9 de jan de 2017

Cada vez mais civilizados.

 photo captura_zpsylldkfkd.jpg • Temer anuncia que vai ao funeral de Mário Soares, ex-presidente de Portugal. Previsão é que o presidente brasileiro embarque para Portugal no início da tarde de segunda-feira para a cerimônia que vai ocorrer na terça-feira. 
• Na América, Brasil é o país que menos poupa para a velhice. Só 4% da população economizam para a aposentadoria, indica Banco Mundial. Maioria não tem reserva para uma emergência. 
• Entrega do Imposto de Renda de 2017 começa em 2 de março. O programa gerador da declaração estará no site da Receita Federal a partir de 23 de fevereiro. 
•  Comércio adota desconto à vista, mas Receita teme alta na sonegação. Para consumidor, redução é pequena, mas pode valer a pena. 
• Mortos em Manaus eram jovens e foram presos por roubo. De 38 identificados, 23 estavam no sistema prisional por essa acusação; na semana das chacinas, governo foi incapaz de lidar com crises e público. 
• Problema nos presídios se tornou uma ameaça à segurança nacional. Combate à guerra de facções depende de atuação conjunta de Estados e esbarra na falta de recursos; Polícia encontra mais dois corpos na prisão em RR. Sobe para 33 o número total de mortos na chacina promovida pelo PCC. PCC de Roraima exigiu a saída de rivais de penitenciária do Estado. Escutas apontam 145 fugas e ainda mostram negociações de armas e celulares de dentro de prisão; Sete detentos feridos em cadeia de Manaus são hospitalizados. Secretaria diz que não houve motim e que presos ficaram machucados na rebelião de domingo; um juiz de Roraima mandou soltar 161 presos. Foi a maneira que ele encontrou para prevenir novas chacinas; para evitar mortes, juiz manda fechar presídio em Boa Vista; 160 presos do regime semiaberto ficarão em casa até dia 13 para evitar tragédia; após novo ataque do PCC, quatro Estados terão ajuda federal. Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Roraima solicitaram apoio do Ministério da Justiça. 
• O sangue dos cidadãos. O promotor César Dario Mariano da Silva, no Estadão, demoliu os argumentos dos farsantes que defendem a soltura dos presos: Tenho lido e ouvido especialistas discutindo sobre o ocorrido nos presídios em Manaus e Roraima. O problema seria a superpopulação carcerária e a solução a diminuição das prisões, provisórias e definitivas. Quem conhece um pouco de execução penal sabe que dificilmente há presos que lá não deveriam estar. São homicidas, latrocidas, traficantes, estupradores, dentre outros criminosos violentos. O problema não é a quantidade de presos, mas o número enorme de criminosos. Em seguida: Imaginemos apenas que não houvesse mais as prisões necessárias e inúmeros criminosos fossem colocados nas ruas apenas para esvaziar o sistema prisional, o que vêm defendendo alguns especialistas no assunto. Se já temos uma das maiores taxas mundial de crimes violentos, a situação iria se agravar sobremaneira de modo a ficar insuportável viver nas cidades mais populosas e violentas. E ele conclui: Não é a população que deve ser penalizada pela ausência de vagas no sistema penitenciário. A solução de soltar criminosos levará necessariamente ao aumento da criminalidade e o sangue a correr será agora de inocentes cidadãos cumpridores de seus deveres; O PCC e a FDN já sabem: as chacinas abrem as portas das cadeias. Uma degola equivale a um alvará se soltura. Quanto mais eles matarem, mais criminosos serão soltos.
• Temer discute crise penitenciária com Carmen Lúcia. Presidente foi à casa da ministra; 95 presos foram mortos em dois massacres. 
• Desplante: Marcelo Odebrecht pediu cargo na gestão Dilma a Palocci. 
• O pastor Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, foi esfaqueado durante um culto por volta das 8h deste domingo (8). O responsável pelo ataque, o ajudante geral Jonathan Gomes Higino de 20 anos, estava na fila para receber as bênçãos do apóstolo. Ao chegar perto dele, atacou-o com três golpes, atingindo pescoço e costas com uma faca de 35 centímetros. Um segurança da igreja socorreu Valdemiro, que foi levado para o hospital Sírio-Libanês. Lá, ele recebeu 25 pontos no pescoço e não corre mais risco de vida. 
• Seca e recessão derrubam economia do Nordeste. Após anos de avanço, PIB da região caiu, em média, 4,3% ao ano entre 2015 e 2016 - pior resultado no País. 
• Lava Jato já reúne 30 milhões de documentos. Banco de dados do escândalo Petrobrás armazena quebras de sigilos bancário, fiscal, telefônico e de e-mails. 
