24 de out de 2016

Rio, que destino selado...

• PEC do Teto volta a ser colocada à prova nesta semana na Câmara. Câmara deve votar proposta do teto de gastos pela 2ª vez. Se for aprovada de novo, medida segue para o Senado. 
• Aposentado do INSS custa um terço de servidor federal. Cálculo de Consultoria da Câmara mostra distorções na Previdência. Valor médio total pago a funcionário público da União é de R$ 3,34 mi. 
• Contribuição de servidores pode aumentar. Governo estuda subir alíquota de 11% para 14% para custear rombo das previdências estaduais. 
• Policial legislativo do Senado diz ter medo após denúncia que fez à PF. Paulo Igor da Silva contou sobre suposto rastreamento ilegal de grampos. Quatro policiais foram presos acusados de ajudar políticos investigados. 
• 2/3 dos prefeitos eleitos não nasceram na cidade que irão governar. Em Roraima, nenhum dos eleitos vai governar a cidade em que nasceu. 
• Lula prepara uma campanha nacional contra a Lava Jato. A campanha é chefiada por Gilberto Carvalho, o Seminarista da Odebrecht. Seu núcleo, segundo o Valor, é formado por representantes do PT, do PCdoB, do Instituto Lula, do MST, da UNE e da Frente Povo Sem Medo. 
• Cunha movimentou R$ 25 milhões na Bolsa. Justiça Federal no Paraná decretou indisponibilidade de R$ 220 milhões do ex-presidente da Câmara. 
• Com alta de 170% nas ações, Petrobrás começa a reverter efeitos da Lava Jato. Valorização de papéis levou a petroleira do 11º para o 8º lugar na lista das companhias do setor no mundo. Conselho da Petrobras cria comitê de minoritários para acompanhar cessão onerosa. 

• Assembleia acusa Maduro de golpe de Estado e o ameaça com impeachment. Em sessão tensa, com invasão de chavistas ao Parlamento, oposição denuncia abusos Assembleia declara ruptura da ordem constitucional na Venezuela. Parlamento aprova texto que diz Maduro promoveu golpe. Parlamentares pedem garantia de direitos à comunidade internacional. 
• Quatro meses após Brexit, britânicos ainda não sabem como será vida fora da EU. Desde o plebiscito realizado em junho, em que Reino Unido decidiu sair da UE, há debates para encontrar a melhor maneira de isso acontecer. 
• Denúncias de estupro na Índia sobem 40% após crime. Morte de jovem após estupro coletivo, em 2012, estimulou registros, 
• Começa retirada de migrantes da Selva de Calais, na França. Acampamento de refugiados no norte do país será desativado. Refugiados serão levados a outros centros de acolhimento no país. 

Lula e os pequenos favores.
Recentemente, antes do impeachment de Dilma Rousseff, conversava com dois petistas amigos de Lula sobre o futuro do ex-presidente. Garantiam que nada de corrupção seria provado contra ele.
Indagados sobre as investigações do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia, os interlocutores de Lula, muito próximos a ele, disseram-me quase no mesmo tom: este foi o erro dele, aceitar pequenos favores de empresários, ele não achava errado.
Um deles, com certo ar de reprovação, afirmou: O Lula tinha dinheiro para comprar aquele apartamento, fazer aquelas reformas no sítio, mas nada está no nome dele, não é dele, são pequenos favores que o mundo da política se permite.
Lembrei-me desta conversa ao ler a manchete deste domingo da Folha, do excelente jornalista Mario Cesar Carvalho: Itaquerão foi presente para Lula, diz Emílio Odebrecht. Revelação do que vem por aí da delação da construtora baiana.
Conta que a construção do estádio do Corinthians, que custou R$ 1,2 bilhão, foi um presente para o corintiano Lula, apaixonado por futebol. Que torcedor no país não gostaria de dar a seu time de coração presente semelhante? Eu não daria.
Simplesmente, primeiro, por saber como são administrados os times de futebol no Brasil. Segundo, porque, se ganho um presente deste tamanho, é porque algo me será cobrado em idêntica proporção ou já estarei sendo recompensado.
Será que o Itaquerão entra na lista dos pequenos favores recebidos pelo ex-presidente Lula? Ele nega. Será que nada será provado contra ele? Até aqui, de fato, nada foi. Lula, porém, já é réu em três ações.
Um dado da reportagem de Mario Cesar levanta suspeita sobre os presentes -o sítio de Atibaia teve reformas bancadas pela construtora. O faturamento do grupo Odebrecht, nos governos do PT (2003 a 2015), saltou de R$ 17 bilhões para R$ 132 bilhões. Enfim, que venha a delação da Odebrecht. Para o bem do país. (Valdo Cruz) 

