6 de out de 2016

Não somos uma sociedade de castas...

 photo curitiba_zpssaacb2re.jpg • Greve dos bancários completa 30 dias e multiplica problemas. Cartões que vencem, senhas inválidas e cheques pendentes estão entre os maiores transtornos. 
• Número de novos alunos no ensino superior cai 6,1% no Brasil desde 2009. 
• PMDB pretende lançar Eduardo Paes como candidato a governador. 
• Candidatos receberam R$ 659,3 milhões em doações suspeitas. 
• Justiça paga revisão a mais de 2 mil segurados do INSS nesta sexta-feira. Valor pode ser verificado na web. 
• Em um dia, Dornelles assina 14 decretos de isenções fiscais a empresas e produtos. 
• Maioria do STF mantém possibilidade de prisão após condenação em segunda instância. O STF acaba de decidir, por 6 votos a 5, que condenados em segunda instância podem, sim, ir para a cadeia, sem a necessidade de aguardar o esgotamento dos recursos. Está mantido, assim, o entendimento da Suprema Corte de fevereiro deste ano, quando o placar foi de 7 a 4 --, Dias Toffoli migrou para o lado derrotado. Cármen Lúcia deu o voto de minerva. Vitória, apertada, da Lava Jato. Decisão dos ministros deverá ser seguida por todos os tribunais do País; Procuradores e delegados elogiam decisão do STF sobre prisão em 2ª instância. 
• Derrota de Lula. Derrota da ORCRIM; A prisão de condenados em segunda instância acaba com a chicana de advogados regiamente pagos por corruptos e assassinos poderosos. E nos coloca num patamar superior de civilização. Ao menos por enquanto. 
• Câmara aprova texto-base que flexibiliza regras do pré-sal. Projeto desobriga a Petrobrás de participar de todos os consórcios para a exploração dos campos e aprova fim da participação obrigatória da Petrobras em projetos do pré-sal.
• Apesar da sinalização dada pelo presidente Michel Temer, governadores ficam sem ajuda financeira da União. 
• Câmara aprova fim da obrigatoriedade da Petrobras no pré-sal. 
• José Roberto Ferreira acaba de entregar o cargo de presidente da Previc, o órgão regulador dos fundos de pensão. 
• Falta de quórum derruba votação de verba de R$ 1,1 bilhão do Fies; O governo, de madrugada, fracassou em sua tentativa de votar a LDO e o crédito para o Fies. Faltou quórum. A senadora Rose de Freitas reclamou de seus colegas: O que não está correto é que vários líderes da base não estejam aqui para votar com os seus liderados. Não é só ser líder, é ser babá para acordar senador e deputado. PT e PSOL, que obstruíram a sessão, comemoraram a vitória contra o governo. Chico Alencar disse que os aliados de Michel Temer estavam todos em restaurantes, bebendo uísque e fumando charutos; Fies: faculdades ameaçam não renovar o programa e cobrar alunos. 
• Deputados mantêm veto sobre gratificação a aposentados e pensionistas. 
• Congresso mantém veto a 100% de participação estrangeira em companhias aéreas. 
• Relator no TCU recomenda rejeição das contas do governo Dilma de 2015. 
• PF indicia Lula e Taiguara Rodrigues, sobrinho de sua ex-mulher, por corrupção. 
• A Lava Jato interroga os delatores da Odebrecht sobre os pagamentos aos advogados da empreiteira. O Antagonista soube que os procuradores se concentram, em particular, nos depósitos para o escritório de Dora Cavalcanti, a sucessora de Márcio Thomaz Bastos. 
• O operador de Antonio Palocci, conhecido como Brani (Branislav Kontic), preso pela Lava Jato, tentou mesmo o suicídio na última sexta-feira, como publicamos aqui. Lauro Jardim disse que ele tomou 40 comprimidos. É muito melhor delatar. Moro manda transferir ex-assessor de Palocci. 
• Carlos Fadigas, que presidiu a Braskem, está delatando o esquema de propinas da empresa para o PT. (Valor) 
• O PT vai perder 50 mil cargos comissionados. A estimativa é do próprio partido, segundo a Folha de S. Paulo: Apeado do governo federal e com cerca de 350 prefeituras a menos do que havia conquistado em 2012, o PT projeta um cenário em que até 50 mil pessoas que ocupavam cargos comissionados nas máquinas administradas pelo partido perderão os postos em 2017, quando a sigla será desalojada de grandes estruturas como a Prefeitura de SP. O PT vai arrecadar dezenas de milhões de reais a menos com a queda da receita do dízimo. E vai arrecadar centenas de milhões de reais a menos com a queda da receita da propina. 
• Partidos de oposição como PT, PDT, PCdoB, Rede e até o PSB, da base aliada, tentam em requerimento tirar da pauta da Comissão Especial da Câmara a votação da PEC 241, que estabelece teto para os gastos da União... 
• Catador de recicláveis eleito terceiro vereador mais votado no domingo, 2, em Assis, no sudoeste paulista, quer levar cão para Câmara de Assis, no interior de SP. Nilson Pavão (PMDB) aguarda, agora, que a direção do Legislativo permita que o Pretinho possa acompanhar as sessões na Casa: Ele é minha única família e muitas pessoas votaram em mim porque gostam dele.
• Temer investe em publicidade para criticar governo Dilma. Com o objetivo de defender a necessidade de reequilibrar as contas públicas, governo federal publica anúncio em jornais apresentando situação muito grave deixada pela gestão da petista. 
• Lava Jato: PF investiga compra de térmicas no governo FHC. 

