcaico, ainda pedem providências e punições. Só os ingênuos, com seu horror postiço, ainda não suprimiram dos seus hábitos o ponto de exclamação. Atentas ao avanço da sociedade brasileira rumo à Idade Média, as facções criminosas já não querem só comida. A bandidagem também quer diversão e arte. A falência do Estado dá ao criminoso a chance de oferecer seu vernissage semanal de cadáveres. (Josias de Souza) 
Faça uma lista mental de pensamentos felizes e passe-a pela mente várias vezes ao dia. (Norman V. Peale)

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