22 de dez de 2016

Quem apagou a luz do fim do tunel.

 photo guaruja_zpsfgarhgrl.jpg • Reajuste de 6,58% faz aumento de IPTU menor em 2017 no Rio. 
• União vai autorizar saques nas contas inativas do FGTS. 
• Por falta de tornozeleira, na prisão, Viúva da Mega-Sena tem mudança no visual e come carne de hambúrguer. 
• Com novo bloqueio, governo do Rio não vai pagar salários de novembro; União bloqueia R$ 128 milhões do Rio e afeta pagamento de salários de servidores. No início da semana, o governo federal já havia bloqueado R$ 170 milhões do estado; bloqueio deve atrasar pagamento de salários atrasados de servidores.
• Odebrecht pagou US$ 1 bi em propina em 12 países. Valores são relativos a mais de 100 projetos; empreiteira obteve R$ 12 bi em benefícios com contratos em troca dos pagamentos realizados entre 2001 e 2016. 
• Temer libera FGTS e muda lei trabalhista. Medida provisória abre caminho para jornadas de trabalho maiores e negociar benefícios previstos em lei; saques de até R$ 1.000 do FGTS serão permitidos. 
• O prefeito eleito do Rio anunciou seu secretariado, a poucos dias antes de assumir a prefeitura carioca. Ente os escolhidos estão César Benjamin, na Pasta da Educação, Paulo Cesar Amêndola na Ordem Pública, Rubens Teixeira na Secretaria de Conservação e Meio Ambiente, Ailton Cardoso da Silva na Casa Civil, Luiz Carlos Ramos nas Relações Institucionais, Nelcimar Nogueira na Cultura, Maria Eduarda Gouvêa Berto na Fazenda, Índio da Costa na Secretaria de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, Carlos Eduardo na Saúde, Fernando MacDowel, no Transporte, Teresa Bergher na Assistência Social, Clarissa Garotinho vai comandar a Secretaria de Desenvolvimento, Emprego e Inovação. A secretaria de Turismo, foi substituída por conselho e no comando, estará Ricardo Amaral, Roberto Medina José Bonifácio, o Boni, e Paulo Manoel Protasio. 
• De costas para o futuro: Câmara aprova renegociação de dívida dos Estados sem exigir medidas que levem ao equilíbrio das contas. 
• Crise vai até 2019, preveem donos de pequenas empresas. Maioria acredita que 2017 será melhor, mas problemas persistirão.
• Lúcio Funaro surpreendeu Yunes levando R$1 milhão ao seu escritório. 
• Michel Temer tenta se segurar no Palácio do Planalto prometendo uma reforma previdenciária. Mas o pacote aprovado ontem por seus deputados, que recompensa os Estados caloteiros, mostra que ele nunca vai conseguir os votos necessários para tapar o rombo das aposentadorias. Disse Vinicius Torres Freire, na Folha de S. Paulo: Foi para o lixo o projeto do governo Michel Temer de dar um destino à crise dos Estados. A Câmara jogou fora o plano negociado de redução de deficit em troca de ajuda federal. Por 296 votos a 12. Sobrou apenas um alongamento das dívidas, também quase sem contrapartida, outra derrota federal. Imagina na reforma da Previdência Social
• Meirelles dá 30 dias para redução nos juros do cartão. 
• Cinco vezes réu, Lula continua mudo, mas faz seu instituto atacar Lava Jato. Ex-presidente usa o seu Instituto Lula como ventríloquo. 
• TSE no ritmo de Temer. Herman Benjamin disse que apresentaria seu voto sobre os crimes eleitorais da chapa Dilma-Temer em fevereiro. Agora mudou a data para junho. Gilmar Mendes disse que pautaria o julgamento no primeiro semestre. Agora passou para o segundo semestre. Não, Michel Temer não terá seu mandato cassado pelo TSE. 
• Gilmar vai processar juristas do impeachment. Para ele, fracassados ligados ao PT pedem o seu impeachment. 
• OAB critica lei que dá presente bilionário às teles. A OAB não descarta ingressar com uma ação própria no Judiciário. 
