21 de mai de 2016

Ao povo sério votante, o escárnio...

• Temer levará proposta de nova meta fiscal pessoalmente ao Congresso. Presidente em exercício planeja entrevista para defender realismo da meta e pretende transmitir respeito ao Legislativo. Temer deve fazer na segunda-feira (23) primeiro pronunciamento desde sua posse. O presidente em exercício Michel Temer (PMDB) decidiu ir ao Congresso Nacional na próxima segunda-feira (23) para entregar pessoalmente a proposta de nova meta fiscal para este ano, com previsão de déficit de R$ 170,5 bilhões. 
• Temer se reuniu com a equipe econômica antes de os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Romero Jucá, anunciarem os números. Após apresentar a proposta ao Congresso, Temer dará uma entrevista coletiva, a primeira desde que assumiu a Presidência da República. 
• A decisão de ir ao Congresso foi tomada nesta sexta-feira (20) por Temer na tentativa de demonstrar respeito ao Legislativo, a quem cabe votar a nova meta, e sensibilizar os parlamentares sobre a necessidade da aprovação de medidas econômicas importantes para o novo governo, a começar pela meta fiscal. Na entrevista, Temer será acompanhado por quatro ministros. O objetivo, segundo o Palácio do Planalto, é apresentar ao País uma análise realista dos números que recebeu da gestão da presidente afastada Dilma Rousseff. Além de Meirelles, participarão da entrevista os ministros do Planejamento, Romero Jucá; da Casa Civil, Eliseu Padilha; e da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima. 
• Governo Temer prevê rombo de R$ 170,5 bilhões em 2016. Nova gestão descongela R$ 21 bi de despesas e diz que, assim, garante funcionamento de órgãos federais ao longo do ano. Equipe econômica de Temer prevê queda de 3,8% no PIB em 2016. Governo Dilma Rousseff projetava retração de 3,05%; novas previsões se aproximam do boletim Focus, do Banco Central. 
• Abin espiona Michel Temer. O Antagonista soube de fontes insuspeitas que Michel Temer está sendo espionado pela Agência Brasileira de Inteligência, a mando de Ricardo Berzoini, ministro da Secretaria de Governo. Ricardo Berzoini é Dilma Rousseff. O objetivo, evidentemente, é monitorar os movimentos políticos do vice-presidente da República, que se articula para suceder a petista dentro das regras democráticas. É um escândalo que a presidente da República, por meio de um ministro, espione o seu vice. É um escândalo que a presidente da República use uma agência estatal, sustentada com dinheiro público, em benefício pessoal. É um escândalo que a presidente da República transforme o Estado de Direito em Estado policial. O Brasil não pode continuar assim. 
• STF autoriza quebra de sigilo de Romero Jucá. Ministro é alvo de inquérito que investiga liberação de emendas suspeitas. 
• Aposentadoria: Reforma da Previdência pode atingir trabalhador na ativa; CUT vê irregularidades. 
• Planos de saúde perdem 1,4 milhão de clientes em 1 ano. Propostas para a saúde incluem premiar eficácia e qualidade e punir ineficiência. 
• Novos presidentes do BNDES e da Petrobras precisam profissionalizar a gestão das empresas. 
• E os meus mercenários? Guilherme Boulos, do MTST, disse que a eventual suspensão do Minha Casa Minha Vida -- causada por falta de previsão orçamentária, mais uma irresponsabilidade de Dilma Rousseff -- vai causar uma onda de ocupações no país. Ele não quer perder a prioridade que garantiu aos seus mercenários no governo do PT. 
• PMDB tem que demonstrar que pode liderar país, diz FHC. Para ex-presidente, recessão e fragmentação no Congresso limitam atuação. 
• Cunha recua em decisão de voltar a frequentar Câmara. Deputado afastado disse no Conselho de Ética que retornaria na segunda. 
• Haddad pede à Corregedoria investigação de promotor. Recurso sobre autor de ação de improbidade contra o prefeito foi acatado. 
• Governo estuda programa habitacional para quem não está no Minha Casa Minha Vida. 
• Piso do INSS será inferior ao salário mínimo nacional. 

• Egito diz ter achado destroços de avião no Mediterrâneo. Terrorismo, briga na cabine e fogo estão entre hipóteses para o acidente. 
• Argentina, Chile e Uruguai cobram diálogo na Venezuela. Chanceleres divulgam comunicado pedindo fim da crise política em Caracas. 

