16 de dez de 2016

Natal com frango roubado.

• Temer e equipe econômica anunciam medidas para recuperar economia. Juros do cartão, crédito imobiliário e uso do FGTS para as dívidas.
• Na madrugada, em sessão tumultuada, CLDF aprova orçamento para 2017 com rombo de R$ 139 bilhões. 
• Corpo de dom Paulo Evaristo Arns será sepultado nesta sexta. 
• Na Operação Custo Brasil, Rodrigo Janot analisa suspeição de Toffoli nas investigações de inquérito. O Ministério Público Federal quer impedir Dias Toffoli de julgar Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo e vê relação de ministro do Supremo com Carlos Gabas, alvo da investigação.
• O mais antigo jornalista político do país Luiz Antônio Villas-Bôas Corrêa morreu, na noite de hoje, aos 93 anos, no Rio. 
• Operação Timóteo: Operação da PF desmantela esquema de corrupção em órgão federal. Pastor Silas Malafaia é conduzido coercitivamente para depor acusado de emprestar a instituição dele para ajudar a ocultar dinheiro. 
• Sérgio Cabral e mais 6 são denunciados na Lava Jato. Suspeito de receber propina, ex-governador do RJ está preso em Curitiba. 
• Juiz inspirou a ação de Bolsonaro que o ministro Fux acatou. Bolsonaro e Cubas: ameaça de punição a juízes motivou liminar. 
• Lava Jato: Lula permitiu propina de bilhões para PT, PP e PMDB, diz MPF. MPF afirma que Lula comandou estrondoso esquema criminoso, chegaram a R$ 75 milhões em contratos com a Petrobras. 
• Juízes sugerem a Mendes que renuncie e vire comentarista. Nas últimas semanas, o ministro desfechou duros ataques inclusive sobre colegas seus no Supremo. 
Viúva da Mega-Sena, Adriana de Almeida, é condenada a 20 anos de prisão pela morte do marido. 

• Petrobras assina contrato de US$ 5 bilhões com banco da China. Financiamento terá prazo de 10 anos. 
• Em meio à crise, pais entregam filhos para adoção na Venezuela. 
• Maduro prorroga por 72 horas a fronteira com Brasil fechada. 
• Obama promete represálias contra a Rússia por ciberataques; Governo americano busca OMC para julgar tarifas impostas pelos chineses. Em oito anos do governo de Barack Obama, essa é a 15ª disputa entre os dois países. 
• Síria suspende operação de retirar civis de Aleppo. Governo Assad alega que homens armados não respeitaram ação. 
• Incêndio em centro de imigrantes deixa 14 feridos na França. 2 estão em estado grave após se jogarem de janela.
• Presidente das Filipinas assume ter matado criminosos quando era prefeito. 

