20 de nov de 2016

O desviver num mundo hipócrita.

 photo ocaixote_zpsofslnj9h.jpg • Acidente ou crime? Helicóptero da PM cai e mata quatro policiais no Rio. Queda ocorreu na região onde houve intensos tiroteios. Polícia faz operação na Cidade de Deus após queda de helicóptero que matou 4. 
• Relator do pacote anticorrupção, Onyx. Congresso está acuado e em desespero. Deputado vê grande risco da Câmara aprovar anistia aos alvos da Lava Jato. 
• Atos Fora Renan acontecem em 14 capitais neste domingo. Canalheiros foi levado a Maceió. 
• Eunício Oliveira já virou principal interlocutor do Planalto no Senado. Virtual presidente do Senado, Eunício deve assumir em 72 dias. 
• Processo no TSE: Recall de delator não elimina suspeita de propina na campanha de Dilma. Segundo Ricardo Pessoa, campanha petista teve dinheiro roubado. 
• Estados querem trocar apoio à reforma da Previdência por ajuda financeira. Governadores já prepararam um plano com 12 medidas para serem incluídas no pacote da reforma. 
• Alguns líderes sentem nostalgia de um poder monárquico. Alternância do poder nem sempre é respeitada por quem está atuando em prol da democracia. 
• Juiz diz que Garotinho ofereceu R$ 5 milhões para não ser preso. 
• Operação Lava Jato: MPF insiste em pedido de prisão da mulher de Cabral. 
• Reorganização da esquerda: Petistas insatisfeitos e alas do PSOL discutem criar novo partido. 
Receber salário indevido também é corrupção. Relatora de comissão sobre supersalários, Kátia Abreu diz que não quer fulanizar discussão sobre Judiciário. 
Não nos calarão, dizem colegas de Sérgio Moro. Carta diz que ataques ao Judiciário partem de indiciados e réus que possuem grande expressão política
• Lava Jato mira no homem da mala de Cabral. Carlos Miranda é apontado como operador de propinas do ex-governador e também foi preso na quinta. 
• 21 viram réus por homicídio na tragédia de Mariana. Rompimento de barragem matou 19 pessoas; 4 empresas também são citadas, entre elas Samarco e BHP. 
• Presidente da CBF, Del Nero manteve conta bancária nos EUA por 12 anos.
• Reunião no Peru, Apec marca último compromisso internacional de Obam. Reunião que acontece neste fim de semana, 19 e 20 de novembro, pode ainda render encontro de Barack Obama com o presidente russo Vladimir Putin. 
• Descarrilamento de trem mata ao menos 100 na Índia. Mais de 150 passageiros estão feridos, pelo menos 40 em estado grave. Porta-voz do governo afirmou que podem haver mais mortos após acidente. 
• Após adiamentos, eleições no Haiti ocorrem neste domingo. 
• Merkel lutará por um quarto mandato como chanceler da Alemanha. 
• Polícia espanhola prende advogado Rodrigo Tacla Duran que era foragido da Lava Jato. 
• Parque em Nova York é pichado com suásticas e frases de apoio a Trump. 
• Após novos ataques na Síria, Aleppo não tem mais hospitais. 
• Direita francesa faz prévias por candidato a presidente. Veteranos Alain Juppé, Nicolas Sarkozy e François Fillon são os mais cotados. Fillon vence último debate antes das primárias da direita francesa. 
• Hammond diz que vai preparar o Reino Unido para a saída da EU. 

Prisão de Cunha e Garotinho mostra a evangélicos que Deus não é full time.
No Rio de Janeiro, os três políticos mais identificados com o eleitorado evangélico são Marcelo Crivella (PRB), bispo licenciado da igreja Universal; Anthony Garotinho (PR), fiel da igreja Presbiteriana; e Eduardo Cunha (PMDB), adepto da igreja Sara Nossa Terra. Crivella acaba de se eleger prefeito do Rio. Garotinho e Cunha estão presos. Essa conjuntura demonstra que Deus existe. Mas não é full time.
Denominações religiosas que se opõem à Universal, igreja de Edir Macedo, tio de Crivella, se articulam para produzir novos candidatos. Avalia-se que Garotinho está condenado à decadência política mesmo que se livre da acusação de chefiar um esquema de compra de votos na cidade de Campos dos Goytacazes. Quanto a Cunha, teme-se que a Lava Jato o torne um ficha-suja, afastando-o das urnas.
A despeito de seus alentados prontuários, Garotinho e Cunha se autoproclamam evangélicos desde a década de 1990. Em tempos de campanha, são auxiliados por uma legião de pastores, que fazem as vezes de cabos-eleitorais. Ambos utilizaram programas de rádio como palanques eletrônicos. Mais arrojado, Garotinho notabilizou-se por distribuir utensílios domésticos a donas de casa.
Ex-aliados, Garotinho e Cunha tornaram-se inimigos políticos. Um se refere ao outro como “ladrão”. Embora suas fichas indiquem que os dois talvez estejam certos, os líderes evangélicos que buscam novos talentos políticos não parecem preocupados com a debilidade ética, mas com a incapacidade momentânea da dupla de disputar espaço com Crivella e a sua Universal. Os supostos representantes de Deus fazem política com tal descompromisso moral que às vezes passam a impressão de que Ele não merece existir. (Josias de Souza) 

