13 de jun de 2016

Rio e a Olimpíada, nó górdio...

 photo Tocirc na Olimpiacuteada..._zpskztn6fmz.jpg • Mais um vexame! Até quando aturar Dunga? Dunga diz só temer a morte ao falar sobre risco de demissão, mas deve cair. 
• Jogo político nos Correios: Editorial do Estadão critica a nomeação do presidente interino do PSD, Guilherme Campos Júnior, para a presidência dos Correios; Os Correios só se livrarão de suas mazelas, voltando a prestar bons serviços, se seus diretores deixarem de ser nomeados na base do toma lá dá cá, para a obtenção de apoio parlamentar, e comprovarem competência para o cargo.; A O Antagonista, no dia em que foi nomeado, Guilherme - da cota de Gilberto Kassab no governo de Michel Temer - afirmou que o tempo dirá se ele tem competência ou não para o cargo. 
• PF investiga novo presidente dos Correios por falsificação de assinaturas.
• Conselho de Ética deve definir a sorte de Cunha na terça; Cunha diz a interlocutores que, se cair, será atirando. O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mandou avisar ao presidente Michel Temer que, se não for salvo, leva com ele para o fundo do poço 150 deputados federais, um senador e um ministro próximo ao Palácio do Planalto. A informação é da Agência Estado. 
• Demora na demissão de petistas trava o governo Temer. Aliados avisam: gente do PT, ainda nos cargos, sabota o governo. 
• Maridão de Jandira teve relações com delator Sérgio Machado. Marido de Jandira atua na área da Transpetro, do delator. Jandira Feghali (PCdoB-RJ) levou R$ 410 mil da Queiroz Galvão, uma das empreiteiras investigadas no roubo à Petrobras, mas autoridades suspeitam que a ligação da deputada ao ex-presidente da Transpetro Sergio Machado, que providenciou as doações suspeitas, decorria das relações dele com seu marido Severino Almeida, presidente de uma Conttmaf, entidade de trabalhadores da área de atuação da Transpetro. 
• Odebrecht pagou R$550 mil a lobista mesmo quando estava preso. Baiano embolsou meio milhão da Odebrecht por consultoria. O lobista Fernando Baiano admitiu à Polícia Federal que a Odebrecht lhe pagou R$ 550 mil, em duas parcelas, enquanto ele estava preso. Ele passou quase um ano detido entre 2014 e 2015, em Curitiba, base da Operação Lava Jato, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo Baiano, um dos operadores de propina no esquema de corrupção instalado na Petrobras, o pagamento foi feito por uma consultoria lícita sobre uma refinaria de em Angola. 
• O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, disse ser possível e até provável que as investigações do maior escândalo de corrupção do país acabem. Quem conspira contra ela são pessoas que estão dentre as mais poderosas e influentes da República, afirmou. 
• A Caixa Econômica Federal prevê a retomada ainda neste mês de cerca de 15 mil unidades habitacionais de empreendimentos que estão paralisados no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida, afirmou nesta segunda-feira (13) o presidente do banco público, Gilberto Occhi. 

• Estado Islâmico reivindica autoria por tiroteio nos EUA. De acordo com a agência de notícias Amaq, do Estado Islâmico, o grupo foi responsável pela tragédia ma boate Pulse que matou 50 pessoas neste domingo (12); Obama diz que ataque em boate de Orlando foi ato de terror e ódio; Atirador deixa cerca de 50 mortos em boate gay nos EUA; Orlando em estado de emergência: O monstro solitário. O massacre do Pulse é o pior da história dos Estados Unidos. São 50 mortos até agora...; Pai de suspeito do tiroteio nos EUA aponta para homofobia. Vítimas do ataque nos EUA são homenageadas pelo mundo. 
• Trump pede que Obama renuncie ao cargo por não dizer islã radical em discurso. O candidato à presidência dos Estados Unidos do partido republicano disse que líderes são fracos e pediu a renúncia.
Teremos parlamentares ainda mais débeis e frágeis.