• Os cerca de 400 servidores do RioPrevidência entram em greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (22/12). O objetivo é pressionar o governo do estado a pagar imediatamente o salário atrasado de novembro e o décimo-terceiro. A greve no RioPrevidência foi aprovada em assembleia dos servidores da autarquia realizada na última segunda-feira (19/12). A greve que começa nesta quinta-feira será a segunda realizada este ano pelos servidores do RioPrevidência. Em junho, também devido aos constantes atrasos de salários, os servidores do RioPrevidência fizeram forte greve. 
• Os procuradores dos Estados Unidos classificaram os 3,3 bilhões de reais em propinas da Odebrecht e da Braskem como o maior caso de suborno internacional da História. Mas falta incluir nessa conta a propina paga por OAS, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Engevix e tantas outras. O maior caso de suborno da História é quatro vezes maior. 
• Acordo que obriga Odebrecht e Braskem a pagar US$ 800 mi nos EUA e Suíça. Negociação de acordo de R$ 2,6 bilhões busca encerrar investigações que as duas empresas enfrentam nos dois países por denúncias de corrupção.
• Avião cargueiro cai na Colômbia e deixa cinco mortos e um ferido. 
• Alemanha caça principal suspeito de ataque. Polícia identifica tunisiano de 24 anos que teve pedido de asilo negado e já havia sido monitorado pelas autoridades por planejar um assalto para comprar armas. 
• O ataque de policial turco contra embaixador da Rússia não altera o jogo político na região. 
• EUA revelam dados e colocam em xeque o sigilo brasileiro. Americanos adotam transparência e informações claras ao divulgar acordo. 
• Evo Morales tenta brecha para concorrer a 4º mandato. No poder desde 2005, presidente cogita renúncia para buscar candidatura. 
• México busca causas de explosão em feira de fogos. Tragédia matou 36 pessoas, deixou mais de 70 feridos e destruiu local. 
• Governo da Itália resgatará o terceiro maior banco do país. Socorro bilionário ajudará Monte dei Paschi di Siena, o mais antigo do mundo. 
• Índia multa companhias aéreas por jogar fezes de aviões durante voos. Decisão foi tomada depois que um aposentado recorreu à justiça por causa da sujeira na varanda de casa na capital Nova Déli, próxima ao aeroporto. 

2017 será diferente, mas 2018?
Talvez o ano não termine antes do vazamento de mais algumas trapalhadas, com a indicação de seus autores, pinçados das delações premiadas de 77 diretores e ex-diretores da Odebrecht. Não há sala blindada e trancada no Supremo Tribunal Federal que consiga guardar todos os segredos das acusações.
Conhecidos agora ou em janeiro mais alguns personagens da roubalheira, a conclusão é de que perto de 200 parlamentares andam sem dormir ou dormindo mal, neste fim de ano. Nem todos que são objeto das delações premiadas perderão o pescoço, mas o percentual incomoda. O dinheiro podre da empreiteira movimentou o bolso de muita gente cuja menos contundente das punições será devolver o dinheiro roubado. Pior acontecerá com os que tiverem seu futuro interrompido, proibidos de candidatar-se em 2018. Uns que pretendiam subir de patamar, candidatando-se a governador e até a presidente da República, outros à reeleição.
De um total de 513 deputados e 81 senadores, quantos serão processados e perderão seus direitos políticos? Mais importante, quantos serão rejeitados pelo eleitorado, mesmo conseguindo escapar da guilhotina?
Prenuncia-se uma renovação forçada de parte do atual Congresso, sem a garantia de que os eleitos cederão à tentação de enveredar pelo mesmo caminho do atingidos. A ninguém será dado concluir que o país vai mudar completamente, que a longa temporada de corrupção estará encerrada. O ano em vias de começar não se livrará de malfeitos peculiares ao tempo que passou. Mesmo assim, passos fundamentais terão sido dados, em matéria de mudanças. 2017 será diferente de 2016. Mas 2018? (Carlos Chagas) 

Senadores querem que Temer rejeite a implementação de socorro aos Estados.
