12 de jan de 2017

Assaltos no Rio e no país.

 photo sistema prisional_zpshpmradvb.jpg Reformistas e revolucionários.
Organizam-se os tucanos já comprometidos com a candidatura de Geraldo Alckmin para 2018. Não de trata de ser cedo demais, porque não é. O governador paulista não desistiu de pleitear sua indicação dentro do PSDB, mas, por via das dúvidas, cuida de buscar alternativas, tendo em vista que Aécio Neves continuará na presidência do partido. Com a legenda sob seu comando, o senador mineiro quer garantir seu lançamento através do rótulo de reformista, representante da social-democracia.
Sendo assim, o governador tem como opção inscrever-se no Partido Socialista, mesmo agredindo a verdade e a semântica. Precisará fazer alguma ginástica para essa mudança, pois sua ideologia passa longe. Jamais será um revolucionário, até orgulha-se de ser chamado conservador. Nada de ligar-se a teses que contrariam seu passado. Reformista, com muito boa vontade, apesar de inclinado a não abrir mão dos postulados e dos interesses empresariais.
Com Aécio Neves empenhado em vestir o uniforme da social-democracia, sobra a terceira ponta da equação triangular: José Serra. Não que ele pretenda voltar aos tempos em que presidia a União Nacional dos Estudantes, porque estará perseguindo o que foi e não é mais: reformista. Tem raízes hoje fincadas no mesmo solo que Geraldo Alckmin, e também Aécio Neves. Os três são vinhos da mesma pipa ideológica, procurado disfarçá-la. Mas só há lugar para um. Perde seu tempo quem quiser separá-los artificialmente. Suas ideias se equivalem, restando saber quem terá mais simpatia e, não adianta negar, mais dinheiro também.
Vale prestar atenção no espectro que se delineia: três conservadores travestidos de reformistas. E o outro lado? Um pouco mais voltado para apresentar-se como representante do trabalho, mais do que do capital, mas nem tanto, emerge o mesmo de sempre, ou seja, o Lula. Sua condição de operário e fundador do PT, hoje meio esfrangalhado, o torneiro-mecânico precisará fixar-se no galho que um dia o levou ao Palácio do Planalto: de reformista. Só que com mais definições, por conta dos adversários. Tanto faz se pretender-se revolucionário, apesar de ser difícil acreditar que seja. Marina Silva e Ciro Gomes podem ser tidos como candidatos à procura de uma ideologia.
No extremo oposto, a direita oscila entre Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado. Em suma, ninguém parece ser o que realmente é. (Carlos Chagas) 

Cria cuervos.
Quando as imagens do massacre de Manaus me caíram diante dos olhos, lembrei-me do ditado espanhol - Cria cuervos y te sacarán los ojos. Naquelas cenas reiteravam o quanto é pueril supor que há perversidades inacessíveis ao homem. Não há. Feras não podem se humanizar, mas o contrário não é verdadeiro. E quando acontece, a ferocidade se potencializa pela aplicação da inteligência ao mal.
Muitas vezes, algo que parece nascido da boa intenção, tornando quase impossível ser percebido de modo diverso, acaba prestando extraordinário serviço ao mal e a seus objetivos. Pondere o que aconteceu com a sociedade brasileira, em avassaladora proporção, nas últimas décadas. Para tal fim, seja seu próprio instituto de pesquisa. Examine suas experiências de vida e as informações que lhe chegam de variadas fontes e modos. Tenho certeza de que acabará concluindo que a nação passou da quota na quantidade de maus cidadãos, de patifes, mentirosos, velhacos, corruptos, traiçoeiros e dirigentes de igual perfil, cujas decisões põem a ética e o bem de cabeça para baixo.
O que se constata nessa observação ligeira, mas suficiente, não é causa de si mesma em circuito fechado, mas consequência de uma atitude pedagógica aparentemente generosa, que concede liberdade sem responsabilidade, direitos sem deveres, prêmios sem méritos, amor sem exigências, educação sem restrição. E tolera a falta sem punição e o crime sem pena.
Temos recebido doses maciças disso nas famílias, nas salas de aula, nas relações sociais, no trabalho e na política. Então, prezado leitor destas poucas linhas, se lhe ocorre, ao lê-las, a ideia de que os cuervos a que me refiro estão enjaulados nas penitenciárias do Brasil, crocitando e executando sentenças de morte, ali mesmo ou nas nossas ruas e estradas, você se enganou. É ao seu criatório que me refiro. Ele está por toda parte, está aí na volta, combatendo a polícia, rindo da lei, declarando a morte da instituição familiar, chamando bandido de herói e herói de bandido, fazendo novelas de TV, ridicularizando a virtude, aplaudindo o vício, enxotando a religião, desautorizando quem educa ou usando a Educação para fazer política e relativizando a vida (aconteceu o que, em Manaus e Roraima, que não ocorra diariamente, com tesouras e pinças, em salas de aborto?).
Há cuervos que não se apresentam como tal.
Não estou afirmando que as pautas da violência se esgotem nestas que menciono. Estou dizendo, isto sim, que o crime e a violência avançam, inclusive, por motivação política e ideológica. E estou reafirmando, mais uma vez, que consciências ou se formam ou se deformam. Há no Brasil um evidente empenho em criar seres humanos com consciência de corvos. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor)

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