2 de ago de 2016

Haja operações nas corrupções...

 photo Resta Um_zpsqd5pp6lm.jpg • A Polícia Federal deflagrou a 33ª fase da Operação Lava Jato, na manhã dessa terça-feira (2). São 32 mandados judiciais cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco e Minas Gerais. São dois de prisão temporária, um de prisão preventiva, seis de condução coercitiva e 23 de busca e apreensão. A ação foi batizada de Resta Um. O ex-presidente da Queiroz Galvão Ildefonso Colares Filho e o ex-diretor Othon Zanoide de Moraes Filho foram presos preventivamente. O mandado de prisão temporária é contra Marcos Pereira Reis. Ele está no exterior, segundo a PF; A delegada Renata da Silva Rodrigues diz que a Queiroz Galvão, segundo as investigações, montou no exterior uma estrutura financeira para a formação de um caixa 2 para pagamento de campanhas. Segundo ela, há pelo menos quatro parlamentares na lista de beneficiários; O procurador Carlos Fernando diz que o caso da Queiroz Galvão representa todos os pecados descobertos pela Lava Jato. Representa todas as espécies de crimes que verificamos na Lava Jato. Temos doações de caixa 1, temos caixa 2 pagos pela Quip na campanha de reeleição de Lula. Temos propina, temos corrupção e a manutenção de funcionários no exterior, longe da Justiça, e o impedimento de investigações, no caso da CPI da Petrobras de 2009, com o pagamento a Sérgio Guerra.
• Ao denunciar o ex-presidente Lula Luiz Inácio Lula da Silva por obstrução da Justiça, o procurador da República Ivan Cláudio Marx atribuiu ao petista papel de chefe de organização criminosa. A denúncia foi recebida pela Justiça Federal em Brasília na sexta-feira, 29. O ex-presidente tem 20 dias para apresentar sua defesa; Ele nega envolvimento no caso. Cidadão brasileiro financiou o PT, diz procurador que acusa Lula. Empréstimo envolvendo contrato com a Petrobrás teria ido para o partido, que estava em dificuldade; Lula réu: Ex-presidente vê 2018 ficar mais distante depois de recurso à ONU e aceitação de denúncia; Lula diz, em depoimento ao Ministério Público Federal, que Delcídio mentiu; Petistas ilustres afirmam que o ex-presidente Lula cogita de novo sair do Brasil e pedir asilo a um país amigo. A decisão de denunciar o juiz Sérgio Moro à ONU faz parte da estratégia de buscar solidariedade internacional contra a perseguição das elites. A família prefere viver na Itália, onde sua mulher Marisa e os filhos já têm cidadania. Lula tenta agora estreitar relações com o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi, que disse admirá-lo e o recebeu em almoço em junho de 2015.
• MPF denuncia Paulo Bernardo por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Ex-ministro e outras 19 pessoas são acusadas de receber recursos de um esquema de fraudes no contrato para gestão de empréstimos consignados no Ministério do Planejamento.
• Crime organizado continua ataques no Rio Grande do Norte. Já são 70 ataques que aterrorizam o estado; Onda de violência deixa alunos sem aula em Natal. Ataques foram comandados por detentos, segundo secretário estadual.
• João Santana e mulher saem da prisão em Curitiba. Moro diz que prisão não se mostra mais necessária para casal, que foi responsável pela campanha de Dilma; Sérgio Moro aceitou pedido de revogação da prisão de Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana. O depoimento de Zwi Skornicki fragilizou a acusação de corrupção contra ela e o marido, assim como a razão para manter a prisão preventiva. Mônica terá de pagar uma fiança; Moro determinou a substituição da prisão preventiva de Mônica Moura pelas seguintes medidas cautelares alternativas:
- proibição de deixar o país, devendo entregar em Juízo todos os seus passaportes, brasileiros e estrangeiros;
- proibição de manter contatos com outros acusados ou investigados na assim denominada Operação Lava Jato, bem como com destinatários de seus serviços eleitorais;
- comparecimento a todos os atos do processo, salvo quando dispensada pelo Juízo; e
- fiança correspondente aos valores já bloqueados nas suas contas-correntes (cerca de R$ 28.755.087,49).