Um grupo suprapartidário de senadores prepara movimento de resistência à implementação do socorro federal a Estados falidos com base na lei aprovada pela Câmara há dois dias. Faltou responsabilidade à Câmara, disse o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES). É uma desfaçatez permitir a moratória da dívida de Estados quebrados sem a imposição de contrapartidas. O governo não pode colocar em prática uma imoralidade como essa.
Os senadores devem redigir um documento para entregar a Michel Temer e ao ministro Henrique Meirelles (Fazenda). Farão uma defesa do rigor fiscal. Ferraço estima que devem subscrever a peça colegas como Tasso Jereissati (PSDB-CE), Cristovam Buarque (PPS-DF), Armando Monteiro (PTB-PE) e José Anibal (PSDB-SP). Todos ajudaram a aprovar a primeira versão do projeto, que condicionava o socorro a providências como privatizações, congelamento de salários de servidores estaduais e proibição de novas contratações.
Ao votar a proposta enviada pelo Senado, os deputados mantiveram o programa de recuperação dos Estados quebrados. Mas derrubaram todo o rol de exigências incluídas no texto pelos senadores, em articulação com a pasta da Fazenda. Tucano como Ferraço, o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) defende o comportamento da Câmara:
O que os deputados fizeram foi apenas dar uma autorização legal ao governo federal para fazer uma negociação com os Estados que estão com a corda no pescoço: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Os deputados não quiseram servir de bucha de canhão para a irresponsabilidade alheia. Devolveram a bola para os governadores. Cabe a eles, não ao Congresso, apresentar um programa de recuperação fiscal consistente. O Ministério da Fazenda pode aceitar ou não. Em 1997, na renegociação feita durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, foi exatamente assim. A lei era genérica. Previa um contrato sobre a dívida e um anexo com os termos do ajuste que os governadores se comprometiam a realizar. Foram ajustes draconianos. Eu era secretário de Planejamento de Minas. Depois de seus meses de negociação, passei 18 horas no Tesouro Nacional negociando frase por frase.
Ricardo Ferraço discorda do companheiro de ninho. Acho que meu amigo Marcus Pestana está errado, porque vivemos hoje uma situação fiscal diferente da que havia em 1997. Hoje, estamos muito próximos de um colapso. E nós, parlamentares, ao abrir mão de fixar as condicionantes, transferimos uma responsabilidade que é intransferível. Abrimos mão de defender o interesse do ente federado chamado União, atrás do qual se abriga o contribuinte brasileiro.
Para Ferraço, os deputados não deveriam, sob nenhuma hipótese, ter abdicado de suas responsabilidades. Ele acrescentou: Empurrar para os Estados a incumbência é colocar lixo sob o tapete. Não é hora disso. O Brasil precisa enfrentar suas verdades. O inverno chegou.
Pestana realça que o texto aprovado na Câmara não desobriga Estados de 'fazer o dever de casa'. Não tem como fazer omelete sem quebrar os ovos. Tudo tem um custo. Alguém vai pagar essa conta. E não precisa ser o Tesouro Nacional. Os Estados terão de apresentar ajustes efetivos. A única coisa que os deputados fizeram foi transferir essa responsabilidade aos governadores.
E Ferraço: Tudo bem, então os governadores que aprovem tudo nas suas Assembleias Legislativas e, depois de sancionado e publicado, venham conversar com a União. Veja o que acontece no Rio: o governador envia as propostas de ajuste a os deputados estaduais devolvem. Tínhamos aprovado um bom projeto no Senado. Mas a Câmara desfigurou. Os deputados brincam de pique à beira do precipício.
Os termos do documento que os senadores planejam entregar a Temer e Meirelles serão definidos nos primeiros dias de janeiro, disse Ferraço. Hoje, às vésperas do Natal, está todo mundo meio disperso. O senador tucano estranhou a reação de Michel Temer ao texto aprovado na Câmara. O presidente disse que seu governo não foi derrotado. E sinalizou que não deve vetar o texto modificado pelos deputados.
