27 de jul de 2016

Na busca do entender.

Venda nos olhos...
Você conhece a lenda do rito de passagem da juventude dos índios Cherokees?
O pai leva o filho para a floresta durante o final da tarde, venda-lhe os olhos e deixa-o sozinho.
O filho se senta sozinho no topo de uma montanha durante toda a noite e não pode remover a venda até os raios do sol brilharem no dia seguinte.
Ele não pode gritar por socorro para ninguém. 
Se ele passar a noite toda lá, será considerado um homem. 
Ele não pode contar a experiência aos outros meninos porque cada um deve tornar-se homem do seu próprio modo, enfrentando o medo do desconhecido. 
O menino está naturalmente amedrontado.
Ele pode ouvir toda espécie de barulho...
Os animais selvagens podem, naturalmente, estar ao redor dele. 
Talvez alguns humanos possam feri-lo.
Os insetos e cobras podem vir picá-lo. 
Ele pode estar com frio, fome e sede.
O vento sopra a grama e a terra sacode os tocos, mas ele não remove a venda. 
Segundo os Cherokees, este é o único modo dele se tornar um homem. 
Finalmente...
Após a noite horrível, o sol aparece e a venda é removida.
Ele então descobre seu pai sentado na montanha perto dele.
Ele estava a noite inteira protegendo seu filho do perigo.
Nós também nunca estamos sozinhos! 
Mesmo quando não percebemos, Deus está olhando para nós, sentado ao nosso lado'. 
Quando os problemas vêm, tudo que temos a fazer é confiar que ELE está nos protegendo. 
Moral da história: Apenas porque você não vê Deus, não significa que Ele não esteja conosco. Nós precisamos caminhar pela nossa fé, não com a nossa visão material. 
E evite tirar a sua venda antes do amanhecer... 

