27 de jan de 2017

O país cansou de Eficiências. Quer presídios neles.

 photo o muro_zpsooehmwuz.jpg • Dallagnol: delação da Odebrecht fará Lava Jato dobrar número de investigados. Prevê dobro de investigados com acordos de delação.
• Justiça manda prender Eike, que é considerado foragido. Ele entrou na lista vermelha da Interpol. Alvo da Lava Jato, empresário é suspeito de pagar propina de US$ 16 mi a Cabral; Proximidade entre Eike e Cabral despertava suspeitas. Polícia revelou que ele emprestava seus jatinhos para o ex-governador; Procuradoria resgata R$ 270 mi, incluindo diamantes. Valor representa quase 80% do total ocultado por Sérgio Cabral no exterior. Polícia Federal demorou 13 dias para procurar Eike Batista em sua mansão no Rio! Por quê? Se ele chegar à Alemanha, será difícil obter sua extradição.
• Juro do rotativo do cartão de crédito sobe a 484,6% ao ano. O juro médio cobrado no rotativo do cartão de crédito subiu 2,4 pontos porcentuais de novembro para dezembro, assim, a taxa passou de 482,2% para 484,6% ao ano em dezembro e bateu novo recorde; Apesar de inadimplência menor, bancos elevam juros. Taxa média ao consumidor chegou a 71,5% ao ano no fim do ano passado; BC muda regra do rotativo do cartão e consumidor poderá negociar modalidade mais barata. Medida, que passa a vigorar em abril, permite migração a quem possuir saldo devedor por mais de 30 dias.
• Um governador que deu mostras de incompetência. E foi vice do Cabral: nada viu! Rio fecha acordo com a União e fará ajuste de R$ 62,4 bi até 2019. Governo também proporá alteração na LRF para permitir recuperação fiscal a outros Estados.
• Justiça obriga Odebrecht a reassumir o Maracanã.
• Preço da gasolina pode cair R$ 0,02 com corte nos combustíveis. Petrobrás anunciou redução média de 5,1% para o diesel e de 1,4% para a gasolina nas refinarias; Fitch mantém nota e perspectiva negativa para a Petrobras.
• Brasileiros ocuparão 900 das vagas que eram de cubanos no Mais Médicos. Dos 1.390 postos de trabalho disponíveis em edital do programa deste ano, 1.378 devem ser ocupados por profissionais com registro no Brasil.
• Surto de febre amarela é o maior registrado no país. Com 15 novos casos em MG, país tem maior número de casos desde 1980. Diante de surto de febre amarela, compete ao poder público se esmerar em esclarecer quem de fato precisa de imunização.
• Lava Jato torce para que Cármen Lúcia sorteie relator entre todos do STF.
• Governo bloqueia 8.400 seguros-desemprego suspeitos de fraudes. 
• Trump planeja taxar produtos do México para bancar muro. Governo do republicano quer impor o tributo sobre as importações mexicanas; O muro de Trump é mais um capítulo na longa história de divergências entre os EUA e o México, que começou com uma guerra no século 19. 
• Cúpula da chancelaria dos EUA renúncia. Diplomatas do Departamento de Estado apresentam demissão após posse. 
Intimidar empresas, do jeito de Trump, é fascista, diz Nobel de Economia. Para Phelps, republicano deveria se empenhar em criar ambiente para estimular a inovação; 
• Tensão entre os países: Trump compara muro com México ao de Israel com territórios palestinos. 

