3 de nov de 2016

Nós e eles, quanta diferença.

 photo oexemplo_zpsn6pv0fwo.jpg • Ministério Público Federal do Ceará pede suspensão do Enem para todos. 
• Sem votar no 2º turno, Lula critica desinteresse de jovens pela política. Acusado de chefiar esquema de corrupção, Lula critica desinteresse pela polícia. Lula critica desinteresse pela política como se nada tivesse com isso; Apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como o comandante do esquema de corrupção que roubou a Petrobras, provocando uma onda de indignação que afastou ainda mais a população da política e dos políticos, o ex-presidente Lula criticou esse desinteresse, durante discurso para estudantes universitários no interior de São Paulo, nesta terça-feira, 1º. Nós temos que aprender que, cada vez mais, ao invés da gente negar a política, a gente tem que fazer política, porque a desgraça de quem não gosta de política é ser governado por quem gosta, a minoria, a elite, afirmou o petista durante visita ao câmpus Lagoa do Sino da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em Buri. Quem vai mudar esse País são vocês, afirmou. 
• Cunha pode ter de pagar indenização de R$220 milhões. Condenado, devolverá o dinheiro subtraído e multa milionária. 
• STF decide que dinheiro roubado de Cerveró (R$ 17 milhões) será devolvido à Petrobras. 
• Seis em cada dez brasileiros disseram concordar com o teor da frase bandido bom é bandido morto, segundo pesquisa Datafolha feita a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgada nesta quarta-feira, 2. O estudo analisou a percepção popular sobre temas na área da violência e entrevistou 3.625 pessoas em 217 cidades de todas as regiões do País entre 1 e 5 de agosto. A crença na sentença é maior entre os mais velhos. Entre entrevistados de 60 anos ou mais, a concordância subiu para 61%, enquanto que entre mais jovens, de 16 a 24, a frase é verdadeira para 54%. 
• O Ministério Público do Maranhão denunciou a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) e mais dez investigados - entre eles ex-secretários de Estado - por um rombo superior a R$ 410 milhões nos cofres públicos por meio de esquema fraudulento de concessão de isenções fiscais pela Secretaria da Fazenda (Sefaz) a empresas. A acusação formal foi protocolada no dia 21 de outubro e divulgada nesta terça-feira, 1, pelo Ministério Público do Maranhão. 

Três Marcelos e uma Marcela.
O segundo turno das eleições municipais misturou conceitos políticos conflitantes, incapazes de definir o que vem por aí. Três Marcelos e uma Marcela aumentam as indefinições mas servirão como parâmetro para o malogro ou o fracasso da recuperação nacional.
Marcelo Crivella confirmou a importância do desembarque e da fuga das ideologias como fator das decisões na cidade politicamente mais rebelde do país. Houve tempo em que sucederam-se Carlos Lacerda e Negrão de Lima, antípodas capazes de exprimir o mesmo espírito rebelde da população mais politizada do país, ainda que conflitantes. Foram os dois governadores mais populares que os cariocas tiveram, mesmo inimigos permanentes. Depois das sucessivas nulidades que os sucederam, abre-se o palco para nova confrontação: Marcelo Crivella, elegendo-se prefeito, insere a religião como penhor de sua vitoria. Ganhou em função da sua Igreja, mas ela estará iniciando um período promissor em termos de poder ou tratou-se de presença passageira?
Terá Marcelo Freixo condições de ressuscitar a ideologia, no caso de esquerda, constituindo-se no polo oposto ao Bispo, nas eleições de governador, em 2018? Ou de presidente?
O terceiro Marcelo é o Odebrecht, longe de disputar eleições, por enquanto inquilino da cadeia. Supondo-se que com suas delações, e de seus ex-funcionários, venha a facilitar a condenação de montes de políticos petroleiros, mensaleiros e demais fraudadores dos dinheiros públicos, o ex-milionário prestará grandes serviços ao combate à impunidade. Também influirá no futuro político da nação.
Falta a Marcela, primeira dama do governo Michel Temer. Seu papel, de anjo-da-guarda do presidente da República, é fundamental para o sucesso dele. Tanto quando os três Marcelos referidos. (Carlos Chagas) 