• Com a decisão de Moro, a defesa de João Santana preparou pedido idêntico para conseguir sua libertação; Sérgio Moro ressaltou que, se João Santana quiser a extensão do benefício concedido a Mônica Moura, deverá peticionar nos mesmos termos e considerar a perda dos valores já bloqueados em suas contas correntes como fiança - no caso, R$ 2,75 milhões. Feira não poderá trabalhar em nenhuma campanha eleitoral no Brasil. Ele está proibido de deixar o País e de ter contato com outros investigados na Lava Jato; Sérgio Moro ressaltou que, se João Santana quiser a extensão do benefício concedido a Mônica Moura, deverá peticionar nos mesmos termos e considerar a perda dos valores já bloqueados em suas contas correntes como fiança - no caso, R$ 2,75 milhões.
• Sérgio Moro determinou a substituição da prisão preventiva de João Santana por medidas cautelares alternativas semelhantes às atribuídas a Mônica Moura:
- proibição de deixar o país, devendo entregar em Juízo todos os seus passaportes, brasileiros e estrangeiros;
- proibição de manter contatos com outros acusados ou investigados na assim denominada Operação Lava Jato, bem como com destinatários de seus serviços eleitorais;
- comparecimento a tv;
- e fiança correspondente aos valores já bloqueados nas suas contas-correntes (cerca de R$ 2.756.426,95).
Moro acrescenta que fica o acusado proibido de atuar direta ou indiretamente, inclusive por interposta pessoa, em qualquer campanha eleitoral no Brasil até nova deliberação do Juízo

• Olimpíada ocorre em País dividido e em crise sem precedentes, afirma COI. Em discurso de abertura, Bach revela a dimensão dos problemas que evento enfrentou em sete anos. 
• Balança comercial tem superávit recorde e atinge marca histórica. Nos sete primeiros meses do ano, exportações superaram importações em US$ 28,2 bilhões.
• Olimpíada ocorre em País dividido e em crise sem precedentes, afirma COI. Em discurso de abertura, Bach revela a dimensão dos problemas que evento enfrentou em sete anos. 
• Balança comercial tem superávit recorde e atinge marca histórica. Nos sete primeiros meses do ano, exportações superaram importações em US$ 28,2 bilhões. 
• Indústria demite em junho, mesmo com melhora na produção. Emprego no setor caiu 0,6% em junho ante maio, apesar dos sinais de melhora no faturamento. 
• Governo cede e mantém maquiagem em gastos com pessoal nos Estados. Para garantir aprovação, algumas despesas com pessoal ficarão de fora do teto estadual para gastos. 
• Auditores da Receita Federal devem manter paralisação iniciada no dia 14 de julho. 
• Servidores protestam no Congresso contra arrocho nas contas públicas. Volta do recesso tem dia quente na Câmara, com restrições de acesso ao público. Parlamentares discutem regras para a renegociação das dívidas dos estados e tentam reduzir arestas com segmentos do funcionalismo. 
• Congresso prioriza pauta econômica após recesso. Reunião de líderes na Câmara definirá pauta de votações para esta semana. Presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) pretende concentrar esforços na economia. Já no Senado, comissão do impeachment se reúne terça-feira (2). 
• O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), respondeu duramente aos ataques do ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes, que, descontrolado, acionou sua metralhadora giratória contra adversários como Tasso Jereissai (PSDB-CE), a quem chamou de assassino. Eunício respondeu com uma pergunta aos ataque de Ciro, em Radio Tupinambá AM em Sobral, na sexta-feira (29): Afinal, de que vive este ladrão? O senador fez referência ao fato de o adversário não ter ocupação definida. Após fazer essa pergunta-acusação, o próprio Eunicio Oliveira disse que Ciro, a quem se refere como esse elemento, que pensa que é inimputável. E atacou: Ciro vive do dinheiro da prefeitura de Sobral e dos R$ 300 milhoes que segundo a Veja ele e sua quadrilha roubaram e no ministério da Integração. Eunício ressaltou ainda que Ciro é detentor de apenas 138 processos contra ele
• Psol cobra votação do pedido de cassação de Cunha. Partido que denunciou o ex-presidente da Câmara ao Conselho de Ética teme que base de apoio de Temer, com medo de retaliação, evita ou adie a punição do deputado. Líder do Psol diz que Cunha ameaça não só deputados. Está intimidando inclusive o presidente golpista.
• O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) entregou nessa segunda-feira (1º) as chaves da residência oficial da presidência da Câmara, que agora passará a ser utilizada por Rodrigo Maia (DEM-RJ). Cunha passará agora a residir em um dos apartamentos funcionais da Câmara. 
