20 de jun de 2016

Nem Olimpíada salvará brasileiros...

• Para 73%, políticos brasileiros só fazem piorar. Pesquisa mostra que o conceito dos políticos é cada vez pior; 
• Temer vai cobrar contrapartida para socorrer Estados. Planalto exigirá de governadores compromisso de ajuste em contas públicas. 
• Petrobras não deve abrir mão do controle da BR Distribuidora. Lava jato busca fatos novos com foco em recursos dos fundos de pensão. 
• Olimpíada ajudou a quebrar o Rio, diz especialista. Para Andrew Zimbalist, calamidade se junta a outros fatores negativos; Vizinha ao Rio decreta estado de emergência por violência. São João de Meriti tem toque de recolher, tiroteios de dia e bandos com fuzis. 
• Fim do foro privilegiado. O deputo Osmar Serraglio colocou na pauta da Comissão de Constituição e Justiça a votação da PEC que enterra foro privilegiado para deputados e senadores, informa o Radar. 
• Veremos se, acossados pela Lava Jato, os parlamentares têm coragem de fazer a coisa certa. 
• Renan decidirá nesta semana se abre processo de impeachment de Janot. 
• Incompetência em gerir a segurança do Rio: Bandidos resgatam traficante carioca em ação de cinema. A 46 dias da Olimpíada, invasão a hospital deixou um morto e dois feridos.
• Cunha tenta calar rumor de delação e acalmar deputados. Isolado, peemedebista dá últimas cartadas na tentativa de evitar cassação. 
• STF é mais exposto que cortes semelhantes pelo mundo. México é um dos poucos países como Brasil a exibir sessões pela televisão. 
• Desigualdade aumenta com desemprego. Diferença entre ricos e pobres no país aumentou 3% desde 2015, aponta estudo. Renda dos mais ricos continua a avançar, apesar da recessão. 
• Imprevisível, Lava Jato não tem data para terminar, diz procurador. Dallagnol diz que novos elementos ampliam a operação Lava Jato. 
• Lava Jato: Novo delator confirma criação de setor na Odebrecht para pagar propina. Delator confirma setor de operação estruturada da Odebrecht; A criação pela empreiteira Odebrecht de um departamento secreto só para o pagamento de propina foi confirmada em delação premiada Vinícius Veiga Borín, dono de uma empresa de consultoria. 
• A Lava Jato acredita ter provas para condenar Lula a pelo menos 15 anos de prisão. Segundo a Época, os procuradores já estão prontos para denunciá-lo pelos seguintes fatos: 
1) corrupção passiva por favores de empreiteiras e de José Carlos Bumlai e lavagem de dinheiro no sítio em Atibaia; 
2) corrupção passiva e lavagem de dinheiro no aluguel de containers pela OAS para a mudança de Lula; 3) corrupção passiva e lavagem de dinheiro na reserva do tríplex da OAS no Guarujá. 
• Só? Marcos Valério negocia delação e pode entregar 20 nomes
• Investigada, Ideli Salvatti mantém sua boquinha na OEA, nos EUA, é de quase R$ 40 mil mensais.
• Léo Pinheiro, como publicamos dois meses atrás, delatou Marina Silva. Hoje a Folha de S. Paulo acrescentou um detalhe: Representantes de Marina Silva lhe pediram contribuição para o caixa dois da campanha presidencial em 2010 porque ela não queria aparecer associada a empreiteiras. Segundo o dono da OAS, portanto, Marina Silva embolsou o dinheiro, mas sordidamente camuflou sua origem. 
• PT crê que delação de Machado ajuda eleição, não Dilma. 
• Doações de empreiteiras coincidem com delação de Sérgio Machado. 
• Intermediário em esquema delatado por Sérgio Machado é réu no Ceará. Leia
1) O rastro da propina de Cunha: O banco da Odebrecht no Caribe repassou propina a alguns dos protagonistas da Lava Jato; A RFY do doleiro Leonardo Meirelles, que deu 5 milhões de dólares a Eduardo Cunha, recebeu 5.357.000 dólares em depósitos da empreiteira; A Splendid Core, que já havia surgido na denúncia contra Paulo Roberto Costa, recebeu 2.065.910 dólares do banco da Odebrecht; E a Enterprise Tech Industries, do doleiro Nelson Ribeiro, recebeu outros 2.619.839 dólares; Mas há inúmeras contas cujos beneficiários ainda não foram revelados, como a Palmview Management (que recebeu mais de 5 milhões de dólares), ou a Kateland International (5,5 milhões de dólares), ou a Sabrimol Trading (8 milhões de dólares). 
2) Anistia ampla, geral e irrestrita. Odebrecht e OAS vão entregar centenas de políticos. A discussão entre os parlamentares, agora, é: como se livrar da cadeia. Segundo a Folha de S. Paulo, um deputado sugeriu votar um projeto anistiando todos os políticos que receberam doações legais vindas de grana de propina. Com uma contrapartida: Os beneficiados teriam que abandonar a carreira política. Os políticos não precisam de uma anistia, claro. Eles já têm o STF. (O Antagonista) 

• Alternativa à União Europeia é terrível, afirma Ken Loach. Cineasta votará na permanência do Reino Unido, mas defende mudar o bloco. 
• Gays são minoria mais vulnerável nos Estados Unidos. Risco de sofrer crime de ódio é duas vezes maior do que para negros e judeus. 
• Empresas fecham parceria no Peru para exportar. Incentivos do governo andino, preços e algodão atraem confecções brasileiras. 