Mendonça Filho: Politizar o Enem foi desrespeitoso com milhões de jovens.
O ministro Mendonça Filho (Educação) declara-se convencido de que o movimento de ocupação de escolas por estudantes tem contornos partidários. É evidente que setores ligados ao PT, ao PCdoB e ao PSOL estão instrumentalizando essa mobilização junto com os sindicatos, disse Mendonça ao blog. Imaginaram que colocariam em cheque o Enem, algo que vai muito além de qualquer governo. Politizar o Enem foi desrespeitoso com milhões de jovens. Desrespeitaram o sonho da juventude de ter acesso à universidade. Isso é um absurdo.
As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ocorrerão neste sábado (5) e no domingo (6). Entretanto, graças à ocupação das escolas, 191 mil dos 8,6 milhões de alunos inscritos terão de fazer as provas no mês que vem, nos dias 3 e 4 de dezembro. Nós fixamos um prazo. Dissemos que esperaríamos pela desocupação até as 23 horas e 59 minutos do dia 31 de outubro. Imaginaram que o governo fosse adiar esse prazo. Mas estávamos decididos. Ponto final. Acabou o prazo.
Nesta quarta-feira, o procurador da República Oscar Costa Filho protocolou na 8ª Vara Federal do Ceará uma ação em que pede a suspensão das provas marcadas para este final de semana. Sustenta que a realização do Enem em datas diferentes viola o princípio da isonomia, já que os alunos terão de fazer redações sobre temas distintos. O ministro afirma que o argumento do procurador é improcedente. Por quê? As provas do Enem têm uma equivalência.
Mendonça Filho acrescentou: Ninguém está reinventando a roda. Nós já fazemos duas provas por ano -uma geral e outra para o sistema carcerário. A diferença é que neste ano faremos três provas. O que também não é inédito. No ano passado, em função de enchentes ocorridas em determinadas localidades, foi necessário realizar três provas. O ministro afirmou que não vai polemizar com o procurador cearense: Quem vai cuidar disso é a AGU (Advogacia-Geral da União). Estamos confiantes de que não haverá problemas.
Para o ministro, a estratégia adotada pelo governo para lidar com a encrenca das ocupações de escolas revelou-se correta. Foi definida há mais de duas semanas, numa conversa de Mendonça Filho com Michel Temer. Eu disse ao presidente que não podíamos adotar nenhuma saída que significasse o uso da força. Não me oponho a que o Estado utilize a força quando necessário, mas jamais colocando em risco a integridade física de jovens estudantes.
Preferimos adotamos a estratégia da prova em dias diferentes, prosseguiu Mendonça Filho. Chegamos a ter mais de mil escolas ocupadas. Reduzimos para 300 -sem nenhum esforço repressivo, só na base do convencimento e na pressão da própria opinião pública. Imagine o que ocorreria se o Ministério da Educação resolvesse bancar uma operação repressiva em 20 Estados, nos 300 espaços públicos que ainda estão ocupados. Seria um desastre, uma grande confusão, com o risco enorme de termos um banho de sangue.
O repórter quis saber a opinião do ministro sobre o modo como as autoridades estão lidando com a desocupação nos Estados. Eu não serei um censor crítico de autoridades judiciais e do Ministério Público. Cada um atua de acordo com a lei e a Constituição. É o que espero como cidadão.
Em proposta intermediada pelo presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), os partidos que se opõem à reforma do ensino médio sugeriram a Mendonça Filho que o governo desistisse da medida provisória que enviou ao Congresso e tratasse da matéria por meio de projeto de lei. O ministro não topou.
Estou certo de que a reforma do ensino médio reúne os pressupostos constitucionais para figurar numa medida provisória: urgência e relevância. Qualquer matéria relacionada à área educacional é relevante. E a urgência da reforma está estampada no desempenho precário dos alunos.'
Mendonça afirmou que a medida provisória não inibe o debate. A comissão especial que analisa a reforma, composta de senadores e deputados, marcou audiências públicas para ouvir 53 pessoas. São pessoas do mais variado espectro ideológico -educadores, acadêmicos. Será um debate bem amplo.
O próprio ministro, que é deputado federal licenciado, eleito pelo DEM de Pernambuco, se ofereceu ao correligionário Rodrigo Maia para comparecer ao plenário da Câmara. Eu me disponho a passar o dia discutindo o assunto com os deputados numa comissão geral, disse.
O titular da pasta da Educação disse respeitar a opinião de todos. PT, PCdoB e PSOL têm toda a liberdade para atuar politicamente, desde que elevem o debate. O que não parece razoável é usar entidades sindicais como escudo para instrumentalizar estudantes e transformar o debate num ringue de quinta categoria. A grande maioria anseia pelo respeito à autonomia dos jovens, currículo menos exaustivos e mais espaço para que o estudante defina sua trilha de formação a partir da sua vocação e da sua vontade pessoal. Esse é o debate.
De resto, o ministro disse respeitar também o direito democrático dos estudantes de protestar, desde que o exercício do protesto não fira o direito que a maioria dos estudantes tem de estudar. Isso sem mencionar o direito constitucional mais elementar de ir e vir. Mendonça Filho concluiu: De minha parte, continuarei me valendo da arma de que disponho: o convencimento. Vejo que as críticas à PEC 241 [que institui o teto dos gastos públicos federais] e à reforma do ensino médio são inconsistentes. Todos estão convidados a participar do debate. (Josias de Souza) 

O que mudou?
Ao analisar o panorama cultural da mais longa democracia do mundo - os Estados Unidos -, Robert Hughes detectou, em seu livro A Cultura da Reclamação, os sinais de um país dividido, incapaz de lidar com suas verdadeiras necessidades. Pois os perigos previstos já aconteceram: a relação entre campanhas eleitorais e mídia televisiva, a herança puritana da direita, a queda do nível reflexivo, o elogio da superficialidade, a ignorância política das massas, a emergência do neo-moralismo e a onda regressiva do politicamente correto, entre outros.
A verdade assustadora do mundo atual apareceu. Mas, afinal o que mudou em nossas vidas?
Vamos lá.
Mudou a ideia de uma grande pátria americana organizando a sociedade como um parque temático, um supermercado ou uma Disneylândia - 11/9 e agora Trump abriram um buraco negro nos EUA, lá (e no mundo) acabaram a finalidade, o projeto, a busca de certezas, de sentido, a vontade de tudo explicar pela razão, o doce aroma do sucesso a qualquer preço, o happy end, o princípio, o meio e o fim, a vontade de esquecer a morte, por sua transformação em espetáculo, mudou a morte, que não está mais num leito burguês com extrema-unção e família chorando, a morte que já é um cachorro pelas ruas, atacando de repente; mudou a guerra, que antes era mundial em duas frentes e agora virou um arquipélago de tragédias disseminadas pelos continentes, mas também voltou a guerra fria com o psicopata Putin; mudou a compaixão, que hoje esbarra na pele de rinoceronte de nossa alma fria, mudaram nossos olhos que ficaram mais duros na contemplação das desgraças, cresceu a religião e a fé, caíram a esperança e a caridade, mudou o sonho de solução, a ideia de futuro redentor, chegou o fim do fim da história, mudou o sonho detergente de uma vida asséptica, sem fraturas, a utopia do conforto total, da harmonia doce do lar, das pérolas faiscantes, a presteza dos serviçais silenciosos e humildes, mudaram os pecados veniais, as deliciosas perversões irresponsáveis, acabou a oportunista e enobrecedora contemplação da miséria em compota por militantes imaginários, pois a miséria chegou nas asas da estupidez religiosa, mudou a rebeldia, pois os marginais não são mais heróis - são uma cultura de ameaças, acabou a esperança da revolução fácil, mágica, acabou a boa consciência de sermos confortavelmente a favor do bem, dos índios, das bichas perseguidas, dos excluídos, das baleias, acabaram as ideias universais - ficaram só o singular e o mundial, mudou a inocência que virou cumplicidade, mudou a mentira, que virou verdade, mudou a alegria que virou ironia ou cinismo, mudou o sim e o não - tudo que é negado é real e vice versa, mudou a esquerda que virou direita - o pretexto esquerda virou uma máscara para o fascismo bolivariano na alma, o surrealismo virou piada naturalista, o indivíduo indivisível deu lugar ao indivíduo esfacelado por bombas, coberto de pizzas sangrentas, acabou o outro, pois surgiu outro horrendo outro, sujo e mortífero, suicidando-se às gargalhadas, mudou também o difuso sentimento ocidental de superioridade, a aparente tolerância e a falsa generosidade, acabou o Ser-para-si, o Nada, o Tempo para a frente, pois o terror nos mandou de volta para o ano 1000, acabou a esperança de achar Deus entre as galáxias, pois Deus já está entre nós armado até os dentes, acabou a deliciosa sensação da fleuma, acaba a coolness, pois o homem-bomba desbancou o homem-cool, ficou mais evidente o desejo brutal dos egoístas, disfarçado de sorridente entusiasmo, ficamos mais conformistas e mais medrosos, acabou a democracia de boca, entrou em crise a sensação de luxo fabuloso, a ideia de beleza, até mesmo a elegantíssima vivência do desespero crítico na arte iluminista, acabou a malaise abstrata, a náusea romântica, a delícia das grandes dores de amor, enquanto a arte se esvai, destruída pelos efeitos especiais, acabou a depressão culta que enobrece o sofredor inútil, acabarão os filmes-catástrofe que são mais suaves que a realidade (aliás, o que era mesmo a tal da realidade?), acabou o amor romântico, ficou um amor de consumo, um amor de mercado, não temos mais músicas líricas, nem o lento perder-se dentro de olhos de ressaca, nem o formicida com guaraná; só restaram as fortes emoções, as lágrimas, motéis, perdas, retornos, desertos, a chuva, o sol, o nada, pois o amor hoje é o cultivo da intensidade contra a eternidade e porque temos medo de nos perder no amor e fracassar na produção; mas ainda temos a nostalgia por alguma coisa que pode voltar atrás. Não volta. Nada volta atrás. A infelicidade de hoje é dissimulada pela alegria obrigatória - um fast food da alma - pois ser deprimido não é mais comercial, nossos corações clamam por socorro de Bruce Willis, Van Damme, Super-Homem, todos desempregados, vagando pelas ruas.
Mudou o tempo - surgiu o enorme presente - tudo é aqui e agora; o passado virou depreciação. Os meios de comunicação eram extensões de nossos braços, olhos e ouvidos - hoje, nós é que somos extensões das coisas. Com o fim do sujeito, seremos todos objetos. Finalmente, a esperança será substituída pelo fatalismo islâmico. Só os homens-bomba vão gozar de livre arbítrio: por uma fração de segundo serão livres, leves e soltos. (Arnaldo Jabor) 
O atraso é a pior das negativas. (C.N. Parkinson)

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