25 de jul de 2016

Nas ondas do mundo…

 photo paura_zpsaxbwyizo.jpg • Os trabalhadores que ainda não sacaram os R$ 880 de abono do PIS/Pasep de 2015 vão poder pegar seu dinheiro a partir da próxima quinta-feira (28). O primeiro prazo dado tinha terminado no final de junho, mas o governo decidiu abrir um novo período para o saque, entre os dias 28 de julho e 31 de agosto.
• Decreto antecipa o 13º de aposentados do INSS. Decreto formaliza antecipação de metade do 13º dos aposentados em agosto.
• PF retoma prédio invadido do Ministério da Cultura, no Rio. Brincadeira exigia recriação de Ministério, ocorrida há 2 meses.
• Dívida pública federal sobe 2,77% e fecha junho em R$ 2,958 trilhões.
• Sob Temer, repasses de R$ 2 bilhões a municípios priorizam aliados políticos. Ministros do governo aproveitaram o aumento das liberações para fazer agrados às suas bases eleitorais; Sem teto para gasto, país terá alta de imposto, diz ministro da Fazenda; 'A percepção é que o Brasil está na direção certa, diz Ilan no G-20. Presidente do banco central brasileiro reafirma que ajuste fiscal começou a ser feito e vê melhoras nos dados.
• Despesas dos Estados com pessoal em oito anos cresceram R$ 100 bilhões. Entre 2008 e 2015, gastos com a folha aumentaram 40% acima da inflação, quase o dobro dos oito anos anteriores e avaliação é que aumento das despesas deve ser ainda maior.
• Governo quer transição que eleva em 40% tempo para aposentadoria. Um grupo vai se aposentar pela regra de transição e o outro pela idade mínima de 70 anos.
• Fernando Cavendish surpreendeu seus advogados ao dizer que só conheceu Adir Assad, recentemente, quando ficaram juntos numa cela do presídio de Bangu. Ele comentou também que, pela primeira vez, conversou pessoalmente com Carlinhos Cachoeira. Cavendish garante que só esteve com Cachoeira antes em duas oportunidades: no bar de um hotel de Brasília, quando lhe foi apresentado por Claudio Abreu; e num jantar em Goiânia, no qual também estava o ex-senador Demóstenes Torres. Preso na Operação Saqueador e depois transferido para o regime domiciliar, Cavendish é apontado como chefe do esquema de corrupção que tinha como operadores Cachoeira e Assad.
• Petrobrás busca dividir controle na venda da BR Distribuidora. Modelo vai dar à estatal maioria no capital total, mas com fatia de 49% no capital votante.
• Dilma Rousseff já está pensando no que fazer depois de ter seu mandato cassado. Segundo a Folha de S.Paulo, ela revelou a amigos que, caso o impeachment seja aprovado no Senado, pode passar um período fora do Brasil, em países como Chile ou Uruguai. Que tal Curitiba? A Época publicou uma versão ainda mais fantasiosa sobre o futuro de Dilma Rousseff: Ela disse não ver a hora de o processo de impeachment ser finalizado para que possa voltar a morar em Porto Alegre. Seu sonho é poder entrar numa livraria e comprar livros sem ser hostilizada. Comprar livros?
• O risco eleitoral: Diante da proibição de doações de pessoas jurídicas, o ministro Gilmar Mendes está preocupado com o crescimento de outro tipo de fraude nas eleições municipais. O risco é que empresas usem CPFs autênticos para simular doações de pessoas físicas para candidatos. A tarefa, portanto, vai ser fiscalizar a autenticidade dessas doações.
• Primeira rodovia a ser leiloada será a BR-364/365, que liga GO a MG. Trecho já estava previsto em programa de Dilma e tinha investimento estimado em R$ 3,1 bilhões.
• Sérgio Moro ouvirá em Curitiba ex-executivos da Andrade Gutierrez que viraram delatores. Os depoimentos fazem parte da ação penal decorrente da 14ª fase da Operação Lava Jato, chamada Erga Omnes. A partir das 14h, serão ouvidos Antônio Pedro Campelo, Elton Negrão e Flávio Gomes Machado Filho. Na quinta-feira, será a vez de Otávio Marques de Azevedo e Paulo Roberto Dalmazzo. Eles terão de falar sobre a propina paga nas obras do Centro Integrado de Processamento de Dados (CIPD), do Centro de Pesquisas da Petrobras (CENPES), no Rio de Janeiro; do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj); da Refinaria de Paulínia (Replan); do gasoduto Gasduc III, em Cachoeiras do Macau (RJ); do gasoduto Urucu-Manaus; na Refinaria Landulpho Alves (RLAM); da Refinaria Gabriel Passos (Regap); e do Terminal de Regaseificação da Bahia.Volume de ações dificulta meta de Moro de concluir Operação Lava Jato ainda este ano. Ainda há 16 processos na fila e Ministério Público Federal deverá oferecer novas denúncias.
• Temer tem um especialista em Congresso ao lado do gabinete presidencial. Ex-secretário geral da Câmara dos Deputados, por 24 anos, Mozart Vianna despacha no terceiro andar do Palácio do Planalto.
• PF prende último alvo de operação antiterrorismo. 12º detido da Operação Hashtag foi achado em Comodoro (MT); ele já cumpriu pena por homicídio e roubos.
• Bolsa Família torra R$ 11,2 bilhões em seis meses. É a 1ª vez desde 2013 que o valor é menor que no ano anterior.
• Com o DEM, finalmente a tramitação do pacote contra a corrupção! O pacote de medidas contra a corrupção está travado há mais de um ano na Câmara e agora o novo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anuncia que quer vê-lo aprovado até 9 de dezembro, Dia do Combate à Corrupção. O presidente da Câmara reuniu-se na terça-feira com representantes do Judiciário e do Ministério Público e com um grupo de deputados, entre eles o relator do projeto na comissão especial designada para debater a matéria, Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Com o apoio de todos, Maia garantiu que dará prioridade à tramitação desse pacote de projetos. São dez medidas destinadas a aperfeiçoar, acelerar e tornar mais rigoroso o processo de investigação e julgamento dos casos de corrupção na gestão da coisa pública. É mais uma boa notícia que o renovado comando da Câmara dos Deputados dá ao País. (Editorial do Estado de S.Paulo)
Vila Olímpica não era segura, diz chefe da delegação australiana. Em sua 5ª Olimpíada, Kitty Chiller disse que nunca viu alojamento nesse estágio de falta de preparo; Serviços secretos dos EUA e Brasil trabalham para prevenir ataques na Rio-16; Austrália se recusa a ficar em alojamentos inacabados. EUA, Itália e Holanda pagaram trabalhadores para serviços nas instalações.
• MST bloqueia rodovias e queima pneus em Goiás e DF. Grupo queima pneus e provoca transtornos no DF e em Goiás.
• Delatores dizem ter usado Stock Car para lavar dinheiro. Direção da Stock Car afirma que as empresas nunca patrocinaram a categoria.
• Zika pode afetar dezenas de milhares de bebês na América Latina. 
• Eduardo Suplicy ao protestar em São Paulo, sendo carregado por policiais durante reintegração de posse. 