Agenda do governo Temer avança, apesar da histeria dos porras-loucas.
Quantas vezes, leitor, aquele seu amigo que vestiu verde e amarelo e estreou nas ruas gritando Fora, Dilma já o encontrou numa festa, no shopping ou no Metrô e reclamou de Michel Temer? A meio-tom, pesaroso, como se tentasse esconder até de si mesmo a decepção, exclama: Esse Temer é muito devagar!
Então, meu caro, eu gostaria de tranquilizá-lo um pouco, apesar dos números do Datafolha, que deveriam ser lidos com lupa pelos conservadores, nem sempre instruídos pela lógica elementar.
A desordem institucional, como nos ensina a história, só interessa ao mundo-canismo populista, de esquerda ou de direita.
Seria demasiado escrever aqui que você não deve acreditar na imprensa. Afinal, é este um texto de imprensa. Mais ainda: todas as evidências que vou listar de que temos um bom governo -dadas as circunstâncias (mas quando é que não, né?)- estão noticiadas na... imprensa! É que jornalistas são treinados para caçar contradições, não coerências. Somos todos viciados em bastidores, suspeitas, conspirações palacianas. Às vezes, perdemos a noção do conjunto, apegados demais à miudeza de interiores.
Temer está no governo há menos de quatro meses. Há muito tempo, como diz uma amiga, o país não via uma agenda que fizesse sentido. Ou que fosse composta de escolhas que caminham numa mesma direção.
E olhem que não me lembro de tão explosiva conjugação de irresponsabilidades oriundas do Judiciário, do Ministério Público, do Legislativo e de setores da imprensa (sim, sempre estamos no meio...). Varões e varoas da República perderam completamente a noção de institucionalidade. Ministros do STF, por exemplo, concedem liminares ilegais com mais ligeireza do que César atravessou o Rubicão. São os Césares de hospício! Procuradores têm a ousadia de convocar as ruas contra o Congresso, exibindo algemas como credenciais políticas. Parlamentares sonham com retaliações...
Ainda assim, nesse pouco tempo, o governo Temer conseguiu:
a - aprovar uma PEC de gastos que, quando menos, impedirá o Brasil de virar um Rio de Janeiro de dimensões continentais:
b - aprovar na Câmara a medida provisória do ensino médio, depois de enfrentar um cipoal de mistificações e desinformação;
c - aprovar a MP do setor elétrico, área especialmente devastada pelo governo de Dilma Rousseff, a dita especialista;
d - aprovar o projeto que desobriga a Petrobras de participar da exploração do pré-sal –e contratos já foram fechados sob os auspícios do novo texto;
e - aprovar a Lei da Governança das Estatais, que é o palco principal da farra;
f - apresentar uma boa proposta de reforma da Previdência, que vai, sim, enfrentar muita resistência;
g - no BNDES, ultima-se o levantamento do estrago petista, e o banco se prepara para retomar financiamentos.
Não é pouca coisa. E por que, lava-jatismo à parte, a sensação de pasmaceira? Uma resposta óbvia: nada disso tem impacto imediato na vida das pessoas. Então não existe uma resposta popular aos atos virtuosos, que possa se impor à eventual má vontade ou cegueira de analistas.
Mas esse não é o fator principal. Olhem o que vai acima. Estamos diante de uma agenda que interessa ao Brasil e aos brasileiros, mas que não é nem de nem da esquerda. Tampouco traduz o espírito policialesco dos Savonarolas e jacobinos, com seu gosto por fogueiras e guilhotinas. Trata-se de escolhas que dizem respeito ao território da política, não da polícia.
Por isso extremistas de esquerda e de direita gritam: Fora, Temer!
Por isso digo: Dentro, Temer! (Reinaldo Azevedo) 

Incômodo abandono.
Certas iniciativas, em política, são incompreensíveis. A mais recente foi encenada pelo advogado José Yunes, assessor especial da presidência da República e amigo fraterno do presidente Michel Temer. Em carta emocional, ele entregou o cargo, alegando como motivo haver sido acusado pelo ex-diretor da Odebrecht, Claudio Filho, de receber em seu escritório, em São Paulo, 10 milhões de reais de propina pagos pela empreiteira que supostamente atendia pedido do presidente Michel Temer para ajudar o PMDB na campanha eleitoral.
Yunes chamou a acusação de abjeta e fantasiosa, feita por pessoa que nem conhece. Por isso, pedia demissão.
Ora, se mentirosa a delação, caberia ao advogado permanecer ao lado do amigo há cinquenta anos, para comprovar a falsidade. Saindo, deixa no mínimo dúvidas. Deveria ter aguardado a divulgação completa do depoimento do delator para desmenti-lo e processá-lo. Jamais deixar o presidente Temer às voltas com uma acusação por enquanto indefinida.
São muitas as situações como essa, em se tratando de acusações à distribuição de propinas por empreiteiras a figuras do governo. Cabe ao presidente elucidá-las, dando aos envolvidos no noticiário a prerrogativa de comprovar sua inocência. Se não conseguirem, só então deveriam renunciar.
Rebelião
Renan Calheiros sofreu nova derrota no plenário do Senado. Seus liderados não aceitaram antecipar a votação do projeto sobre o abuso de autoridades, ficando o projeto para fevereiro. Fora da presidência da casa, após o recesso parlamentar, precisará comprovar sua liderança na votação posterior. Terá mais dificuldades, como ex-presidente, mas promete manter a disposição de enquadrar o Judiciário. (Carlos Chagas) 

