11 de dez de 2016

Enxurradas de delações sucumbirá a política.

 photo quadrfumaa_zpsen6jwesp.jpg • Déficit no governo do Rio pode chegar a R$ 17 bilhões em 2017. 
• Mais de 80% das pessoas delatadas pela Odebrecht têm foro privilegiado. 
• Delações derrubam popularidade do governo nas redes sociais. Odebrecht derruba avaliação de Temer, citado 43 vezes, nas redes sociais: 9,63%; Segundo Datafolha, 51% dos brasileiros consideram a gestão ruim ou péssima. 
• Reforma vai desprivatizar a Previdência, diz secretário. Economista diz que mudanças propostas vão barrar grandes benefícios; Proporcionalmente, Brasil gasta mais com Previdência do que alguns países ricos com população mais velha, o que é um contrassenso. 
• Nova delação complica Pezão, Paes, Lindbergh e casa Garotinho. Delator de outro executivo da Odebrecht, o superintendente da empreiteira no Rio, Leandro Azevedo, revelou esquema milionário em campanhas de PMDB, PT e PR. 
• Privilégios: Cabral deixa presídio no Rio e é transferido para Curitiba. A transferência de Cabral para Curitiba foi decidida porque ele estaria recebendo visitas irregulares na Cadeia Pública Pedrolino de Oliveira, conhecida como Bangu 8. 
• De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico idade de aposentadoria é igual para homem e mulher em 60% dos países. 
• STF volta a citar aposentadoria antecipada de Celso de Mello. São fortes os rumores no STF sobre saída antecipada do decano. 
• Ministro da Defesa diz que militares vão abrir mão de acumulação de pensão e aposentadoria. 
• O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), teve os bens bloqueados nesta sexta-feira (9) pela justiça. Ele é acusado de improbidade administrativa na construção do Campo de Golfe Olímpico da Barra da Tijuca. Paes teria dispensado a construtora Fiori Empreendimentos Imobiliários do pagamento de R$ 1,8 milhão de licença ambiental para fazer o Campo, em 2013. O montante acabou sendo paga pelo município e, em valores atualizados, a dívida alcança R$ 2,3 milhões. A ação foi ajuizada pelo Ministério Público do Rio. 
• O presidente Michel Temer (PMDB) pediu R$ 10 milhões ao empreiteiro Marcelo Odebrecht em 2014, segundo o site BuzzFeed e a revista Veja. A informação estaria na delação do executivo Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, um dos 77 delatores da empreiteira na Operação Lava Jato. 
• O Ministério Público Federal em Brasília denunciou à Justiça, no âmbito da Operação Zelotes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A acusação atinge também o filho do petista, Luis Cláudio Lula da Silva, além do casal de lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni. Todos foram denunciados por negociações irregulares que levaram à compra de 36 caças do modelo Gripen pelo governo brasileiro e à prorrogação de incentivos fiscais destinados a montadoras de veículos por meio da Medida Provisória 627; O ex-presidente Lula, réu na Operação Lava-Jato e alvo de sucessivas denúncias de tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro, terá um novo encontro com a Justiça. As suspeitas, fortes, são de enriquecimento próprio e de seus familiares a partir da venda de supostas facilidades a grandes empresas e lobistas no governo Dilma Rousseff. 
• O zagueiro Neto, sobrevivente do acidente do avião da Chapecoense que ficou em estado mais crítico, segue melhorando cada vez mais no hospital na Colômbia. Segundo divulgaram os médicos nesta sexta-feira, o defensor segue na UTI, mas evolui bem. Pela primeira vez, Neto retirou a ventilação mecânica e está sob testes, mas teve boa evolução respiratória. 
• Roraima deporta 450 venezuelanos em situação irregular.
• Equipe de Trump supera o pior pesadelo de democratas. Presidente eleito escolhe nomes para tocar sua agenda de promessas extremas. 
• Ataque suicida deixa mais de 50 mortos na Nigéria. Os ataques suicidas coordenados foram reivindicados pelo grupo terrorista Boko Haram, que tem travado uma batalha para criar um Estado com leis islâmicas no nordeste do país.