Perguntaram ao saudoso Dr. Ulysses como seria o futuro Congresso e ele respondeu que, com toda certeza, pior do que o atual. O diagnóstico continuará o mesmo, tanto faz a que Congresso se dirija a indagação. Sem uma ampla reforma política, nada acontecerá, começando pela adoção da cláusula de barreira, quer dizer, não dá para seguir adiante com 35 partidos. Em 2018 serão realizadas eleições para presidente da República, governador, deputado federal, estadual e senador. Para o próximo outubro está prevista rodada municipal, com a escolha de prefeitos e vereadores.
Mantidas as regras de hoje, basta multiplicar para se ter o número de candidatos em todo o país. Uma confusão dos diabos, isso se não tiver aumentado o número de partidos. De vez em quando registram-se sugestões para a reforma política, que duram muito pouco. Todo esse óbvio preâmbulo se faz por conta da conclusão de que com o novo Congresso só pode ficar pior.
Partindo dessa premissa, imagine-se para daqui a dois anos e quatro meses a eleição de parlamentares ainda mais débeis e frágeis, incapazes de promover qualquer tipo de aprimoramento institucional.
Realizava-se em pleno continente africano monumental congresso de caçadores das mais perigosas feras do planeta. Em plena selva, eles entravam pela madrugada a dentro, cada qual contando suas mais perigosas façanhas. Destacou-se um, mais aplaudido de todos, que relatou estar um dia atacado por três leões e apenas uma bala no fuzil. Esperou que ficassem um atrás do outro e disparou, abatendo-os de uma só vez. Os colegas levantaram-se para aplaudir o que seria o maior caçador do mundo. O gaguinho puxou o coro, gritando Hip…! Hip…! Hip…! ao que os demais completaram, entusiasmados: Hurra! Hurra! Hurra!
(Aí veio um hipopótamo e comeu todo mundo…) Essa historinha se conta a propósito do prêmio dado a Eduardo Cunha… (Carlos Chagas) 

O BNDES falido....
Entre as várias Instituições que foram utilizadas pelo Governo PTista-sindical apóstata - Petrobras e outras - como braço político do Partido e, não, como uma Instituição do Estado, talvez a mais emblemática de todas, tenha sido o BNDES, na gestão Luciano Coutinho! A nova presidente do BNDES, a sra. Maria Sílvia, está prometendo que vai abrir a caixa preta do BNDES! Dizem os que conhecem os meandros desse BNDES partidário que o buraco a ser lá encontrado e as propinas concretizadas, vão fazer do mensalão e da lava-jato, troco de criança!....
Mais cabeças irão rolar, inclusive a do capo mor, o sr. Lulla da Silva!
Financiou-se de tudo por países afora, enquanto por aqui, a penúria de nossa infraestrutura e dos serviços essenciais, desceu ao fundo do poço!
Como observa o articulista abaixo, se estivéssemos em qualquer outro País do mundo, esses atores já estariam todos eles trancafiados em nossas prisões! (Márcio Dayrell Batitucci) 
ooo0ooo 
Coutinho deixou o BNDES tecnicamente falido, com uma dívida de R$ 518 bilhões.
Num país sério, Coutinho sairia algemado do prédio do BNDES.
Ele não está algemado porque o japonês da federal está preso por contrabando.
Viva o Brasil!
O economista Luciano Coutinho pensa que ficará na história do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como o presidente que mais tempo permaneceu no cargo, mas somente será lembrado por deixar a instituição financeira tecnicamente falida, acumulando uma dívida que já atinge a inimaginável marca dos R$ 518 bilhões, que hipoteticamente teria de devolver ao Tesouro Nacional. O passivo é impressionante, mas Coutinho criou uma maquiagem contábil, apresentou falso lucro e até distribuiu participação aos funcionários.
Outro legado da era Coutinho é a desmoralização da imagem do BNDES, que em sua gestão foi transformado num braço político do governo, ao invés de permanecer como um instituição do Estado, conforme preconizava o economista Carlos Lessa, primeiro presidente do BNDES no governo Lula da Silva e responsável por uma gestão revolucionária, que colocou o país no rumo do desenvolvimento.