A verdade sobre nossa incongruência: cobrar por peso ou por pessoa?
Na esteira da iminente entrada em vigor da lei que tornará obrigatória a individualização das contas de água em condomínios habitacionais, proponho uma reflexão sobre uma particularidade do Brasil na hora de pagar a conta do restaurante: a cobrança por peso ou por pessoa (independentemente do consumo). Seria mesmo correto 400 gramas de camarão custarem menos que 450 gramas de arroz? E por que um glutão deve pagar o mesmo que alguém que sequer repete o prato? Acredito que tal procedimento típico do Brasil (é raro deparar-se com tal sistema mundo afora) reflete sobremaneira nossa mentalidade coletivista e demonstra uma clara tendência do brasileiro ao abusar de um direito quando pode dividir a respectiva despesa com outras pessoas - como não poderia deixar de ser, aliás.
Vejamos a semelhança com outro episódio recente, quando as empresas de telefonia propuseram que os usuários dos serviços de banda larga fossem tarifados conforme a quantidade de dados que consumissem, e não mais apenas com base na velocidade contratada (e raramente entregue pela companhia, diga-se). Parecia razoável: alguém que usa a internet apenas para acessar websites deve pagar o mesmo que outro consumidor que faz downloads pesados 24 horas por dia? Não seria mais adequado oferecer pacotes para os diferentes perfis de internautas, desde os aficionados até aqueles que utilizam o serviço apenas eventualmente?
A resposta para essas perguntas passa pela seguinte constatação: empresas de telefonia (ou de qualquer outra atividade econômica) não vivem de caridade. O custo para fornecer a banda de internet para o internauta eventual e para o viciado certamente será compartido entre ambos. Com a legislação vigente, todavia, se eles contratam a mesma velocidade, pagam o mesmo valor. Ou seja: quem consome menos está pagando para quem consome mais. Se alguma companhia pretende oferecer a possibilidade de quebrar essa distorção, medindo o consumo de dados e cobrando conforme a utilização, o Estado brasileiro não deveria impedi-la. Os usuários insatisfeitos com tal modelo poderiam procurar alternativas na concorrência, pois sua demanda por um buffet livre de internet seria, por certo, atendida por outras empresas do ramo de olho neste nicho - especialmente se as barreiras para entrada no setor fossem derrubadas pela Anatel, permitindo que a competição no setor aumentasse substancialmente, em benefício dos consumidores (especialmente daqueles que não passam o dia inteiro online).
Nesse mesmo sentido, o custo dos alimentos consumidos em uma refeição, considerados dois pratos servidos de igual peso, dificilmente será o mesmo, considerando que as predileções dos indivíduos variam muito. Mas como o dispêndio total dos alimentos consumidos em uma determinada ocasião, em um dado estabelecimento, deverá ser custeado por todos que usufruíram do serviço (não importando se consumiram 500 gramas de picanha ou costela, cortes de valor muito diferenciado), novamente nos deparamos com a situação onde consumidores de diferentes perfis são tratados de forma homogênea. A mesma discrepância ocorre no sistema de all you can eat, onde determinadas pessoas acarretam prejuízo para o restaurante, e outras lucro, sendo que essas, na prática, pagam parte do almoço daquelas.
Esse expediente de somar tudo e dividir por todos é bastante comum em confraternizações entre amigos e parentes. Raramente alguém irá se importar se o fulano comeu mais que o beltrano no almoço de Páscoa. Mas essa concepção, na qual se justifica que certos cidadãos sejam beneficiados em detrimento de outros, com a coletividade bancando parte do consumo de determinados indivíduos, não se sustenta quando se trata de pessoas que não se conhecem e, não raro, nunca virão a se conhecer. Todavia, no Brasil, já estamos acostumados a lidar com esse tipo de iniquidade, quando os frequentadores de cinemas e show artísticos bancam a meia entrada de diversos beneficiários; quando o BNDES concede empréstimos com juros subsidiados a determinadas empresas detentoras de laços com governantes (utilizando até mesmo recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT); quando universidades públicas são custeadas com impostos de brasileiros que nunca sequer chegaram perto de uma - ao passo que os favorecidos, em vez de justificar tal sacrifício popular dedicando-se aos estudos, preferem fazer greve e praticar bizarrices as mais diversas, até porque não desembolsam nem um tostão com seus estudos.
É claro que existem restaurantes que adotam o sistema à la carte, e mais lógico ainda é que, se há tantos outros que vendem comida por quilo ou no buffet livre, existe demanda para tal. Longe de mim, pois, querer que o Estado intervenha e determine de que maneira os comerciantes devem cobrar por seus produtos e serviços, tal qual ocorreu anos atrás, quando o governo determinou que padarias deveriam vender o pão francês por peso, desagradando empresários e consumidores - e, claro, justificando a criação de fiscais de balança (leia-se: mais Estado e impostos).
O que estou preconizando é que os próprios consumidores apercebam-se da incongruência de onerar pessoas que consomem menos em favor de outras que consomem mais, e passem a demandar que os restaurantes empreguem métodos de valoração do consumo mais condizentes com a realidade. Já há iniciativas neste rumo, onde são impostos limites ou preços diferenciados para alimentos mais caros (normalmente carnes), mas que ainda passam distante do objetivo tornar mais equânime a relação entre consumo real e preço cobrado.
As consequências deste cenário deturpado podem ser constatadas quando observamos, em restaurantes de sistema buffet livre ou rodízio, avisos solicitando aos clientes que não desperdicem alimentos, pelo fato de que costuma sobrar muita comida nos pratos. Nem poderia ser diferente: quanto todos os consumidores pagam uma mesma quantia para usufruir livremente da comida do restaurante, ela passa a ser vista como um bem público, tal qual a água que sai da torneira em um condomínio habitacional que não individualiza os consumos deste bem natural.
Ou seja: a tendência é que ocorra muito desperdício mesmo, e, neste cenário, tanto lavar o carro durante horas, quanto servir-se sem nenhuma preocupação se haverá sobra, são atitudes totalmente previsíveis. Se algo é de todos, não é de ninguém - e aquele produto escasso será tratado como sendo ilimitado. Contribui para este panorama o fato de que o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o que pode provocar a percepção geral de que a comida farta é inesgotável. De fato, a evolução dos meios de produção e distribuição, e o comércio globalizado, levaram a humanidade a este período de fartura inédito, mas nem por isso devemos considerar admissível que clientes de apetite menos voraz banquem parte da conta dos mais gulosos.
Outro exemplo claro da mesma circunstância: a política de uma rede de fast food que chegou ao Brasil na última década é de vender refrigerante em sistema de refil. A intenção era apenas que o cliente pudesse usufruir da bebida enquanto come o lanche adquirido na loja. Eis que os brasileiros resolveram ficar tomando refrigerante a tarde toda, e inclusive dividindo a bebida entre amigos. Tal atitude advém da mesma lógica: se todos os clientes pagam X para consumir o quanto quiserem, a nossa malandragem inata manda beber até explodir. O resultado: como a empresa não vai arcar com o prejuízo sozinha, todos os demais clientes (inclusive aqueles que tomaram apenas um copo de refrigerante) serão solidariamente penalizados com aumentos do preço dos lanches.
Tal mentalidade acaba se alastrando por diversas outras áreas em que muitos não se importam em sustentar privilégios de outros. Ela revela-se fortemente na estrutura da Previdência Social: todas as contribuições dos trabalhadores são recolhidas para um mesmo fundo, mas os pagamentos retornam em proporções muito diferentes. Será que não deveríamos reivindicar que os descontos efetuados nas remunerações de cada cidadão fossem destinadas a contas individuais, de tal forma que ninguém precisasse trabalhar para pagar aposentadorias com regras especiais de categorias privilegiadas? Parece-me que sim, especialmente porque, desta forma, cada um poderia decidir até que idade está disposto a trabalhar. Se eu quisesse seguir na ativa até 55 anos (percebendo uma aposentadoria menor) ou pendurar as chuteiras com 70 (fazendo jus a remunerações superiores), ficaria a meu critério.
O brasileiro costuma preferir o popular rachide ao enjeitado cada um paga o seu. E nesse processo, claro, todos tentam ingressar no grupo dos agraciados e sair da turma dos extorquidos. O problema é que estão sobrando poucos otários para manter tantos espertos. (Bourdin Burke, Instituto Liberal) 
Deus nos livre dos bens intencionados, eles causam danos irreparáveis. (Roberto Campos)

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