Duas Marias vão à guerra.
Sinto, editores e leitores modernos, mas não as elogiarei por serem mulheres. Nesse tempo e país, símbolos valem mais que substância - mas, anacrônico, prefiro a segunda. Maria Helena de Castro na secretaria-executiva do MEC e Maria Inês Fini na presidência do Inep são uma ousadia do ministro Mendonça Filho: a decisão de proteger os direitos dos estudantes contra a aliança entre a politicagem triunfante e o corporativismo sindical, grudados por uma gosma ideológica. Infelizmente, as duas Marias serão expostas a uma guerra suja, como sabem por experiência própria.
Maria & Maria têm uma plataforma para a Educação. 1) Base curricular unificada, com foco no aprender a aprender; 2) Avaliação sistemática das escolas, baseada em metas definidas; 3) Qualificação permanente dos professores; 4) Bonificação por mérito para escolas e professores.
Elas sofrerão, por isso, intensa sabotagem de camarilhas políticas, interessadas na colonização do sistema de ensino por cabos eleitorais, da burocracia aparelhada do MEC, consagrada a diversos tipos de doutrinação ideológica, e de associações sindicais de professores, avessas a distinções meritocráticas de remuneração. Todos esses grupos tecerão pactos de conveniência contra as duas Marias, boicotando suas iniciativas. São eles os conservadores: querem conservar um ensino público que conspira contra o direito à educação dos filhos dos pobres.
Maria Helena assumiu a Secretaria da Educação de São Paulo em julho de 2007, mas durou apenas até março de 2009. O Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp) registrou avanços em 70% das escolas. Contudo, de olho na sua campanha presidencial, o então governador José Serra entregou a cabeça da secretária numa bandeja de prata, cedendo à campanha da Apeoesp contra a unificação curricular, a avaliação das escolas e a bonificação por mérito. Numa entrevista, Maria Inês disse o que se sabe (A maioria dos professores são heróis: dão 60 horas de aula por semana. É por isso que as melhores cabeças estão indo para qualquer outra área, menos para a sala de aula) e também o que não é óbvio.
Os professores são preparados para transmitir informação, não para promover a cultura do conhecimento. Nas escolas, dificilmente se ouve o estudante, mas nenhum professor pode ter medo do que o aluno pensa pois é fundamental ter acesso às estruturas de pensamento da turma. No governo FHC, idealizou o Enem como ferramenta de avaliação da cultura do conhecimento e de investigação das estruturas de pensamento. Depois, os bárbaros desvirtuaram o exame, convertendo-o em vestibulão nacional e, às vezes, em megafone de delinquências extremistas (ano passado, uma questão celebrava o antiamericanismo de Slavoj Zizek, para quem Pol Pot não foi radical o suficiente).
Na guerra contra as duas Marias, as universidades federais ocuparão lugar de vanguarda. A ordem de tiro partirá de cima: em setembro de 2014, 54 reitores das federais prostraram-se diante de Dilma Rousseff, oferecendo-lhe seus préstimos na campanha eleitoral. De acordo com o texto que assinaram, eles tomavam posição enquanto dirigentes universitários eleitos, forma despudorada de expor uma concepção sobre as relações entre universidade, política e partido. Suspeito que, além das tradicionais reivindicações corporativas, a próxima greve das federais será movida por objetivos político-partidários.
Ao aceitar as nomeações, Maria & Maria revelam a coragem de enfrentar poderosas máquinas políticas e sindicais sem contar com ninguém por trás: os escolares, crianças ou adolescentes, são o povo desorganizado na sua máxima fragilidade. A esperança de mudança no ensino passa a depender das convicções de Mendonça e do improvável compromisso de Michel Temer com os interesses de quem não têm voz. (Demétrio Magnoli) 

Inconformismo, Indignação e Genética!...
Emocionado, recebi o texto abaixo de minha neta, que está estudando artes e teatro na Universidade de Coimbra, em Portugal... Como a imensa maioria dos universitários brasileiros, minha neta é socialista, no sentido mais puro da palavra e não abre mão de suas convicções e de suas crenças! E como também acontece com a imensa maioria dos universitários brasileiros, em sua pureza, em seu idealismo e com a pouca rodagem e vivência das artimanhas da vida e do jogos de Poder que, desde Abel e Caim, dominam a mente e o coração da humanidade, ela ainda acredita que seu socialismo se confunde com aquele socialismo do PT original... Bem diferente do modelo que se apoderou do atual PT e de seus descaminhos, depois que foi mordido e dominado pela conquista do Poder!...
Lendo o texto e me emocionando a cada parágrafo, fui vendo passar o filme de minha vida estudantil/universitária, em meu socialismo inconformista e em minha indignação com a então ditadura iniciante... Com meu papel de líder estudantil como presidente do D.A. da Escola de Cinema da PUC-MG... Com as duas noites e dois dias que passei trancafiado na Secretaria de Segurança de MG, em abril de 64, para interrogatórios... Com a visão de meus pais abalados e perplexos, na tríplice invasão de nossa casa, em três vezes, por agentes do DOPS, para um descabido assédio moral e psicológico, pelo filho que recebia o exemplar mensal da revista Rússia, enviada não se sabe por quem e que visitara a Exposição Russa no Pavilhão de S. Cristovão, no Rio, dois anos antes... E que, por um triz, não foi admitido na Petrobras, após concurso, sendo milagrosamente salvo pelo depoimento positivo de um professor, consultado e virado ao avesso por um coronel da então toda poderosa Divisão de Informação da Petrobras... E que depois de anos e anos de Empresa, já ocupando altos postos gerenciais, descobriu que estava lá cravada em sua ficha funcional, a sentença típica dos Sistemas opressores de Poder: ...envolvido em atividades subversivas e ilegais não totalmente comprovadas, mas com fortes indícios de participação... 
Como é forte a genética e a memória celular de nossos gens, que ficam impregnados dos valores, das crenças e dos ideais que todos nós vivemos e que, inexoravelmente, repassamos a nossos filhos e netos!...
Uma amiga minha em enviou ontem um interessante comentário: está lendo a recente obra de Dan Brown, Inferno e, logo na página inicial está escrito: ...Os lugares mais sombrios do Inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral... 
De fato, o mais grave pecado do homem deve ser a omissão diante do desmoronamento moral e das injustiças que acontecem ao seu redor!
Que bom ter uma neta impregnada e conduzida pela indignação, pelo não-conformismo, pela contestação dos Sistemas que aí estão, escravizando e desumanizando o ser humano, em sua beleza original! E que não se conforma com a neutralidade, com a omissão, com o politicamente correto, com o não arriscar-se, com o omitir-se! Mesmo que todos esses sentimentos possam estar temporariamente passando por caminhos não totalmente adequados, ou eivados da mesma escravização e desumanização que ela combate, mas não consegue ainda detectar!
Minha neta, mais que uma inconformada, é uma artista! E sabe bem do que está falando, das dificuldades de se viver em um País que não valoriza as letras, o saber, o sonho, a beleza imaterial! Com o tempo, seu inconformismo vai encontrar o rumo substantivo e ela ai perceber que, nessa questão atual de nossa Cultura e de nossas Artes, mais que lutar pelos aspectos formais e burocráticos da questão, é fundamental lutar pela conquista de uma política e de uma prática da Cultura, atrelada à Educação e que possam contribuir para a melhor qualidade de vida de nossa população! 
...A cultura incomoda porque é formadora de opinião, porque é viva, porque é política, é transgressora e transformadora por natureza... 
Sobre essa questão de Ministérios e Cultura, um amigo meu me enviou esta curiosa reflexão: ...Li que alguém teria dito que o sistema solar é formado pelo Sol, Júpiter, Saturno, Urano e milhares de fragmentos... Seguindo esse padrão universal do nosso Sistema, o organograma executivo em Brasília deveria ser: 
Ministério de Educação e Cultura (o Sol), Ministério da Saúde (Júpiter), Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento (Saturno) e Ministério de Assuntos Gerais (Urano)./ O resto, seriam secretarias embutidas nesses quatro... 
Sinto orgulho da neta que tenho!... (Márcio Dayrell Batitucci) 

