27 de mai de 2016

Grampo, delação, desemprego e Temer...

• Debater as prioridades: Déficit recorde de R$ 170,5 bi forçará necessário debate sobre o uso dos recursos públicos. Dívida pública caiu 3,01% em abril, para R$ 2,79 trilhões, diz Tesouro. Endividamento público, em alta, havia chegado em março a R$ 2,88 trilhões. 
• Moro rebate críticas a acordos de delação premiada na Lava-Jato. Para ele, ataques são sinal de uma tentativa de retorno ao status quo da impunidade dos poderosos
• Investidores da Petrobrás na Bolsa de NY pedem a Moro laudos da Lava Jato.
• Crise deixa quase 3 milhões sem ter seguro-desemprego. Direito é válido por até cinco meses; com menos vagas disponíveis, há mais dificuldade para se recolocar antes do final do benefício. 
• Sarney e Renan discutem como influenciar Lava Jato. Assunto foi debatido pelos peemedebistas em gravações de Sérgio Machado. 
• Polícia do Rio apura caso de estupro coletivo de adolescente de 16 anos e prende suspeito do divulgar vídeo do crime na internet. Polícia identifica quatro dos 33 envolvidos no estupro coletivo; Foi pedida a prisão de quatro suspeitos após a abertura de inquérito. Quando acordei, tinham 33 caras em cima de mim, diz menor estuprada. Impunidade fez estupro coletivo virar motivo de ostentação, diz promotora. Não é a mulher que tem que se resguardar. É o homem que tem que ser educado, diz advogada da ONU; Uma mulher é violentada a cada 11 minutos no Brasil. Ao todo, no Brasil 47,6 mil mulheres foram estupradas em 2014; no Estado do Rio de Janeiro, foram 5,7 mil casos. 
• Áudios mostram que partidos financiaram MBL em atos pró-impeachment. O MBL (Movimento Brasil Livre), entidade civil criada em 2014 para combater a corrupção e lutar pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), recebeu apoio financeiro, como impressão de panfletos e uso de carros de som, de partidos políticos como o PMDB e o Solidariedade. O movimento negociou também com a Juventude do PSDB ajuda financeira a suas caravanas, como pagamento de lanches e aluguel de ônibus, e teria tido apoio da máquina partidária do DEM. 
• Delação de Machado ficará em sigilo por algumas semanas. PGR avalia que é preciso amarrar pontas soltas antes de publicar conteúdo. 
• Mulher de Eduardo Cunha pede restituição de tributo. Ela solicitou reembolso de gastos no cartão de crédito de conta secreta. 
• Ricardo Lewandowski achou por bem soltar uma nota à imprensa sobre as citações a membros do STF nas gravações de Sérgio Machado: Faz parte da natureza do Poder Judiciário ser aberto e democrático. Magistrados, entre eles os ministros da Suprema Corte, são obrigados, por dever funcional, a ouvir os diversos atores da sociedade que diariamente acorrem aos fóruns e tribunais. Tal prática não traz nenhum prejuízo à imparcialidade e equidistância dos fatos que os juízes mantêm quando proferem seus votos e decisões, comprometidos que estão com o estrito cumprimento da Constituição e das leis do País.
• Crise deixa quase 3 milhões de pessoas sem ter seguro-desemprego. Empresas parcelam verbas rescisórias. 
• Cartões de Dilma torraram R$ 32,5 mil/dia, este ano. 
• Novo comando da Caixa Econômica estuda fechamento de agências deficitárias.

• Justiça americana investiga Eletrobrás por corrupção. 
• Um avião Boeing 777-300, que transportava 302 passageiros e 18 tripulantes, pegou fogo, na manhã desta sexta-feira, no Aeroporto Internacional de Tóquio, no Japão. Segundo a companhia Korean Air, um dos motores da aeronave pegou fogo. O voo iria para Seul, na Coréia do Sul. 
• Tensão marca novos protestos contra reforma trabalhista na França. Refinarias se encontram total ou parcialmente paradas. Greve também afeta desde esta quarta-feira 19 usinas nucleares. 
• Em texto final, G7 afirma que crescimento global é prioridade. Líderes do G7 se comprometem com novas estratégias econômicas. 
• Por que visita de Obama a Hiroshima não inclui pedido de perdão. Entenda argumento que prevalece na sociedade americana; passagem busca ainda divulgar agenda antinuclear que rendeu prêmio Nobel ao presidente. 
• Coalizão internacional intensifica bombardeios na Síria. 
• Só falta definir a data. Nicolás Maduro não tem como impedir referendo. 
• Ação bilionária contra a Petrobras na Justiça dos EUA tem julgamento marcado para o dia 19 de setembro deste ano. Estatal pode ser condenada a pagar R$ 350 bilhões a acionistas. 
• Perda em dobro: Plebiscito que decidirá se Reino Unido fica ou sai da UE pode ter implicações profundas para ambos. 
• Em Hiroshima, Obama defende fim de armas nucleares. Ele é o primeiro presidente americano na cidade desde bombardeio de 1945. 
• Conquista de Trump deve unir republicanos ao seu redor. Magnata surpreendeu caciques do partido e não economizou em provocações. Trump atinge meta para ser candidato, aponta sondagem. Republicano tem a seu favor 1.239 delegados, dois a mais do que o necessário. 

