1 de out de 2016

Riscos: Eleições não mudarão nada...

 photo ailusao_zpsraacbx8g.jpg • PF e Procuradoria pedem prisão de Palocci por tempo indeterminado. Ex-ministro está detido temporariamente desde segunda-feira, sob acusação de receber propina; Moro deixa Palocci preso por período indeterminado. Juiz decretou prisão preventiva de ex-ministro, suspeito de coordenar propina; Palocci coordenou repasse de US$ 11 milhões a Dilma;. É avassalador o pedido de prisão preventiva de Antonio Palocci. Além de comprovar que o ex-ministro recebeu R$ 30 milhões em espécie, a Polícia Federal também obteve a integralidade dos extratos bancários da conta Shellbil Finance, de João Santana. E descobriu que Antonio Palocci coordenou o repasse de mais de US$ 11 milhões para João Santana e Mônica Moura no exterior pelos serviços prestados para a campanha de Dilma Roussef em 2010. Constatou-se que tais pagamentos estavam atrelados à atuação de Antonio Palocci Filho e relacionados sob rubrica do ano de 2011 nas planilhas Posicão Italiano210712.xls e Posicao Italiano 22 OUT 2013 em25 nov.xls.
• Temer e Congresso têm 10 dias para explicar MP. Pedido de ministro do STF é feito no âmbito da ação movida pelo PSOL, que considera a MP inconstitucional.
• Porta-voz da gestão Temer vai manter salário pago pelo Itamaraty. Parola atualmente ganha R$ 27 mil; o cargo que irá ocupar tem vencimento bem menor, de R$ 15,3 mil.
• Em 13 anos, salário do serviço público subiu três vezes mais que o privado. Salários dos servidores cresceram 33% acima da inflação, enquanto na iniciativa privada aumento foi de 10%.
• Sobe número de pessoas que desistem de buscar emprego. Redução da participação da população em idade ativa indica desalento.
• Temer se exime de culpa por crise e defende ajuste. Para presidente, desequilíbrio nas contas do governo levou à recessão.
• Moreira Franco diz que Temer não cogita reeleição. Auxiliar afirma que a recuperação econômica do país é prioridade.
• Delação revela como propina da Transpetro chegava até Renan. Nova delação da Lava Jato põe Renan na rota da propina do PMDB.
• Governos rejeitam auditoria da Samarco. Relatório traz dados contábeis, e não análise de ações de recuperação em MG.
• MEC: nenhuma disciplina deixará de ser obrigatória.
• Secretário de Temer diz preferir o anonimato. Responsável pela imagem do presidente tem perfil discreto e retórica governamental na ponta da língua.
• Anvisa faz alerta para risco de superbactérias. Elas seriam resistentes à Colistina, antibiótico que é a última linha de defesa conhecida pela medicina.
• Pronto, falei: Gilmar Mendes critica fatiamento do impeachment. Sobre o tropeço da democracia: Se estamos com gosto de guarda-chuva na boca, foi resultado da votação (do impeachment, com fatiamento do processo); Analfabetos não podem fazer leis, diz Gilmar sobre Lei da Ficha Limpa. Ministro já tinha dito que lei parecia ter sido feita por bêbados.
• Falta de dinheiro nas campanhas não reduziu número de pesquisas eleitorais; Ciclo de atentados contra candidatos a prefeito e vereador macula o processo eleitoral brasileiro.
• Ex-dono de prédio do Instituto Lula implica compadre de ex-presidente na negociata. Época entrevistou o vendedor do prédio pago pela Odebrecht. Conselho Deliberativo da Petros aprova venda da participação na CPFL; Déficit da Petros atinge R$ 25,5 bilhões.
• Hipocrisia: PSOL se alia a DEM e PSDB em 165 candidaturas em todo País. Oportunista, partido se junta a quem diz odiar, nos estados.
• Herança maldita de Dilma: uma Bolívia de desempregados. Doze milhões de desempregados correspondem a uma Bolívia; Números indicam que haverá agravamento no desemprego, diz Padilha.
• Ofensiva russa matou mais de 9.000 na Síria, diz ONG. Bombardeios realizados por Moscou em apoio a Assad completam um ano. 
• Netanyahu e Abbas apertam as mãos no funeral de Peres. Obama lembrou que a paz na região segue uma tarefa inacabada
• China confirma que sua estação espacial vai cair na Terra em 2017. 
• A Europa dos bancos volta a tremer; culpa de quem? Do Deutsche Bank. Desde janeiro deste ano, banco alemão perdeu US$ 15 bilhões, ou metade do seu valor. 
• Os colombianos dirão neste domingo se chancelam ou não o acordo de paz entre o governo e as Farc. 