O sinal que a Câmara emitiu para a sociedade, por ampla maioria de votos, foi o de que não vale a pena fazer as coisas corretamente. O sentido pedagógico e cultural do que foi feito é uma desfaçatez. Estados que estão equilibrados assistem à tentativa de premiar a irresponsabilidade. É como se o rabo estivesse balançando o cachorro. O presidente Temer não deveria tratar esse tipo de coisa com naturalidade. Precisa discordar. Pague o preço que pagar. O governo conversa muito com o Congresso, o que é bom. Mas Temer fala pouco com a rua. (Josias de Souza) 

A Igreja e a mensagem de Cristo...
Um dos maiores entraves à adequada qualidade de vida do homem, são os atravessadores: esses indivíduos que se colocam entre as pessoas e os bens e relações que estão ao nosso dispor, como seus senhores e distribuidores exclusivos...
Infelizmente, em nossa relação com Deus, costuma ser também frequente e recorrente, o papel desses atravessadores espirituais, geralmente representados pelas instituições religiosas que os acobertam e que se colocam como senhores privilegiados de nossas relações com Deus...
O Papa Francisco acaba de dar mais um golpe nesse tipo de disfunção, representada pelo que se convencionou chamar de clericalismo, isto é, a doutrina e maneira como organiza-se em boa medida a Igreja Católica, segundo a qual os membros da hierarquia (cardeais, bispos, padres e uma elite de leigos (em geral ricos), se colocam como o centro da vida do catolicismo
Como destaca o teólogo José Maria Castillo ...Jesus não fundou o clero. Nem fundou sacerdócio algum. Isso não consta em nenhuma parte, em todo o Novo Testamento. E muito menos, lhe ocorreu instituir um corpo ou companhia de homens santos, uma espécie de funcionários da santidade, que vivem disso, e assim saem do anonimato dos homens comuns para se tornarem uma classe superior. Jesus não pensou em nada disso....
O Papa Francisco, felizmente, está procurando trazer a Igreja ao seu papel primeiro de fiel seguidora das doutrinas e dos exemplos de Cristo, apesar da violenta resistência da Cúria Romana e de boa parte dos atuais mandatários da Igreja Católica que, segundo ele, vivem uma vida dupla luxuosa e rica e, às vezes, moralmente duvidosa, insistindo em apontar o dedo para os pecados dos outros...
Esse esforço do Papa Francisco já teve, aqui no Brasil, a sua primeira quebra do paradigma que vinha sendo adotado pela Igreja, há anos: o Papa, de algum modo, elogiou a experiência das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), combatidas duramente pelo Vaticano nos últimos 30 anos e particularmente pela hierarquia conservadora brasileira: ...Há um fenômeno muito interessante que se produziu na nossa América Latina e que desejo citar aqui: acredito que seja um dos poucos espaços em que o Povo de Deus foi libertado de uma influência do clericalismo: refiro-me à pastoral popular...
Vamos torcer para que Deus ilumine a Igreja e seus mandatários, de modo que ela volte a cumprir realmente o seu papel de catalisadora e orientadora das relações com Deus, sob o norte da doutrina e do exemplo de Cristo. (Márcio Dayrell Batitucci) 
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 photo Papa Francisco_zpsb8ht81az.jpgPapa compara muitos padres e bispos a Judas por sua vida dupla.  
O Papa Francisco voltou a investir hoje (6) contra o clericalismo e acusou muitos padres e bispos de terem vida dupla, comparando-os a Judas, o discípulo que traiu Jesus.
A mais perfeita ovelha perdida no Evangelho é Judas: um homem que sempre, sempre tinha algo de amargo no coração, algo a criticar nos outros, sempre separado. Não sabia da doçura da gratuidade de viver com todos os outros. E sempre, esta ovelha não estava satisfeita - Judas não era um homem satisfeito! - fugia. Fugia porque era ladrão, ia para aquele outro lado, ele. Outros são luxuriosos, outros… Mas sempre escapam porque têm aquela escuridão no coração que o separa do rebanho. E aquela vida dupla, aquela vida dupla de tantos cristãos, e também, com dor, podemos dizer, sacerdotes, bispos…
Foi durante sua homilia na missa matinal desta terça na capela Santa Marta, no Vaticano, sobre o Evangelho do dia (Mt 8,12-24), a respeito da ovelha perdida: Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos. (Se quiser, leia a cobertura da Rádio Vaticano ou do site católico Religion Digital)
A vida dupla a que se referiu o Papa pode ser uma menção ao apego de segmentos do clero ao dinheiro e a um padrão de vida luxuoso e rico, às cruzadas morais que insistem em apontar o dedo para os pecados das pessoas para encobrir suas escolhas pessoais -atitude clássica dos moralizadores.