• Clubes e Uefa lamentam explosões que mataram 15. Estádio do Besiktas em Istambul, na Turquia, viu seu entorno ser alvo de ataques depois de jogo pelo Turco. 
• A rebelião dos eleitores contra a política tradicional ganhou mais uma batalha na Itália e a vítima da vez é o premiê Matteo Renzi. 
• PEC 55 terá impacto severo nos mais pobres, denuncia relator da ONU. 
• Grécia anuncia ajuda de € 617 milhões aos aposentados. 
• De tráfico de influência à participação em seita: entenda o escândalo que levou ao impeachment da presidente sul-coreana. 

Aliados veem risco de Temer cair antes de 2018.
A delação do ex-diretor da Odebrecht Claudio Melo Filho levou o governo de Michel Temer para outro patamar. Um patamar mais rebaixado. Políticos dos partidos governistas incluíram em suas análises a hipótese de o presidente não concluir o mandato-tampão que vai até 2018. Formaram-se entre aliados do presidente dois sólidos consensos: 1) as revelações do delator feriram gravemente o governo; 2) Temer precisa reagir rapidamente, sob pena de ser carbonizado pela Lava Jato.
O blog conversou com um congressistas amigo de Temer. Ele disse ter passado o sábado recolhendo impressões de outros parlamentares e de autoridades do governo. Pendurado ao celular, falou com onze pessoas, algumas delas citadas na delação. Não quis revelar os nomes. Mas contou que nenhum dos seus interlocutores menosprezou o potencial de combustão das revelações do ex-responsável pelo lobby da Odebrecht em Brasília.
Há, porém, uma divisão entre os governistas. A parte do grupo que inclui os delatados avalia que Temer ainda exibe capacidade de reação. Bastaria perseverar nas reformas. O outro pedaço receia que o governo Temer esteja irremediavelmente comprometido. Nessa visão, Temer está diante de uma adversidade que compromete sua pose de reformador. Além de estar pessoalmente envolvido, o presidente rodeou-se de amigos e auxiliares tóxicos. Pessoas das quais ele tem dificuldades de se livrar.
De resto, a encrenca tende a aumentar. No total, 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht estão suando o dedo. Ainda há muita lama por escorrer. Logo, logo Marcelo Odebrecht prestará depoimento confirmando, por exemplo, que participou de um jantar no Palácio do Jaburu, em 2014, em que foi mordido em R$ 10 milhões pelo então vice-presidente Michel Temer. Dinheiro saído das arcas do Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht (pode me chamar de Departamento de Propinas. (Josias de Souza) 

Só um maremoto resolveria.
Apesar de escandaloso, o primeiro vazamento da lista de delatores da Odbrecht não despertou tempestades de indignação nas ruas. O mais que telejornais e outros meios de comunicação ensejaram foi um comentário generalizado na opinião pública: eu já sabia. Realmente, nenhuma surpresa a lista causou. Os nomes divulgados e publicados formam a linha de frente dos acusados de corrupção. Caberá ao Supremo Tribunal Federal provar se houve recebimento de dinheiro podre ou doações legais para candidaturas recentes, assim como quais as compensações promovidas pelos montes de políticos envolvidos nas tramoias.
Do presidente da República a líderes de todos os partidos, ministros, governadores e parlamentares, saem todos enlameados, apesar das negativas.
Muito tempo transcorrerá até que sejam julgados e talvez condenados os integrantes dessa quadrilha variada que em momento algum surpreendeu o país. Para muita gente nem valeria à pena ficar comparando um por um os nomes dos denunciados. Que tal reunir as listas de presença da Câmara e do Senado, mais a relação dos ministros e altos funcionários, para selecionar apenas os que não estão implicados na roubalheira? Muito tempo e fartos recursos seriam poupados.
Para limpar as cavalariças do rei Áugias, Hércules precisou desviar o curso de um rio. Aqui, dada a extensão do território nacional, seria necessário um maremoto.