Campeões nacionais
Foi também na administração de Luciano Coutinho que o BNDES implantou a estratégia de proteção aos campeões nacionais, liberando bilionários financiamentos a empresas escolhidas para competir no mercado internacional. Não deu certo e essa política teve de ser revogada ainda na gestão de Coutinho.
Outro equívoco foi transformar o banco em hospital de empresas mal geridas, entre as quais a Sadia e a Aracruz, com o BNDES não somente liberando financiamentos indevidos, mas também adquirindo participações acionárias, vejam a que ponto chegou a irresponsabilidade na gestão dos recursos públicos.
Foi nessa sucessão de erros que o antigo banco de fomento virou um instrumento político do modelo econômico do governo, que se caracterizaram pela desmedida expansão de gastos e pelo aumento artificial e forçado do consumo de bens e serviços.
Dinheiro do trabalhador
O mais inaceitável é que o BNDES passasse a fazer péssimo uso do patrimônio dos trabalhadores brasileiros, pois recebe e usa quase 80% dos recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Os financiamentos do banco com recursos do FAT deviam ser dirigidos a projetos de desenvolvimento que aumentassem o mercado de trabalho interno, mas na gestão de Coutinho o BNDES preferir abrir empregos no exterior, como instrumento da política externa do governo, inclusive ajudando as empreiteiras, especialmente a Odebrecht, que leva 70% do butim. Confiram a lista:
Porto de Mariel - Cuba - US$ 682 milhões - Odebrecht; 
Hidrelétrica Manduriacu - Equador - US$ 124.8 milhões - Odebrecht; 
Hidrelétrica San Francisco - Equador - US$ 243 milhões - Odebrecht; 
Hidrelétrica de Chagilla - Peru - US$ 320 milhões - Odebrecht;
Metrô da Cidade do Panamá - Panamá - US$ 1 bilhão - Odebrecht; 
Autopísta Madden-Colón – Panamá - US$ 152,8 milhões - Odebrecht; 
Aqueduto de Chaco - Argentina - US$ 180 milhões - OAS; 
Ferrocarril Sarmiento - Argentina - US$ 1,5 bilhões - Odebrecht; 
Metrô de Caracas - Venezuela - US$ 732 milhões - Odebrecht; 
Ponte sobre Rio Orinoco - Venezuela - US$ 300 milhões - Odebrecht; 
Barragem Moamba - Moçambique - US$ 350 milhões - A. Gutierrez; 
Aeroporto de Nacala - Moçambique - US$ 125 milhões - Odebrecht;
BRT de Maputo – Moçambique - US$ 180 milhões - Odebrecht; 
Hidrelétrica de Tumarin - Nicarágua - US$ 343 milhões - Q. Galvão; 
Projeto El Chorro - Bolívia - US$ 199 milhões - Queiroz Galvão.
Mentindo na CPI
Como presidente do BNDES, Luciano Coutinho esteve depondo diversas vezes em CPIs do Congresso Nacional. Em todas essas oportunidades, o economista mentiu com a maior desfaçatez. Sempre que era questionado sobre essas operações que abriam empregos no exterior, dizia que não podia responder, devido a um impedimento da Lei do Sigilo Bancário.
É inacreditável, mas nenhum parlamentar se deu a trabalho de conferir a Lei Complementar 105, de 10 de Janeiro de 2001, que determina exatamente o contrário:
Art. 4º - O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários, nas áreas de suas atribuições, e as instituições financeiras fornecerão ao Poder Legislativo Federal as informações e os documentos sigilosos que, fundamentadamente, se fizerem necessários ao exercício de suas respectivas competências constitucionais e legais.
1º - As comissões parlamentares de inquérito, no exercício de sua competência constitucional e legal de ampla investigação, obterão as informações e documentos sigilosos de que necessitarem, diretamente das instituições financeiras, ou por intermédio do Banco Central do Brasil ou da Comissão de Valores Mobiliários.
Como se vê, a alegação de sigilo bancário, feita repetidas vezes por Luciano Coutinho, é ardilosa, enganosa e mentirosa. Ele deveria encaminhar as informações, na forma da lei. Bastava que o plenário da CPI aprovasse o pedido de informações.