• Internet brasileira entre as piores do mundo. Pode não ser uma surpresa para você, mas a internet brasileira está entre as mais lentas do mundo segundo ranking divulgado hoje pela Netflix. Com velocidade média de 2,57 Mbps, a nossa conexão é melhor que a da Colômbia e da Argentina e pior que a do Uruguai. 
• Conselho da ONU indica português como secretário-geral. Ex-premiê de Portugal António Guterres deve ser oficializado nesta quinta. 
• Santos se dispôs a mudar acordo de paz, diz Uribe. Ex-presidente da Colômbia se reúne com o atual e promete trabalho conjunto. 
• ONU desdenha recurso de Lula. Lula recorreu à ONU para protestar contra a Lava Jato. E a ONU mandou-o plantar batatas. Jamil Chade, do Estadão, disse: A ONU não considera o caso aberto pelos advogados de Luiz Inácio Lula da Silva na entidade como urgente e deixou sua avaliação para 2017. E também: O Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos confirmou ao Estado que o caso do ex-presidente brasileiro não entrará na agenda de reuniões do Comitê de Direitos Humanos, que passa a se reunir a partir do dia 18 de outubro em Genebra.
• Brasil quitará dívidas com órgãos globais, afirma ministro. Proposta de liberação de R$ 3 bilhões deve ser aprovada pelo Congresso. 
• Farc cumprirá acordo de paz mesmo com vitória do não na Colômbia. 
• O plano do Google para evitar que o Estado Islâmico recrute jovens pela internet. Gestado dentro do Jigsaw, espécie de think thank até antes conhecido como Google Ideas, projeto existe há um ano e foi batizado de Redirect Method. 

O caos e a providência divina.
Até o dia 30, domingo, a disputa entre os dois Marcelos, Crivella e Freixo, concentrará as atenções não apenas do Rio, mas do país inteiro. A vitória do candidato do PSOL demonstrará que as esquerdas ressurgiram depois do naufrágio do PT. Ganhando o candidato do PRB, a ideologia eleitoral ficará para as calendas.
Os companheiros votarão em Freixo, mas envergonhados. Não só os religiosos estarão com Crivella, ainda que sua falta de ideologia sirva de argumento para uma futura pacificação.
Quem quiser que arrisque palpites, mas as próximas semanas definirão mais do que o governo do Rio. Estarão em jogo duas tendências capazes de definir os rumos nacionais.
Discute-se o destino do PT. Ampla renovação de quadros e de lideranças parece inevitável, ainda que sem o sacrifício do Lula, na hipótese de não ser atropelado pela Lava Jato ou por Sérgio Moro.
Recomeçar não será fácil, ainda que todo o quadro partidário se encontre exangue. O PMDB, por exemplo, caminha para as profundezas, onde já se encontra o PT. Os tucanos confiam sair voando sobre o caos, mas enfrentam a desunião expressa pelo crescimento de Geraldo Alckmim nas eleições paulistanas de domingo passado. José Serra quer bancar o avestruz, enfiando a cabeça na areia em meio à tempestade, e Aécio Neves equilibra-se com a vantagem de presidir o PSDB.
Em suma, as eleições cariocas do segundo turno poderão servir para definições, sendo que Michel Temer, às voltas com pesquisas de opinião cada vez mais desastrosas, tarda em iniciar suas reformas ditas imprescindíveis. Caso venha a sofrer dificuldades no Congresso, estará contribuindo para acirrar velhas divisões ideológicas. Sem confiar no PMDB, resta-lhe apelar para a Providência Divina. Do caos, dificilmente sairá qualquer solução. (Carlos Chagas) 