Clericalismo é a doutrina e maneira como organiza-se em boa medida a Igreja Católica, segundo a qual os membros da hierarquia (cardeais, bispos, padres e uma elite de leigos, em geral ricos) como o centro da vida do catolicismo. É a doutrina que informa o pensamento conservador na Igreja. Na base da Igreja vive-se esta distorção apontada pelo Papa como uma relação de reverência e temor dos fiéis pelo padre (relação que se reproduz hierarquia acima), que passa a ser o proprietário da paróquia.
Francisco tem repetidamente atacado este desvio recorrente do cristianismo e apontado-o como um dos principais entraves à vida da Igreja. Acaba de vir a luz a íntegra de uma conversa informal que o Papa manteve em 24 de outubro com centenas de jesuítas reunidos em Roma para sua Congregação Geral (encontro mundial periódico). Na conversa, ele foi enfático, dizendo que o clericalismo é uma das maiores chagas da Igreja e que separa-a da pobreza. Disse Francisco: O clericalismo é rico. E não só é rico em dinheiro, mas em soberba. (…) O clericalismo é uma das formas de riqueza mais graves que se sofre hoje em dia na Igreja. (Você pode ler a cobertura do encontro em espanhol aqui ou ler a íntegra da conversa em italiano aqui, publicada pela revista La Civiltà Cattolica, editada pelos jesuítas desde 1850).
Em março passado, o Papa foi duro com a Igreja na América Latina, numa carta ao cardeal Marc Ouellet, Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina (íntegra aqui). Nela, afirmou que o clericalismo é uma das maiores deformações que a América Latina deve enfrentar. E acrescentou: O clericalismo, longe de dar impulso aos diversos contributos e propostas, apaga pouco a pouco o fogo profético do qual a inteira Igreja está chamada a dar testemunho no coração dos seus povos. O clericalismo esquece que a visibilidade e a sacramentalidade da Igreja pertencem a todo o povo de Deus (cf. Lumen gentium, 9-14) e não só a poucos eleitos e iluminados. Francisco apontou indiretamente a experiência das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), combatidas duramente pelo Vaticano nos últimos 30 anos e particularmente pela hierarquia conservadora brasileira, como alternativa ao clericalismo: Há um fenómeno muito interessante que se produziu na nossa América Latina e que desejo citar aqui: acredito que seja um dos poucos espaços em que o Povo de Deus foi libertado de uma influência do clericalismo: refiro-me à pastoral popular.
O respeitado teólogo espanhol José Maria Castillo escreveu artigo sobre o assunto sob o título A decomposição do cristianismo com uma contundente crítica ao clericalismo (a íntegra, em português, aqui). Três breves trechos:
Jesus não fundou o clero. Nem fundou sacerdócio algum. Isso não consta em nenhuma parte, em todo o Novo Testamento. E muito menos, para Jesus, nem lhe ocorreu instituir um corpo ou companhia de homens santos, uma espécie de funcionários da santidade, que vivem disso, e assim saem do anonimato dos homens comuns para se tornarem uma classe superior. Jesus não pensou em nada disso./ (…) E assim, paulatinamente e insensivelmente, o discipulado evangélico converteu-se em carreira, em dignidade, em poder sagrado, em classe e hierarquia, em clero, com o consequente perigo de ir derivando até chegar no clericalismo.
(…) o deslocamento do discipulado evangélico para o clero eclesiástico foi - e continua sendo - a causa raiz da decomposição do projeto original de Jesus. O Evangelho perdeu às custas do poder que foi alcançado e continua a ser exercido pelo Clero e, o que é pior, pelo clericalismo. (Mauro Lopes) 
Quanto menos abrires o coração aos outros, mais o farás sofrer. (Deepak Chopra)

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