A Oi e os delírios da teleprivataria.
Michel Temer fala em abrir um novo ciclo de privatizações de empresas e bens públicos. Tudo bem, mas os sábios de Brasília deveriam estudar a ruína da Oi. Ela é a maior operadora de telefonia fixa do país, quarta do mercado de celulares, com 70 milhões de clientes em 25 estados.
A Oi deve R$ 49,4 bilhões, com R$ 1 bilhão vencendo em julho, e não tem de onde tirá-los. Sua gerência está tonta, a empresa já teve dez presidentes, e seu conselho está dividido.
Pelo andar da carruagem, a Oi vai para recuperação judicial ou seus credores tomarão um tombo, sendo levados a converter créditos em investimentos. Como era de se esperar, a Viúva ficará com um pedaço da conta e deverá renegociar os prazos de seus empréstimos.
O Banco do Brasil e a Caixa têm cerca de R$ 6,5 bilhões no negócio. O espeto do velho e bom BNDES está em R$ 4,5 bilhões. (Além desse ervanário, a Oi deve R$ 5 bilhões ao governo, derivados sobretudo de multas.)
Empresa necessariamente ligada a serviços de engenharia, a Oi gasta R$ 500 milhões anuais com advogados. À voracidade de seus operadores, não correspondeu eficácia na gestão. Sua força esteve nos palácios, e sua ruína é uma aula.
A Oi é a primeira grande empresa do programa de privatizações do tucanato a ir para as cordas. Em 1998, amparado pelo fundo de pensão do Banco do Brasil, o consórcio Telemar, liderado pelo empresário Carlos Jereissati e pela empreiteira Andrade Gutierrez, arrematou o lote das teles do Rio e de outros 15 estados.
Armação meio girafa, foi considerada um tanto artificial pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, foi mais duro e chamou a Telemar de Telegangue.
O tucanato suspeitava que a conta iria para o BNDES e decidiu marcar a empresa de perto. FHC chegou a definir essa vigilância: linha extradura. Ilusão. (Nunca se deve esquecer que a Telerj, absorvida pela Telemar, havia sido presidida por uma flor do collorato. Chamava-se Eduardo Cunha.)
A Telemar perdeu alguns sócios pequenos, fez acrobacias, trocou de nome, virou Oi e floresceu durante o comissariado petista. Em 2008, com a ajuda do Banco do Brasil e do BNDES, comprou a Brasil Telecom, que operava em dez estados.
Assim nasceu o que a megalomania do período chamou de SuperTele, com 62% do mercado de telefonia fixa do país. Seria a segunda maior empresa privada do país. O presidente da Oi dizia que era uma semiestatal, pois 49% do seu capital vinham do BNDES e de fundos de pensão da Viúva.
Terminadas as festas pela criação da SuperTele, descobriu-se que a Oi comprara um passivo de R$ 2,5 bilhões. Diante do mau passo, o comissariado dobrou a aposta e alavancou a fantasia da transformação da SuperTele (endividada em R$ 27,5 bilhões) numa multinacional.
Em 2013, com a bênção de Lula, José Dirceu e de outros santos menores, armou-se a fusão da Oi com a Portugal Telecom. Ela teria cem milhões de clientes e R$ 37,5 bilhões de faturamento.
Com as caravelas portuguesas, vieram investimentos em aventuras petistas no mercado de comunicações. Nasceu até mesmo o falecido jornal Brasil Econômico. Nessa altura, Carlos Jereissati e a Andrade Gutierrez reduziram suas participações a níveis desprezíveis.
Desde o primeiro dia, o problema da Telemar/Oi foi de falta de gestão e excesso de conexões. É da Oi a antena que serve ao sítio de Atibaia que dá conforto a Lula, e a empresa investiu R$ 5,2 milhões no negócio de videogames de seu filho.
Bancos oficiais, banqueiros amigos e fundos de pensão prometiam milagres. O BTG Pactual chegou a armar um fundo de R$ 2 bilhões. Deu zebra, a Portugal Telecom se encrencou em transações bancárias na Europa, e em 2016 a dívida da Oi se descontrolou. A empresa valia R$ 25 bilhões quando os portugueses entraram. Hoje ela vale R$ 500 milhões.
Se os acionistas não chegarem a um acordo, a Oi, ex-SuperTele, ex-campeã nacional, virará uma Tchau. Como esse caminho seria um suicídio, a lição terminará com prejuízo para os donos, os credores e, com certeza, para os clientes. Os doutores acreditaram na força de suas conexões políticas. (Elio Gaspari) 