• Explosão na Alemanha mata 1 e deixa 12 feridos em quarto ataque em seis dias. Homem que carregava artefato explosivo era um sírio que pediu asilo no país e teve solicitação recusada. EI diz que autor de explosão na Alemanha atendeu ao apelo do grupo.  Alemanha rejeita suspeita generalizada contra refugiados após atentados.
• COI lava as mãos e decide não suspender russos. Atletas da Rússia precisarão passar por testes; único grupo impedido de vir ao Brasil é a equipe de atletismo. 
• Erdogan tende a adotar na Turquia traços do imperialismo e do totalitarismo. Ofensiva contra imprensa na Turquia; Erdogan se reúne com oposição; 
• Trump lidera pesquisa nos EUA com 44% dos votos, contra 39% de Hillary; Candidato da muralha, Trump destoa do pensamento de seu partido e faz pregação populista para uma massa de descontentes. 
• Questão racial pauta encontro de democratas. Evento confirmará Hillary Clinton como candidata à Presidência dos EUA. 
• Cidade da Venezuela na divisa com Brasil é oásis na crise. Santa Elena de Uairén não sofre com falta de comida que atinge o país. 
• Latam pagará US$12,75 mi em processo criminal relacionado a propina na Argentina, diz EUA.
O golpe dos patetas.
Está inaugurado o festival de bobagens. Abrindo as comemorações vem o governo Michel Temer, no qual se incluem deputados e senadores em maioria, ministros, assessores, dirigentes dos partidos da base oficial e quem mais se queira incluir no mundo oficial. Não se relacione, porém, nesse bando de patetas, um único eleitor dos que vão se definir em outubro.
Traduzindo: não há como acreditar que para sair vitoriosos das eleições municipais, os detentores do poder deverão adiar para depois da votação a tentativa de o Congresso aprovar o pacote de maldades engendrado nos porões do palácio do Planalto. Sustentam que devem ficar para mais tarde as reformas da Previdência Social, trabalhistas, PEC do teto, renegociação da dívida dos estados, mudança nas regras do pré-sal, limitação da indicação de diretores de estatais e de fundos de pensão, privatizações em massa, redução do número de partidos e sucedâneos - essas e outras capazes de despertar indignação na opinião pública. Não que imaginem abrir mão dessas maldades, mas, simplesmente, querem protelá-las para que o eleitorado não se vingue votando em seus adversários. Depois da eleição, entendem, tudo será permitido em termos de impopularidade.
Serão tão bobos para imaginar que o cidadão comum deixe de perceber a manobra? Estaria a sociedade iludida a ponto de imaginar-se cega, surda e muda?
Que o governo prepara violências, está à vista de todos. Ainda por cima, tentam enganar-nos ocultando suas verdadeiras intenções.
Podem preparar-se para o maior dos sustos com o resultado das urnas. Ficará claro que o povo não é bobo. Até porque, espalham a receita do que pretendem: enviar a conta da suposta recuperação econômica para os mesmos de sempre, a população menos favorecida e mais sacrificada. Não perdem por esperar, venha o eleitorado a votar nos seus contrários ou, melhor solução ainda, a não votar... (Carlos Chagas) 