A frente parlamentar do crime e a eleição de 2018.
Enquanto transcorria a campanha eleitoral de 2014 eu apostava na possibilidade de um upgrade qualitativo no Congresso Nacional. A lei da ficha limpa, embora alcançando figuras menores, já afastava alguns do jogo político. A boa cobertura da mídia à operação Lava Jato e as denúncias das grandes revistas de circulação nacional sinalizavam o nível de comprometimento de vários personagens da cena política e de seus partidos. O eleitor haverá de estar mais atento e seletivo ao digitar algo válido na urna eletrônica, pensava eu. Mas não foi assim, como se constata à medida que as investigações da força-tarefa da Lava Jato e as delações a ela feitas mostram a extensão das facções criminosas que continuaram operando dentro do Congresso.
Embora aquela eleição tenha proporcionado renovação de 43% na Câmara dos Deputados, grande parte dos que buscaram conservar suas cadeiras foi bem sucedida. Em números absolutos: dos 513 deputados, 122 não se candidataram, 391 disputaram e 290 se reelegeram. Taxa de insucesso de apenas 25%. Certamente, entre os reeleitos, estão quase todos aqueles cujos fundos de campanha foram previamente abastecidos por meios escusos para enfrentar os custos envolvidos. Onde a política vira negócio, investir é parte dele.
Opera no Congresso Nacional uma numerosa bancada suprapartidária que poderia ser denominada Frente Parlamentar do Crime. É dela que procedem todas as tentativas de esvaziar a Lava Jato e de buscar anistias. É ela que costura as propostas para conter e constranger o Ministério Público, a Polícia Federal e o Poder Judiciário. É ela que se opõe às medidas legislativas sugeridas para o combate à corrupção. E não hesito em afirmar que essa frente parlamentar é, também, mais numerosa que qualquer das bancadas da Casa.
Quem é da taba conhece a indiada, dizemos aqui no Rio Grande do Sul, de onde escrevo. Dentro do Congresso, talvez apenas alguns novatos não consigam elaborar uma lista quase completa com os nomes e as áreas de atuação desse colegiado cujos ramos se estendem pelos poderes de Estado. Conheço o constrangimento que os bons experimentam nesse convívio com o que deveria ser população carcerária. Com a sobrenatural proteção do foro privilegiado, essa turma já é conhecida, também, dos senhores ministros do STF. No entanto, seus crimes desfrutam de sepulcral silêncio, próprio dos processos que dormem nas prateleiras do Supremo Tribunal Federal. É para lá que vão todos a partir do momento que qualquer investigação ou delação envolva autoridade com prerrogativa de foro. Para muitos é, realmente, uma última jornada. Requescate in pace!, como proclamam os sepultamentos em latim desejando paz aos mortos. Levantamento da Folha de São Paulo, há poucos dias, relatava que um terço das ações penais contra congressistas com foro no STF fora arquivado por prescrição.
Será que toda a monumental tarefa da operação Lava Jato e tudo mais que venha a ser documentalmente comprovado pelas múltiplas delações da Odebrecht será inútil para expurgar da vida pública a Frente Parlamentar do Crime? Mais ainda, a impunidade e a prescrição continuarão a suscitar vocações políticas entre criminosos interessados em agasalhar-se com o privilégio de foro? Nossas instituições dormem sossegadas com a perspectiva de que tal situação perdure para a eleição de 2018 e mantenha a Frente Parlamentar do Crime operante até o bicentenário da Independência, em 2022? (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor) 