• Cunha sonha com liberdade a partir de fevereiro. Preso, ele tenta habeas corpus no Supremo Tribunal Federal. 
• O Valor diz que “circulam no Congresso tentativas para classificar o recebimento de valores em razão da função pública como caixa dois, e não corrupção - crime considerado muito mais grave”. Ao julgar os processos da Lava Jato, segundo a reportagem, o STF terá de definir os conceitos de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, estipulando parâmetros que se aplicarão em todo o país daí em diante. O STF vai definir que o crime não é um crime.
 photo lula_eike_zpsjiy0cjoq.jpg• Assim como Sérgio Cabral, Lula também usou os jatos de Eike Batista. Em 2013, a Veja publicou uma reportagem que até hoje ainda não foi esclarecida. A foto abaixo, tirada em 24 de janeiro, mostra o ex-presidente Lula logo depois de uma visita às obras do Porto de Açu, empreendimento de Eike Batista no litoral norte fluminense. Era o ato final de um encontro de negócios para lá de promissor. Reportagem publicada em VEJA desta semana detalha a operação desencadeada por Lula para ajudar o amigo empresário a desatolar os investimentos no Açu. O ex-presidente se comportou como lobista. Graças a ele, Eike conseguiu audiência com a presidente Dilma Rousseff, que prometeu ajudá-lo a encontrar parceiros para o porto. Ele ainda viu dois ministros se engajarem pessoalmente em sua causa (acionando, inclusive, a estrutura do Itamaraty). Guido Mantega, da Fazenda, e Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, trabalharam para convencer a Jurong Shipyard, uma das grandes companhias de construção naval do mundo, controlada pelo governo de Singapura, a transferir para o Porto do Açu o estaleiro de 500 milhões de reais que está construindo no Espírito Santo
• A Receita Federal está autuando os delatores e investigados da Lava-Jato. O Leão quer sua parte nos valores que este pessoal se comprometeu a devolver à Viúva. Só o escritório do advogado Leonardo Antonelli, no Rio, cuida de seis delatores e familiares de quem a Receita cobra R$ 430 milhões entre tributos, multa e juros. (Ancelmo Gois) 
• Acordos da Odebrecht devem criar 'filhos' da Lava Jato. Promotorias regionais negociarão leniências relativas a obras locais. 
• Sucessão no Congresso afetará ministérios de Temer. Movimentações em torno de possíveis nomes já são perceptíveis.
• Impostos diversos sobre bens e serviços são obstáculo ao aumento da produtividade e âncora da desigualdade socioeconômica. 
• Passagem ao exterior tem custo de até R$ 55 mil para os tribunais. Gastos incluem bilhete de classe executiva para ministro do TCU em 2015. Despesas com viagens obedeceram rigorosamente normas da época, dizem órgãos. 
• Deportados para o Brasil passam fim de ano na cadeia. Brasileiros relataram as más condições do centro de detenção em que ficaram.
• Chanceler do Panamá, Isabel de Saint Malo, diz que propinas da Odebrecht eram segredo de polichinelo. Ministra: todos no Panamá sabiam que a Odebrecht subornava. 
• Turquia revela novo suspeito de atentado em boate de Istambul. Homem do Uzbequistão faria parte do grupo extremista Estado Islâmico e teria sido o responsável pela morte de 39 pessoas no dia 1º de janeiro. 
• Assessora de Trump diz que eleições não foram influenciadas pela Rússia. 
• Coiotes cobram US$ 12 mil por viagem ilegal aos EUA. Com visto vencido, imigrantes esperam em Nassau pela hora de embarcar. 
• Criminalidade assusta bairro do papa em Buenos Aires. Em Flores, a taxa de homicídio é o dobro da média a capital da Argentina. 
• Caminhão de explosivos é lançado contra posto policial e mata oito no Egito. Ataque ocorreu no norte do Sinai e deixou pelo menos 10 feridos; caminhão-tanque estava desaparecido e já estava sendo procurado pela polícia egípcia. 
• Ataques terroristas atormentam a Turquia, mas isso não significa que a comunidade internacional deva aplaudir qualquer resposta. 
• Venezuela aumenta salário mínimo em 50% para combater inflação. Maduro ressaltou, em seu primeiro discurso de 2017, que esse é o quinto aumento concedido pelo governo em um ano; aposentados estão incluídos. 
• Justiça americana bloqueia movimentação financeira de Mansur. O juiz deu poderes para que síndico da massa falida investigue o ex-dono do Mappin. 
• Russos reagem a relatório de agências de inteligência sobre ataques hackers. 

Falta privatizar as Forças Armadas.
