14 de jun de 2016

Andar das carruagens justiça e política...

 photo cunha16_zpsyskcbw77.jpg • Legado da Lava Jato: O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou nesta segunda-feira, 13, que o governo avalia de forma favorável as 10 medidas contra a corrupção, de iniciativa no ano passado de procuradores da República que atuam na operação Lava Jato e que ganhou apoio popular da PGR e chegou ao Congresso Nacional no fim de março com endosso de mais de 2 milhões de assinaturas. 
• Dilma pedalou deliberadamente. Diante da comissão do impeachment, o secretário de Controle Externo da Fazenda Nacional do TCU disse que, sim, Dilma decidiu maquiar as contas públicas. A diferença entre erro e fraude é a intenção -- e ficou consignado um artifício deliberado para maquiar as estatísticas fiscais e, portanto, impedir que decisões orçamentárias e fiscais fossem tomadas a partir de informações mais verdadeiras e confiáveis, disse Tiago Alvez Dutra. 
• Cassação de Cunha: Tia Eron garante presença na reunião de amanhã do Conselho de Ética. Deputada tem evitado contato com parlamentares para fugir da pressão. 
• Petistas presos sugerem acordo de leniência para partido. Dirceu e Vaccari debatem, pela primeira vez, a chance de assumir culpas; Culpe o sistema e livre-se, malandro: A ideia de criar uma leniência partidária é malandragem, desfaçatez e indecência que pretende eximir dos corruptos a inteira responsabilidade por seus atos e atribuir boa parte dela ao sistema; Se aprovada essa excrescência, empresários sonegadores poderão afirmar que burlaram o fisco e causaram prejuízo de bilhões aos cofres públicos, mas a culpa é também do sistema de um Estado voraz com os cidadãos; Se aprovada essa excrescência, traficantes poderão dizer que traficaram, torturaram, estupraram e assassinaram, mas a culpa é também do sistema que não lhes propiciou oportunidades; Se aprovada essa excrescência, homens que batem em mulheres poderão se justificar dizendo que a culpa também é do sistema patriarcal; Se aprovada essa excrescência, quem sempre se comportou com honestidade dentro do sistema virará de vez uma excrescência. 
• Prefeitura vai reconstruir ciclovia que desabou no Rio de Janeiro e vai monitorar ressacas. 
• O MPF protocolou ação civil pública contra Eduardo Cunha por improbidade administrativa. Os procuradores querem que ele devolva 20 milhões de reais e tenha os direitos políticos suspensos por dez anos. Pela natureza, a ação pode tramitar em primeira instância, a despeito da prerrogativa de foro do deputado. O processo não pode levar Cunha à prisão, Mas é outra grande dor de cabeça para o peemedebista. 
• Era o que Lula mais temia: Teori ajuda Lula, anulando prova de obstrução, e envia a Moro caso de sítio e tríplex. Teori compensa e anula gravações provando obstrução da Justiça. 
• Reforma pós-impeachment. Ministério definitivo de Temer sairá em outubro. Primeira reforma ministerial de Temer deve sair em outubro. 
• A comissão especial do impeachment aprovou o pedido de Ricardo Ferraço para que o parecer técnico das contas de Dilma Rousseff em 2015 seja enviado com urgência pelo TCU ao colegiado. Já o chororô de Lindbergh para que as testemunhas tenham tempo ilimitado para responder às perguntas foi negado. 
• Governo: já são 60 os votos pró-impeachment. Impeachment: Planalto e governistas estimam ter votos de sobra. No julgamento, bastam 54 votos dos 81 senadores para destituir Dilma Rousseff em definitivo. A presidente afastada é acusada de crimes de responsabilidade e contra a Lei Orçamentária, com punições previstas na Constituição Federal. 
• STF volta atrás: O golpe contra a Lava Jato pode funcionar; De acordo com Lauro Jardim, o STF se prepara para reverter, no próximo dia 22, o entendimento de que o réu deve ser preso após a condenação em segunda instância; Em fevereiro, a decisão foi aprovada por um placar de 7 a 4. Votaram a favor da antecipação da prisão os ministros Dias Toffoli, Edson Fachin, Teori Zavascki, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes; Agora os dois primeiros - Dias Toffoli e Edson Fachin - parecem ter mudado de ideia; No Brasil, as conquistas duram pouco. 
• Auditor do TCU classifica pedaladas fiscais como fraudes. Diferença entre o erro e a fraude é intenção, diz Tiago Dutra. Em resposta ao líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), o secretário de Controle Externo do TCU, Tiago Dutra, confirmou que houve fraude fiscal por sucessivas vezes em 2014 e 2015. O auditor rechaçou a tese de erro contábil depôs na Comissão do Impeachment. O auditor também do TCU Leonardo Albernaz também foi convidado como testemunha. 

• Maior atentado a tiros nos EUA deixa 50 mortos em boate gay. Assassino, que dizia ter nojo de homossexuais, se disse leal ao Estado Islâmico. 
• Campanha enterra amizade entre os Clinton e os Trump. Ex-chanceler e marido foram à união do empresário; filhas eram próximas. 