Dilma também mentiu
A presidente Dilma Rousseff também mentiu, na campanha eleitoral de 2014, ao afirmar que a garantia da obra do Porto de Mariel, em Cuba, havia sido dada pela Odebrecht.
Na verdade, a garantia foi oferecida pelo Tesouro Nacional brasileiro. Quer dizer, se o governo de Cuba, que está tecnicamente falido, não pagar, o prejuízo ficará por conta da viúva, como se dizia antigamente.
Se estivéssemos num país minimamente sério, um criminoso como Luciano Coutinho já teria sido algemado diante das câmeras de TV. (Carlos Newton) 

Esquerdando o Rio: de oposição à esquerda à linha auxiliar.
A jornalista carioca Berenice Seara noticiou em sua coluna Extra, Extra no jornal Extra a reunião entre três atuais pré-candidatos a Prefeitura do Rio. Até aí, nada de mais. É bastante comum que pré-candidatos se reúnam para trazer alianças para as suas futuras chapas. Mas os candidatos que se reuniram são a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB), o também deputado federal Alessandro Molon (REDE) e o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).
Molon, que até o meio do ano passado era filiado ao PT e Freixo, membro do PT até 2004, usaram do discurso que realizaram e continuam realizando a chamada oposição à esquerda, explicação muito usada quando Dilma Rousseff ainda era presidente. Porém, o afastamento de Dilma por crimes de responsabilidade vem mostrando que a chamada oposição na verdade não é nada mais que uma linha auxiliar da antiga gestão federal, exemplificada na deputada federal Jandira Feghali, que em sua pré-candidatura já conta com o apoio do Partido dos Trabalhadores, mas que não conta com a mesma aceitação popular de outros tempos. A esquerda brasileira e nesse caso em especial, a esquerda carioca busca uma repaginação após o fracasso retumbante da gestão petista no Planalto. Estão buscando novos nomes e novos partidos para continuarem a busca do poder para voltar a realizar as suas sandices. Tanto Freixo, quanto Molon, representam essa busca da continuidade do totalitarismo populista, só que com uma nova roupagem, buscando enganar a população com seus discursos e evitar que a pulverização dos votos acabe ajudando candidatos que vem em crescente nas pesquisas, como as candidaturas dos deputados estaduais Carlos Osorio (PSDB) e Flavio Bolsonaro (PSC).
A esquerda brasileira percebeu que não detém mais o monopólio do discurso. E agem com estrategismo fazendo com que a antiga oposição vire aliança, usando como exemplo o apoio de membros do PSOL a candidatura de Dilma Rousseff no segundo turno das eleições presidenciais de 2014. A chamada oposição de esquerda não age de forma democrática e, sim, usando das mais sujas estratégias políticas, dando inveja a muitos caciques da política brasileira pela unidade feita por necessidade política. Depois do afastamento de Dilma, os socialistas estão na marca da cal. Se veem em um dilema: unir para ressuscitar o projeto de poder perdido ou manter uma oposição para inglês ver, mantendo os ataques entre si em busca de… coerência? Pelo andar da carruagem, devem escolher a primeira opção. Ao que parece, uma frente de esquerda entre PT, PCdoB, PSOL e REDE está próxima de ser formada. Mostra que de oposição o PSOL e a REDE nunca tiveram nada. São nada mais que linhas auxiliares da esquerda antiga, que vende um discurso que pode enganar muita gente e fazer com que a cidade do Rio de Janeiro mantenha-se nesse Caminho da Servidão. (Jefferson Viana) 

PSDB, outro irresponsável fiscal.
Começo com um esclarecimento. Parece estranho, quase como a trilogia que consagrou Alejandro Gonzáles Inarritu. O filme inicia todo bagunçado, misturando rinha de rotweiller, um mendigo barbudo e uma traição ardente. De imediato, o espectador não entende nada da narrativa não linear. Aos poucos, o quebra-cabeça vai se desvendando e, ao final, tudo fica claro. Após a aparente desconexão inicial, junto as peças lá na frente. Eu também tenho cá meus amores brutos.