Texto:
...Gente, deixa eu contar uma coisa pra vcs: A classe artística revoltada e preocupada só com o próprio umbigo não são só os globais e músicos renomados que tem a vida ganha. São atores, diretores, dançarinos, coreógrafos, iluminadores, figurinistas, cenógrafos, produtores, artistas plásticos, circenses... são pessoas que (olha só que coisa!) trabalham muito pra conseguir sobreviver fazendo o que ama...
São poucos que tem coragem de não desistir, a gente trabalha com tudo pra conseguir se sustentar (e as vezes ainda tem que fazer uns bicos por fora), a gente chega ao ponto de trabalhar de graça por amor a um projeto, a gente ouve que tem que desistir todos os dias (e as vezes pensamos seriamente nisso).
Mas deixa eu contar uma outra coisinha pra vcs: a gente também tem conta pra pagar, a gente também tem família, tem filho. Experimenta passar um dia na pele de um artista/produtor, tentando montar um espetáculo, vai ver que delícia e que fácil é conseguir patrocínio pra uma peça ou um festival independente... Que delícia é finalmente conseguir passar em um edital e eles congelarem a verba, pq faltou dinheiro pra educação, pra saúde, pro turismo. Acontece que pra você passar em um edital, o projeto já deve existir: isso quer dizer que muita gente já gastou tempo e dinheiro com ele, isso quer dizer que se você não tem dinheiro pra pagar, um monte de gente vai ficar desempregado...
Ó! Acham que só o pessoal das fábricas tava sendo demitido e ficando sem dinheiro pra comer, pra pagar as contas?...
Mas sabe por que vocês não ligam? Porque vocês aprenderam desde a escola que matemática é mais importante que artes. Vocês não sabem que a cultura incomoda porque é formadora de opinião, porque é viva, porque é política, é transgressora e transformadora por natureza. Vocês não sabem o tanto de gente que sai de situações de risco por causa de projetos relacionados â cultura, vocês não conhecem o Valores de Minas, vocês não sabem a luta diária pra manter esses projetos vivos.
Vocês não sabem o quanto já era difícil com o MinC, mas vocês sabem que tirar ele é cuspir na nossa cara, desprezar toda nossa luta, toda a nossa história, é tentar calar a nossa boca. 
Agora vou contar uma última coisa: Vocês já fazem isso todos os dias desde que a gente escolhe ser artista como profissão. Nada é fácil pra gente, se tem uma coisa que estamos acostumados é a sermos marginalizados, a lutar e sobreviver.
Não vão calar nossa boca, não vão passar por cima da gente, vai ter luta, vai ter arte e ocupação, vai ter MinC....

Empreender é o melhor remédio para a crise.
Observando as dificuldades que o novo governo tem no seu horizonte próximo, bem com a crise econômica à frente, precisamos reconhecer que foi uma obra-prima de política econômica a tal nova matriz. Só que ao contrário.
Não é novidade que Havana Rousseff arrombou as contas públicas em 2014 para ganhar a reeleição e que, entre suas pedaladas habituais, fabricou nossa recessão, a inflação alta, o esgarçamento do déficit público e lançou os juros na estratosfera.
Acontece que todas essas implicações afugentaram aqueles que podem ser os principais agentes de mudança: os empreendedores. O sabor amargo da decepção levou ondas e mais ondas de empreendedores para fora do país. Some-se a isso o fato de ainda não termos criado um ecossistema que valorize a livre iniciativa, a inovação ou a criação de negócios.
Alguns estudos apontam que o custo de abrir uma empresa no Brasil é 38% maior que o de países emergentes e, se comparado com países desenvolvidos, essa margem cai para 30%. Ademais, uma empresa chega a gastar 2.600 horas por ano no processamento de tributos, sendo necessários cerca de 200 funcionários para atender às normas fiscais brasileiras.
O dinamismo e a redução de burocracia são os elementos essenciais das novas economias. Elas utilizam mecanismos que guardam semelhança com as redes sociais para reduzir as distâncias entre cliente e vendedor, criando um ambiente intuitivo, online e com alto grau de confiabilidade - fundindo big data e certificações privadas (sim, é por isso que sua avaliação depois de uma viagem do UBER é tão importante).
É urgente que o Brasil entre naquilo que já começa ser chamado de Quarta Revolução Industrial. Para isso, precisa ser tão eficiente quanto os principais centros empreendedores do mundo. A Califórnia, por exemplo, leva apenas uma semana entre a criação de uma startup e o início de suas atividades.
Elementos desanimadores como o excesso de burocracias e regulamentações, a necessidade de uma reforma tributária, assim como as complicações relacionadas com a falta de segurança nas cidades são fatores inegociáveis na criação de um ecossistema empreendedor. Entretanto, criar atmosferas de coworking, aproximar empresários em início de carreira com colegas experientes que já alcançaram o sucesso e fomentar estruturas atrativas para investidores e clientes também são meios para construir um espaço de inovações e tecnologias de alcance global.
A riqueza de um país não é herdada e nem é derivada das fontes naturais, de seu número de trabalhadores ou do valor de sua moeda. Toda a prosperidade que uma população pode usufruir é criada através dos esforços dos seus indivíduos. A inovação pode reformular qualquer mercado./ Portanto, findo os tempos petistas, chegou o momento de dar o devido reconhecimento ao empreendedorismo como chave da criação de valor e restaurar a auto-estima do brasileiro em dizer ser dono de uma ou mais multinacionais. (Fernando Fernandes, Graduado em Direito (UFRJ). Mestrando em Filosofia (UERJ). Coordenador Administrativo do Instituto Liberal)
A diferença entre a inteligência e a estupidez é que a inteligência é limitada. (Roberto Campos)

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