Uma ode ao vazio.
Alguém será capaz de resumir o programa do governo Michel Temer? Em dez postulados que sejam, quem se anima? Também, nos cinco anos de exercício no poder, como se definiria o governo Dilma? É bom nem olhar para trás, no caso, os dois mandatos do Lula. E outros, de Fernando Henrique a Fernando Collor e a José Sarney. Escapa apenas Itamar Franco, para depois cairmos no período militar.
A conclusão é de faltar um plano diretor ao Brasil. Às sucessivas administrações da Nova República, inclusive agora, com Michel Temer, nunca apareceram programas ordenados e definidos. A começar pelas mais recentes. No máximo um conglomerado de iniciativas esparsas e conflitantes, sem começo, meio ou fim.
Ficará sem resposta quem indagar o que pretende Michel Temer. Habitamos um país sem rumo.
Também, um país sem partidos, em meio a 35 que naufragam. Nos programas de todos, batem cabeça as siglas mais diferentes, a maioria utilizando rótulos como social, democrata, dos trabalhadores ou populares. Até os comunistas nada tem a ver com os complementos.
Quando se volta a falar em definições, bem que valeria à pena convocar seus dirigentes para ver como carecem de objetivos. Do PMDB ao PT e ao PSDB, configuram uma ode ao vazio. Uma falta de metas. (Carlos Chagas) 

Sem-vergonhice sem fronteiras.
Eu não entendo nada de ciência e tecnologia, mas sei que as universidades, os laboratórios e centros de pesquisa do Brasil estão a anos-luz de distância daqueles dos países avançados.
Eu não entendo nada de ciência e tecnologia, mas sei que são fatores determinantes para o desenvolvimento de uma nação.
Eu não entendo nada de ciência e tecnologia, mas sei que é um inferno encontrar um bom instalador de ar-condicionado por aqui.
Foi com certa curiosidade, portanto, que li a notícia da Folha segundo a qual apenas 3,7% dos participantes do programa federal Ciência Sem Fronteiras foram estudar nas melhores universidades do mundo -- aquelas que realmente fariam diferença para a formação dos beneficiados e, portanto, para o avanço científico e tecnológico nacional. A massacrante maioria aproveitou o intercâmbio com dinheiro público apenas para ter uma experiência lá fora. E o lá fora, não raro, foi Portugal -- essa ilha de excelência na Europa Ocidental.
É claro que o programa inventado pelo PT era demagógico, um trem da alegria destinado principalmente a uma porção de gente sem requisitos acadêmicos para estudar seriamente no exterior. O meu ponto não é esse. O meu ponto é justamente a quantidade de gente disposta a pegar qualquer trem da alegria no Brasil, desde que pago com dinheiro público, sem a preocupação de dar retorno ao país.
Não há diferença moral entre o estudante que pegou bolsa do governo para fazer curso de nanotecnologia na Universidade de Coimbra e o político que vai ao estrangeiro às nossas expensas, a pretexto de discutir alianças estratégicas, e passa o dia circulando em lojas de grife de Nova York, Londres, Paris ou Roma.
Somos um país de salafrários, essa é a verdade, e os trens da alegria nos espelham, não importa o nome que se dê a eles. A taxa de honestidade brasileira talvez seja mesmo de míseros 3,7%.
Vou ter de continuar procurando um bom instalador de ar-condicionado. (Mario Sabino) 

Lula desce ao inferno da República de Curitiba.
Hoje em dia, segundo uma crença que se espraia por toda a oligarquia nacional, Curitiba é outro nome para inferno. Inquéritos sempre existiram. A novidade -que não começou agora, mas ganhou escala industrial com a Lava Jato- é que o investigador, o procurador e o juiz passaram a investigar, procurar e julgar como se todos fossem iguais perante a lei.
Sinceramente, eu tô assustado com a República de Curitiba!, exclamou Lula no grampo que o juiz Sérgio Moro mandou instalar em março, quando ainda ajustava o nível das labaredas reservadas ao pajé do PT. Para fugir da grelha do doutor, Lula topou tudo, inclusive virar subordinado da sucessora que carregara nos ombros em duas eleições. Trocou a condição de ex-presidente pela de piada.
Depois de fracassar no sonho do poder eterno, Lula tentou pelo menos evitar a realização dos seus pesadelos. Não deu. Na noite passada, o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, enviou a anedota para o inferno. E Lula amanhece nesta terça-feira (14) sob o tridente do doutor Moro. Junto com ele, desceram do Supremo à grelha três ex-ministros petistas: Edinho Silva, Jaques Wagner e Ideli Salvatti.
Brasília conviveu razoavelmente com a Justiça convencional, que desafiava autoridades, mas não atentava contra a integridade do sistema inteiro. O petismo aguentou os seus anos de decomposição escorando suas desculpas no cinismo e protegendo seu líder atrás do escudo do eu não sabia. Mas a Lava Jato abalou tradições e costumes. Foram em cana pessoas que se imaginavam acima da lei.
O inferno registra altos índices de produtividade. Em dois anos, Sérgio Moro proferiu 105 condenações. Somam 1.140 anos, 9 meses e 11 dias de prisão. A frase onde é que isso vai acabar? perdeu momentaneamente o sentido. Até onde a vista alcança, não acaba. Ou por outra: Lula chegou, finalmente, a uma República onde o descalabro costuma acabar na cadeia. (Josias de Souza)

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