Nutro, verdadeiramente, apreço e admiração por Mansueto Almeida. Para mim, ele é hoje o maior especialista em contas públicas do País e certamente poderá dar uma contribuição formidável neste momento tão delicado. Além do escopo profissional estrito, alimento simpatia pessoal por ele. Eu era leitor assíduo de seu blog, cuja falta de atualização hoje me faz falta - um mal menor diante do benefício de tê-lo na equipe do Tesouro. Aliás, aproveitando o ensejo, uso o espaço para publicamente agradecê-lo por todas as vezes em que foi cortês e solícito com a Empiricus e comigo em particular.
Gosto bastante também do Samuel Pessoa. Embora não o conheça pessoalmente, acompanho seu trabalho e leio religiosamente suas colunas na Folha aos domingos. Alguns vão à missa. Eu leio Pessoa - o economista; e também o poeta, claro.
Então, se eu apresento aqui algumas de suas ideias e as confronto com aquelas defendidas hoje pelo PSDB - conforme farei daqui um pouco - não é para expô-los desnecessariamente. Ao contrário, é para defender suas ideias genuínas, em oposição ao oportunismo barato e populista agora alardeado pelos tucanos.
Começo a compor as peças, uma de cada vez.
No dia 12 de setembro de 2015, ao jornal O Estado de S. Paulo, Mansueto disse assim:
O esforço fiscal é elevado e de longo prazo: é preciso cortar cerca de R$ 200 bilhões em quatro anos. Nenhum país do mundo conseguiria fazer isso - o Brasil menos ainda - sem aumentar carga tributária. Infelizmente, é com mais imposto. E aqui não tem nada de ótimo. Dado nosso nível de carga, é ruim mesmo. Poderia ser com impostos sobre LCA e LCI , juros sobre capital próprio, dividendos e CIDE. Os empresários que me desculpem. Não tem outro jeito.
Esse é só um exemplo do raciocínio geral. Houve várias outras sinalizações em seu blog no mesmo sentido.
Seguindo com argumentação semelhante, Samuel Pessoa, em coluna do dia 31 de maio de 2015, de título Ambiguidade entre política e ajuste fiscal, escreve (os grifos são meus):
Tapar o buraco fiscal e evitar crise fiscal de grandes proporções nos próximos anos requererá muito trabalho legislativo. Será necessário refazer os critérios de elegibilidade e o valor do benefício de inúmeros programas sociais, ou seja, teremos que repactuar o contrato social; nova rodada de elevação de tributos; e nova desvinculação de receita da União (DRU). Fico cansado só de teclar toda a pauta fiscal dos próximos semestres.
Ou seja, Samuel também reconhece, entre outras coisas, a necessidade de novos impostos para impedir uma crise fiscal de grandes proporções. A defesa em prol de mais tributos é explícita e inequívoca.
Novamente, esse é só um, entre vários, exemplo de sua visão sobre o ajuste fiscal.
Por que exponho a visão desses dois excepcionais economistas?/ Explico: os dois fizeram, junto a Armínio Fraga e José Roberto Mendonça de Barros, o programa do PSDB para as eleições presidenciais de 2014. Compõem a essência da fundamentação técnica das medidas de política econômica do partido.
Daí, não há como supor que a cúpula do PSDB não saiba perfeitamente da necessidade técnica de se elevar impostos, mesmo que de forma apenas transitória.
E o que o partido tem defendido publicamente? A bandeira de que votarão contra qualquer elevação de carga tributária, sem espaço para discussão. Os tucanos aproveitam-se do fato de não compor oficialmente o governo para posicionar-se contra qualquer criação ou elevação de impostos. Avisem o Henrique, o Ilan e quem mais for preciso de que aumentos de tributos nós não topamos.
Esse é um discurso diametralmente oposto ao defendido pelos seus próprios economistas, dentro de um tema essencialmente econômico. Onde está a coerência, mínima que seja?
Sabem da impopularidade do assunto e agora postam-se contrários à medida, que é, fundamentalmente, defendida pelo seu próprio corpo de técnicos.
Não se trata aqui de gostar ou não de impostos. Eu também não gosto deles. Ou melhor: eu os odeio. Mas falo da impossibilidade de se resolver o problema fiscal no momento sem recorrer a aumento ou criação, mesmo que temporária e transitória, de impostos. Entre todos os prejuízos possíveis, havemos de escolher o menor.