Fica difícil informar quando começou a privatização das penitenciárias. Possivelmente no governo Fernando Henrique Cardoso, ainda que tudo viesse cercado de sigilo e só se concretizasse nas mãos de Aécio Neves em Minas. A iniciativa não contava com a simpatia da opinião pública, sempre cheirou a perigo, para não falar de corrupção. Assim o sociólogo recomendou silêncio, seguido pelo Lula e Dilma. Agora, a bomba estourou nas mãos de Temer, ainda que contra a sua vontade.
Isso porque a operação cheira mal desde o início. Grupos econômicos empenhados em faturar o máximo e oferecer o mínimo têm lucrado centenas de milhões. Por certo que separando vultosos percentuais nos períodos eleitorais, financiando mais de um candidato a governador nos Estados de onde tiram quantias milionárias. Até os meios de comunicação omitiram a lambança, só agora forçados pela natureza das coisas a expor as operações celeradas.
Trata-se de uma das maiores distorções do capitalismo. Ganhar dinheiro com a desgraça alheia, no caso das prisões, só perde para a prática de certos laboratórios farmacêuticos que carregam no preço dos remédios. Mesmo assim, os resultados se equivalem. A privatização das cadeias determinou o crescimento das quadrilhas envolvidas com o tráfico de drogas, além da transformação dos presos em animais. Também os remédios em alta permanente de preços terão levado muitos cidadãos à morte prematura por impossibilidade de adquiri-los.
Nos Estados Unidos, essa moda está em extinção, ainda mais porque o criminoso rico transforma sua cela em hotel de luxo, mediante pagamento extra às empresas encarregadas de administrar o conjunto. Aliás, aqui também, porque os chefes dos diversos grupos que vivem do tráfico oferecem churrascos, feijoadas e bailes de arromba a seus protegidos, em alas privilegiadas das prisões.
Cancelar tudo
- Seria o caso de o poder público cancelar todas as privatizações e terceirizações, ainda que depois dos recentes massacres seus dirigentes tenham começado a reagir, alegando que os governos não têm recursos para sustentar as prisões estatais. Só que é mentira, pois os Estados destinam horrores para a privataria tornar-se a verdadeira controladora das penitenciárias.
Em suma, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Caberia ao Congresso antecipar-se ao jamais concretizado Plano Nacional de Segurança. Proibir o ingresso da iniciativa privada na gestão dos estabelecimentos penais e ainda investigar o roubo nos contratos celebrados no país inteiro, para as devidas punições e o ressarcimento.
Como estamos no Brasil, ninguém se espante caso o governo Michel Temer dê início à privatização das Forças Armadas. Que tal o PCC financiar o Exército, o CV, a Marinha, e a Família, a Aeronáutica? (Carlos Chagas) 

"Estados não conseguirão culpar Temer por muito tempo".
É possível que o governo federal escape sem muitas sequelas das chacinas em Manaus e Roraima.
Temer demorou para reagir à chacina de Manaus e, quando o fez, foi um desastre, segundo o cientista político Jairo Pimentel, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Mas, apesar de tudo, é possível que Temer saia desses episódios sem muitos arranhões.
O motivo, segundo Pimentel, é que a população tende a responsabilizar os governos estaduais pela segurança pública, e a não enxergar muito o vínculo do assunto com o governo federal, responsável pelo repasse de recursos, coordenação de políticas públicas e controle de fronteiras.
Com tudo isso, o povo tende a esquecer ou a desconsiderar o papel de Temer e sua equipe no caso. Veja os principais trechos da conversa com O Antagonista:
O Antagonista: Quanto as chacinas nos presídios do Amazonas e de Roraima podem afetar politicamente Temer?
Jairo Pimentel: O governo federal demorou para responder à situação e, quando o fez, foi de modo desastroso. É o caso, sobretudo, do plano de segurança apresentado pelo Ministério da Justiça. É uma resposta paliativa, que mostra pouco interesse do governo federal para tratar disso de modo mais firme. Além disso, a relação com os Estados não tem sido muito diplomática e pode gerar rusgas políticas.
O Antagonista: O governo diz que as chacinas são um problema de gestão de presídios e, portanto, a culpa é dos Estados. É um modo de se eximir de responsabilidade?
Pimentel: A questão vai muito além da segurança interna dos presídios. É fundamental que o governo federal intervenha, porque há fatores exógenos: a guerra de facções pelo controle de territórios e rotas de drogas.
O Antagonista: Quem será mais cobrado pela população por esses episódios?
Pimentel: As pessoas tendem a cobrar mais dos governadores, porque sabem que a segurança pública é uma responsabilidade dos Estados. O governo federal tem um papel mais de fornecer inteligência, controlar fronteiras...
O Antagonista: Mas os Estados rebatem, dizendo que o governo federal não envia os recursos de que precisam. No fim, tudo isso não volta para Temer?