Candidatos ou eleitorado de cabeça para baixo.
São Paulo e Rio são as duas capitais mais importantes do país. Vamos ficar nas eleições de prefeito para concluir que anda tudo de cabeça para baixo, começando pelos candidatos, que sem exceção pertencem todos ao segundo time. Não sobra um com capacidade para gerir as intrincadas necessidades de paulistanos e cariocas. Tome-se, a 24 horas da votação, a falta de sintonia entre os pretendentes e seus padrinhos.
Em São Paulo, imaginou-se que o apoio do Lula serviria para alavancar Fernando Haddad. Deu o contrário, a ponto de o candidato entrar em curva descendente nas pesquisas assim que o primeiro-companheiro aventurou-se a apoiá-lo. Marta Suplicy caiu quando o eleitorado percebeu que Michel Temer caracterizou-se como seu cabo eleitoral. Celso Russomano perdeu o primeiro lugar na reta de chegada pela falta de substância de seus partidários. Por último, João Doria, também perdendo pontos quando identificado com o governador Geraldo Alckmin. Quer dizer, tudo às avessas.
No Rio, Jandira Feghali ficou para trás depois de Dilma Rousseff aparecer a seu lado. Aconteceu o mesmo com Pedro Paulo diante de Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves. Marcelo Crivella entregou percentuais ao visitar o cardeal Orani Tempesta e Marcelo Freixo ao aproximar-se do PT.
De duas, uma: ou os padrinhos perderam força e prestígio ou os candidatos escolheram mal. Mas tem pior entre os despreparados para as prefeituras, porque o índice de rejeição de cariocas e paulistanos superou de muito as respectivas aprovações.
Haddad emplacou 13% das preferências, contra 41% que de jeito nenhum votarão nele. Marta pontuou 13% pró e 29% contra. Celso Russomano, 22 a 24. João Doria é a exceção à regra: 24 a 22.
Em suma, se milagres não sobrevierem, os eleitores de São Paulo e do Rio demonstram estar muito mais contra do que a favor. Quem se eleger carregará muito mais repúdio do que ovações. A tentação é de concluir que um dos dois se encontra de cabeça para baixo: o eleitorado ou os candidatos. (Carlos Chagas) 

Faroeste caboclo.
No Rio de Janeiro o tiroteio aumenta às vésperas das eleições e a descrença também.
Na bela, desorganizada e muito suja (em muitos sentidos) cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro a eleição desperta sentimentos diversos. Para muitos impera a cultura do descrédito motivada pela decepção que salvadores do povo causaram aos que neles acreditavam. Para outros o desinteresse por acreditar que nada mudou, nem vai mudar e se mudar vai ser para pior, como no velho ditado pior do que está é certo que vai ficar.
Mesmo assim, apesar da Ficha Limpa que ainda não funcionou e da proibição de certos grupos em financiamento de campanha e da proibição da Caixa Dois em certas áreas, a disputa em alguns lugares se resolve na bala. Até agora 15 candidatos foram mortos envolvendo disputa eleitoral e consequente domínio de território, controlados por grupos criminais e/ou para militares. A prática do clientelismo ainda impera em muitas partes, onde o descrédito faz com que passem a votar em qualquer um em troca de dentaduras, cinquenta reais e promessas de todo o tipo que nunca serão cumpridas. Temos o exemplo dos sucessivos programas de crescimento o PAC que só cumpriu uma pequena parte das promessas feitas. Apesar de tudo o PAC-2 foi instituído sem que algumas obras do PAC-1 fossem sequer iniciadas. Candidatos exóticos, sem noção do que é uma democracia estão aí e podem ser eleitos, o que ainda é pior. O processo eleitoral veio com muitos esforços e muito sangue derramado depois de vários anos de exceção, onde o voto democrático não existia.
Os cargos eletivos eram escolhidos à revelia da população. O município do Rio de Janeiro tem quase 4.900.000 eleitoras aptos a escolher seus representantes, embora alguns não merecem voto algum, não representam ninguém a não ser seus bolsos onde esperam rapinar o que resta em dinheiro de uma cidade que ainda teima em ser maravilhosa. Felizmente restam uns poucos abnegados que ainda poderão colocar de novo as coisas em seu devido lugar, apesar daqueles que só pensam em se arrumar e trair a confiança de seus eleitores. Ainda temos um pouco de esperança. Ainda, mas até quando? (Alcyr Cavalcanti) 