• Ricardo Lewandowski, no plantão, também concedeu habeas corpus a Luiz Fabiano Ribeiro Brito, ligado ao PCC e que foi preso no ano passado em ataque a um quartel da Polícia Militar em Fortaleza. A prisão preventiva de Luis Fabiano estava fundamentada em informações do inquérito policial que acusavam Fabiano de comandar atentados contra agentes e unidades de Segurança na capital cearense, onde o grupo criminoso tentava implantar uma célula. Em São Paulo, segundo o inquérito, ele já responde por crimes graves como homicídio, roubo e tráfico de drogas. Para o presidente do STF, houve constrangimento ilegal na manutenção da segregação cautelar do paciente, pois, como se sabe, a presunção de inocência é princípio fundamental, de tal sorte que a prisão, antes da condenação definitiva, é situação excepcional no ordenamento jurídico. Lewandowski se superou. 
• Salva-vidas vira espectador privilegiado nas piscinas da Rio-2016 após lei estadual criar posto incomum na história olímpica; ao todo, 78 pessoas exercem o posto desde o dia 27. 
• Bombeiros encontram corpo de taxista desaparecido na Baía de Guanabara.   

• Referendo contra Maduro avança na Venezuela. Primeiras assinaturas foram validadas após forte pressão da oposição; referendo pode levar a novas eleições. 
• Republicanos criticam Trump após ataque a herói de guerra. Reação a resposta de republicano para discurso de pai muçulmano se alastra. 
• Incerteza marca primeiro dia de Mercosul sem chefia. Países-membros discordam sobre Venezuela; atividades estão paralisadas. Diante de impasse, Argentina propõe presidência compartilhada do Mercosul. 
• Socialismo de Daniel Ortega é oco, diz ex-aliado. Para Sergio Ramírez, líder da Nicarágua busca autocracia com manobra. 
• Papa cria comissão para estudar se mulher pode ter função de diácono. 
• Revista The New Yorker ironiza Jogos e dá capa com atletas correndo do zika. 
• Barack Obama paga do próprio bolso desde a comida ao papel higiênico. Desde que Barack Obama e sua família chegaram à Casa Branca nunca comeram ou consumiram um prato de comida grátis. E não é só a comida não, Obama tem que tirar dinheiro do seu próprio bolso, para pagar lavanderia e comprar desde creme dental até mesmo papel higiênico. Os presidentes americanos pagam suas próprias contas desde 1800, quando o presidente da época, John Adams, pagou do seu próprio bolso toda a sua equipe. O salário do homem mais poderoso do mundo é de US$37.500,00 (trinta e sete mil e quinhentos dólares). Existe um orçamento para pagar os custos de manutenção de casa e de pessoal, além claro de jantares de convidados de Estado. Embora os chefs que preparam a comida sejam pagos pelo governo, o presidente Obama deve reembolsar todas as compras do supermercado ou farmácia que é feito para ele, sua esposa ou suas duas filhas. O pessoal da Casa Branca prepara mensalmente uma fatura discriminada, e envia uma cópia para o presidente e para a primeira dama Michelle Obama. Nessa fatura consta inclusive bebidas consumidas por seus convidados. Além dessas despesas, o presidente dos Estados Unidos ainda está pagando a hipoteca de sua casa em Chicago e escola particular com para suas filhas. As únicas coisas que Obama não precisa pagar é o aluguel da Casa Branca, a segurança, o transporte e o plano de saúde.

Sem reeleição.
Perdeu Michel Temer excelente oportunidade de ficar calado ou de ajudar o Michelzinho a fazer seus deveres de casa. Não tinha nada que mandar distribuir nota oficial negando a possibilidade de recandidatar-se à presidência da República. A hipótese foi aventada fora de hora pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Para agradar ou falta do que fazer, mas extemporânea. A pouco mais de dois anos da eleição, ignora-se o sucesso ou o fracasso do governo por enquanto interino. Mesmo tornando-se evidente sua transformação em definitivo, tempo haverá para inscrever-se na galeria dos bons, regulares ou péssimos.
Começa que cresce no Congresso a tendência para acabar com a reeleição. A experiência de Fernando Henrique, Lula e Dilma não deixa ninguém mentir. O país seria outro sem as três repetições. Provavelmente melhor. Junte-se o número de possíveis candidatos a candidato. Nenhum deles concorda com Rodrigo Maia.