Pimentel: Essas informações levam tempo para se disseminar pela população. Sem um fluxo grande de notícias mostrando a responsabilidade do governo federal nesses casos, o povo tenderá a se esquecer rapidamente disso. O argumento dos Estados de que Temer não liberou recursos não vai colar por muito tempo. (Márcio Juliboni) 

Estou convencido de que fazer planos precisos para o futuro nos adoece.
Eu sei que essa época do ano é o momento dos grandes planos de mudança na vida: emagrecer, parar de fumar, parar de comer carne vermelha em nome do amor aos animais ou aos vegetais, nunca mais amar ou se apaixonar pela primeira vez, ou quem sabe experimentar sexo com seu golden retriever numa noite de vodca e doces, comprar um carro ou vender todos os carros em nome do modo Uber de viver, falar menos no celular e ser, ao mesmo tempo, mais conectado com o mundo, se mudar pra uma praia na Bahia (mas que tenha wi-fi!), enfim, um monte de projetos que falam mais de nossos limites do que de nossos horizontes.
Compreendo que ritos como esses nos fazem algo de bem.
Sentimos que escapamos um pouco do esmagamento cotidiano de uma vida traçada pelas obrigações que esvaziam nossas esperanças de liberdade.
Mas não quero falar do óbvio fracasso desses projetos. Aliás, projetos pautados por paixões tristes como ódio e inveja costumam ser mais duradouros do que aqueles pautados por paixões alegres como amor e generosidade. Somos mais facilmente fiéis a quem odiamos do que a quem amamos.
Quero pensar com você nesse início de ano numa nova forma de ciência, aquela ainda sem nome, mas que tem por objetivo fazer de nós humanos máquinas de projetos de vida. Estou cada vez mais convencido de que fazer planos muito precisos para o futuro nos adoece.
Talvez em alguns anos a medicina descubra que pessoas que fazem muitos planos para o futuro morrem de câncer no cérebro.
Sei, sei. Minha ideia parece um absurdo porque cada vez mais se prega que você deve inclusive ter muito claro pra você quanto você quer ganhar nos próximos 20 anos.
Ou onde você pretende passar as férias de fim de ano de 2027. Ou calcular o quanto de bem-estar você sentirá se comer dez ou mil calorias por semana.
A assertividade para com um futuro controlado aparece no sorriso idiota dos comerciais de bancos, assim como na fé abestalhada dos evangélicos que creem de fato que Jesus seja um excelente consultor de sucesso profissional.
Também sei que inteligentinhos de todos os tipos acham que isso tudo é culpa do capitalismo.
Meu Deus, como é bom ter alguém pra pôr a culpa de nossas desgraças, não? Trabalhamos muito porque Trump ganhou a eleição e ele é malvado e cruel!
Não, lamento dizer que não. Você estabelece metas -quantos orgasmos até os 40 anos, quantas idas ao Vietnã, quantas aulas de meditação, quantos vira-latas trará pra casa por uma semana- porque você quer realizar coisas. É quase normal, se alguns dos exemplos não soassem um tanto excessivos.
Mas o projeto do futuro pessoal como ciência vai além disso. Significa tornar seu futuro um objeto do Excel. Seu eu e o Excel como íntimos.
Racionalizar quantos minutos você pretende, infelizmente, gastar sendo infeliz nos próximos 20 anos. E montar uma estratégia para reduzir esses danos. Uma certa tensão da vontade em tornar tudo a sua volta passível de otimização a serviço do sucesso e da autorrealização.
Os idiotas do sucesso não entendem que, quanto mais sucesso temos, menos humanos nos tornamos. O fato é que eliminar o humano é nosso projeto.
Talvez seja uma boa ideia mesmo: somos por demais afeitos à melancolia e à incompetência.
É por isso que teremos que vender desesperadamente esperança no amor à humanidade, uma das maiores picaretagens já inventadas pela filosofia.
À medida em que se apaga em nós qualquer reverência pelo fracasso, perdemos qualquer capacidade de entender que projetar o futuro como forma de ciência comportamental e cognitiva é um modo de estupidez a serviço do empobrecimento do mundo. A vida se torna uma planilha cognitiva.
Encanta-me como o enriquecimento acabou por empobrecer a todos.
Isso, os marxistas nunca conseguiram entender, porque no fundo sempre foram escravos da concepção moderna de vida.
Os marxistas também tem suas planilhas de sucesso.
Faço votos que nesse ano você faça menos projetos para o futuro. Sei que a frase é absurda. Aspiramos todos a ser idiotas do sucesso. (Luiz Felipe Pondé) 
Nada hipnotiza e inebria mais do que o dinheiro: quando ele é muito, o mundo parece melhor do que é. (Anton Tchekhov)

Nenhum comentário: