24 de mai de 2016

País anda em solo pantanoso...

• Áudio derruba ministro Jucá no 12º dia do governo Temer. Em gravação, titular do Planejamento sugere pacto para controlar Lava Jato. 
• Procuradoria quer ampliar ação contra Pimentel no STJ. Acusação é de que governador de Minas recebeu R$ 10 milhões de propina. 
• Governo deve receber antes até R$ 100 bi do BNDES. Dinheiro será usado integralmente para abater dívida, sem impacto no déficit. 
• Primeira crise polícia do novo governo eleva dólar e juros. Investidores veem risco maior de Congresso não aprovar reformas de Temer. 
• Medidas precisam ser de longo prazo, afirma Meirelles. Em evento, ministro da Fazenda diz que governo tem que ir além de intenções. 
• Delator afirma ter pago viagem a mulher de Collor. Ex-sócio de Alberto Youssef diz ter bancado despesas de luxo para Caroline. 
• Temer é chamado de golpista em visita ao Congresso. Para siglas de oposição, áudio de Jucá reforça tese de impeachment viciado. 
• Entidades dizem que dialogarão com ministro. Grupos apoiam escolha de Marcelo Calero para Ministério da Cultura. 

Romero Jucá e a Guerra dos Trinta Anos.
Em 2005, Romero Jucá foi exonerado do ministério da Previdência por causa de um escândalo de corrupção batizado de Frangogate. Depois, enrolou-se na Lava Jato e na Zelotes, para não falar dos escândalos regionais dos quais é protagonista. Ainda assim, foi nomeado ministro do Planejamento por Michel Temer.
Hoje, surgiram áudios que mostram como ele viu no impeachment de Dilma Rousseff a grande chance de melar o trabalho de Sergio Moro e companhia. 
Romero Jucá foi obrigado a pedir licença do ministério - apenas uma forma menos vergonhosa de ser saído.
Ele vai sobreviver politicamente?
Vai, a menos que seja condenado na Justiça.
De quem é a culpa?
A culpa é dos eleitores que votam em Romero Jucá e assemelhados.
Não é possível atenuar a responsabilidade dos cidadãos. As informações mais evidentes estão no seu próprio cotidiano, nas dificuldades que enfrentam, no que se acha ao alcance dos seus olhos.
No que Romero Jucá ajudou a melhorar a vida do povo de Roraima? Em muito pouco para quem está lá, como político, há quase três décadas. Os eleitores não percebem?
Na Europa, a Guerra dos Trinta Anos resultou na liberdade de culto para protestantes e católicos.
Em Roraima e no resto do Brasil, trinta anos de Romero Jucá resultaram num amontoado de lambanças.
A espada da democracia é o voto. Decapitem Jucá, roraimenses, e comecem a conquistar a sua própria liberdade -- e parte da nossa. (Mario Sabino)

Sérgio Machado não gravou apenas Romero Jucá. O ex-presidente da Transpetro na era PT registrou também áudios de Renan Calheiros e José Sarney. Nestes dois casos os registros foram feitos em conversas privadas que Machado teve com cada um dos dois, separadamente. Quem teve acesso aos áudios diz que o que foi revelado hoje em relação a Jucá não é nada comparado ao que Renan e Sarney disseram. As gravações foram feitas no âmbito da delação premiada que Sérgio Machado está negociando com a Procuradoria-Geral da República desde março. O acordo com a PGR foi selado na semana passada. Na delação, Machado gravou apenas três políticos: o responsável pela sua indicação para a Transpetro (Renan), Sarney e Jucá. Mas comprometeu outros senadores do PMDB. São eles Jáder Barbalho e Edison Lobão. Eduardo Cunha, Aécio Neves, José Dirceu e Lula não aparecem nos depoimentos dados por Machado. A delação de Machado está na mesa do ministro Teori Zavascki, esperando homologação. 

• Chanceler Serra cria novo fórum com Argentina. Mecanismo servirá para coordenar posições políticas dos dois países.
• Ataques do EI na Síria deixam ao menos 78 mortos. Facção ataca redutos do ditador Assad em resposta a ofensiva do regime.
Dança com lobos.
Era só ter o mínimo de percepção, quando os senhores do engenho, deputados, senadores e políticos dirigidos por interesses extemporâneos (300 deles na Lava Jato) que confrontam as aspirações populares das urnas, se articularam, e como lobos em cima da carniça traíram não somente a ética política, como a fantasiaram num luxuoso disfarce de constitucionalidade à moda veneziana e colocaram, sem votos, suas máscaras e lentejoulas no grande salão do pátio Brasil.
Lamentavelmente Temer, conduzido pelo lobo-alfa, hoje afastado pelo STF da presidência da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, deixou-se manipular pela derrubada da presidente Dilma Rousseff, e pior; acertou, prometeu, conspirou e cedeu à matilha a esperança de poder tão por eles desejada. Sem nenhum respeito as urnas e a população do Brasil, seus trabalhadores, mulheres e homens, comprometeu-se com o botim da traição, através da manutenção do seu poder de fogo nas mãos do Congresso e ainda com o compromisso de que, em um novo governo, formado com eles mesmos que até ontem pertenciam ao velho, sem nenhum escrúpulo, como nunca se viu em democracia alguma, trocariam de lado como verdadeiros traidores, cínicos da democracia, para auto proteger-se.
A promessa era intrínseca e secreta; sairiam ilesos da Operação Lava-Jato da qual estariam envolvidos.
Mas, lobo come a comida do lobo.
Como disse Sergio Machado: Estão todos na bandeja para serem comidos.
Ontem, Geraldo Magela Fernandes da Rocha, 65, empresário, abriu a boca e declarou à Polícia Federal que aceitou ser laranja do Senador Romero Jucá em declaração por ele prestada, sob investigação.
Hoje, a Folha de São Paulo vazou a toda a opinião pública que o atual ministro do Planejamento e ontem líder do governo Dilma, Romero Jucá (PMDB-RR) foi pego sugerindo em conversas com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma mudança no governo era necessária e que resultaria em um pacto para estancar a sangria atribuída à Operação Lava-Jato. Confirma-se assim a suposição da conspiração e os motivos do desfecho do impeachment.
Esses são os novos ministros e arautos da moralidade e ética do novo governo Temer.
Esse é o novo ministério de vulto que prometiam aos brasileiros.
O vulto é gigante e ainda virá para continuar tirando os lobos da toca, pois a justiça não pode ser obstaculizada.
- Não é assim, ministros do STF?
Enquanto o Brasil espera..., dança com lobos! (João Vicente Goulart, Diretor IPG-Instituto João Goulart) 

A transição do nada para coisa nenhuma.
Pior não poderia ficar, a partir de ontem. Claro que amanhã é outro dia, com tudo para aumentar a profundidade do buraco em que mergulhou o governo Temer. Até chegar ao Congresso acompanhado de Romero Jucá o novo presidente não conseguiu evitar, ontem. A hora é de abrir o centro cirúrgico e afiar os bisturís. Não dá para manter o atual ministro do Planejamento, exposto no rumo do cadafalso. Se não renunciar, será renunciado. A revelação dos diálogos dele com Sérgio Machado, pelas páginas da Folha de S.Paulo, pode não comprometer por inteiro o ministério Temer, mas é quase isso. Como recuperar a economia, ou melhor, preparar e empreender um plano de estabilização nacional, se o ministro do Planejamento não planeja, mas apenas expõe suas qualidades de bandido?
O atual governo não inspira confiança, mesmo reconhecidos os méritos de Henrique Meirelles, José Serra, Raul Jungmann e mais uns poucos. Aguarda-se um pacote de contenção, mas como anunciá-lo se vier amarrado com o barbante da corrupção?
Ficou óbvia a estratégia que Romero Jucá tramava para neutralizar a Operação Lava Jato e salvar parte da quadrilha com a qual pretendia conduzir o governo Temer. Quebrou a cara, fazendo aumentar os ímpetos revanchistas do PT e adjacências. Dilma Rousseff, mesmo carta fora do baralho, imagina tirar um proveito impossível dessa nova tertúlia, capaz de conturbar a transição do nada para coisa nenhuma. (Carlos Chagas) 