Em matéria de reformas políticas, além da proibição de serem reeleitos presidentes da República, governadores e prefeitos, o corolário parece óbvio: seus mandatos seriam estendidos para cinco ou seis anos. Haveria a descoincidência de eleições, ainda que se cogite da prorrogação de deputados para cinco anos. Quanto aos senadores, dez anos é demais, mas cinco, de menos.
Viável, mesmo, parece a cláusula de barreira para diminuir a proliferação de partidos políticos, ainda que os pequenos já se articulem para tentar sobreviver. Misturar sucessão presidencial com diminuição de partidos não dará certo. Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra não cabem no PSDB. Dois pularão fora, em busca de legendas alternativas. Henrique Meirelles, se perder o PMDB, poderá abrir uma temporada de caça.
Em suma, se não há confusão, é quase isso. Michel Temer que cuide dos próximos dois anos. (Carlos Chagas)

A eleição para prefeito do Rio-2016! Uma primeira avaliação pós-convenções!
1. Após a eleição municipal de 2012, uma análise interna do instituto GPP afirmava que os 23% dos votos (incluindo brancos e nulos) conquistados pelo deputado Freixo incluíam os votos anti-Paes pelo efeito voto-útil, na medida em que os demais candidatos perderam fôlego eleitoral. E concluía que o voto efetivo em Freixo estava mais próximo dos 50% que obteve. As pesquisas informadas agora em 2016 confirmaram isso.
2. O efeito-PT-impeachment, por enquanto, afetou destacadamente a deputada Jandira Feghali, que está a menos da metade do que obteve em 2008 para prefeito. E ocupa um modesto quinto lugar. Com as informações de hoje, tenderá a servir como base para o voto útil em Freixo.
3. O deputado Molon precisará desesperadamente que Marina Silva (que continua a mais popular no Rio) o carregue no colo. Ele enfrenta dois problemas: a) Não ter nunca se aproximado dos temas regionais; b) Apesar de aparecer muito no noticiário da TV, ainda não desenvolveu carisma. É percebido como um acadêmico. Permanece longe, em último. 
4. O senador Crivella continua liderando com folga. A esperada saída de Romário, que este Ex-Blog previa, o favoreceu. Por outro lado, todos os vetores evangélicos expressivos passaram a apoiá-lo, mesmo os que estão em outros partidos. E atraiu o PR, o que dá uma boa exposição na TV. Crivella definiu uma boa coordenação de programa e até criou uma assessoria católica com tradição próxima à Cúria.
5. Bolsonaro, com a marca do pai, mantém-se em terceiro lugar, a 2 pontos de Freixo. As análises de institutos ainda não identificaram seu potencial de crescimento. Dependerá da campanha em si. O tema segurança o beneficia mais que o uso por outros candidatos. A chave será convencer o eleitor que prefeito pode mesmo fazer alguma coisa. E tem o voto em corporações conservadoras.
6. Em seguida, Indio, mais de 2 pontos a menos que Bolsonaro, e de boa imagem televisiva, não terá mais o apoio do PR, que contava. O tema segurança que tem destacado em comerciais será difícil tirar de Bolsonaro. Pedro Paulo, em sexto, um ponto abaixo de Jandira, terá que torcer pelo impacto dos JJOO em relação a imagem do prefeito, de forma a recosturar a sua própria imagem. Conta com seu tempo de TV e as imagens projetadas para frente do que a prefeitura fez.
7. Osório vem 2 pontos abaixo de Pedro Paulo e quase no mesmo nível que Molon. Conta com Aécio para atrair o PSB, que traria tempo de TV e grife. Disputa o PSB com Indio e Crivella. Leva vantagem pelo fato de o presidente do PSB ser deputado católico orgânico.
8. Um assessor do prefeito dizia outro dia que os números de 2016 vão repetir os de 1992, ou seja, quem chegar aos 15 pontos estará no segundo turno. É provável. Supondo que a situação de Crivella esteja consolidada para o segundo turno (vide as eleições de 2008 e 2014, muito mais competitivas), a briga será pelo segundo lugar. Os candidatos deixarão de olhar para Crivella e disputarão espaço entre eles.
9. Lembre-se da história dos 2 homens e o tigre. Um deles disse ao outro: não quero correr mais que o tigre. Quero correr mais que você. (Cesar Maia, vereador)

Para inglês ler.
Toda a solidariedade à delegação da Austrália, que enfrentou canos entupidos, tentativa de roubo de equipamentos de TV, roubo efetivo de laptops, ameaça de incêndio..., mas, se australianos, japoneses e marcianos têm lá seus motivos para botar a boca no mundo contra a Olimpíada e o Brasil, os brasileiros bem que podem tentar mostrar o outro lado, o que há de bom, correto e elogiável. Acreditem, há!
O Rio é maravilhoso, as imagens aéreas da Vila Olímpica são muito bonitas e as obras feitas são impressionantes: 150 km de BRT, 18 km de metrô, renovação do Porto Maravilha, todo o complexo de Marechal. Ok. Tem pia entupida, lâmpada queimada, limpeza a desejar numa unidade ou outra, mas daí a dizer que tudo é uma porcaria?
É um legado extraordinário, disse o prefeito Eduardo Paes à coluna, há duas semanas, quando nem a Olimpíada nem as reclamações das delegações haviam começado. A principal preocupação dele era evitar a qualquer custo uma comparação entre Copa e Olimpíada, com uma competição de sobrepreços, problemas, principalmente do legado.
Goste-se ou não dele (que é do tipo peixe, que morre pela boca), Eduardo Paes é um gestor determinado e incansável, que acorda cedo, vistoria tudo e vive uma cruzada para neutralizar as versões negativas. Dá entrevistas de manhã, à tarde, à noite e não para de, além de falar, também mostrar o lado positivo da realização do maior evento esportivo do planeta na sua cidade, a Cidade Maravilhosa.
Segundo relatos de engenheiros do Complexo de Marechal, é raríssimo ver obras tão grandes concluídas a tempo e... sem aditivos. Em geral, a previsão do preço da obra é x e, no fim, depois de vários aditivos para garantir os desvios, ela sai por várias vezes x. Mas consta que, na Olimpíada, não tem sido assim. A ver, porque investigações não faltarão.
Paes diz que eram 17 projetos originalmente, mas ele está entregando 27, mais do que o prometido, e não tem uma só obra que esteja fora do prazo, ou com suspeita de superfaturamento. Isso, enfatiza, é exclusivo. E a indecente poluição da Baía de Guanabara, que tanto estrago causa na imagem do Brasil? Resposta dele: Isso era com o governo do Estado.
Uma coisa que deixa Eduardo Paes particularmente incomodado é a versão de que o Brasil está em crise e o Estado do Rio atrasa até salário, mas a Olimpíada consome fortunas e vai deixar vários esqueletos espalhados pela cidade. Não tem elefante branco, garante. Além disso, 60% das obras foram feitas com dinheiro privado, o que é um índice maior, por exemplo, do que o da Olimpíada de Londres, meca do capitalismo.
E sai enfileirando as obras e o que acontecerá com elas após os jogos: bem, o BRT, o metrô, os museus e o Porto Maravilha dispensam explicações; o estádio aquático pode ser desmontado, como um lego, e ser instalado em áreas e comunidades pobres; parte do Complexo de Marechal será destinado a treinamento das Forças Armadas. Mas essa dinheirama não faz falta para educação e saúde? Para o prefeito, essa discussão é neurótica, histérica, burra e ele rebate: Nesses oito anos, a prefeitura gastou R$ 732 milhões em estádios e equipamentos e R$ 65 bilhões com educação e saúde. Dá 1%.
Mais do que o prefeito falando, porém, há de se reconhecer que o Rio passou por uma revolução por causa da Olimpíada. Amigos e familiares cariocas dizem que a cidade está limpa, organizada, fiscalizada e... linda. Uma parente, aliás, estava indo do sul da Bahia para o Rio quando o carro quebrou no meio do nada. O jeito foi pegar um ônibus. E qual não foi a surpresa? O banheiro da Rodoviária Novo Rio estava um brinco, até cheiroso. Para gringo, isso não é nada, mas, para brasileiros em geral e cariocas em particular, já se trata de uma revolução e tanto! (Eliane Cantanhêde) 

Letícia Sabatella, segundo Elias Canetti.
Letícia Sabatella causou confusão ao meter-se numa manifestação pró-impeachment de Dilma Rousseff, em Curitiba. A atriz disse que estava apenas passando pela praça onde se concentravam os manifestantes e parou para conversar com uma senhora. Letícia Sabatella afirmou que se encaminhava a outra manifestação, contra Michel Temer, marcada para o mesmo horário. A atriz foi hostilizada e acabou na polícia, para se queixar dos xingamentos que recebeu. Por ser famosa, ganhou a atenção da TV e da imprensa em geral.
É claro que se tratou de uma provocação de Letícia Sabatella. Assim como colegas seus igualmente esquerdistas, ela quer mostrar como a direita é fascista e o país está dividido. Na verdade, qualquer massa, não importam as motivações que levaram à sua formação, é refratária àqueles que vê como adversários ao seu crescimento, como explica Elias Canetti, no admirável Massa e Poder: Escreveu ele: Dentre os traços mais notáveis na vida de massa encontra-se algo que se poderia denominar um sentimento de perseguição, uma particular e irada suscetibilidade e irritabilidade em relação àqueles que ela caracteriza definitivamente como inimigos. Façam estes o que quer que façam - comportem-se eles com rispidez ou simpatia, sejam solidários ou frios, duros ou brandos -, tudo é interpretado como proveniente de uma inabalável malevolência, de uma disposição hostil à massa: um propósito já firmado de, aberta ou dissimuladamente, destruí-la.
Desse modo, a aparição de Letícia Sabatella na manifestação em Curitiba não poderia resultar em outra coisa que em insultos à atriz. O mesmo ocorreria se Regina Duarte resolvesse dar uma paradinha numa manifestação petista. Ela também seria vista como uma figura ameaçadora e, portanto, passível de ser xingada ou vaiada. Não é necessariamente fascista hostilizar quem discorda da massa no ambiente em que ela se concentra e quer se ampliar. A massa obedece a mecanismos internos próprios (desnudá-los é o escopo do estudo de Elias Canetti) e o uso que se faz dela é que pode ser classificado de fascista, totalitário de esquerda - o que dá na mesma - ou democrático.
Ninguém precisa ler Massa e Poder para saber que Letícia Sabatella quis provocar. Mas quem leu Massa e Poder sabe que os desaforos que ela recebeu não foram uma demonstração fascista, por piores que tenham sido. A massa é um organismo que rejeita corpos que lhe são estranhos. (Mario Sabino) 

O ufanismo da mídia.
Olimpíadas 2016 - A partir de hoje, 01/08, até o dia 21, os principais meios de comunicação do país passam a dar maior importância aos Jogos Olímpicos 2016. Com isso, a maior parte de suas transmissões e/ou impressões diárias é destinada a tudo que acontece, basicamente, na Vila Olímpica, no Rio de Janeiro. 
Atletas brasileiros - Como os anunciantes colocaram muito dinheiro nas cotas de patrocínio das Olimpíadas, as empresas de comunicação, por óbvio, precisam fazer a sua parte, qual seja a de promover, cobrir e divulgar, da melhor forma possível, o importante evento. Isto inclui, certamente, a participação dos atletas brasileiros na busca por medalhas. 
Ufanismo - Até aí tudo bem e tudo muito certo. Entretanto, no meu modesto entender, o ato de conquistar patrocinadores tem levado, sistematicamente, as empresas de comunicação a ultrapassar o limite do bom senso, aumentando desmedidamente o detestável sentimento de ufanismo, que significa patriotismo em excesso ou orgulho desmedido e demasiado de seu próprio país
Modalidades esportivas e fora delas - Por certo que todos nós queremos uma ótima participação dos atletas do Brasil nas Olimpíadas. Mas é importante levar em conta que mesmo atuando na nossa casa estamos ainda longe de sermos melhores do que os nossos concorrentes em muitas modalidades esportivas e fora delas.
Brasileiros orgulhosos - Aliás, para ser bem sincero e verdadeiro, neste momento não há país neste mundo capaz de concorrer com o Brasil nas modalidades corrupção e superfaturamento de obras públicas. E ainda que não sejam modalidades esportivas e muito menos Olímpicas, aí não tem para ninguém. Somos, simplesmente, campeões. Só que, por incrível que possa parecer, muitos brasileiros sentem orgulho disto.
Vozes roucas das ruas - Ontem, nas manifestações de rua em todo o país, este lamentável sentimento de orgulho pela corrupção e por corruptos se fez presente. Mais uma vez foram ouvidas as duas vozes roucas das ruas: uma, felizmente, composta pela maioria dos brasileiros, gritando que estão fartos de corrupção; outra, daqueles que, cheias de ufanismo e orgulho, devotam paixão por corruptos e corruptores. 
Orgulho do quê? - O fato é que aquilo que mais interessa ao Brasil, que trata do necessário e inadiável impeachment da péssima e criminosa presidente-afastada Dilma Rousseff, vai ficar para, isto se tudo der certo, o final de agosto. Aí fica a pergunta: - orgulho do quê mesmo? (GSPires) 
O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota. (Nelson Rodrigues)

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