O homem da mala de Sérgio Cabral.
Lava Jato mira em Carlos Miranda, sócio e apontado como operador de propinas do ex-governador do Rio; os dois foram presos na Operação Calicute na quinta-feira, 17.
Um dos supostos operadores de propina do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) era conhecido como o homem da mala, segundo investigação da Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato. Carlos Miranda é suspeito de controlar a contabilidade paralela do esquema cuja liderança é atribuída ao peemedebista.
Carlos Miranda, de acordo com o depoimento dos colaboradores e lenientes, era o operador financeiro do ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, sendo que ficou conhecido, inclusive, como sendo o homem da mala de Sérgio Cabral, aponta o pedido de prisão do peemedebista, da força-tarefa conjunta da Calicute Lava Jato.
Sérgio Cabral é investigado pelas forças-tarefa da Lava Jato no Paraná e no Rio. O ex-governador é acusado de recebeu propinas milionárias de empreiteiras que prestavam serviço para o Estado. O esquema de corrupção pode ter movimentado R$ 224 milhões em vantagens indevidas, de acordo com apuração da Lava Jato.
O recebimento de dinheiro em espécie por Carlos Miranda foi mencionado por ao menos seis executivos, três da Andrade Gutierrez (Rogério Nora, Clóvis Primo e Alberto Quintaes) e três da Carioca Engenharia (Eduardo Backheuser, Rodolfo Muntuano e Tânia Fontenelle).
Os delatores afirmaram que Miranda foi a pessoa indicada por Sérgio Cabral e pelo ex-secretário do Governo do Rio Wilson Carlos para receber propina de 5% dos valores das obras contratadas pelo Executivo fluminense com as empreiteiras.
Os depoimentos foram uníssonos em afirmar que Carlos Miranda era a pessoa a quem Sérgio Cabral confiou a coleta e transporte dos valores de propina exigidos das empreiteiras, aponta o Ministério Público Federal.
Alberto Quintaes relatou que os pagamentos de propina exigidos pelo governo do Estado referiam-se a todas as obras em curso que estavam sendo executadas pela Andrade Gutierrez, dentre elas a do Maracanã, PAC Favelas e Arco Metropolitano. O executivo declarou na delação premiada que pagava Carlos Miranda em dinheiro vivo. Segundo o delator, a reunião em que conheceu o homem da mala ocorreu no escritório que Sergio Cabral tinha em cima do Restaurante Garcia Rodrigues na Avenida Ataulfo de Paiva.
A maior parte desses pagamentos foram feitos no Rio de Janeiro, na sede da AG, no escritório de Sérgio Cabral no Leblon e no Jardim Botânico; que Carlos Miranda colocava os valores recebidos em mochila, disse Alberto Quintaes.
Empresas. Carlos Miranda é proprietário da GRALC Consultoria, constituída em 2007, no início do governo Sérgio Cabral, e tornou-se sócio do ex-governador na SCF Comunicação e Participação durante o mandato do peemedebista no Senado (2003-2006). Ao pedir a prisão de Carlos Miranda, a força-tarefa da Lava Jato, no Paraná, destacou a atuação do homem da mala.
É de se ver que Carlos Miranda teve sua carreira desenvolvida em sua íntegra como funcionário público comissionado, por indicação política do amigo Sérgio Cabral, afirmam os procuradores. Após a posse do político como governador do Estado do Rio de Janeiro, abriu a GRALC Consultoria, empresa que tem como objeto social um vasto espectro de atividade como prestação de serviços de consultoria assessoria elaboração de projetos nas áreas de economia, finanças, gestão empresarial, treinamento, recursos humanos, suprimentos, organizações e métodos, marketing, promoção e organização de eventos podendo adquirir cotas e participações em outras sociedades.
Para os investigadores, o sucesso no empreendimento chama a atenção. Quebra de sigilo bancário da Receita, sobre a GRALC, apontou que a empresa tinha um único empregado e passou a receber imediatamente após seu registro na Junta Comercial pagamentos por consultoria na razão de milhares de reais por mês e finda seu faturamento junto à renúncia de Sérgio Cabral do cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro.
Causa espécie, ainda, o fato de que grande parte do faturamento da principal empresa foi proveniente de um mesmo grupo econômico/familiar composto das seguintes empresas do ramo de concessionárias de veículos, diz a força-tarefa. (Julia Affonso, Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Mateus Coutinho) 
Você pode ter todos os defeitos do mundo, mais ainda é melhor do que o resto do mundo. (Tati Bernardi)

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