30 de set de 2016

Votar ou não, eis a questão...

 photo omedo_zpshfinblsv.jpg • Eleições terão 25 mil militares atuando em 14 Estados no primeiro turno. No fim de semana, as Forças Armadas vão dar apoio logístico e contribuir para garantir a segurança na votação; custo da operação é de R$ 23 milhões. 
• Doações de campanha suspeitas passam de R$ 500 milhões. TSE identificou 143 repasses feitos a partir de CPFs de pessoas que já morreram; beneficiários do Bolsa Família transferiram mais de R$ 21,1 milhões. 
• Arrecadação de impostos é a menor para o mês de agosto desde 2009. Depois de cinco meses de retração menor, o valor arrecadado caiu 10,12% e somou R$ 91,8 bilhões. 
• Sérgio Moro decreta sigilo em investigação sobre a Odebrecht. 
• Déficit da Previdência aumenta rombo nas contas públicas. Desequilíbrio é agravado com crescimento de benefícios e queda de receitas. 
• Estados avaliam cobrar impostos sobre bens repatriados. Lei permite que fiscos estaduais taxem doações e heranças declaradas. 
• Após rebelião, 200 presos fogem de penitenciária. Prisão superlotada tem fuga em massa. Detenção fica em Jardinópolis, interior de SP; houve tiroteio, fogo em canavial e um detento teria morrido. 
• Lava Jato separa Palocci e Odebrecht em carceragem. Força-tarefa tem medo que ex-ministro influencie delação de empreiteiro. 
• Lancha de Paulo Roberto Costa vai a leilão pela 2ª vez. Bens de ex-diretor da Petrobras são vendidos para ressarcir cofres públicos. 
• José Eduardo Cardozo ingressou no STF com um mandado de 500 páginas pedindo a anulação do impeachment? Não importa. Ignore esta nota. 
• Texto da PEC do Teto será finalizado até terça-feira, diz Meirelles. Segundo o ministro, reunião com líderes de partidos foi positiva e proposta foi bem recebida. 
• Faculdades pressionam governo e cobram a liberação de recursos para o Fies. Instituições privadas de Ensino Superior estão há três meses sem receber os pagamentos referente as mensalidades de quase dois milhões de estudantes. 
• Limite para o financiamento de imóveis com recursos da poupança sobe para R$ 1,5 milhão. Novo teto vale por um ano e bancos poderão destinar R$ 32 bilhões para realizar as operações; Imóvel novo de até R$1,5 mi poderá ter juros menores. Bancos poderão financiar moradias; medida não vale para o uso de FGTS. 
• Após ataques, votação terá efetivo recorde de segurança. Ao menos 45 políticos sofreram atentados no país desde junho deste ano; Número excessivo de candidatos a vereador dificulta ao extremo as decisões do eleitorado. 
• Gilmar diz que tropeço foi fatiar impeachment em resposta a Lewandowski. Presidente do TSE rebate ministro do STF que vê saída de Dilma como um tropeço na democracia; Lewandowski diz que impeachment de Dilma foi um tropeço na democracia. Comentário foi feito durante uma de suas aulas na Faculdade de Direito da USP, onde o ministro leciona Teoria do Estado. 
• TSE pede que PF investigue assassinato em Goiás. Candidato foi morto e vice-governador ficou ferido durante carreata na cidade de Itumbiara. 
 • Evangélica, Marina Silva apoia candidato homossexual no Acre. 

• Acidente com trem deixa um morto em New Jersey. Ao menos 100 ficaram feridos no choque na estação de Hoboken, que liga a região a Nova York; Trem bate em estação em Nova Jersey; única morte foi a da brasileira Fabíola Bittar de Kroon. 
• Trump pede ajuda a seus eleitores para segundo debate. Republicano envolve militância na preparação para próximo confronto. 
• O discurso da menina que chamou a atenção do mundo para a tensão racial nos EUA. O vídeo do discurso de Zianna Oliphant viralizou rapidamente, com celebridades e veículos de imprensa compartilhando o material. 
• Presidente filipino se compara a Hitler e diz que mataria milhões de viciados. Responsável por guerra sangrenta contra a criminalidade e combate as drogas, líder filipino gera polêmica e indignação de organizações judaicas. 
• Dilma poderia ter sido preservada, diz Cristina Kirchner. Argentina afirma que forças da região no passado teria evitado impeachment. 
• Para FMI, teto de gastos pode ser determinante para ajuste fiscal. Relatório aponta necessidade de reforma da Previdência e resolução da dívida dos Estados. 
• Um terço da população da Argentina vive na pobreza, e 6,8% são indigentes. O dado foi divulgado por um instituto que distorcia informações no período do kirchnerismo.

