13 de abr de 2016

Um casório que pouco durou...

• Brasil tem ao menos 22 milionários em lista do Panama Papers. 
• Temer: golpe é romper com a Constituição; Ministros avaliam que batalha do impeachment está virtualmente perdida; Maioria do Senado apoia afastamento de Dilma, mostra levantamento. 
• Comissão do impeachment: 19 investigados votaram. Suspeitos de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros, participaram da votação da última segunda-feira. Dez deles votaram contra o impeachment; nove a favor do afastamento de Dilma. 
• PM encontra armas brancas com manifestantes pró-Dilma. Em poder de membros de movimentos sociais acampados haviam facas, porretes e até machados. 
• Prefeitura do Rio muda Parque Olímpico para favorecer Odebrecht, a Andrade Gutierrez e a Carvalho Hoskene. 
• PSD avalia posição sobre impeachment. Membros do partido fundado por Kassab, ministro de Dilma, reúnem-se nesta 4ª; Líderes do governo almoçam com Lula para debater estratégia: alvo é centrão; Dilma e Lula tentarão aumentar dissidências na base após revés do PP. 
• Estado do Rio antecipa vacinação contra H1N1 para o próximo dia 25. 
• Ex-senador Gim Argello é preso na Lava Jato. Ex-senador pelo PTB do Distrito Federal é acusado de ter cobrado propina de empreiteiros para que eles não fossem chamados a depor na CPI mista da Petrobras, da qual ele foi vice-presidente; Ele recebeu R$ 5,3 milhões em propina, diz MPF; Preso na 28ª fase da Lava Jato, Gim Argello (PTB) é acusado de receber dinheiro para não convocar empreiteiros para depor à CPI da Petrobras; Planalto apoiou candidatura de ex-senador preso ao TCU. Campanha feita por servidores, que apontou falta de idoneidade moral e reputação ilibada, obrigou Gim Argello desistir de concorrer a vaga no Tribunal de Contas da União em 2014. Petebista foi preso acusado de receber propina em troca de proteção em CPI. 
• Presidente do PP passou a atuar pelo impeachment. Senador Ciro Nogueira estava com um pé no governo Dilma, mas mudou de posição e agora defende processo contra a presidente. Vamos tentar unificar a bancada para votar unificada, disse a deputados. 
• Dilma diz que golpe tem chefe e vice-chefe assumidos. Não sei direito qual é o chefe e o vice-chefe. Um deles é a mão não tão invisível assim que conduz com desvio de poder e abusos inimagináveis o processo de impeachment. O outro esfrega as mãos e ensaia a farsa do vazamento de um pretenso discurso de posse, disse a presidente, sem citar nomes.
• Programa na internet debate cobertura da mídia sobre o impeachment. Cientistas políticos e professores da UnB discutem a abordagem do noticiário político e buscam contraponto à mídia tradicional. Remoto Controle poderá ser acessado esta noite, no mesmo horário do Jornal Nacional; O papel da mídia na cobertura do impeachment. Os jornalistas Eugênio Bucci e Laura Capriglione comentam sobre o papel que a mídia tem cumprido na evolução do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. 
• Dilma errou com ajuste fiscal, mas aprendeu a lição, diz Lula. Em ato convocado por artistas e intelectuais, ex-presidente afirma que petista fez mudanças na economia para atender ao mercado e que opositores agem como filhos que rejeitam a comida feita pela mãe. 
• Justiça Federal suspende nomeação do ministro da Justiça. Ministro foi empossado por Dilma há menos de um mês, em 17 de março. Juíza cita norma da Constituição vetando que membros do MP, que Eugênio Aragão integrou antes de assumir a pasta, exerçam outras funções.
• Congresso define composição partidária para Comissão de Orçamento. CMO será instalada a partir da confirmação de 21 parlamentares nomeados. Não foi estabelecido prazo para que líderes partidários entreguem indicações. Senado terá 10 vagas enquanto Câmara contará com 30 cadeiras. 
• CAE aprova US$ 473,7 milhões para estados. Deliberação do Senado tem caráter autorizativo, não impondo o Tesouro a obrigação de contratar os créditos. Assinatura do contrato só se concretizará se estado se enquadrar nos limites de endividamento previstos na legislação. 
• Aprovado limite a punição de municípios que tiveram queda de receita. Projeto de lei, que agora segue para a Câmara, busca evitar a punição de prefeitos com base na Lei de Responsabilidade Fiscal em casos de diminuição de recursos por razões externas. 

• Não consigo imaginar que Renan, depois desse quadro de completa derrota do desgoverno petralha, tenha a coragem de levar a cabo esse verdadeiro golpe: o de protelar o processo de impeachment de Dilma. Todavia, vez que os jornalistas do Antagonista (Diogo Mainardi e outros) têm feito descobertas importantes, é esperar para conferir. Renan prepara golpe para tentar evitar impeachment. Associado à escória petista, Renan Calheiros tenta dar sobrevida a Dilma Rousseff e, assim, evitar o impeachment; O Antagonista soube que, depois de o impeachment ser votado na Câmara, ele planeja encaminhar ao Supremo Tribunal Federal um pedido de esclarecimento sobre o rito no Senado.; Como não há mais nada a esclarecer sobre o rito de impeachment em ambas as Casas, visto que o STF já o definiu claramente, trata-de óbvia manobra protelatória; Enquanto Renan Calheiros espera a resposta do STF, Dilma poderá continuar na Presidência. O correto seria Renan Calheiros encaminhar imediatamente o impeachment aprovado pela Câmara ao plenário do Senado, para que os representantes votassem pelo seu recebimento ou não. Uma vez recebido, Dilma se afastaria por até 180 dias, a fim de preparar a sua defesa para o julgamento final, e Michel Temer assumiria no seu lugar; Com a manobra, Renan Calheiros, além de impedir a posse de Michel Temer, quer dar tempo para que o PT consiga comprar apoio entre os senadores e evite o recebimento do processo contra Dilma iniciado na Câmara; Isso, sim, é golpe. Um tremendo golpe na democracia; Renan Calheiros é um golpista em todas as acepções da palavra. 

• Lula tem quatro dias para se livrar de um fiasco. O festejado roteirista de cinema Billy Wilder enumerou 11 mandamentos que devem ser seguidos por quem deseja se dar bem no ofício. Diz o 6º mandamento: Se você está tendo problemas com o terceiro ato, o verdadeiro problema está no primeiro ato.; A quatro dias da fatídica votação do impeachment no plenário da Câmara, Lula, autoconvertido em herói da resistência, tropeçou no terceiro ato. Hoje, sua presença em cena leva mais votos para o cesto da oposição; Se Wilder estiver certo, o real problema está no primeiro ato, aquele em que Dilma telefonou para Lula e avisou: Eu tô mandando o Bessias, junto com um papel, pra gente ter ele. E só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse.; Tomados em seu conjunto, os grampos que Sérgio Moro jogou no ventilador escancararam a manobra: Lula queria o foro privilegiado do STF, não a poltrona de ministro. Preocupava-se com o próprio pescoço, não com a pele de Dilma; Lula tomou posse cercado pela claque do não vai ter golpe. Antes que pudesse sentar na cadeira, o ministro Gilmar Mendes, do STF, suspendeu sua nomeação. Desde então, exerce a atribuição de ministro-chefe do quarto de hotel; Recebe os políticos no escurinho da suíte. Com medo de grampos, exige que os celulares fiquem do lado de fora. Em tenebrosas transações, oferece mundos e, sobretudo, fundos a interlocutores de qualificação precária; Lula não entrega a recompensa a vista. Emite metafóricos cheques pré-datados. Ministérios? Emendas orçamentárias? Só depois da votação, quando o governo poderá jogar ao mar ministros do PMDB sem correr o risco de perder as duas dúzias de votos que imagina possuir no partido do conspirador Michel Temer; O sujeito saía dos encontros clandestinos interrogando seus botões: se Lula não consegue garantir nem a própria posse na Casa Civil, como acreditar que entregará o que promete?; A desconfiança potencializou-se depois que o procurador-geral Rodrigo Janot recomendou ao STF que torne definitiva a liminar que proibiu Lula de tomar posse. Como se fosse pouco, o chefe do Ministério Público Federal insinuou que pode processar Dilma por criar embaraços à Lava Jato ao fornecer a Lula o escudo do STF; O 11º mandamento de Billy Wilder anota: That’s it. Don’t hang around. Em tradução livre: Pronto. Dê o fora. No caso de Lula, dependendo do resultado de domingo, pode significar algo assim: Absorva o fiasco, convença-se de que você é um ex-Lula e vá brincar com os netos em São Bernardo. No mais, reze para estar solto em 2018. (Josias de Souza)

Dois derrotados.
A quem debitar a queda da presidente Dilma? Para começar, a ela mesma. Tanto pela arrogância, a prepotência, a presunção? Ou terá sido pelo despreparo? Há quem aposte no Lula? Afinal, o ex-presidente poderia ter escolhido melhor.
Madame deixou-se levar pelas falsas impressões. No seu primeiro mandato valeu-se da imagem do antecessor. Afinal, o Lula deu certo por conta da conjuntura nacional, internacional e de sua capacidade de absorver as más notícias em favor das boas. Dilma não apenas imaginou repetir a performance do torneiro-mecânico, mas pelo menos chegar ao seu discutível diploma de curso superior. Só que embaralhou muita coisa. Começou a perder pontos. Deixou de contar com fiéis seguidores do PMDB. Dos pequenos partidos, também. O resultado está aí, à vista de todos. Ainda mantém maioria na Câmara, mas caminha para a débâcle. Saberemos domingo, ou seja, daqui a cinco dias.
É cedo para previsões, mas tudo indica que a presidente deixará de ser presidente. Uma reviravolta desse jeito só aconteceu com Fernando Collor, não faz tanto tempo assim.
Dos dois lados,a deterioração é comum, porque a oposição não anda melhor nas contas. Se conseguir afastar Dilma, terá que começar tudo do zero. Que governo comporá com Michel Temer? Para organizar que governo? Sensibilizar que forças?
A situação está de vaca não conhecer bezerro, ainda mais porque a queda não arrefeceu, do lado de Dilma. Em suma, os dois grupos em cheque pode dar-se por derrotados. (Carlos Chagas) 

Um desafio para a esquerda: deixem quebrar.
Agora começou a previsível palhaçada de grandes bancos e corporações do país se unindo ao governo para um pacotaço de renegociação de dívidas em função da crise que eles mesmos criaram. Em resumo: eles quebram o país mas a conta é sua.
A esquerda, hipócrita como sempre, diz que é contra as grandes corporações e bancos, mas quando o governo é deles há 14 anos, o que fazem? Depois de devastar a economia, querem dar dinheiro público (ou seja, seu dinheiro) para salvar bancos privados e grandes grupos, alguns deles com os maiores lucros já registrados na história. É claro que estes plutocratas (ou metacapitalistas) saberão retribuir o favor.
Durante a crise de 2008, políticos carreiristas americanos dos dois partidos defenderam a ajuda às grandes empresas e bancos, um absurdo antiliberal que apenas lembra como as relações incestuosas entre governos e corporações é uma das grandes ameaças ao liberalismo. Não é possível ser liberal e ao mesmo tempo apoiar que governos salvem empresas.
A Grande Recessão tem sua origem nos anos 70, durante o governo Carter, mas os governos posteriores só colocaram mais combustível na fogueira até tudo explodir no apagar das luzes do governo Bush, autor da desastrada frase: precisei abandonar os princípios do livre mercado para salvar o sistema de livre mercado. O correto seria dizer precisei abandonar os princípios do livre mercado para salvar meus amigos de Wall Street, os mesmos que foram ainda mais ajudados pelo governo Obama.
Alguns autoproclamados Intelectuais esquerdistas dizem que a crise de 2008 foi a Queda do Muro de Berlim Capitalista, mas se não fossem analfabetos funcionais saberiam que tudo que a economia de livre mercado rechaça é o intervencionismo estatal, não apenas por motivos teóricos ou ideológicos mas também porque não funciona e, ao final, o país fica ainda mais endividado e quebrado, a despeito dos banqueiros e amigos do governo salvos com dinheiro público.
A esquerda é a grande incentivadora deste capitalismo de quadrilha que existe hoje no Brasil e estes acordões são a prova definitiva disso. O Brasil está vendo como o PT se relaciona com as empreiteiras e não tem qualquer motivo para imaginar que as relações com banqueiros e os plutocratas respeitem uma bússola moral diferente.
Nunca deixe que um esquerdista jogue na sua cara que a direita defende este tipo de relação entre grandes grupos econômicos privados e governos, mesmo que alguns direitistas tenham participado destas negociatas. Eu não defendo e quem defender é tudo menos conservador ou liberal. O liberalismo surgiu no séc. XVIII exatamente para combater o mercantilismo que, entre outras ideias absurdas, criava todo tipo de barreira protecionista e salvaguardas, além de financiamentos subsidiados, para as grandes corporações da nobreza.
A economia de mercado não só aceita que empresas quebrem, ela precisa disso como nós precisamos de água. Uma empresa que vai à falência envia informações importantíssimas para toda sociedade sobre o que não fazer na alocação de recursos e torna o sistema como um todo mais inteligente. Uma pizzaria que fecha não acaba com o mercado de pizzas, pelo contrário, ela ensina às outras pizzarias quais erros devem ser evitados, o que é vital para o desenvolvimento do capitalismo.
Quando uma empresa quebra, seus recursos são liberados para serem reutilizados na sociedade em empreendimentos em que há real demanda de consumidores por eles. Uma empresa salva artificialmente pelo governo prende estes recursos em negócios ineficientes e a sociedade perde duplamente.
Vamos lá, PT! Deixem os ricos que vocês fingem combater irem à falência! O remédio é amargo no começo, mas é o único que funciona. A mensagem passada para a sociedade é: empresa privada corre riscos e, assim como os lucros, os prejuízos também são privados. (Alexandre Borges, comentarista político e publicitário)

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