Excesso de inocência ainda vai derrubar Temer.
Michel Temer considera-se dono de uma honradez incrível. E as delações da Odebrecht levam o brasileiro enxergar em Temer uma inocência tão inacreditável que começa a suscitar uma dúvida: para que serve a honradez do presidente? Descobriu-se que o nome de Temer foi citado pela terceira vez em delação da Odebrecht.
Márcio Faria da Silva, um dos principais executivos da empreiteira, contou a procuradores da Lava Jato que providenciou um repasse financeiro para o PMDB, em 2010, a pedido de Temer e Eduardo Cunha. Fez isso em troca do azeitamento de negócios com a Petrobras.
Segundo o delator, a transação foi acertada em reunião no escritório de Temer, em São Paulo. Participou da conversa, além de Cunha, outro personagem tóxico: João Augusto Henriques. Vem a ser um operador de propinas do PMDB dentro da estatal petrolífera.
Instado a esclarecer, Temer admitiu ter recebido um empresário a pedido de Eduardo Cunha. Afirmou que o sujeito manifestara o desejo de fazer doação eleitoral ao PMDB. O operador João Henrique estava presente, Temer também admitiu.
Temer jura que não se falou na reunião nem de dinheiro nem de contrapartidas. Se Eduardo Cunha celebrou negócios depois do encontro, agiu por sua conta e risco. Ai, ai, ai. A explicação do presidente vale como uma caricatura burlesca do bordão eu não sabia.
As novas revelações chegam nas pegadas da delação de Claudio Melo Filho, aquele ex-executivo da Odebrecht que testemunhou o jantar no qual o então vice-presidente Temer, em pleno Palácio do Jaburu, mordeu Marcelo Odebrecht em R$ 10 milhões. A doação foi legal, sustentam Temer e Eliseu Padilha, que o acompanhava no jantar. Caixa dois, rebate o delator, cujo depoimento já foi ratificado por Marcelo Odebrecht.
A honradez de Temer é incrível porque é difícil de acreditar que alguém que preside o PMDB há 15 anos, convivendo com cunhas, renans e jucás, ainda consegue brandir uma reputação inatacável.
A inocência de Temer é inacreditável porque não dá para acreditar que um personagem com o seu histórico -30 anos de vida pública, presidente da Câmara três vezes- é ingênuo a ponto de se deixar usar por gente como Cunha.
Temer faz lembrar um personagem secundário da peça Júlio César, de Shakespeare. Açulados por Marco Antonio, os plebeus saem à caça dos assassinos de César. Encontram Cinna. Alguém grita: Matem-no, é um dos conspiradores! Ouve-se outra voz ao fundo: Não, é apenas Cinna, o poeta. E ecoa no ar a sentença: Então, matem-no pelos maus versos.
O excesso de inocência, por inacreditável, ainda vai derrubar Michel Temer, o poeta do PMDB, da Presidência da República. (Josias de Souza) 

Grazziotin distribuía dinheiro da corrupção com eleitores pobres.
Barra de São Miguel, AL - O Brasil está comovido com a alma caridosa da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Quando apareceu o seu nome na lista do propinoduto da Odebrecht, a parlamentar declarou que toda grana que recebeu da empreiteira teve um fim filantrópico. E que fim! Foi socializado com os pobres, justificou. Ah, ainda bem que a parlamentar confessou para onde foi o suborno antes que algum eleitor maldoso duvidasse da sua honestidade.
É assim que deveriam se comportar os outros comunistas do partido da senadora quando flagrados com a mão na massa: contar uma história como essa para convencer seus eleitores de que a corrupção teve uma causa nobre. Não foi um dinheiro usado pelo partido para esbórnia ou para enriquecimento ilícito de alguns dos seus integrantes.
Grazziotin - a esquerda infantil do parlamento - acredita realmente no que disse. Se é assim, devemos, todos nós brasileiros, fazermos orações diárias para o São Odebrecht e agradecê-lo pela preocupação em socializar os lucros da sua empresa com os mais necessitados pelas mãos generosas da senadora. Agora, sabemos porque os eleitores de Grazziotin mantêm-se fiel à sua representante no Congresso. São pessoas de bem com o mundo: felizes, prósperas e sem preocupação financeira porque passaram a viver dos milagres da Odebrecht desde que ela assumiu o mandato.
Mas não pense o leitor que Grazziotin é uma política despreparada, ingênua, que ignora os problemas do país. Ela se apega aos princípios socialistas e à doutrina marxista para fundamentar as razões que a levaram à distribuição da riqueza no país. Veja quanta profundidade nos seus argumentos para explicar o seu nome na lista da Odebrecht: Todo mundo sabe que nós, comunistas, fazemos militância política por ideologia e não por qualquer vantagem financeira. O dinheiro que eu recebi era considerado por mim e pelos meus camaradas de Partido como um ato de expropriação contra a burguesia e por isso nós socializávamos (o dinheiro) com os pobres.
Viu? A senadora não é egoísta nem sovina. Prefere multiplicar os pães entre os seus fiéis eleitores amazonenses. Ela faz também uma revelação surpreendente. Diz que seus camaradas de partido também estavam na caixinha da empreiteira. Portanto, divide com os parceiros as suas ações caridosas numa versão moderna da Madre Teresa de Calcutá. Se é assim, pelo que entendi, o PCdoB deixou de ser um partido político para se transformar numa entidade filantrópica, cujo objetivo é proteger os seus eleitores da fome, da crise econômica e do caos político, distribuindo igualitariamente entre os seus filiados o dinheiro da empreiteira.
Grazziotin está convicta de que a Odebrecht não exigia contrapartida para os agrados que faziam a alegria do partido. Os malotes que abasteciam o PCdoB nas campanhas eleitorais caracterizavam-se como expropriação contra a burguesia, segundo a senadora. Aos mais jovens uma explicação: era assim que a esquerda denominava os assaltos a bancos na ditadura. E agora? O que dizer da grana que chegou à senadora via Odebrecht, dinheiro que deixou de ir para a merenda escolar e para a saúde? É a expropriação ao inverso, aquela que tira o alimento das crianças e sacrifica os doentes nos hospitais públicos.
Não tem óleo de peroba para tanta desfaçatez da senadora quando ela culpa também a mídia pelos seus danos morais na política. Veja a profundidade da sua análise: A imprensa burguesa tenta instrumentalizar a divulgação da lista para macular a imagem dos comunistas em evidente deslealdade tática e estratégica dentro do campo da luta de classes. Entendeu? Se entendeu, me explique.
Toda essa bobagem da senadora não é fantasia. Foi realmente dita por uma representante do povo, com assento no Senado Federal. Que coisa lamentável. A esquerda brasileira adoeceu, está decadente, contaminada pela mediocridade, se dissolvendo em idiotices e se desmilinguido intelectualmente. Quanto vazio político. É esta pessoa, alienada, que se propõe a pensar o Brasil. Uma senhora que parece zombar dos seus eleitores vomitando sandices para justificar o injustificável: o dinheiro da corrupção da Odebrecht que abasteceu a ela e o seu partido. (Jorge Oliveira) 
Ao sair para o mundo é sempre melhor darmos as mãos e ficarmos juntos. (Robert Fulghum)

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