Suspeito que a civilização pressupõe a infelicidade como condição necessária.
O tema da redenção me encanta há muitos anos. Sou um descrente encantado com a tradição bíblica. Para almas apressadas, pode parecer uma contradição. Prefiro ver como uma espécie de pequena modéstia diante de tamanha beleza contida nas temáticas bíblicas.
Entre as várias histórias que me encantam está a de Lázaro. Não propriamente como a ideia do milagre de trazer alguém da morte, o que tendo a duvidar como fato, mas, sim, como metáfora da maravilhosa experiência que é, em meio à vida, você sentir-se vivo depois de muito tempo em que se sentia morto. Aliás, parte dessa ressurreição é tomar consciência dessa condição de morto em que se encontrava. Esta é a dor de Lázaro. Fosse inventada uma máquina para medir a sensação de estar morto em meio à vida, ela seria um blockbuster das tecnologias da informação.
Suspeito mesmo que a civilização pressupõe uma razoável dose de infelicidade como condição necessária. O maravilhoso livro de Freud O Mal-Estar na Civilização (uma das peças literárias necessárias para se entender o século 20) trata dessa condição de mal-estar como resto e condição do processo civilizador, nos termos do sociólogo Norbert Elias. Acomodar os anseios numa fina equação que enlaça afetos num sistema de obrigações sociais garante a continuidade da espécie. Penso mesmo que este trabalho tenha ocupado muitos milênios de nossos grandiosos ancestrais no Alto Paleolítico. Fosse eu ter uma religião hoje, seria o culto de nossos patriarcas paleolíticos.
ssim sendo, a civilização implica uma certa dose de morte em meio à vida. Lázaro estava morto e voltou à vida. Como podemos estar mortos em meio à vida? É possível termos uma experiência de Lázaro na vida?
Uma das formas mais comuns de morte é pensar que não há mais horizonte a não ser o cotidiano instituído: a mesma casa, o mesmo trabalho, a mesma padaria, os mesmos rostos, as mesmas lágrimas, o mesmo envelhecimento, o mesmo corpo no sexo. Um dos segredos da juventude é, exatamente, a possibilidade de ter um futuro desconhecido a ser explorado. Portanto, a ideia de que tudo que havia para ser conhecido em sua vida já o foi é, seguramente, uma forma de morte em vida. O amadurecimento, muitas vezes, implica uma certa dose de descrença na possibilidade de ressurreição em vida. Como amadurecer sem morrer?
Uma das razões para a morte em vida é a dureza da sobrevivência material. Nesse campo, a vida não tolera iniciantes. Qualquer erro e ela o castigará sem pena, transformando você num loser cheio de ressentimento e inveja daqueles que tiveram mais sorte ou, simplesmente, daqueles que nasceram com mais talento do que o seu pequeno quinhão de pobreza de espírito. E a vida profissional, no mundo contemporâneo, carrega muito mais significado do que mero ganho material, uma vez que passamos a maior parte do tempo envolvidos com ela. A vida profissional é, quase sempre, para a maioria de nós, uma certa dose de morte em vida.
Outra dose de morte em vida é o desencanto com o amor. A ideia de que o amor é para iniciantes ou desavisados com certeza nos garante uma vida longa sem sobressaltos. Infelizes são aqueles que caem vítima dessa doença que assola seus corações com uma tristeza infinita, instaurando o reino de uma inapetência para o cotidiano sem amor e afogado em demandas. Tranquilos são aqueles que se mantêm firmes em seu trajeto rumo ao envelhecimento sustentável.
Morrer em vida é, seguramente, se afogar em rancor, inveja, covardia. Afetos esses que, facilmente, se constituem em razões para conter o impulso de Lázaro em direção ao abandono do repouso na morte. Fiódor Dostoiévski (século 19) via em Lázaro morto a figura do homem assolado pelo medo da vida, assolado pela medo de correr o risco de ser perdoado por suas misérias porque, para ressuscitar, há que reconhecer-se morto primeiro. Só aquele que se reconhece morto poderá ver a imagem de Lázaro refletida em seu espelho. Esse rosto marcado pela dor da morte e pelas dores de parto que a ressurreição causará em sua vida. (Luiz Felipe Pondé) 

Governo teme uma inundação de armas provenientes da Venezuela e Colômbia.
Órgãos de inteligência do governo federal receiam que ocorra uma elevação no volume do armamento que entra ilegalmente no Brasil. Avaliam que é grande o risco de o país sofrer o que um ministro chama de inundação de armas. Elas passaram a chegar em maior quantidade de dois países vizinhos: Venezuela e Colômbia. E reforçam o arsenal do crime organizado, sobretudo no Rio e em São Paulo.
Relatórios sigilosos vinculam o incremento no comércio ilegal de armas a dois fenômenos: o derretimento do regime bolivariano na Venezuela e a desmobilização das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Armadas pelo ex-presidente Hugo Chávez, morto em 2013, milícias pró-governo descobriram na venda de fuzis uma fonte de renda para enfrentar a crise na Venezuela. Guerrilheiros das Farc também levam suas armas ao balcão.
A elevação da oferta provoca um barateamento do produto. Em consequência, cresce o volume de vendas. São cada vez mais frequentes as apreensões de armas de fabricação Russa nas mãos de criminosos brasileiros. Suspeita-se que tenham sido originalmente importadas pelo governo de Hugo Chávez, que se dissolve nas mãos do sucessor Nicolás Maduro.
Outra grande preocupação do governo na área da segurança pública é a “nacionalização” das facções criminosas de São Paulo (Primeiro Comando da Capital, PCC) e do Rio de Janeiro (Comando Vermelho, CV). Elas já controlam os principais presídios do Norte e do Nordeste. Estiveram por trás dos surtos de violência que ocorreram recentemente no Maranhão, no Rio Grande do Norte, Roraima e Rondônia.
O expansão do PCC é a que mais inquieta o setor de inteligência. A organização criminosa paulista revela-se mais uniforme e dispõe de maior capacidade econômica do que sua congênere carioca. Já começou a operar no Paraguai, onde disputa território com quadrilhas locais. Avalia-se em Brasília que o PCC persegue o modelo do Cartel de Medellín -a rede de traficantes de drogas que surgiu na Colômbia na década de 1970 e se espalhou na década de 1980 por países como Bolívia, Peru, Honduras e até Estados Unidos.
As inquietações do setor de inteligência contrastam com a incapacidade que o Estado vem demonstrando no Brasil de lidar com o avanço da criminalidade. O crime é organizado porque os governos estaduais e a União revelam-se cada vez mais avacalhados. A penúria do Tesouro Nacional e a ruína dos cofres estaduais tendem a agravar o problema. (Josias de Souza) 
Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou. (Magalhães Pinto)

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