Trata-se de um mal necessário, reconhecido pelos próprios economistas do PSDB. Não há alternativa para ajustar as contas públicas no curto prazo. O outro caminho implicará: i) continuidade do risco de sermos percebidos como um país caloteiro em potencial; ou ii) inflação muito alta por vários anos.
Vocês escolhem o que querem: muita inflação, calote na poupança dos brasileiros (mais precisamente, em seus investimentos nos títulos públicos), zero de Previdência para nossos filhos ou um pouco mais de impostos hoje.
Deixe-me recuperar Mansueto Almeida e Samuel Pessoa mais uma vez, pois os dois inclusive escreveram juntos justamente sobre isso. Em obra-prima elaborada em coautoria com Marcos Lisboa, chamada O Ajuste Inevitável - hoje uma espécie de cult moderno entre os financistas e economistas -, reconhecem a profundidade do problema fiscal brasileiro. A conclusão acima, a rigor, é basicamente deles. Não há originalidade alguma na minha assertiva.
O posicionamento tucano é de um oportunismo asqueroso, do tipo de oposição destrutiva, construída sobre uma retórica populista e desprovida de fundamentação técnica. Com ela, o PSDB afasta-se de seu posicionamento histórico e mais lembra a turma de lá, aquela esquerda boazinha que esconde o patrimonialismo indefensável travestindo-o de assistencialismo inatacável.
Se essa é a alternativa tucana a Lula em 2018, então havemos de temer. (Felipe Miranda) 

Afinal, quem votou em Temer?
Muitos brasileiros que não votaram na chapa Dilma/Temer torcem para que o governo Temer prospere.
A parte contraditória desta questão é que foram os petistas que o escolheram que agora torcem contra. E fazem de tudo para seu fracasso.
Temer foi eleito na chapa de Dilma e do PT. Foi escolhido por eles.
Na última sexta feira à noite, uma horda de petistas dirigiu-se ao bairro Moinhos de Vento em Porto Alegre, palco de manifestações ordeiras em protesto contra o governo Dilma, para fazer pixações contra Temer em bens públicos e particulares.
Aos gritos de vai ter Luta, não vai ter golpe, parecem esquecer que foram eles que elegeram o então vice, Michel Temer.
Obviamente a percepção de que o banquete acabou está fazendo estragos no raciocínio destas pessoas.
A Lava Jato tem investigado, prendido e condenado criminosos que imaginavam ter a certeza da impunidade.
Alguns destes que hoje estão no cárcere consideravam-se intocáveis. Muitos outros ainda devem juntar-se a eles. Isso está gerando pavor nos que sabem que serão alcançados. Então, posar de vítimas é a defesa desesperada que lhes restou.
Embora nossos tribunais superiores não venham agindo com a celeridade que todos gostaríamos, há que se reconhecer que a decisão do STF que determinou aos réus condenados em segunda instância aguardem presos o resultados dos antes intermináveis recursos, positivamente, encheu de pavor vários candidatos a signatários de acordos de delação premiada.
Marcelo Odebrecht, por exemplo, já está condenado pelo juiz Sergio Moro a mais de 19 anos de cadeia, fora processos em andamento. Como já está em prisão preventiva e sabe que suas chances de modificar esta sentença em segundo grau são mínimas, ele, assim como outros donos de empreiteiras, querem tornar-se delatores.
O problema todo é que, a esta altura do campeonato, terão de apresentar elementos e dados muito fortes para conseguirem conquistar vantagens de redução de pena.
É isto que está causando pavor nas hostes do governo (quase) deposto. Praticamente tudo será exposto. Pois encurralados pela Lava Jato, os delatores estão entregando todos os podres que conseguirem, tal é o receio que suas decisões tardias em decidir pela colaboração os deixem décadas atrás das grades.
Este é o clima reinante. Esta é a razão pela qual deveremos assistir uma onda de excessos crescente nas próximas semanas e meses./ Muita água suja vai passar debaixo da ponte. Continuem atentos.
As emoções seguirão. (Enio Meneghetti)

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