Duas dúvidas até agora. 1 - De onde surgiu essa gravação, quase 4 meses depois. 2 - Temer se desgasta demitindo jucá? E o povo entenderá o licenciamento? 
Durante toda a tarde de segunda feira, o clima no governo foi principalmente de perplexidade. Depois vieram o desconforto, as dúvidas e a reflexão sobre as consequências. Jucá ficar ou não ficar, não era avaliado sobre qualquer critério em que se usasse a palavra credibilidade. A tentativa de esclarecimento se chocava sempre com a pergunta que ninguém respondia.
O que é pior para o governo: manter ou não manter o Ministro, provavelmente o mais prestigiado no cenário político. No sábado, Temer chamou Meirelles a SP para conversar. Mas chamou também o Ministro Jucá. Isso prova a sua importância e força no governo.
Temer combinou com auxiliares mais próximos, que sairia do Planalto ás 4 horas. pois estava com hora marcada no Senado. Iria entregar como entregou o relatório com as medidas que precisarão ser votadas hoje, terça. Ficou pouco tempo. Exatamente ás 16,40, todas as televisões deram de frente, praticamente posada, imagem com Temer entre Renan e Romero Jucá. Num momento, Jucá falou qualquer coisa no ouvido do presidente em exercício, que deu um sorriso. Havia muita gente em volta, confusão geral.
Não muito mais tarde, um senador me contou: Helio, naquele instante, Jucá dizia ao Presidente: vou ficar aqui no Senado. Reassumo o mandato, e já amanhã começo a trabalhar para aprovar rapidamente tudo o que o governo precisa com urgência. Era algo surpreendente, complicado, quase inexplicável.
Ele estava renunciando? Como é que poderia reassumir no Senado, o que agradava ao governo. Mas. e o cargo no ministério? Era ou parecia tão incompreensível, que rádios, televisões e sites, noticiaram com estardalhaço, o ministro renunciou. Menos de 10 minutos depois, retificaram: o ministro do Planejamento se licenciou.
Tudo é tão esdrúxulo, estranho e extravagante que foi difícil de entender. Para explicar de forma clara, e para que todos entendam, recuemos no tempo, voltemos para o Jaburu entre 2 e 4 horas antes de Temer ir para o Senado. Havia enorme ansiedade para encontrar uma decisão que agradasse a todos.
Traduzindo: ninguém tinha confiança em Jucá. Se fosse demitido drasticamente, voltaria ao senado, seu mandato vai até 2018. Romperia com o governo, poderia influir e influenciar o julgamento do afastamento de Dona Dilma. Não existe grande folga na votação, perderiam o voto dele, e não seria difícil conseguir mais 2 ou 3. Poderiam estar perdendo o poder, mesmo interino ou provisório.
Alguém lembrou um outro problema grave, não fora nem comentado. Romero Jucá é presidente do PMDB, fora eleito e empossado com estardalhaço. Se fosse demitido do ministério, iria para o senado, continuaria presidindo o partido.
Alguém falou, demitido do ministério, podemos afastá-lo também da presidência do PMDB. Silencio completo, sabiam que no PMDB, é impossível examinar o que é realidade ou divagação. E se não conseguissem número para retira-lo?
Surpreendentemente, a solução (?) foi sugerida pelo próprio Jucá. Saindo do Senado, o Ministro falou para o presidente: Quero ir no carro com o senhor, só 5 minutos. Temer concordou Jucá mandou o carro segui-lo e logo entrou no assunto. Presidente, não cometi crime algum, não posso ser condenado sem defesa. Peço licença do Ministério, reassumo no Senado, onde sou mais importante. Entro com um recurso na Procuradoria da República para saber se sou culpado. “Se responder efetivamente, o senhor me demite. Inocente, reassumo.
Temer concordou imediatamente, apertaram as mãos, Jucá desceu, tomou seu carro, voltou para o Senado. Às 6 horas em ponto, deu entrevista coletiva (só ele falou) e durante 20 minutos explicou tudo o que acontecera.
Repetiu o que dissera ao meio dia, incluindo afirmações como esta: Só penso no interesse nacional, jamais coloquei qualquer problema ou reivindicação pessoal, acima da sagrada obrigação da coletividade e do país. E acreditar que ainda existe gente que acredita nisso. Do Senado foi para o ministério, despachou muita coisa. Mais tarde passou o cargo ao Secretário Executivo.
Temer chegou ao Jaburu, tão sorridente, que o silencio foi obrigatório. Sentou, explicou com tanta naturalidade, que ninguém perguntou ou refutou coisa alguma. E dentro da realidade nacional, um episódio perfeitamente aceitável apesar de incompreensível.
Quem pode punir alguém por combater a Lava - Jato, propor um pacto para derrubar um governo, e afirmar, inocentemente, me relaciono com muitos Ministros do Supremo. Estão obrigados a devolver o mandato do senador Delcídio.
PS -Quando se soube que a gravação foi feita pelo ex-senador Sergio Machado, muitos se lembraram: Ele esteve lá em casa, conversamos longamente. E naturalmente sobre Lava-Jato, nem lembro o que disse.
PS2 - Ao saberem que o ex-presidente da Transpetro está fazendo delação premiada e que já entregou muitas gravações à Procuradoria, o pânico foi geral.
PS3 -O único que se divertia era o senador Jereissati. Eram 3 cearenses, mocíssimos e grandes amigos, que montaram um plano. Os 3 seriam governadores e senadores. O primeiro Ciro Gomes, governador mais jovem do estado. Depois, Jereissati, a mesma coisa. Chegada a vez de Sergio Machado enganado miseravelmente por Jereissati.
PS4 -Sergio nem conseguiu vaga para disputar o governo. Mais tarde se elegeu senador, não conseguiu se reeleger. Foi para a Transpetro. Ficaram inimigos para sempre. Jereissati sabe que está imune e inatingível. Pela inimizade. (Helio Fernandes)

Nenhum comentário: