16 de jan de 2017

O inferno se abarrota.

 photo camel_zpsrkfmr1kf.jpg • Na guerra de facções, quase todos os 26 mortos em presídio de Natal foram decapitados. Atos de barbárie dificultaram contagem dos corpos em Natal. Governo afirma ter identificado seis responsáveis por motim. Após mais de 14 horas de rebelião, governo afirma ter a situação sob controle e ter identificado seis responsáveis por tumulto em Alcaçuz, em Natal. 
• Força Nacional virou apenas um instrumento de propaganda do governo. Não fazem diferença os gatos pingados da Força Nacional. 
• Os brasileiros economicamente ativos terão de se virar para gerar todos os impostos que possibilitem à União sustentar sua máquina administrativa em 2017, uma das mais caras do mundo: serão R$ 306,9 bilhões somente em salários nos três poderes. Nessa conta não estão consideradas despesas de manutenção da máquina, incluindo mordomias, tarifas públicas, material de consumo, medicamentos etc. 
• Os narcodeputados. O chefe da FDN, Zé Roberto da Compensa, prometeu cem mil votos para o governador do Amazonas, José Melo. A Veja, em 2014, reproduziu sua conversa com o emissário de José Melo. Ontem o Fantástico mostrou mais trechos da conversa. O bandido disse que as prisões tinham de continuar sendo comandadas pelos prisioneiros: - Que ele prenda nós lá fora com droga, a polícia prendeu com droga eu não tô nem vendo. Mas que não venha pertubar nós. Em mensagens de celular, ele disse também que, depois de eleger o governador do Amazonas, a FDN elegeria também, a partir de 2016, prefeitos, vereadores e deputados federais. 
• Senado dobra gasto extra com correio e passagens. Despesa de gabinetes entre 2014 e 2016 passou de R$ 2,4 mi para R$ 4,8 mi. 
• BNDES destrava mais um contrato suspenso pelo efeito da Lava-Jato. 
• Quatro bancos concentram 72,4% dos ativos das instituições financeiras. Banco do Brasil, Itaú, Caixa Econômica Federal e Bradesco. Concentração vem crescendo com aquisições feitas por grandes bancos, como a do HSBC pelo Bradesco. 
• BNDES não financiará obra da OAS no Aqueduto do Chaco, na Argentina. Banco de fomento informou, em nota, que não vai disponibilizar recursos para exportar serviços. 
• 70% dos condenados por Moro têm penas mantidas ou endurecidas pelo TRF. 
• O Brasil está em primeiro lugar num ranking que não temos o que nos orgulhar. Ele aparece em primeiro lugar no ranking feito pela FCPA - Foreign Corruption Practices Act - que é uma lista onde se aponta as empresas ou países mais citados sob a suspeita de pagar propina no exterior. É o terceiro ano da lista. 
• INSS volta a fazer revisão de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez. 
• Após a inauguração do Templo de Salomão, no Brás, em 2014, a capital terá outra obra religiosa faraônica. Trata-se do Templo da Graça, a nova sede da Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R. Soares. A construção fica próxima ao terminal rodoviário Tietê, entre a Marginal e a Avenida Cruzeiro do Sul, na Vila Guilherme, na Zona Norte. 
Caso Neymar será julgado em Brasília; multa chega a R$ 188 mi. Acusado de usar empresas da família para pagar menos impostos, atacante terá ação julgada quinta-feira. 
• Preço dos combustíveis atinge maior valor em pelo menos 15 anos. Levantamento da ANP mostra que etanol, diesel e gasolina atingiram patamar recorde esta semana.
• Oito bilionários têm riqueza maior que a soma de 3,6 bilhões de pessoas. Relatório da ONG Oxfam será apresentado em Davos, e mostra crescimento da desigualdade.
• Maduro ameaça luta armada continental caso oposição tente tirá-lo do poder. 
• Procuradoria sul-coreana pede prisão de herdeiro da Samsung em escândalo de corrupção. 
• Países dão recado sobre paz no Oriente Médio a Trump. A dias da posse nos EUA, diplomatas pedem retomada das negociações; Oposição anuncia boicote à posse de Trump na próxima sexta-feira. Posse deve ter protesto com maconhaço e apoio de motoqueiros; Trump ameaça montadoras alemãs com taxa de importação de 35%. 
• Dividir e desprivatizar: juiz dos EUA analisa crise carcerária no Brasil. Tantos nos presídios dos Estados Unidos quanto nos do território brasileiro, a superlotação e as gangues são principais problemas a serem enfrentados. 
• Fórum de Davos põe o capitalismo no divã. Relatório propõe nova agenda, com o povo no centro das estratégias. 
• Colômbia prende ex-senador em caso Odebrecht. Otto Nicolás Bula, do governista Partido Liberal, é suspeito de receber suborno da empreiteira. 
• Restaurante nos EUA transforma ex-presidiários em profissionais da cozinha. Iniciativa de chef já ajudou na ressocialização de mais de 200 homens e mulheres que estiveram na cadeia pelos mais variados tipos de crimes. 
• Ex-presidente da Colômbia pede para que atual cancele contratos com a Odebrecht. 
• Imprensa internacional destaca violência em presídio do RN. 
• Avião turco cai sobre casas no Quirguistão e mata 37 pessoas. 

Prisões e o bueiro do inferno de comunas e fascistoides.
As pessoas acham um absurdo que o estado brasileiro tenha de indenizar a família de bandidos mortos nos presídios. E tem! É uma questão de civilização!
O governo federal precisa articular, sim, uma resposta à altura do problema na questão dos presídios, antes que a demagogia de esquerda e a estupidez da direita mais rombuda ocupem o lugar do debate, o que, vamos convir, costuma acontecer com certa frequência. Repetindo uma amiga, a diferença entre as redes sociais e o bueiro do inferno é pequena - ligeiramente favorável ao esgoto infernal…
Aqui e ali, os colunistas da sinistra já associam o caos nos presídios ao suposto arrocho do governo Temer. Os companheiros e camaradas fingem acreditar que os bandidos queriam mesmo é trabalhar de carteira assinada. Como o sistema é capitalista e selvagem, então eles saem por aí cortando cabeças.
Bueiros são bueiros, né? Já recebi de comunistas e de fascistoides continhas feitas no joelho da impostura que transformam os gastos com presídios em escolas, como se fossem essas coisas permutáveis.
Ignorar que as iniquidades sociais do Brasil contribuem para levar ao paroxismo a violência corresponde a negar a importância de políticas públicas em favor da educação, da saúde e da segurança. Ignorar a necessidade de conjugar ações de longo prazo, que diminuam a estúpida desigualdade vigente no país, com políticas mais consequentes de repressão ao crime é igualmente energúmeno.
Recebo aqui e ali mensagens indignadas. As pessoas acham um absurdo que o estado brasileiro tenha de indenizar a família de bandidos mortos nos presídios. E tem! É uma questão de civilização! Se o estado não garante a segurança de quem está sob sua guarda, seja criminoso ou não, quem irá fazê-lo?
Num país em que o abuso de autoridade é regra, qualquer pessoa pode ser vítima de uma arbitrariedade - inclusive você, que me lê neste momento. O estado que prende tem de garantir o bem-estar do preso enquanto… preso! Vejam o que acontece mundo afora: países cujas prisões são pocilgas transformam num chiqueiro também a vida das pessoas comuns.
Não dá mais para esperar.
O crime organizado está muitos lances à frente. E o estado brasileiro tem de reagir. E o primeiro passo é retomar o território que hoje está sob seu domínio: os presídios. (Reinaldo Azevedo) 

Beltrame defende separar presos por facções.
Ex-secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame defende como remédio para inibir a violência nas prisões brasileiras a separação dos presos por facções -em penitenciárias distintas. No nível que chegou, tem que separar, senão, vai dar problema, disse ele, em entrevista ao Valor. Você tem hoje facções extremamente violentas, que banalizaram a vida.
De resto, Beltrame avalia que, para confrontar o crime organizado, o Estado precisa trocar a desorganização pela ação integrada das instituições públicas -da polícia ao Judiciário. Mencionou como ideal a ser cultivado uma integração nos moldes da que ocorreu em eventos esportivos do porte da Copa e dos Jogos Olímpicos, com o trabalho conjunto de mais de instituições.
Instado a avaliar as duas principais facções criminosas do país, Beltrame declarou que o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, é muito diferente do Comando Vermelho (CV), do Rio. A facção paulista é organizada, inteligente e, desde que não lhe contrariem os interesses, discreta. Enxerga o crime como um empreendimento. A bandidagem carioca é desorganizada, violenta e bélica. (Josias de Souza) 

Obstáculos intransponíveis à reforma política.
Salvo algum inusitado, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira serão eleitos presidentes da Câmara e do Senado. Nada melhor para o presidente Michel Temer. Os três conduzirão a reforma política de comum acordo, começando pela extinção do princípio da reeleição para presidente da República, governador e prefeito. Nos estados e nos municípios, manterão a prerrogativa de disputar o segundo mandato no exercício do primeiro, aqueles que tiverem sido eleitos em 2014. Pairam dúvidas a respeito da duração de seus mandatos, hoje fixados em quatro anos. Poderão ser cinco para presidente da República, governador, prefeito e deputado, a partir de 2018, ainda que para senador não há certeza. Dez anos seria demais. Oito, como agora, determinaria a descoincidência com as demais eleições, e cinco seria impossível.
Eis o primeiro obstáculo ao fim da reeleição. Os 61 senadores votarão pelos dez anos, mas os 513 deputados, contra. Por conta do impasse, vem aparecendo partidários de deixar tudo como está, inclusive a reeleição.
Outro risco refere-se ao número de partidos. Hoje são 35, um absurdo, o ideal seriam quatro ou cinco, mas quais? Junto com os chamados partidos de aluguel existem os partidos históricos ou ideológicos. Como distingui-los? A cláusula de barreira ou de desempenho causará injustiças, além de se constituir num fator de desentendimento entre as legendas, internamente. O tempo das sublegendas não deixou saudades. Melhor então não mexer? Seria o caso de pelo menos acabar com o fundo partidário? Só que a corrupção se multiplicaria.
Em suma, até as reformas que de início parecem unanimidade esbarram em obstáculos intransponíveis. (Carlos Chagas) 
Sempre há uma razão para viver. Podemos nos elevar sobre nossa ignorância, podemos nos descobrir como criaturas de perfeição, inteligência e habilidade.

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