Por enquanto, escapou
Até prova em contrário, o nome do Lula não apareceu na primeira versão da lista da Odbrecht. É verdade que já se tornou réu num processo de corrupção, tornando-se candidato a mais três. Mesmo assim, o Ministério Público do Distrito Federal gostaria de ver o ex-presidente arrolado na lista da empreiteira. (Carlos Chagas) 

2016: A degradação que nos leva para o brejo...
Tivemos esses dias, talvez os episódios mais emblemáticos da degradação institucional que tomou conta de nosso País, há alguns anos!
Primeiro, a inconcebível recusa de uma autoridade pública a receber uma intimação da Justiça, descumprindo criminosamente uma determinação da mais alta Corte do País!
Segundo, a igualmente inconcebível atitude dessa mesma Suprema Corte, em simplesmente ignorar o fato acima e perdoar o infrator, se colocando em uma posição de submissão a interesses espúrios e jogando no lixo o seu papel maior de guardião da Lei e da Constituição! 
Aliás, essa visível degradação dos nossos Poderes Maiores, têm se tornado uma constante, nesses últimos tempos, com a sociedade simplesmente assistindo inerte e alienada a esse terrível processo de destruição dos pilares de nossa frágil Democracia! Lembram-se bem que, há alguns meses, o então sr. presidente do STF, exercendo seu papel de representante maior do Poder Judiciário e presidindo o processo de impeachment da sra. DIImáh, com a maior cara de pau, simplesmente rasgou a Constituição, em cadeia nacional de televisão, inventando um inexistente e ilegal fracionamento dos indivisíveis efeitos do processo, permitindo que a referida senhora continuasse com seus direitos de elegibilidade!...
E a sociedade brasileira, como de costume, achando tudo isso natural e normal!
O texto abaixo mostra como o caminho da degradação não aparece de repente, à nossa frente! Ele é construído, ponto a ponto, com pequenos rompimentos, com despercebidas ilegalidades, com a alimentação de um estado de torpor das pessoas e das instituições que, aos poucos, vão sendo definitivamente anestesiadas!
Tudo isso, como há meses e anos não nos cansamos de denunciar, de alertar e de exemplificar, mostrando como o PT-sindical apóstata vinha alimentando e construindo a EPTica relativa, a terrível Banalidade do Mal, como denunciada pela filósofa alemã, Hannah Arendt, referindo-se ao holocausto judeu na 2ª. Guerra...
Agora, estamos realmente no fundo do poço: não há mais saída à vista, não há mais luz no final do túnel... A não ser um fraco piscar de um vagalume, representado pela Operação Lava-Jato, que será o próximo alvo da destruição institucional, já em pleno andamento, pela ação dos Poderes envolvidos nessas últimas delações da Odebrecht.... (Márcio Dayrell Batitucci) 
ooo0ooo
A caminho do brejo.
Um país não vai para o brejo de um momento para o outro - como se viesse andando na estradinha, qual vaca, cruzasse uma cancela e, de repente, saísse do barro firme e embrenhasse pela lama. Um país vai para o brejo aos poucos, construindo a sua desgraça ponto por ponto, um tanto de corrupção aqui, um tanto de demagogia ali, safadeza e impunidade de mãos dadas. Há sinais constantes de perigo, há abundantes evidências de crime por toda a parte, mas a sociedade dá de ombros, vencida pela inércia e pela audácia dos canalhas.
Aquelas alegres viagens do então governador Sérgio Cabral, por exemplo, aquele constante ir e vir de helicópteros. Aquela paixão do Lula pelos jatinhos. Aquelas comitivas imensas da Dilma, hospedando-se em hotéis de luxo. Aquele aeroporto do Aécio, tão bem localizado. Aqueles jantares do Cunha. Aqueles planos de saúde, aqueles auxílios moradia, aqueles carros oficiais. Aquelas frotas sempre renovadas, sem que se saiba direito o que acontece com as antigas. Aqueles votos secretos. Aquelas verbas para exercício do mandato. Aquelas obras que não acabam nunca. Aqueles estádios da Copa. Aqueles superfaturamentos. Aquelas residências oficiais. Aquelas ajudas de custo. Aquelas aposentadorias. Aquelas vigas da perimetral. Aquelas diretorias da Petrobras.