Sarney vira símbolo do desespero da oligarquia.
José Sarney: A ditadura da Justiça tá implantada, é a pior de todas!
Sérgio Machado: E eles vão querer tomar o poder. Pra poder acabar o trabalho.
A fabulosa epidemia de corrupção revelada pela Lava Jato fez do Brasil um pedaço do mapa onde há a maior possibilidade de surgir um país 100% novo. Caos não falta. O diálogo reproduzido acima revela que essa nação inteiramente outra talvez já tenha começado a existir.
Nascida na periférica comarca de Curitiba, a investigação que deu à luz um Brasil diferente sobrevive a todas as bruxarias e conchavos urdidos por políticos que se habituaram a viver no epicentro do ilícito sem sofrer qualquer tipo de embaraço. A oligarquia corrupta está acuada.
A ditadura da Justiça de que fala Sarney é o outro nome de Estado Democrático de Direito. Renan Calheiros responde a uma dúzia de inquéritos. Eduardo Cunha é um réu afastado do mandato pelo STF. Marcelo Odecrechet está preso e negocia uma delação. Pilhados num diálogo vadio, Dilma e Lula foram denunciados no Supremo por tentativa de obstruir a Justiça.
Como se fosse pouco, os cardeais do PMDB Sarney entre eles foram gravados pelo amigo Sérgio Machado, subitamente convertido num silvério que, apavorado com a ideia de ser preso por ordem do tirano Sérgio Moro, tenta comprar com suor do dedo a proteção judicial que seus correligionários já não conseguem prover.
O autogrampo do ex-presidente da Transpetro pendurou no noticiário, de ponta-cabeça, caciques políticos capazes de tudo, menos de levar à balança meio quilo de explicações que afastem as suspeitas que rondam seus prontuários.
Natural que seres como Sarney sejam tomados de assalto (ops!) pela estranheza. Não estavam habituados a esse tipo de situação. Construíram suas carreiras num Brasil em que, acima de um certo nível de renda e de poder, ninguém devia nada. Muito menos explicações. Esse país em que os ratos colocavam a culpa no queijo e tudo ficava por isso mesmo não existe mais.
Em 21 dezembro de 2014, Sarney havia escalado a tribuna do Senado pela última vez, para pronunciar o que deveria ter sido um discurso de despedida de sua vida pública de seis décadas. O orador somava, então, 84 anos.
Os incautos imaginaram que estivessem diante de um aposentado. Mas se as fitas do companheiro Machado revelam alguma coisa é que Sarney é, por assim dizer, inaposentável. Ele permanece no palco como protagonista da própria imolação. Faz o papel de um Napoleão se descoroando.
No discurso de sua suposta despedida, Sarney reservou um parágrafo à autocrítica. Declarou: Precisamos levar a sério o problema da reeleição, que precisa acabar, estabelecendo-se um mandato maior. Até fazendo mea-culpa, de arrependimento, eu penso que é preciso proibir que os ex-presidentes ocupem qualquer cargo público, mesmo que seja cargo eletivo. […] Eu me arrependo, acho que foi um erro que eu fiz ter voltado, depois de presidente, à vida pública.
O Brasil não poderia prescindir de Sarney nesse momento. Sua aversão à Lava Jato é essencial para provar que o país está no caminho certo. Depois de encher as praças na luta pelas eleições diretas, o brasileiro viu subir ao poder, pela via indireta do Colégio Eleitoral, José Sarney, o vice mais versa da história, grande amigo da ditadura militar até seis meses antes.
Sarney deve sua Presidência a uma conspiração do acaso com as bactérias que invadiram o organismo de Tancredo Neves atrás de encrenca. Foi um gestor temerário. Governou mal tão bem que não teve condições políticas de indicar um nome para sucedê-lo. Vangloria-se de ter completado a transição da ditadura para a primeira eleição direta. Deu em Fernando Collor.
Eleito senador pelo Amapá três vezes, Sarney esmerou-se. Presidiu o Senado quatro vezes. Estrelou o escândalo dos atos secretos. Deu emprego a uma sobrinha de sua mulher que morava em Campo Grande; deu um contracheque a uma sobrinha do genro que residia em Barcelona; alçou à folha um personagem (Secreta) que trabalhava como mordomo na casa da filha Roseana Sarney…
Não era o Amapá ou o país que tinha um senador. Era Sarney que possuía o Brasil. Sob FHC, Lula e Dilma, foi aquinhoado com generosos nacos do Estado. Cavalgando a administração pública, Sarney logrou alcançar a prosperidade privada. Seu nome fundiu-se ao patrimonialismo nacional. O desespero de Sarney, o oligarca mais longevo da República, é o melhor símbolo que a Era da Lava Jato poderia arranjar. (Josias de Souza) 