Depois de Minas, a Bahia.
Atenção: a partir desta quarta-feira, três dias depois do primeiro turno das eleições municipais, acaba a restrição legal para prisões que não sejam em flagrante. O mundo político volta a tremer.
Já na véspera, nesta terça, a Operação Hidra da Polícia Federal atingiu mais um reduto estratégico do PT, a Bahia, onde brilham, ou brilhavam, duas das estrelas do partido: o ex-governador Jaques Wagner e o atual governador Rui Costa.
Wagner foi ministro da Defesa e chefe da Casa Civil no governo Dilma Rousseff e é cotado para presidir o PT durante um anunciado processo de renovação, ou reinvenção, do partido, que foi violentamente atingido pela Operação Lava Jato e seus filhotes e sofreu uma derrota acachapante em todo o país - com exceção de Rio Branco, onde venceu em primeiro turno, e em Recife, onde disputa o segundo com o PSB.
Rui Costa, uma das novas lideranças do PT, uma espécie de reserva, tem um perfil bem diferente do padrinho Wagner. Mais jovem, mais técnico, é apontado como um bom administrador, tem bons índices de popularidade e conseguiu driblar a pesada derrota na capital com vitórias no interior.
Como Minas, a Bahia era considerada um bunker de resistência, mas não escapou das investigações e desmembramentos da Operação Acrônimo nem da derrota nacional do PT. Em Belo Horizonte, o candidato petista comeu poeira na eleição e nem sequer chegou ao segundo turno. Em Salvador, o prefeito ACM Neto, do DEM, conquistou a reeleição no primeiro turno e foi um dos campeões de votos no País, com 74%.
O atual governador está sendo investigado pela Operação Hidra, junto com os ex-ministros das Cidades Márcio Fortes (governo Lula) e Mário Negromonte (governo Dilma), a empreiteira OAS e a agência de publicidade Propeg. A operação foca o financiamento ilegal de campanhas e fraudes em licitações e contratos de gestões anteriores do Ministério das Cidades. (Eliane Cantanhêde) 

Liberais deveriam adotar diferentes estratégias para mudar a política do país.
Vários leitores perguntam qual a melhor estratégia para que o liberalismo possa finalmente nos dar o ar de sua graça, influenciar para valer os rumos de nossa política. Não acho que exista uma só resposta. Ao contrário: acredito que estamos levando uma goleada tão grande que se faz necessário ter inúmeras estratégias de reação, de vitória.
Criar um partido novo, por exemplo. Foi feito, e o Novo, de fato, conseguiu emplacar quatro vereadores em sua primeira eleição. É um caminho, sem dúvida. O partido deve ter cuidado, claro, com os falsos liberais que eventualmente se aproximam dele, aqueles liberais que flertam também com aberrações como a Rede, de Marina Silva. Mas com certeza o Novo tem um viés bem mais liberal do que a média, e deve ser incentivado. Começa a colher alguns frutos.
Mas seria besteira, em minha opinião, limitar a estratégia a um só partido novo e ainda pequeno, sem muita força. Acho, portanto, que a tomada de outros partidos já estabelecidos é fundamental nessa guerra ideológica. O PSDB pode ser um antro de esquerdistas mais civilizados, pode abrigar até uns socialistas fabianos, mas tem também vários políticos com viés mais liberal. O DEM mais ainda. Seria besteira abandoná-los aos caciques fisiológicos e/ou esquerdistas.
No caso do PSL, alguns libertários fizeram esse movimento, com o Livres, e tiveram resultados razoáveis nas urnas. Foi um começo. E no caso do PSC, mais conservador, houve também uma união e vários liberais legítimos conseguiram influenciar o programa de governo, como no caso de Flavio Bolsonaro. É outra estratégia que me parece acertada, até porque há muita convergência entre liberalismo e conservadorismo, principalmente num ambiente dominado pela hegemonia de esquerda e um relativismo moral excessivo que deveria incomodar também os liberais.
Outra estratégia que sempre gostei foi aquela usada pelo Movimento Brasil Livre (MBL), que é criar um movimento com cores liberais e, depois, usá-lo para infiltrar vários liberais em diferentes partidos. Uma reportagem sobre as vitórias do MBL hoje no Globo dá a entender que o grupo teria mentido ou caído em contradição por se dizer apartidário, e ter apoiado 12 partidos.
Ora, não há nada errado nisso. Seria partidário se apoiasse um partido, não é mesmo? Ao apoiar candidatos de até 12 partidos, isso quer dizer claramente que o partido não é o mais relevante, e sim os princípios e ideias que cada um desses candidatos defende. Eis uma boa ideia também, ainda mais em nosso contexto de enorme fragmentação partidária e com partidos que não possuem muita solidez programática.
Teremos assim uma bancada liberal nas Câmaras municipais e eventualmente no Congresso, com vereadores e deputados unidos pela causa comum, independentemente do partido, como já ocorre com a bancada da bala ou bancada do boi, nomes pejorativos dados pela esquerda, naturalmente.
Por fim, e talvez o mais importante, nada disso é viável sem uma boa base de ideias liberais, ou seja, o papel dos vários institutos que surgiram para divulgar o liberalismo é simplesmente indispensável. São eles que vão dar sustentação a esses políticos, que vão preparar o terreno no campo das ideias para que suas propostas sejam aceitas pela sociedade, que fornecerão argumentos e embasamento para os debates. Como Luan Sperandio colocou em ótimo texto pelo Instituto Liberal, é crucial investir nas ideias liberais:
Isso é essencial para que indivíduos tenham tempo para aprimoramento acadêmico, estudos fundados nas ideias da liberdade, na realização de pesquisas e publicação de artigos, espaço na produção de obras, abertura de editoras, e demais ações de toda sorte. Se não houver financiamento para tornar o movimento sustentável, corre-se o risco de todo o trabalho dos últimos anos perecer. E isso é responsabilidade individual de cada liberal.
Quando o empresário Antony Fisher perguntou a Hayek se deveria abrir um partido, foi convencido pelo gigante liberal a abrir, ao contrário, um think tank, que iria preparar o terreno para que candidatos com viés liberal surgissem no horizonte. Nascia então o Institute of Economic Affairs, em 1955. Duas décadas depois o terreno estava fértil para que Margaret Thatcher liderasse um programa de reformas radicais em prol do liberalismo.
Em resumo, não acho que os liberais devessem adotar uma só estratégia. A esquerda sempre adotou várias, e conquistou sua hegemonia, que vem levando o Brasil cada vez mais para um modelo socializante e estatista. Se desejamos reverter esse quadro, então temos que reagir nas diferentes esferas, na política e na cultura, e de diferentes formas, sem partidarismo mesmo, pois defendemos ideias, não partidos específicos.
Se um Michel Temer apresentar propostas mais alinhadas ao liberalismo, deve ser apoiado. Se João Dória é tucano, mas tem uma pauta liberal, merece apoio. O importante é sempre caminhar na direção de mais liberdade. Com qual partido é o de menos… (Rodrigo Constantino) 