Sobre a vaidade.
Soberana, mas agressiva quando provocada: a vaidade é lâmina afiada, pronta para o combate. Um colega, cuja postura política é distinta de minha, comentou que jamais aceitaria um convite destes. Respondi que ele deveria esperar primeiro que o convite fosse formulado a ele para saber se aceitaria ou não. Até lá, comentei sardônico, seria lícito supor que a imaginada negativa pudesse ser filha mais da inveja do que da consciência política. Orgulhosos não se toleram refletidos: rompemos. 
Guiado pelos cavalos do triunfo, segui no meu deleite interno por alguns dias. Depois, como o servo que sussurrava aos generais romanos, fui ouvindo a voz da consciência prudente, que nada mais é do que a voz do medo. Lembra-te de que és apenas um homem. Será que eu conseguiria? Tenho algo a dizer toda semana? Artigos esporádicos? Criei-os às grosas. Mas... toda semana? Ser bom num texto é mais fácil do que ser bom sempre. O triunfo empacou no medo. Tal temor também é fruto da vaidade: vou me expor a um mundo gigantesco, como jamais fiz. Teria sonhado alto demais? 
Piorou minha angústia: lembrei-me de que estaria ao lado de um homem que leio há anos e considero genial: Luis Fernando Verissimo, filho de outro homem que admiro desde a infância. Fico apenas nesse nome, mas há muitos outros. Minha vaidade é enorme, mas não é patológica. Reconheço qualidades em Luis Fernando Verissimo que nunca existirão em mim. O lago no qual Narciso se admira viu o reflexo da queda de Ícaro... Suas asas de cera não poderiam ter tocado na luz de Apolo. Poderei estar ao lado de Luis Fernando Verissimo? 
A reunião com o diretor de Jornalismo João Caminoto trouxe, além do encontro agradável, uma certeza clara. Perguntei sobre ponto nevrálgico para toda pessoa com aspiração a escrever e pensar. Serei livre? Terei carta branca? Intelectuais toleram quase tudo, até festa de formatura, mas temos uma ojeriza ancestral à censura. João foi enfático. Sim, eu seria inteiramente livre. O Estadão apenas oferecia o patíbulo: a tipologia do nó da forca e a liberdade do salto para a morte seriam, inexoravelmente, meus. O terrível, pensei, era que a censura e a repressão fizeram brotar pérolas como As Moscas, de Sartre; ou O Bêbado e a Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc. Curiosamente, a liberdade não parecia ser um fermento tão poderoso para o pão da criatividade. 
Quando entrei na Unicamp, há duas décadas, foi um dos dias mais felizes da minha vida. Era o zênite de anos de bancos escolares, livros, arquivos, viagens e pesquisas. Senti, naquele dia, que eu estava ingressando em algo muito maior. A Unicamp era uma galáxia e eu estava muito feliz com isso. Continuo satisfeito. 
A sensação voltou agora. Um veículo como o Estadão é maior do que as tiragens dos meus livros, do que o número de alunos regulares ou de seguidores virtuais. Não me deram uma gaveta maior: trocaram o armário e redefiniram a própria concepção de espaço.
Com esta coluna, entrarei nas casas todos os domingos e centenas de milhares de famílias irão me receber. Também serei acessado via internet e lido de forma randômica. Abro espaço para ser conhecido, e, consequência inevitável, mal interpretado. 
Com medo e com orgulho, assino esta primeira coluna. Nela, há uma fórmula que tem sido a minha em textos não acadêmicos e palestras. Se o leitor atento percebeu, sob a prosa despretensiosa existe uma reflexão sobre a vaidade, sobre mídia, censura e conhecimento de si. Com fios de cultura formal e observações do mundo ao meu redor, teço estas palavras na minha Ítaca da Rua Cotoxó. Busco dizer coisas com humor e inteligência (só busco, oh, meus incipientes patrulheiros). 
Sem humor e sem inteligência, a vida fica insuportavelmente monótona. Tenho um misto de medo e de entusiasmo. Toda partida tem um Velho do Restelo, venerando e aziago. Quase sempre ele tem razão, mas não haveria epopeia se o medo nos guiasse. Também não haveria naufrágios. Minha felicidade nunca esteve nas ondas rasas. Sempre aceitei o jogo ambíguo do risco e do desafio. Um bom domingo a todos vocês! (Leandro Karnal) Quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo; tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. (Palavras de Cristo, Mateus 20-27)

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