Os sócios do estado e seus dividendos.
Minutos após as tenebrosas revelações da força-tarefa da Lava Jato sobre as atividades do companheiro Antônio Palocci, o PT descobriu que escandaloso, mesmo, é o ministro Alexandre de Moraes que mostrara, na véspera, saber que havia uma operação prevista para a semana que iniciava.
Literalmente, o país ficou mais abandalhado ante as provas de que o ex-prefeito de Ribeirão Preto tinha conta corrente no setor de propinas da Odebrecht. Os números são de deixar Donald Trump de cabelo em pé. O italiano titular da conta movimentou R$ 216 milhões no caixa subterrâneo da empresa! Note-se que Palocci não era sócio da Odebrecht recebendo dividendos. Por sua autoridade, até prova em contrário, operava como representante do PT, recebendo dividendos societários auferidos pela sigla na condição de sócia do governo. Ou propina, como afirmaram, de modo mais tosco, os policiais federais e os procuradores da república atuantes na operação.
Mário Sabino, do blog O Antagonista, em texto de ontem (26/09), lembrou que o COAF, em 2015, havia localizado operações financeiras extraordinárias nas contas de algumas lideranças do então partido governista, a saber:
Lula movimentara 52,3 milhões de reais; Antonio Palocci, 216 milhões de reais; Fernando Pimentel, 3,1 milhões de reais; Erenice Guerra; 26,3 milhões de reais. Ou seja, um total de quase 300 milhões de reais.
Qual a atitude dos líderes petistas, no ano passado ou agora, face a tais revelações? Deram alguma explicação? Escandalizaram-se? Solicitaram investigação interna para esclarecer os fatos e o destino dos milionários créditos? Eximiram o partido de qualquer responsabilidade? Emitiram sinal de constrangimento? Não. Arregaçaram as mangas, gargarejaram mel com limão e foram aos microfones atacar o boquirroto e infeliz ministro da Justiça.
Os deputados federais petistas Paulo Teixeira e Paulo Pimenta não precisaram contar até dez antes de proporem à CCJ da Câmara a convocação do ministro fanfarrão para as necessárias explicações. Vanessa Grazziotin fez o mesmo no Senado. Dilma Rousseff, desde a constelação Alfa Centauro, usou as redes sociais para diagnosticar que o país vive uma situação grave e que estamos caminhando para o Estado de Exceção (ZH de 27/09).
Passaram-se as horas, virou o dia, e até este momento, o único a dar explicações foi o ministro Alexandre de Moraes, já com o pé na soleira da porta de saída. Não sei por que razão me vieram à mente estas palavras de Josué Montello ao descrever a decadência de uma cidade em Noite sobre Alcântara: 
De repente, já longe, teve a sensação nítida de que ia andando pela alameda de um cemitério. As casas fechadas eram sepulcros e ali jaziam condes, barões, viscondes, senadores do Império, deputados, comendadores, sinhás-donas, sinhás-moças, soldados, mucamas, juízes, vereadores, sacerdotes. Somente ele, assim desperto dentro da noite, estaria vivo na cidade de mortos. E uma impressão instantânea de frio gelou-lhe as mãos e os pés, com a ideia de que, também ele, ia permanecer em Alcântara para sempre, encerrado no mausoléu de seu sobrado. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor)

Por que o PSOL é uma contradição política?
A sigla da instituição é PSOL, que representa as ideias a nortear a entidade: Partido Socialismo e Liberdade. Seu logotipo é a caricatura de um sol semirrisonho. Nasceu como costela do PT, em meio a mais uma das eternas e constantes dissidências entre grupamentos de esquerda.
No entanto, o objetivo deste artigo não é analisar as divergências ideológicas ou de ação política do esquerdismo militante. Mas exibir, em poucas linhas, a inafastável contradição histórica entre socialismo e liberdade.
Não existe nenhuma experiência de implantação do socialismo, desde a Revolução Russa de 1917, que não tenha degenerado em opressão das liberdades no território respectivo. Desde os regimes de Lênin e Stalin na própria Rússia, passando pela Cortina de Ferro estabelecida sobre a Europa Oriental após a Segunda Guerra, a China de Mao Zedong, os anos de Pol Pot no Camboja, a dinastia Kim na Coréia do Norte, a ditadura dos irmãos Castro, em Cuba e, nos dias atuais, o socialismo do século XXI na Venezuela de Chávez e Maduro. Todos esses sistemas tiveram a destruição das liberdades políticas e econômicas como ferramenta central de sua manutenção no poder.
Socialismo e liberdade são como água e óleo, não se misturam. Não há socialismo com liberdade, assim como inexiste liberdade onde o socialismo prospera.
A juventude dourada da Zona Sul do Rio de Janeiro tende a se encantar com promessas edulcoradas de que socialismo pode conviver com liberdade. O PSOL é, hoje, o centro dessa farsa. Como o próprio nome revela, é o coração de uma mentira que a história já se encarregou de desnudar. (Ney Carvalho, historiador e escritor) 
A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes. (Winston Churchill)

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