O Brasil já melhorou!
Qualquer pessoa que tenha lido com um mínimo de atenção a transcrição dos diálogos de Sérgio Machado com Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney sabe que não há neles absolutamente nada de politicamente relevante.
Se há outros com conteúdo bombástico, não sei. É bom que tenham vindo a público. Demonstram que há ao menos o risco de o Brasil dar certo... Os únicos a encontrar um sentido transcendente -isto é, que vai além da conversa mole- nos diálogos foram os petistas e os colunistas do Velho Regime. Vamos ver.
Um jurista de muitas lentes ou um rábula de porta de cadeia sabem que não há neles crime nenhum. De ninguém. Era forçoso que Jucá fosse apeado do Planejamento, mas não porque tenha atentado contra a Lava Jato ou a saúde das instituições. Aquele papo é incompatível com o cargo que ocupa. Falta de decoro ou de vergonha não é crime.
Síntese da conversa do ex-ministro com Machado: ameaçado, anteviu que tudo se resolveria quando Michel Temer fosse presidente. Tanto o interlocutor não acreditava, notem, que estava gravando o bate-papo para fabricar uma prova ou um instrumento de chantagem.
E com Renan? O presidente do Senado acha necessário disciplinar as delações premiadas. Eu também. Provavelmente, queremos disciplinas distintas. Nos dois casos, onde está o crime? E José Sarney? A conversa é ainda mais estratosférica. O ex-senador promete tornar o interlocutor imune a Sergio Moro. Como? Ninguém faz a menor ideia. Nem o lírico de Saraminda.
Nesta mesma Folha, li que um emissário de Temer esteve com procuradores para desfazer a boataria de que, se presidente, o então vice iria frear a Lava Jato. Referindo-se às gravações e ao encontro, os petistas gritaram: Conspiração! Dilma foi vítima de um golpe!.
Segundo os petralhas, os ditos golpistas tramavam contra a ora Afastada tanto quando manifestavam o desejo de frear a operação como quando diziam que esta é intocável. Cobrar raciocínio lógico de esquerdistas é perda de tempo. Seu negócio é ganhar um debate mesmo sem ter razão. Entendem que dialética é a arte de fazer a mentira brotar da verdade e a verdade, da mentira. Em qualquer dos casos, trapaça.
E por que os vazamentos me levaram a pensar que até há o risco, ainda que não assim tão grande, de o Brasil dar certo? Pense comigo, leitor amigo. Já vieram a público gravações com Lula, Dilma, Jaques Wagner, Jucá, Renan e Sarney. Estamos falando de uma presidente da República, dois ex-presidentes, um ministro de Estado e dois dos mais poderosos senadores. Os membros dessa plêiade pertencem aos maiores partidos do Brasil. Todos impotentes. O Brasil já melhorou!
Todos estavam empenhados em dar um jeito na Lava Jato. E, no entanto, o que cada um deles pôde fazer, além de nada? A suposição de que as falas de Jucá, Renan e Sarney evidenciam a natureza golpista da deposição de Dilma é só um atestado de má-fé e de vigarice intelectual.
Elas não fabricaram o crime de responsabilidade cometida pela Afastada nem orientaram o voto de deputados e senadores. Não são nem causa nem consequência do fato jurídico e do fato político.
De resto, eu tenho o direito de dizer ao telefone que já acertei o conteúdo da próxima encíclica com o papa Francisco. Agora é só torcer para ninguém divulgar a minha conversa.
Hora de mudar de assunto. (Reinaldo Azevedo)

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