Pior do que está não fica.
Mesmo com as levas de réus da Lava Jato, as prisões de figurões, a crise econômica e as eleições municipais, que estão bem aí, não se pode passar batido por um debate que não diz respeito (só) ao presente, mas projeta o futuro: a reforma do ensino médio. Essa é uma antiga reivindicação consensual dos educadores e está calcada na flexibilização e atratividade dos currículos escolares. Que, convenhamos, já vêm tarde.
O que importa é manter longe da contaminação partidária uma discussão que parte de duas premissas: o prestígio ao professor e o estímulo ao aluno. Aliás, o Plano Nacional de Educação (PNE) foi debatido entre 2010 e 2014 por entidades, municípios, Estados e fóruns do PT e foi aprovado pela então presidente Dilma Rousseff, que, inclusive, defendeu a flexibilização na campanha eleitoral, como comprovam vídeos na internet. Logo, a reforma não é do DEM do ministro Mendonça Filho nem do PSDB da secretária executiva Maria Helena Guimarães de Castro, como não era do PT de Dilma. É uma necessidade.
O que diz o PNE, na sua meta 3.1? Defende currículos escolares que organizem, de maneira flexível e diversificada, conteúdos obrigatórios e eletivos articulados em dimensões como ciência, trabalho, linguagens, tecnologia, cultura e esporte.... Ou seja, evoluir de currículos engessados para uma flexibilidade e diversificação que motivem professores e alunos. Em 2015, eram cerca de 13 milhões de alunos no primeiro ano do ensino médio, 1,75 milhão no segundo e 1,5 milhão no terceiro. Entre os motivos da evasão, o desencanto, a dificuldade. Imagine um jovem saído de um ensino básico precário e obrigado a estudar química e biologia, quando ele quer a área de humanas. É melhor criar condições para esse jovem traçar seu projeto de vida, inclusive no ensino profissionalizante. Ele sai com um diploma que lhe abre as portas para uma carreira e/ou a universidade.
Pelo Ideb, só 11% dos alunos têm desempenho adequado em matemática e só 27% em português, as duas disciplinas obrigatórias em currículos e na vida. Foi tristíssimo, diz Maria Helena, explicando que a prioridade original era mexer no ensino básico, mas, diante desse resultado, o MEC decidiu apressar a reforma do ensino médio - e por medida provisória, que também exige debate e consensos, mas tramita mais rápido, sem ficar tão a reboque de teto fiscal, reforma da Previdência...
Como sempre, o governo deu munição aos adversários ao deixar a impressão inicial de querer acabar com artes e educação física, quando se tratava de um detalhe técnico, jurídico, na redação da MP. Curiosidade: um filho de Maria Helena, Aluizio, hoje na área de marketing de um grupo de ensino, foi campeão brasileiro de triatlo e é formado em... Educação Física. Ai dela se ousasse acabar com a disciplina.
Segundo a secretária, o objetivo é combater a fragmentação e superficialidade que fazem com que os alunos saiam do ensino médio sem saber nada de nada, porque o que a escola oferece é um picadinho, um pot-pourri de conteúdos que não se conectam entre si, não fazem sentido nem despertam o interesse do aluno. Quem discorda?
O Cenpec, importante na área, é a favor da flexibilização curricular, mas teme que a reforma possa acirrar as desigualdades escolares, pois as escolhas dos jovens dependem de sua condição social, das oportunidades que tiveram ao longo da vida. É uma advertência válida, mas a secretária rebate: É impossível aumentar mais a desigualdade que já existe. Não vai aumentar a desigualdade e sim as oportunidades. O mais importante é acompanhar, compreender, prestigiar o professor e defender o estudante, para avançar. Como diria o filósofo Tiririca, pior do que está não fica. Que se debata o bom debate! (Eliane Cantanhêde) 

Desinteresse e irritação.
Vem se aproximando perigosamente do dia da eleição dois fatores que as pesquisas eleitorais não consideram, pelo contrário, fogem deles como o diabo da cruz: o desinteresse e a irritação. Os candidatos, os partidos políticos, a justiça eleitoral e até a mídia omitem e abominam esses dois sentimentos que acompanharão boa parte do eleitorado e demonstrarão a pouca importância que o cidadão comum vem dando ao processo político.
Vamos aguardar os resultados, mas há quem preveja boa parte do eleitorado deixando de comparecer às urnas, por desinteresse amplo, geral e irrestrito.
Outros que não comparecem ou que votam por obrigação estarão com raiva de tudo o que os candidatos representam. A irritação diante daqueles que mentiram a mais não poder durante as campanhas torna-se evidente em qualquer conversa. Votar nesses bandidos que nos exploram, para quê?
Os acontecimentos recentes, do mensalão ao petrolão, da Operação Lava Jato ao juiz Sérgio Moro, deixaram o eleitor com raiva da política e dos políticos. Para que votar se eles vão roubar?
Essas previsões dependem de comprovação, porque milagres às vezes acontecem. Pode ser que a maioria do eleitorado decida cumprir o seu dever, assim como existirá, entre os candidatos a prefeito e a vereador, um grupo de gente honesta e capaz de trabalhar pelo povo. Mas é bom não apostar, porque o desinteresse e a irritação batem à porta, faltam só 48 horas.
Houve tempo em que as eleições não eram informatizadas e tínhamos de votar colocando no envelope um papelzinho com o nome do candidato. Era grande o número de eleitores que rabiscavam ofensas e até palavrões em vez do nome do candidato, ou até preferencialmente deixando os dois. A justiça eleitoral proibiu a divulgação daquelas opiniões, e agora ficou impossível exprimir nossa irritação num teclado de computador. Mas a raiva permanece a mesma.
Em suma, vale aguardar a noite de domingo, quando já se conhecerão os prefeitos recém-eleitos. O desinteresse poderá ser expresso pela ausência, a abstenção e o voto em branco. A irritação, porém, seguirá com o eleitor. (Carlos Chagas) 

O crápula continua impune.
O ministério Público e o TRE, até agora, nada fizeram pra punir o velhaco Marcelo Crivella, explorador a fé alheia e, agora, explorando indevidamente a imagem do Cardeal Dom Orani Tempesta, que não o apoia.
A Arquidiocese já solicitou providências à Justiça, reiteradamente, e o falso bispo, que agora troca falsamente a Universal de seu titio Edir Macedo pela política, continua usando descaradamente a imagem do Cardeal.
As autoridades competentes têm obrigação de cassar a candidatura desse crápula, urgentemente, antes da eleição que ocorrerá no próximo domingo. Por que ainda não o fizeram? (Mirson Murad) 

Se você tem Teto de Gastos, o governo também precisa ter.
O Antagonista fez campanha pelo impeachment.
Agora fará campanha pela PEC 241, que é hoje análoga ao que fora o Plano Real em 1994.
Nem todo mundo entende o Teto de Gastos.
Muita gente não entendia o Plano Real antes de sua adoção.
Mas a lógica é convincente e produz resultados formidáveis.
Basicamente, vamos impor ao setor público a mesma restrição orçamentária que nós, indivíduos, temos que administrar a cada dia.
Você recebe seu salário no começo do mês e planeja como gastá-lo. Não existe almoço grátis. Toda decisão é pensada. Qual escola posso pagar para o meu filho? Que tipo de azeite devo comprar?
No fundo, isso é saudável. Decisões pensadas são melhores que as tomadas por impulso ou à custa dos outros. Precisamos saber escolher dentro de nossas próprias restrições.
Se você gasta mais do que ganha, vai se endividar e terá de arcar pessoalmente com essa dívida.
Justo, não?
Com o governo brasileiro, não funciona assim.
Se ele (ou ela) gasta mais do que ganha, eu e você pagamos a conta, sob a forma de inflação, juros e desemprego.
O Teto de Gastos muda o jogo, obrigando o governo a enfrentar as consequências de seus próprios atos, evitando o repasse covarde à sociedade.
Resultará, portanto, em imediata queda da inflação, corte na Selic e crescimento da atividade.
Não quero, com essa breve explicação, fingir que o tema é trivial, tampouco romântico.
É um tema aborrecido, obviamente.
Mas, depois da queda do PT, precisamos reconstruir o país. (Rodolfo Amstalden) 

Desânimo, sim, mas a um custo menor.
A esdrúxula solução com a qual convive o Brasil nos conduz à especulação de como nas próximas eleições, já de pleno, é forçoso admitir, o número e o volume de doadores de campanha serão bem mais modestos do que nas eleições anteriores, dada a necessidade de identidade.
Isto não resultará apenas da apatia econômica do País e de suas pálidas perspectivas, mas especialmente de que os eventuais vencedores deverão ter muito menos recursos para redistribuir entre seus apoiadores.
Sob este ponto de vista, a redução dos investimentos tem aspectos bastante positivos, especialmente o de que o voto não resultará meramente de um mecanismo de repetição.
Para a mídia, especialmente a eletrônica, será concentrada, sem dúvida, a maior parte dos recursos. Os gastos, creio que não devem crescer para as eleições com um número muito maior de aspectos emocionais do que propriamente por princípios racionais.
No Rio de Janeiro, especialmente, a discussão maior é a do Bispo Crivella que, hoje muito bem classificado nas pesquisas, tenta de todas as formas se livrar do epíteto Bispo.
O que se vê, de um modo geral, entre eleitores de várias categorias sociais é um enorme desânimo.
Aparentemente saímos de uma refrega que acabou por retirar Dilma Rousseff por absoluta incompetência. Não é razoável admitir que isso significou nenhuma grande perda ao PT. Na verdade, a atuação de Dilma, decepcionante sob todos os pontos de vista, resulta em uma perda para o PT, mas seu afastamento pode ajudar o partido a recuperar um pouco do espaço que perdeu.
Lula também está em um momento ruim, não só em função da identificação de um belo sítio de sua propriedade, mas também de um apartamento de cobertura de três andares na valorizada praia de Guarujá. O PT vai ter muito trabalho para não ser classificado como o partido dos ricos.
É uma reflexão e, ao mesmo tempo, uma esperança de que o Brasil olhe com lentes adequadas a péssima qualidade gerencial dos petistas. (Arthur Chagas Diniz) 
O Demónio não soube o que fez quando criou o homem político; enganou-se, por isso, a si próprio. (William Shakespeare)

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