A lista não acaba.
Um país vai para o brejo quando políticos lutam por cargos em secretarias e ministérios não porque tenham qualquer relação com a área, mas porque secretarias e ministérios têm verbas - e isso é noticiado como fato corriqueiro da vida pública.
Um país vai para o brejo quando representantes do povo deixam de ser povo assim que são eleitos, quando se criam castas intocáveis no serviço público, quando esses brâmanes acreditam que não precisam prestar contas a ninguém - e isso é aceito como normal por todo mundo.
Um país vai para o brejo quando as suas escolas e os seus hospitais públicos são igualmente ruins, e quando os seus cidadãos perdem a segurança para andar nas ruas, seja por medo de bandido, seja por medo de polícia.
Um país vai para o brejo quando não protege os seus cidadãos, não paga aos seus servidores, esfola quem tem contracheque e dá isenção fiscal a quem não precisa.
Um país vai para o brejo quando os seus poderosos têm direito a foro privilegiado.
Um país vai para o brejo quando se divide, e quando os seus habitantes passam a se odiar uns aos outros; um país vai para o brejo quando despenca nos índices de educação, mas a sua população nem repara porque está muito ocupada se ofendendo mutuamente nas redes sociais.
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O Brasil caminha firme em direção ao brejo há muitas e muitas luas, mas um passo decisivo nessa direção foi dado quando Juscelino construiu Brasília, aquela farra para as empreiteiras, e quando parlamentares e funcionários públicos em geral ganharam privilégios inéditos em troca do sacrifício da mudança para lá.
Brasília criou um fosso entre a nomenklatura e os cidadãos comuns. A elite mora com a elite, convive com a elite e janta com a elite, sem vista para o Brasil. Os tempos épicos do faroeste acabaram há décadas, mas os privilégios foram mantidos, ampliados e replicados pelos estados. De todas as heranças malditas que nos deixaram, essa é a pior de todas.
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Acho que está rolando uma leve incompreensão dos reais motivos de mobilização da população em alguns setores. Eles parecem acreditar que o MBL e o Vem Pra Rua falam pelos manifestantes, ou têm algum significado político, quando, na verdade, esses movimentos funcionam mais como agentes de mobilização - afinal, alguém precisa marcar uma data e um horário, ou nenhuma manifestação acontece.
A maioria das pessoas que foi às ruas está pouco se lixando para eles. Seu alvo primordial é gritar contra a corrupção, a sordidez que rege a vida política brasileira, a bagunça geral que toma conta do país. Seu principal recado é o apoio à Lava-Jato, que parece ser a única coisa que funciona num cenário em que o resto se desmancha.
Se ninguém fez muita questão de gritar #ForaTemer nos protestos de domingo passado, isso talvez se deva menos a palavras de ordem vindas de carros de som do que a dois fatos bastante simples. O primeiro é que está implícita na insatisfação popular a insatisfação com Temer, e naquele momento parecia mais urgente responder aos insultos do Congresso; o segundo é que há uma resistência natural a se usar uma palavra de ordem criada pelo outro lado, pela turma que acredita na narrativa do golpe.
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Gilmar Mendes disse que a decisão de Marco Aurélio Mello de afastar Renan da mesa do Senado é indecente. Não, ministro. Pode ser qualquer outra coisa, mas indecente não é. Indecente é um homem como Renan Calheiros ocupar a mesa do Senado. Aliás, indecente é um homem como Renan Calheiros, que já renunciou ao mandato para não ser cassado e tem mais prontuário do que biografia.
Com todo o respeito, ministro, o senhor precisa rever as suas prioridades e dar um trato nos seus adjetivos. (Cora Rónai)
Não existe prazer comparável ao de ficar firme sobre o vantajoso terreno da verdade. (Francis Bacon)

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