Os condicionantes da melhora.
Fundo do poço - As boas notícias de que o Brasil pode, enfim, ter encontrado o fundo do poço, e a partir de agora pode dar início a uma retomada do desenvolvimento, ainda que devam ser bastante festejadas é preciso que fique muito claro que o sucesso depende do tratamento que o paciente Brasil precisa ser submetido.
Sem aparelhos - Estamos, por enquanto na fase inicial da derrubada dos malditos obstáculos impostos pela estúpida Matriz Econômica Bolivariana (que no linguajar petista do atraso leva o nome de Desenvolvimentista).
Assim, com o horizonte mais aberto, se o governo Temer e o Congresso Nacional estiverem realmente dispostos a fazer e acontecer, aí o Brasil sai da UTI e passa a respirar sem aparelhos. 
Perspectivas econômicas globais - Vejam, por exemplo, que até o FMI, pelo que diz no seu relatório Perspectivas Econômicas Globais, passou a admitir que o desempenho da economia brasileira, caso as reformas anunciadas sejam aprovadas, é, sim, de melhora.
De uma preocupante retração de 3,3% do PIB deste ano, o FMI acredita que em 2017 sairemos da recessão, com um crescimento de 0,5%. 
Condicionantes - De novo: dependemos das reformas anunciadas apenas para melhorar. Isto, tanto para bom quanto para mau entendedor significa que estamos longe de apresentar um importante e necessário crescimento.
Mais: quanto mais tempo levar para que as reformas da previdência e trabalhista (principalmente estas) aconteçam, pior fica.
Poço da desgraça - Entretanto, se os nossos governantes copiarem o discurso e a vontade mostrada pelo novo prefeito de São Paulo, João Doria, que já deixou bem claro que tão logo tome posse pretende vender o Pacaembu e Interlagos, aí o Brasil toma jeito e vai em frente. Caso contrário, além de mostrarem não querer desenvolvimento algum, voltamos a cavar ainda mais o -poço da desgraça-. Olho nas eleições municipais - Com o mesmo olhar atento às importantes intenções e/ou decisões que o governo Temer mostra estar disposto a fazer, não desgrudo do Segundo Turno das Eleições Municipais de Porto Alegre, onde manifesto apoio aberto ao candidato-pensador, Nelson Marchezan.
Razões para apoiar Marchezan - Ainda que tenha boas razões para apoiar Marchezan, o que mais me faz não querer a vitória de Sebastião Melo é exemplar e decisiva: tanto o atual vice-prefeito de Porto Alegre quanto sua vice, a esquerdista Luciana Brizola, se declararam contra o impeachment de Dilma. Ambos insistem que houve golpe. Pode? (GSPires) 
O Brasil progride à noite, enquanto os políticos estão dormindo. (Elias Murad)

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