Lula é Eike Batista amanhã.
O ex-presidente e o empresário falastrão nasceram um para o outro: ambos são vendedores de nuvens.
Lula é o Eike Batista da política e Eike é o Lula do empresariado, constatou na primeira linha o texto que evocou, em outubro de 2013, um punhado de semelhanças entre os dois destaques do elenco da Ópera dos Vigaristas. Um era o inventor do Brasil Maravilha, que só existe na papelada registrada em cartório. Outro era o fundador do Império X - no caso, X é igual a nada.
O pernambucano gabola que inaugurava uma proeza por dia se elogiava de meia em meia hora por ter feito o que não fez. O mineiro mitômano que ganhava uma tonelada de dólares por minuto se cumprimentava o tempo todo pelo que disse que faria e não fez.
O presidente onisciente, onipresente e onipotente, entre outros colossos, prometeu inaugurar em 2010 a transposição das águas do São Francisco. O rio permanece no mesmo leito. O empreendedor milagreiro driblava o tempo com gerúndios e verbos no futuro vivia fazendo superportos e plataformas marítimas de assustar engenheiro inglês. Não saiu da maquete sequer a reforma do Hotel Glória.
Lula se intitulou o maior dos governantes desde Tomé de Souza sem ter produzido uma única obra física visível a olho nu. Eike entrou e saiu do ranking dos bilionários da revista Forbes sem que alguém conseguisse enxergar a cor do dinheiro.
Lula berrava em 2007 que a Petrobras tornara autossuficiente em petróleo o país que, graças às jazidas do pré-sal, logo estaria dando as cartas na OPEP. A estatal foi destruída pelo maior esquema corrupto do mundo e o Brasil importa combustível. Eike não parava de encher barris com o produto de jazidas que continuram intocadas nas funduras do oceano. Os lucros que extraiu vieram dos cofres assaltados pelo bando do Petrolão.
Político de nascença, Lula enriqueceu como camelô de empreiteiros. Filho de um empresário muito competente, Eike adiou a falência graças a empréstimos fabulosos do BNDES (com juros de mãe extremosa e prestações a perder de vista), parcerias com estatais (sempre prontas para financiar aliados do PT com o dinheiro dos pagadores de impostos) e adjutórios obscenos do governo federal.
Lula só poderia chegar ao coração do poder num lugar onde tanta gente confia em eikes batistas. Eike só poderia ter posado de gênio dos negócios num país que acredita em lulas.
É natural que tenham viajado tantas vezes no mesmo jatinho. É natural que se tenham entendido tão bem. Nasceram um para o outro. Os dois são vendedores de nuvens. Mentem mais que espião de cinema. Enquanto festejavam a fortuna da Petrobras guardada no fundo do mar, saquearam a empresa em terra firme. Era previsível que tivessem o mesmo destino.
Nesta quinta-feira, o Brasil soube que o empresário apresentado pelo ex-presidente como exemplo para o país vai purgar na cadeia seus incontáveis pecados. O ex-presidente promovido pelo empresário a estadista do século logo percorrerá o caminho que passa por um tribunal e termina numa cela. Lula é Eike amanhã. (Augusto Nunes)
Lava Jato deve explicação sobre viagem de Eike.
Agentes da Polícia Federal deixam a mansão de Eike Batista sem o prisioneiro.
A ordem de prisão de Eike Batista consta de um despacho assinado pelo juiz federal Marcelo Bretas em 13 de janeiro de 2017. Mas só nesta quinta-feira (26), 13 dias depois da expedição do mandado judicial, os agentes federais foram à mansão do ex-bilionário, no Rio. Não o encontraram. Informou-se que decolara para Nova York dois dias antes, na noite de terça-feira.
Tacio Muzzi, delegado da Polícia Federal, saiu-se com uma explicação singela: Em relação à viagem do senhor Eike Batista, não havia prévio conhecimento. Estava-se acompanhando a movimentação dos investigados e, na madrugada de hoje (26), chegou ao conhecimento que poderia ter saído para fora do país na data do dia 24, na parte da noite. Hummmm.
A fala do doutor contém um paradoxo que resulta num déficit de explicação. Ora, se estava acompanhando a movimentação dos investigados, por que a Polícia Federal não teve prévio conhecimento do deslocamento do investigado-mor? Por que a força policial precisou de quase duas semanas para executar a ordem que os investigadores requisitaram ao juiz?
Advogado de Eike, Fernando Teixeira Martins, que trabalhou como agente da Polícia Federal de 2004 a 2015, acompanhou a batida de busca e apreensão na mansão do seu cliente. Disse que ele deseja retornar ao Brasil o mais rápido possível e tem a disposição de colaborar. Pode ser. Entretanto, se não for alcançado pelo Interpol, Eike só retorna se quiser. Leva no bolso um passaporte alemão. E não lhe faltam recursos.
A exemplo da Polícia Fderal, também a Procuradoria renderia homenagens aos controibuintes se dissesse meia dúzia de palavras sobre a mobilidade de Eike. Afinal, o juiz Marcelo Bretas anotou em seu despacho: Caberá ao MPF [Ministério Público Federal] as providências devidas à execução das medidas. Entre elas a prisão de Eike Batista. (Josias de Souza) 

A sombra da esfinge.
Apesar do sigilo imposto pelo falecido ministro Teori Zavaski e religiosamente mantido pela ministra Carmem Lúcia, continuam sendo pinçados nomes de políticos importantes como alvo das 77 delações premiadas feitas por ex-diretores da Odebrecht. Dentro de mais uns dias, no Congresso e na mídia, os mais de cem implicados nas denúncias serão conhecidos, iniciando-se as investigações pelo Ministério Público e a Polícia Federal e, em seguida, o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal.
Por nossa conta e risco, já que nada foi oficializado, vamos fixar-nos em dois deles, conforme corre na Câmara e no Senado: Eunício Oliveira e Rodrigo Maia.
Ignora-se de que são acusados, ainda que o leque esteja aberto. Caixa Dois, recebimento ilegal de recursos, dinheiro irregular, peculato e outros enquadramentos, apesar de nada estar comprovado.
O diabo é que o senador e o deputado encontram-se no meio da fogueira. São os favoritos para se tornar presidentes do Senado e da Câmara. Contam com votos de sobra para se elegerem no começo de fevereiro. Só não se sabe se antes ou depois de conhecida a lista da Odbrecht. Eleitos antes, poderão suas posses ser contestadas por seus próprios eleitores? Depois, não deixariam em má situação as respectivas casas legislativas?
Pode ser que se trate de injustiça, exagero ou excesso por parte dos denunciantes. Gastos de campanha, feitos de acordo com a lei, podem ser confundidos com irregularidades. Tanto Eunício quanto Rodrigo terão todas as prerrogativas para defender-se. Mas se não conseguirem? Aparecerão candidatos de última hora para substituí-los? E se forem condenados pelo Supremo Tribunal Federal?
A sombra da desmoralização paira sobre pelo menos a metade do Congresso, tornando-se uma questão de dias, quem sabe de horas, decifrar o enigma da esfinge que sobrevoa a Praça dos Três Poderes. (Carlos Chagas) 
A destruição do embrião no útero materno é uma violação ao direito à vida que Deus deu ao nascituro... e isto não é mais que um assassinato. (Dietrich Bonhoeffer, teólogo protestante enforcado pelos nazis em 1945)

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