Quem viver e quem temer.
Vem chumbo grosso esta semana. Eduardo Cunha não escapa. Perderá não apenas a presidência da Câmara, mas o mandato. Bem como suas economias, aliás, vastas, exceção daquelas que já voaram. Além de sua liberdade.
Só isso? Parece que não, porque dois senadores estão na marca do pênalti. O Supremo Tribunal Federal continuará acionando suas baterias, com o dedo do relator Teori Zavaski no gatilho. Ministros? Pelo menos um, o quarto, por mais bem educado que seja.
O Judiciário tem seu ritmo próprio, mas nem por isso arrefece, a começar pela Primeira Instância do Paraná. A Polícia Federal, a Procuradoria da República e a Receita Federal não esmoreceram.
Em suma, o batalhão dos justiceiros permanece na disposição de não recuar, como desejariam Executivo e Legislativo. Quem viver, verá. Quem temer, também…
Em ponto morto está a possibilidade de o palácio do Planalto encaminhar emenda constitucional ao Congresso propondo eleições diretas e imediatas de presidente e vice-presidente da República, em outubro. Michel Temer é contra, apesar de Dilma Rousseff estar a favor. Madame vai perdendo a chance de voltar ao poder no final dos 180 dias. Já cuida da mansão que adquiriu em Porto Alegre, cujo preço de milhões um jornal de São Paulo anda atrás. Parece que conseguiu. (Carlos Chagas) 

Cultura é como vitamina C.
Há uma passagem na biografia de Winston Churchill escrita por Lord Roy Jenkins que não me sai da cabeça. Ao visitar um distrito pobre, o ainda jovem Churchill perguntou a um assessor: Você imagina o que é passar uma vida inteira sem ter uma conversa inteligente?. Estava falando da falta de oportunidade de desenvolvimento intelectual e estético dos habitantes daquele lugar que lhe parecia especialmente precário.
A passagem não me sai da cabeça porque a inteligência, produto sempre escasso na história, vem-se tornando cada vez mais rara desde que as diversões idiotas tomaram o lugar da cultura e o esquerdismo ocupou os currículos escolares. Vale tanto para pobres como para ricos.
Não há nada de errado em gostar de diversões idiotas. Eu, por exemplo, gosto muito de assistir a Game of Thrones. Já de novelas, eu tenho verdadeira alergia. Acho que elas empipocam o cérebro. Na escala da idiotice, as novelas atingem o grau máximo, juntamente com as obras de Lênin.
Não há nada de original em falar mal de novelas, mas talvez ainda haja alguma originalidade em falar mal de todo o resto que se produz no Brasil na área cultural. De modo geral, a televisão, o cinema, o teatro, a pintura, a escultura, a literatura, a música e a arquitetura brasileiras são de uma ruindade assombrosa.
Você, Mario, que escreveu quatro livros, também faz parte desse panorama desolador? Pode registrar aí: eu faço. Meus quatro livros são uma porcaria. Eu posso dizer porque os li. Sou tão ruim quanto Chico Buarque, que desancou o meu primeiro romance, anos depois de eu despedaçar um dos que ele escreveu (não me lembro o título). Se eu voltar à ficção, será apenas para provar mais uma vez que sou mau escritor e propiciar aos meus inimigos outros ataques a mim, mesmo que jamais tenham tido o desprazer de me ler (parafraseando João Cabral de Melo Neto, gosto de cultivar os meus inimigos como quem cultiva um deserto).
A cultura serve principalmente para termos conversas inteligentes. Conversas sobre se o mal pode conter o bem (a série Sopranos e Santo Agostinho), como transformar o particular em universal (Philip Roth e a Torre Eiffel), se o amor é destino ou construção (Woody Allen e Dante Alighieri) e por aí vai.
Conversas inteligentes não têm nada de aborrecidas, inclusive porque não costumam tomar mais do que dois por cento da nossa existência. No resto do tempo, voltamos forçosamente a exercer a nossa futilidade natural, preocupados que somos com os apetites rasteiros.
A cultura tem o papel de nos elevar um pouquinho, por curto espaço de tempo, da nossa própria mesquinhez. É como vitamina C. Você não precisa de muita por dia. Mas o mundo está carente dessa vitamina e, no Brasil, a falta é completa. A nossa produção cultural só contém carboidratos, glúten e lactose.
Sim, Churchill, dá para imaginar o que é passar uma vida inteira sem ter uma conversa inteligente. (Mario Sabino) 
Ô povinho alheio! Tudo corre a céu aberto, com jornais, tvs (engangelizando(?), programações de baixa qualidade e noticiários repetitivos...), redes sociais e parece, a ver do estrangeiro, que o povo brasileiro não se importa. Tudo passará. indagam. Prarece que só futebol (que pena!) e Carnaval (vem aí!) pode mexer com o sentimento nacionalista(?), se é que existe. Dá-lhe Argentina e EUA. Ainda precoce, quando manteremos o respeito ao Brasil, pra ontem ou esperemos que as sujeiradas nos cumbram mais ainda de vergonha. Até lá. (AA)

Nenhum comentário: