12 de jun de 2016

Dia dos Namorados!

 photo lula_moro_zpsigof5a4q.jpgÉ uma guerra, diz Temer após um mês de governo interino. Em 30 dias, perdeu 2 ministros, recuou em decisões e tem situação fiscal difícil. 
• Dois colaboradores da Operação Lava Jato fecharam acordos com o Departamento de Justiça dos EUA para dar informações sobre o envolvimento de cidadãos e empresas americanas no esquema de corrupção na Petrobras. Oito meses após a vinda do procurador Patrick Strokes ao Brasil para negociar delações, o executivo da Toyo Setal Augusto de Mendonça e o lobista Julio Camargo aceitaram se tornar colaboradores em território americano.
• Em meio à polêmica, Empresa Brasil de Comunicação (EBC) poderá ser extinta pelo governo Temer. Geddel Vieira Lima e Moreira Franco defendem fim da empresa pública; O embate chegou ao ponto de integrantes do PMDB no Palácio do Planalto pregarem abertamente o fim da estatal criada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2007 que hoje tem mais de 2.600 funcionários.
• A campanha eleitoral de 2016 deve ser marcada pela penúria de recursos, graças à combinação de fatores como a crise econômica, a proibição de doações de empresas e o impacto da Operação Lava Jato. Para político e marqueteiros, a previsão de cortes drásticos de custos representa o colapso de um modelo de mercado que cresceu sem parar nas últimas três décadas. Nas eleições municipais de 2012, quase 80% dos gastos foram financiados por empresas. Elas eram também responsáveis por doações significativas aos partidos em anos não eleitorais, mas essa fonte secou mesmo antes da proibição do financiamento empresarial, determinada pelo Supremo Tribunal Federal e acolhida pelo Congresso no fim do ano passado. 
• Governo não avalia efeito de isenção fiscal, diz TCU. Estímulos à indústria vão consumir R$ 52 bi em recursos públicos neste ano. 
• Dilma deve ter agenda anti-Temer no Nordeste. Presidente afastada planeja ir a três cidades para denunciar interino; Planalto deverá cortar mais privilégios e regalias de Dilma. Secretaria de Governo deve cortar cargos, diárias e regalias. 
• Novo centrão pauta governo e quer comandar Câmara. Influenciada por Cunha, frente é conservadora e tem problemas com a Justiça. 
• Concessões ficam à espera de decisão sobre impeachment. Cautela de investidores e falhas em projetos fazem governo segurar leilões. 
• Brasil registra 6 mortes em adultos provocadas por vírus da zika. 

• Greve geral na França. Mais uma dor de cabeça para organização da Euro. 
• Revolta do eleitor é ponto crucial nas eleições dos EUA. Raiva com o status quo alavancou forasteiros como Trump e Sanders. 
• China aperta cerco a dirigentes corruptos. Novas diretrizes estabelecem até pena de morte em casos de desvios. 
• Medidas do governo seguram Maduro na presidência da Venezuela. 
• Atentados do Estado Islâmico deixam 20 mortos na Síria. 
• Policiais afastam familiares de boate cenário de um tiroteio múltiplo em Orlando (EUA). Um homem armado abriu fogo contra frequentadores de casa noturna gay na cidade do centro da Flórida, deixando, segundo a polícia, vários feridos
• Policiais enfrentam torcedores ingleses em Marselha (França) antes de jogo pela Euro-2016. 

O mimimi de Dilma.
Quem já passou pela experiência de encolher seu padrão de vida, apertar o cinto, mudar-se para imóvel menor, em bairro pior, vender o carro novo para comprar um usado, entenderá bem o que vou escrever. Nos últimos dias tenho conversado com muita gente vivendo concretamente essas experiências. Muitos deles eram jovens com bons postos de trabalho, colhidos pela tesoura determinada pela recessão. Profissionais bem sucedidos em diversas áreas, assumiram a direção de seus carros e se tornaram motoristas do Uber, por exemplo. Tenho ouvido suas histórias e seu esforço de adaptação a uma nova realidade. Tenho lhes conferido, principalmente pelas histórias de vida, a desejada nota cinco que os credencia a continuar no serviço. É nota dada ao cidadão, ao chefe de família, ao estudante bolsista no exterior, que precisou retornar porque o programa secou. Era um programa para crescer até a eleição e minguar depois, sabe como é. O mandato presidencial de Dilma tinha que ser legitimamente conquistado.
Pois eis que a tesoura, uma outra tesoura, acabou atingindo a própria presidente. Ela foi afastada segundo o rito constitucional e aguarda o julgamento do Senado. Enquanto isso, salário integral, curte as comodidades do Palácio da Alvorada, com um séquito de fazer inveja à qualquer família real europeia. No entanto, para a Dilma, ela está nas masmorras de uma espécie de Coliseu, onde aguarda algumas semanas pela decisão final. Naquele dia precisará que mais de 27 entre os 81 senadores ergam o polegar e a restituam à vida antiga, que tão mal levava o Brasil e tanto bem lhe fazia viver.
Tivesse fé, Dilma deveria subir de joelhos as escadarias da Penha. Deveria lavar o átrio da Igreja de Nosso Senhor do Bom Fim. Foi-lhe dado o privilégio de presidir a república e ela fez mau uso dessa ventura conduzindo o país a uma situação que se torna desnecessário descrever porque seria falar sobre a vida de cada um. No entanto, em vez de agradecer e penitenciar-se, Dilma reclama. Reclama de tudo, como se estivesse nas masmorras do Coliseu Romano.
Reclama de não ter jato da FAB à disposição para viajar quando e para onde bem entenda. Reclama da reduzida equipe. Reclama do cartão de alimentação. E no entanto, de uma ponta a outra, a lista de suas efetivas disponibilidades é feita de privilégios! São regalias negadas aos trabalhadores. E ainda mais recusadas aos milhões de brasileiros desempregados por sua incompetente condução da política econômica. A estes, desempregados pela corrupção, desempregados pelos gastos durante o estelionato eleitoral de 2014 e pelo dinheiro despejado no totalitarismo dos camaradas bolivarianos, ela não dedica uma única palavra.
O dedo acusador de Dilma volta-se contra tudo e todos. Só não encontra o rumo do próprio peito. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor) 

Voltar para quê?
Neste domingo (12), completa-se um mês desde que Dilma Rousseff assinou a notificação do impeachment, deixou o Palácio do Planalto e se recolheu ao Alvorada. Na temporada de exílio, ela criticou o substituto e prometeu lutar para voltar à Presidência. Faltou responder a uma pergunta: voltar para quê?
Dilma deve uma explicação sobre o que pretende fazer na hipótese, por ora improvável, de o Senado revogar o seu afastamento. Na noite de quinta-feira, surgiu uma pista. Na entrevista à TV Brasil, ela indicou que convocaria um plebiscito sobre a realização de novas eleições.
A consulta popular é o único meio de lavar e enxaguar essa lambança que está sendo o governo Temer, disse. Eu acho que pode ser um plebiscito de alguma forma. Eu não vou aqui dar o menu total, mas essa é uma coisa que está sendo muito discutida, acrescentou.
Parte da esquerda sonha com uma volta em que Dilma retome o programa de 2014, que ela abandonou depois de se reeleger. Há dois problemas: o dinheiro acabou e o Congresso deve impedi-la de governar.
A presidente foi afastada por 71,5% dos deputados e 67,9% dos senadores. No papel, ela precisa virar poucos votos no Senado para arquivar o processo de impeachment. Na prática, teria que mudar a opinião de mais de uma centena de parlamentares para voltar com condições mínimas de aprovar seus projetos.
Ainda faltaria contabilizar a reação das ruas e o estrago que pode ser provocado pelas novas delações da Operação Lava Jato.
A rejeição a Temer pode fortalecer a tese de novas eleições, mas é preciso haver um consenso mínimo entre as forças que não querem efetivar o interino. Por enquanto, não há unidade nem no PT. Na noite de sexta, o ex-presidente Lula evitou o assunto ao discursar para uma multidão na avenida Paulista. Alguns dos principais movimentos que apoiam o Fora Temer, como o MST, não querem ouvir falar em plebiscito. (Bernardo Mello Franco, jornalista) 

Com a justiça lenta, não há culpados nem inocentes.
O ritmo do Judiciário é diferente dos demais poderes e da própria sociedade. Faz uma semana que os jornais publicaram a decisão do procurador-geral da República, de recomendar ao Supremo Tribunal Federal a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros, do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do ex-ministro do Planejamento, senador Romero Jucá, e do ex-presidente da República, José Sarney.
Decorridos sete dias, aconteceu o quê? A conclusão de que o procurador Rodrigo Janot cumpriu o seu dever, e de que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavaski, também, como relator, ao receber a comunicação do procurador.
Os quatro réus estrilaram, protestaram e alegaram inocência. O plenário do STF a tudo assiste. A opinião pública aguarda. E nada mais.
Até prova em contrário - Claro que todo mundo é inocente até que se lhe prove a culpa, mas tempo houve, de sobra, para os quatro acusados se defenderem, reconhecendo a culpa ou comprovando a ausência dela.
Na Justiça, é sempre assim. Por certo que fere a lei e atropela a lógica assistir acusações falsas produzirem efeitos danosos sobre inocentes. Mas todo processo terá merecido a maior atenção sobre o acusador. Assim como deveria ter provocado a reação dos julgadores, para um lado ou para o outro. O que não dá para aceitar é o ritmo aplicado no julgamento. Nem culpados nem inocentes. (Carlos Chagas)

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